Fazia muito tempo que eu andava atrás de um PAP (passo a passo no artesanato) que ensinasse a fazer rosas de papel. Eu sempre admirei LOs (layouts) que utilizam essa técnica. A Mara da Creative Scrap House costuma usar. Os trabalhos dela são lindos!
Eu encontrei ontem esse PAP muito bacana da Valéria. E claro que já corri para tentar. Os resultados podem ser vistos abaixo. Eu as apliquei numa caixa de madeira que eu pintei e forrei. Usei bastante carimbo também. Normalmente eu sou mais "discreta" para peças de décor. Mas desta vez eu resolvi me soltar mais. Fica um certo medo de exagerar...
As rosas de perto:
A caixa. Quando eu tirei as fotos, a fita banana estava aparecendo no quadrado de base das rosas mas eu, perfeccionista que sou, já tratei de corrigir. Só deu preguiça de fotografar de novo.
domingo, 13 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Imortalidade
Eu sou da época em que vampiro era o Lestat. Dilemas quanto à imortalidade, ô pessoalzinho angustiado, esses vampiros da Anne Rice, a constatação da monstruosidade indesejada mas inevitável e outras questões que já não recordo mais. Em algum ponto da trilogia eu abandonei as estórias pois a sanguinolência acabou me enjoando. Em algum ponto comecei a achar tudo aquilo mórbido demais.
Crepúsculo, que estou lendo agora, tem várias questões em comum com às do vampiro Lestat, embora de forma infinitamente, eu diria que até excessivamente, mais adocicada. Pelo menos até o ponto do livro onde eu cheguei.
Duas coisas me fascinam. A primeira, nos escritores de ficção em geral, quando os personagens não são humanos, em como eles conseguem transcender o mundo real e abordar aspectos psicológicos, conflitos gerados a partir de características não-humanas. Não bastasse o ser humano ser complicado o suficiente, o escritor tem a capacidade de criar em seu personagem um debate interno, tal qual os humanos travam com suas próprias consciências, entretanto tendo por pano de fundo o fantástico. Vale a pena então citar novamente as reflexões que a "Morte" faz consigo mesma na "Menina que roubava livros". Genial.
Em segundo lugar vem a Imortalidade. Creio que o mais frequente seja sonhar que seja possível manter-nos jovens para sempre, desfrutando dos prazeres da vida proporcionados por poderes sobrenaturais. Então a gente se depara com personagens em certo ponto da jornada entediados, cansados de viverem para sempre. Lembra do Highlander? Além do cansaço, a tristeza de ver os humanos queridos indo, o medo de amar e de perder, que é inevitável nesse contexto.
A cada dia que passa eu me fixo muito menos nos motivos pelos quais as coisas acontecem e mais no que pode ser feito ou o que podemos ganhar com determinadas situações. A gente tende a achar que em algum ponto a velhice vai nos afetar e que a gente vai se deprimir, sem alternativas, tomados pela incapacidade de fazer aquilo que gostamos. Um grande equívoco. Quantas pessoas jovens vemos diariamente que desperdiçam sua juventude em atitudes totalmente improdutivas? Pessoas que acordam, vão para o trabalho, fofocam um pouco, comentam superficialmente as últimas notícias, voltam para casa para ver o futebol ou a novela, e passam pela vida sem nenhum interesse em especial, sem abrir um único livro. Diante deste quadro, não estariam elas já quase mortas, sem nem terem que esperar a velhice?
Eu não sei se eu me cansaria da imortalidade. Pode ser que sim. Mas fico realmente tentando imaginar se na imortalidade eu encontraria algum alento para a angústia e a frustração que às vezes me invadem por não dar conta de tudo o que eu quero conhecer e dominar. Se assim eu me daria o prazer de saborear as coisas devagar, sem a pressa que a vida moderna nos impõe. Tempo para executar todos os projetos imaginados e que demandam dedicação, que muitas vezes se perde no cotidiano, nos afazeres comuns e diários, por sua vez não menos importantes. O prazer de desfrutar o simples e o grandioso. Sem pressa e consequentemente sem cobrança.
