domingo, 4 de janeiro de 2009

Acredito piamente


Que os olhos são as janelas para a alma.

Tenho dificuldade em confiar ou me identificar com quem não consegue olhar nos olhos.

Olho direto nos olhos, no fundo deles. Apreendo significados. Intuo.

Olhos são janelas para a alma.

Reforma Ortográfica

Estava lendo aqui na Folha de São Paulo uma tabela que tenta simplificar as mudanças na ortografia.

Não entendo qual a função de criar tantas regras para o hífen. Em alguns casos dá a impressão de que resolveram apenas inverter. O que tinha hífen deixa de ter e o que não tinha passa a ter. São umas 4 ou 5 regrinhas que se tinham o propósito de simplificar, no meu ver complicaram.

Retirar os acentos me parece uma decisão descabida. E veja que não é em todos os casos. O clássico exemplo que estão usando: assembléia passa a ser assembleia. Vai todo mundo depois de um tempo começar a falar como nas novelas de época. Porque assembleia dá vontade de falar assemblêia. E baleia que não tinha acento, haverá quem pronuncie baléia, tenho certeza.

Sinto-me incapaz de absorver essas mudanças. Perfeccionista como sou e certa de que mesmo tentando ser correta muitas vezes cometo erros ao escrever, fico achando que a pressão da mudança vai ser quase insustentável.

Estou pensando que uma boa decisão será talvez passar a escrever este blog em inglês...

Pão líquido

é uma das formas como os alemães chamam a cerveja. Cerveja alimenta, segundo eles.

Tive o privilégio de realizar um city tour a pé pela cidade de Nuremberg (ou Nürnberg para ser mais correta). E a guia não era uma guia qualquer. Era uma "Doktor" em alguma coisa relacionada a história, de uma universidade local. Títulos universitários para os alemães são importantíssimos. Definem até o degrau na carreira que um profissional pode atingir dentro de uma empresa.

Contou-nos a guia que a cidade em questão fora centro de comércio de especiarias, uma cidade muito rica, nos tempos antes da descoberta da América quando as riquezas ainda vinham do oriente.

Curiosidade que me marcou foi que, em época que faltava alimento e a água nem sempre era confiável mas não faltavam cereais e nem cerveja, os médicos aconselhavam as mulheres grávidas a tomarem muita cerveja. Não recordo a quantidade exata mas eram vários litros por dia, creio que cinco litros. Segundo eles, a cerveja tinha nutrientes equivalentes aos dos cereais e garantiam uma saudável formação do feto.

Seria ácido fólico?

Resolvi complementar este post porque acho que gerei má interpretação. Quando citei o uso da cerveja na gravidez, não foi para defender esta prática. Na verdade, achei engraçadíssimo o médico receitar litros e litros de cerveja. Fiquei imaginando as barrigudas trombando na rua. Foi isso... :))

Caminho da escola

A avó a levava para a escola todos os dias. Não saberia dizer quanto tempo antes da entrada ela saía de casa. Certamente um tempo considerável já que o caminho era cheio de paradas obrigatórias.

Primeiro tinha o murão de pedra. Olhando para cima avistava um prédio. Entre as pedras do muro nasciam centenas de florezinhas amarelas que gostava de colher. Mais tarde, quando era mais velha disseram-lhe que o prédio era um convento, possivelmente de Carmelitas.

Cada casa no caminho com suas cores, jardins e portões. Tudo era observado em detalhes. A última casa antes de terminar a rua era bastante sombria, ar de mau-cuidada. Mas nem por isso menos interessante. Talvez fosse até a mais interessante da rua. Acontece que transbordavam para fora de sua cerca amoreiras. Pegava as amoras mais vermelhinhas e comia ali. Nem eram tão gostosas. Azedinhas, bem azedinhas. Mas era o prazer inusitado de comer a fruta no pé. E ainda por cima uma fruta tão exótica.

Na esquina havia uma padaria. E ao pé da geladeira de sorvete estava sempre deitado um gato. Listrado de branco e laranja, dócil. Gostava que lhe acariciassem o pescoço e a cabeça. Ela tinha certeza de que o felino já a conhecia e aguardava a sua chegada, sempre naquele horário. Antes do colégio.

A aula terminava, era hora de voltar para casa. A volta exigia uma sutil mudança. É que na volta o interessante era a calçada do outro lado. Uma das primeiras casas do outro lado era verde-água. Como quase todas daquela época, tinha um pequeno jardim, piso de ladrilho vermelho quebrado em mosaico. E solto no jardim, um cão muito dócil. Veja que não era um cão qualquer! Era igualzinho à Lassie. O cão se deixava tocar na cabeça por entre as grades. Certa vez disse-lhe a dona que ele se chamava Ach.

Saltitava. No verão havia uma planta com cheiro acre que lhe incomodava o nariz. Amendoeiras com suas folhas grandes. Catava os frutos no chão. Quase chegando no seu prédio, duas ou três casas parecidas, daquelas que nem pareciam de cidade. Jardim comprido na frente, vegetação densa de um lado e do outro e um estreito caminho no meio que levava até a casa lá no fundo. Casinhas com porta no meio, entre duas janelas.