Crepúsculo, que estou lendo agora, tem várias questões em comum com às do vampiro Lestat, embora de forma infinitamente, eu diria que até excessivamente, mais adocicada. Pelo menos até o ponto do livro onde eu cheguei.
Duas coisas me fascinam. A primeira, nos escritores de ficção em geral, quando os personagens não são humanos, em como eles conseguem transcender o mundo real e abordar aspectos psicológicos, conflitos gerados a partir de características não-humanas. Não bastasse o ser humano ser complicado o suficiente, o escritor tem a capacidade de criar em seu personagem um debate interno, tal qual os humanos travam com suas próprias consciências, entretanto tendo por pano de fundo o fantástico. Vale a pena então citar novamente as reflexões que a "Morte" faz consigo mesma na "Menina que roubava livros". Genial.
Em segundo lugar vem a Imortalidade. Creio que o mais frequente seja sonhar que seja possível manter-nos jovens para sempre, desfrutando dos prazeres da vida proporcionados por poderes sobrenaturais. Então a gente se depara com personagens em certo ponto da jornada entediados, cansados de viverem para sempre. Lembra do Highlander? Além do cansaço, a tristeza de ver os humanos queridos indo, o medo de amar e de perder, que é inevitável nesse contexto.
A cada dia que passa eu me fixo muito menos nos motivos pelos quais as coisas acontecem e mais no que pode ser feito ou o que podemos ganhar com determinadas situações. A gente tende a achar que em algum ponto a velhice vai nos afetar e que a gente vai se deprimir, sem alternativas, tomados pela incapacidade de fazer aquilo que gostamos. Um grande equívoco. Quantas pessoas jovens vemos diariamente que desperdiçam sua juventude em atitudes totalmente improdutivas? Pessoas que acordam, vão para o trabalho, fofocam um pouco, comentam superficialmente as últimas notícias, voltam para casa para ver o futebol ou a novela, e passam pela vida sem nenhum interesse em especial, sem abrir um único livro. Diante deste quadro, não estariam elas já quase mortas, sem nem terem que esperar a velhice?
Eu não sei se eu me cansaria da imortalidade. Pode ser que sim. Mas fico realmente tentando imaginar se na imortalidade eu encontraria algum alento para a angústia e a frustração que às vezes me invadem por não dar conta de tudo o que eu quero conhecer e dominar. Se assim eu me daria o prazer de saborear as coisas devagar, sem a pressa que a vida moderna nos impõe. Tempo para executar todos os projetos imaginados e que demandam dedicação, que muitas vezes se perde no cotidiano, nos afazeres comuns e diários, por sua vez não menos importantes. O prazer de desfrutar o simples e o grandioso. Sem pressa e consequentemente sem cobrança.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Selinho! Oba!!
A querida Beth do Noites em Claro me presenteou com um selinho!
Depois de tanto tempo, eu já nem me lembro como eu e a Beth nos descobrimos. Mas sei que foi uma experiência fascinante pois percebemos de imediato, apesar da distância que nos separa e do fato de não nos conhecermos pessoalmente, semelhanças em gostos, hábitos e forma de pensar. Frequentemente eu utilizo o blog da Beth como um roteiro para filmes e livros que devo assistir e ler, mesmo que eu nem sempre comente por lá. É que a Beth está sempre mais adiantada que eu!! ;-)
Quem ganha o selinho precisa responder algumas perguntas:
1. Explique o motivo de ter começado o blog e se esperava tornar-se popular.
Eu participava de um fórum de Scrapbook e na época comecei a perceber que a maioria das meninas tinha blog para divulgar seus trabalhos. Achei que seria uma boa idéia criar um também. Logo em seguida eu fiz uma série de viagens dentre as quais uma em que eu visitei a capital do Scrapbooking, Salt Lake City. Com a intenção de dar as dicas sobre a região, no estado de Utah, eu acabei me empolgando e redescobri o prazer de escrever, abandonado há muitos anos atrás. Acabei criando uma espécie de diário de viagem e desta forma acabei mudando o objetivo inicial do blog. Com o tempo descobri também a função terapêutica deste hábito. Em nenhum momento eu pensei em me tornar popular. Eu apenas me entreguei ao prazer ou ao sofrimento de escrever. Muitas mensagens positivas foram motivadas por profunda dor.
2. Diga a data exata do início do seu blog.
18 de maio de 2008. Pouco mais de 2 anos atrás.
3. Indique 5 seguidores fiéis do seu blog.
Puxa... os meus seguidores fiéis já foram indicados. A maioria pela Beth!! rsrs.
E eis o selinho!!
Depois de tanto tempo, eu já nem me lembro como eu e a Beth nos descobrimos. Mas sei que foi uma experiência fascinante pois percebemos de imediato, apesar da distância que nos separa e do fato de não nos conhecermos pessoalmente, semelhanças em gostos, hábitos e forma de pensar. Frequentemente eu utilizo o blog da Beth como um roteiro para filmes e livros que devo assistir e ler, mesmo que eu nem sempre comente por lá. É que a Beth está sempre mais adiantada que eu!! ;-)
Quem ganha o selinho precisa responder algumas perguntas:
1. Explique o motivo de ter começado o blog e se esperava tornar-se popular.
Eu participava de um fórum de Scrapbook e na época comecei a perceber que a maioria das meninas tinha blog para divulgar seus trabalhos. Achei que seria uma boa idéia criar um também. Logo em seguida eu fiz uma série de viagens dentre as quais uma em que eu visitei a capital do Scrapbooking, Salt Lake City. Com a intenção de dar as dicas sobre a região, no estado de Utah, eu acabei me empolgando e redescobri o prazer de escrever, abandonado há muitos anos atrás. Acabei criando uma espécie de diário de viagem e desta forma acabei mudando o objetivo inicial do blog. Com o tempo descobri também a função terapêutica deste hábito. Em nenhum momento eu pensei em me tornar popular. Eu apenas me entreguei ao prazer ou ao sofrimento de escrever. Muitas mensagens positivas foram motivadas por profunda dor.
2. Diga a data exata do início do seu blog.
18 de maio de 2008. Pouco mais de 2 anos atrás.
3. Indique 5 seguidores fiéis do seu blog.
Puxa... os meus seguidores fiéis já foram indicados. A maioria pela Beth!! rsrs.
E eis o selinho!!
sábado, 29 de maio de 2010
Felt Frenzy
Numa de minhas visitas à seção infantil da livraria, achei um livro e comprei (para mim...).
Engraçado que esse blog começou com feltro e depois nunca mais postei nada... Fiquei um tempão sem mexer com feltro... O resultado deste novo livro que eu comprei foi este:
E o livro:
Engraçado que esse blog começou com feltro e depois nunca mais postei nada... Fiquei um tempão sem mexer com feltro... O resultado deste novo livro que eu comprei foi este:
E o livro:
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Hiperrealismo
Aprendi uma nova esta semana. Hiperrealismo. Em linha gerais, trata-se de desenhar utilizando ferramentas digitais, de forma que a imagem gerada fique ainda mais perfeita do que uma foto. É uma pintura digital no máximo que se pode imaginar de detalhes, brilho, texturas...
Citei o conceito na verdade para falar sobre Bert Monroy, o palestrante em questão. O artista é o tipo de pessoa que eu admiro. Lógico que o que vou expor são impressões que eu formei a partir dos depoimentos que ele deu na entrevista. Se é ou não assim, de verdade, eu nunca vou saber. Mas gosto do perfil que ele descreveu a respeito de si mesmo.
Já falei algumas vezes no passado sobre a questão de ser artista e a carreira. Como sentimento de ser artista e auto-estima se confundem. Se a obra não é aceita, a pessoa põe em questão simplesmente tudo o que ela é. Bert Monroy é o tipo de artista maduro, que faz o que gosta e que já passou dessa fase de afirmação. Ele encontrou aplicação comercial para o que ele faz, é muito bom e já não se importa mais com o impacto que o resultado está provocando no público. Se é um letreiro de bar enferrujado que ele quer pintar, é o que ele pinta, como ele mesmo diz.