Mesmo depois de adulta o caminho para a escola aparecia-lhe em sonhos. Muito real. Como se nenhum tempo tivesse passado desde a sua infância. Às vezes andava para a escola. Em outras passeava na sua bicicleta de rodinhas.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Caixinha de música


"Devil wouldn't recognize you" tem uma introdução parecendo uma caixinha de música.

Lembrei de quando eu tinha uns 6 anos de idade. Eu ganhei uma caixinha de música. A gente pensa que nunca vai fazer isso, dizer que antigamente as coisas eram melhores. Mas acaba fazendo. O melhor a que me refiro neste caso é o valor das coisas. Eu ganhei essa caixinha que na época foi comprada numa importadora chinesa. Retangular, na tampa um trabalho filigranado com uma pedra no meio imitando rubi. Por dentro dividia-se ao meio. Uma "pista de dança" com um desenho circular e a outra metade para colocar jóias, forrada de veludo vermelho.

A caixinha era sólida, durável, de boa qualidade. E durou a minha infância e toda a minha adolescência. Pode ser que ainda esteja perdida por aí, no meio das minhas coisas antigas.

Eu dava corda na caixinha, colocava a bailarina e observava o seu rodopiar até a corda acabar. A música era do "Romeu e Julieta", o filme antigo, não a versão moderna com a Claire Danes.

A corda acabava, eu tornava a girar e via tudo de novo. Várias vezes, sem cansar. Era como se eu estivesse olhando uma bailarina de verdade, rodopiando. Às vezes eu até rodopiava junto.

Prazeres simples.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Apenas um exemplo...

..de por que a privação alimentar não leva a nada.

Um dia na vida de uma pessoa de férias e tentando ter hábitos alimentares saudáveis:

8:00h - Café com leite (desnatado), adoçante, 2 fatias de pão integral levemente besuntados de manteiga.

9:00h - Aula de local

10:00h - "Não dá tempo de comer. Preciso resolver aquele assunto".

14:00h - Almoço no shopping. Salada levíssima: mix de folhas verdes, tomate cereja, peito de peru, mussarela de búfala. Suco. Nada de refrigerantes.

16:00h - "Que fome... mas não dá tempo, tá na hora de fazer as unhas".

17:00h - "Que fome.... que vontade de comer um hamburguer".

18:00h - "Um hamburguer definitivamente ia bem".

19:00h - "Um hamburguer com uma cerveja seria ótimo".

20:00h - "Vou comer aquele hamburguer com cerveja".

20:30h - "Droga, a fome não passou".

21:00h - "Vai esse salaminho mesmo. Com pão integral é menos ruim".

21:30h - Ainda comendo salaminho e bebendo cerveja.
"Amanhã preciso correr".

Sobre coxinhas

Nem sei como começou esse assunto. Acho que foi porque contei para o meu amigo (que ama coxinha) que comprei uma para o meu filho e que ele começou a comer pela ponta. Expliquei para o meu filho: "N., não é assim que se come coxinha".

Meu amigo imediatamente retrucou:
- Mas eu também como coxinha pelo bico!

E eu que tento não ser mas acabo sendo meio explicadinha, disse para ele:
- Que bico?! Coxinha salgadinho é uma imitação da coxa de frango verdadeira, logo a ponta que você vê é a imitação do osso. Sendo assim, tem que pegar pela ponta!

Mas ele não se convenceu; disse que comendo do outro jeito não tem o mesmo sabor.

E foi assim, através do meu amigo, que aprendi que no Orkut tem uma comunidade chamada: "Eu como coxinha pelo bico" a qual obviamente ele já é filiado.

Strange people.

Momento Seinfeld

Toda vez que eu vou no supermercado eu me pergunto: por que é que estando o restante do corredor vazio sempre tem alguém que escolhe parar ao lado do único carrinho no corredor, bloqueando a passagem? Deve ter alguma explicação de Física para isso.

Hoje eu presenciei uma cena imperdível. Quis entrar numa loja para comprar o meu CD da Madonna, uma loja pequena com a entrada do tamanho de uma porta normal, como as de casa só que de vidro. Pois pasmem, uma mulher estava olhando os CDs dentro da loja com o carrinho de bebê encaixado exatamente na entrada da loja, bloqueando o acesso.

Eu fiquei sorrindo com um sorriso irônico para o vendedor que não se mexeu. Então eu (que odeio barraco) não aguentei, me espremi pelo lado e falei em alto em bom tom que "as vendas da loja seriam prejudicadas caso as pessoas não conseguissem entrar". O vendedor disse-me que de onde estava não havia percebido que o carrinho estava na porta (e foi quando me dei conta de que ele deve ter pensado que eu sorria porque gostei dele, um "jaburu-martelo"). E a mulher que além de tudo devia ser surda, só saiu porque não encontrou o que queria.

Unbelievable.