Ele descreveu uma coisa muito bonita que é o prazer de criar. Já falei sobre isso também. Falo muito sobre isso porque encontro uma imensa satisfação desde criança em executar trabalhos manuais. Colagens, bordados, costuras, tudo me diverte. É o "faça você mesmo", olhos brilhando ao observar o resultado de um trabalho. E é exatamente o que ele fala sobre "encontrar a criança interior". Ele diz que a criança faz um desenho de palito e diz, "mamãe, olha você aqui". Orgulhosa de seu desenho. Plena. O adulto pode olhar e dizer que o desenho não se parece com a "mamãe". Não importa, no dia ou no minuto seguinte, a criança vai desenhar novamente e tornar a sentir aquela mesma alegria.
E não pára por aí. Tem a questão do "payback". Ele conta que veio de um meio pobre, sem perspectivas. Uma forma que ele encontra de "recompensar" o sucesso que ele atingiu, é ministrando palestras em colégios públicos de forma que ele possa contribuir para abrir a visão de jovens humildes, como ele foi, que se sentem na maioria das vezes sem esperanças. Ele não esconde informação, pelo contrário, escreve artigos em revistas especializadas e livros, descrevendo as técnicas utilizadas. Grande parte da satisfação pessoal vem da constatação de que o que ele ensina faz diferença.
Hoje em dia tem todo esse papo sobre retoque de imagens, de como as pessoas ficam perfeitas e tudo mais. Para os leigos, acho que pode ficar uma impressão de que é "mole" entrar no Photoshop e fazer aquela reforma geral. Não quero nem entrar no mérito do retoque em si, queria falar da técnica. Believe me: é prático mas é difícil. Para fazer bem feito, precisa de estudo, de dedicação, de olho de artista, perfeccionismo. Isso tudo para dizer que eu os convido a olhar as obras digitais de Bert Monroy com essa visão. Não vamos sair desprezando só porque não foi feito com tinta. Temos que quebrar os paradigmas e reconhecer os benefícios do mundo digital, porque eles existem. É só saber usar.
Citei o conceito na verdade para falar sobre Bert Monroy, o palestrante em questão. O artista é o tipo de pessoa que eu admiro. Lógico que o que vou expor são impressões que eu formei a partir dos depoimentos que ele deu na entrevista. Se é ou não assim, de verdade, eu nunca vou saber. Mas gosto do perfil que ele descreveu a respeito de si mesmo.
Já falei algumas vezes no passado sobre a questão de ser artista e a carreira. Como sentimento de ser artista e auto-estima se confundem. Se a obra não é aceita, a pessoa põe em questão simplesmente tudo o que ela é. Bert Monroy é o tipo de artista maduro, que faz o que gosta e que já passou dessa fase de afirmação. Ele encontrou aplicação comercial para o que ele faz, é muito bom e já não se importa mais com o impacto que o resultado está provocando no público. Se é um letreiro de bar enferrujado que ele quer pintar, é o que ele pinta, como ele mesmo diz.
Ele descreveu uma coisa muito bonita que é o prazer de criar. Já falei sobre isso também. Falo muito sobre isso porque encontro uma imensa satisfação desde criança em executar trabalhos manuais. Colagens, bordados, costuras, tudo me diverte. É o "faça você mesmo", olhos brilhando ao observar o resultado de um trabalho. E é exatamente o que ele fala sobre "encontrar a criança interior". Ele diz que a criança faz um desenho de palito e diz, "mamãe, olha você aqui". Orgulhosa de seu desenho. Plena. O adulto pode olhar e dizer que o desenho não se parece com a "mamãe". Não importa, no dia ou no minuto seguinte, a criança vai desenhar novamente e tornar a sentir aquela mesma alegria.
E não pára por aí. Tem a questão do "payback". Ele conta que veio de um meio pobre, sem perspectivas. Uma forma que ele encontra de "recompensar" o sucesso que ele atingiu, é ministrando palestras em colégios públicos de forma que ele possa contribuir para abrir a visão de jovens humildes, como ele foi, que se sentem na maioria das vezes sem esperanças. Ele não esconde informação, pelo contrário, escreve artigos em revistas especializadas e livros, descrevendo as técnicas utilizadas. Grande parte da satisfação pessoal vem da constatação de que o que ele ensina faz diferença.
Hoje em dia tem todo esse papo sobre retoque de imagens, de como as pessoas ficam perfeitas e tudo mais. Para os leigos, acho que pode ficar uma impressão de que é "mole" entrar no Photoshop e fazer aquela reforma geral. Não quero nem entrar no mérito do retoque em si, queria falar da técnica. Believe me: é prático mas é difícil. Para fazer bem feito, precisa de estudo, de dedicação, de olho de artista, perfeccionismo. Isso tudo para dizer que eu os convido a olhar as obras digitais de Bert Monroy com essa visão. Não vamos sair desprezando só porque não foi feito com tinta. Temos que quebrar os paradigmas e reconhecer os benefícios do mundo digital, porque eles existem. É só saber usar.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Deletei o meu orkut
Faz aproximadamente um mês que eu deletei o meu Orkut. A ação foi provocada por uma constatação, daquelas que tomam a gente de repente, de que o site em questão não estava agregando nenhum benefício real à minha vida.
Fazia tempo que eu pensava sobre isto. Se devia ou não manter a conta. Eu sempre me dizia que se optasse pela exclusão, ia perder o elo de ligação com amigos tão queridos, pessoas tão importantes para mim no passado e que eu pude reencontrar através dessa rede.
Já faz algum tempo que eu defendo o modo de vida mais simples. Venho substancialmente, quase que diariamente me questionando sobre hábitos e atitudes que podem tornar a minha vida mais ou menos simples. E foi a partir de uma reflexão dessas que cheguei finalmente à minha decisão.
Eu fui privilegiada na profissão pelo contato com várias pessoas. Sempre encontrei muitas pessoas interessantes e outras nem tanto ou quase nada. Ao longo destes anos, pude colecionar uma imensidão de amigos e conhecidos no Orkut. Abria o sistema ultimamente quase que apenas mensalmente para encontrar nas atualizações, dezenas de fotos de pais deslumbrados, solteiros frenéticos nas baladas, solitários viajantes, fotos de terceiros publicadas sem o conhecimento ou aprovação dos mesmos, quando não, comentários indiscretos, que melhor teriam sido ditos por e-mail do que no scrapbook para todo santo ver.
Não me levem a mal. Não é tudo, ou melhor, pouco é crítica. A crítica fica sim para a falta de discernimento ou discrição. Dos amigos felizes por suas conquistas, fica da minha parte uma certa angústia, uma sensação de débito por não poder compartilhá-las pessoalmente. Dos amigos reencontrados idem, uma certa frustração por eu não encontrar o espaço que eles merecem em minha vida no presente, dado o papel importante que desempenharam no passado. Em relação às fotos... fica um gostinho da adolescência, quando a gente achava que sempre havia uma festa acontecendo da qual a gente não fazia parte.
Eu não posso reclamar da minha vida. Tenho uma parcela satisfatória de festas, conquistas e viagens a celebrar. O que me incomoda nas fotos do Orkut é a falsidade mesmo que não intencional. Fica aquela imagem estática, o sorriso eterno, como se tudo fossem flores o tempo todo. Caras e bocas, poses, como se fôssemos todos pop-star. Me veio hoje um insight; eu não pretendo de forma alguma condenar qualquer avanço tecnológico ou ferramenta. Eu acho que tudo é benéfico se utilizado com valor. O insight que me veio foi que as redes sociais em geral acabam se tornando veículos de uma certa falsidade, enquanto que o blog acaba privilegiando a sinceridade. É no blog que, despidos pelo anonimato, confessamos as nossas mazelas, os incômodos, onde escrevemos cansados, tristes e descabelados, mas verdadeiros. Existem os que se abrem sim. Mas os debates mais enriquecedores me parecem acontecer naqueles círculos onde permanece um certo mistério.
Então foi assim. Percebi que os amigos verdadeiros, aqueles que gostam de mim, batem na minha porta, me ligam, exatamente como antigamente, quando não havia internet. Os que eu espero um dia reencontrar, estão guardadinhos ou podem ser encontrados através de algum outro conhecido. Os que gostam de trocar experiências, mesmo que desconhecidos, continuam antenados no blog.
Pois é, deletei e fiquei mais leve.
Fazia tempo que eu pensava sobre isto. Se devia ou não manter a conta. Eu sempre me dizia que se optasse pela exclusão, ia perder o elo de ligação com amigos tão queridos, pessoas tão importantes para mim no passado e que eu pude reencontrar através dessa rede.
Já faz algum tempo que eu defendo o modo de vida mais simples. Venho substancialmente, quase que diariamente me questionando sobre hábitos e atitudes que podem tornar a minha vida mais ou menos simples. E foi a partir de uma reflexão dessas que cheguei finalmente à minha decisão.
Eu fui privilegiada na profissão pelo contato com várias pessoas. Sempre encontrei muitas pessoas interessantes e outras nem tanto ou quase nada. Ao longo destes anos, pude colecionar uma imensidão de amigos e conhecidos no Orkut. Abria o sistema ultimamente quase que apenas mensalmente para encontrar nas atualizações, dezenas de fotos de pais deslumbrados, solteiros frenéticos nas baladas, solitários viajantes, fotos de terceiros publicadas sem o conhecimento ou aprovação dos mesmos, quando não, comentários indiscretos, que melhor teriam sido ditos por e-mail do que no scrapbook para todo santo ver.
Não me levem a mal. Não é tudo, ou melhor, pouco é crítica. A crítica fica sim para a falta de discernimento ou discrição. Dos amigos felizes por suas conquistas, fica da minha parte uma certa angústia, uma sensação de débito por não poder compartilhá-las pessoalmente. Dos amigos reencontrados idem, uma certa frustração por eu não encontrar o espaço que eles merecem em minha vida no presente, dado o papel importante que desempenharam no passado. Em relação às fotos... fica um gostinho da adolescência, quando a gente achava que sempre havia uma festa acontecendo da qual a gente não fazia parte.
Eu não posso reclamar da minha vida. Tenho uma parcela satisfatória de festas, conquistas e viagens a celebrar. O que me incomoda nas fotos do Orkut é a falsidade mesmo que não intencional. Fica aquela imagem estática, o sorriso eterno, como se tudo fossem flores o tempo todo. Caras e bocas, poses, como se fôssemos todos pop-star. Me veio hoje um insight; eu não pretendo de forma alguma condenar qualquer avanço tecnológico ou ferramenta. Eu acho que tudo é benéfico se utilizado com valor. O insight que me veio foi que as redes sociais em geral acabam se tornando veículos de uma certa falsidade, enquanto que o blog acaba privilegiando a sinceridade. É no blog que, despidos pelo anonimato, confessamos as nossas mazelas, os incômodos, onde escrevemos cansados, tristes e descabelados, mas verdadeiros. Existem os que se abrem sim. Mas os debates mais enriquecedores me parecem acontecer naqueles círculos onde permanece um certo mistério.
Então foi assim. Percebi que os amigos verdadeiros, aqueles que gostam de mim, batem na minha porta, me ligam, exatamente como antigamente, quando não havia internet. Os que eu espero um dia reencontrar, estão guardadinhos ou podem ser encontrados através de algum outro conhecido. Os que gostam de trocar experiências, mesmo que desconhecidos, continuam antenados no blog.
Pois é, deletei e fiquei mais leve.
Ganhei um selinho!
Olha,
fazia tempo que não recebia um selinho. Esse foi enviado pela Albuq, do "Relacionamentos, Vida e Cotidiano". Obrigada, Albuq, pelo selinho e principalmente por me acompanhar com tanta assiduidade!
fazia tempo que não recebia um selinho. Esse foi enviado pela Albuq, do "Relacionamentos, Vida e Cotidiano". Obrigada, Albuq, pelo selinho e principalmente por me acompanhar com tanta assiduidade!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Quarto arrumado
Não era raro que eu olhasse a bagunça à minha volta, que eu mesma havia provocado após uma série de brincadeiras e pensasse: "seria tão bom se eu tivesse poderes mágicos para colocar tudinho de volta no lugar!". Então, lá ia eu tentar imitar o movimento de nariz que a "Feiticeira" fazia ou fechar os olhos para desejar que ao abri-los, eu pudesse encontrar tudo arrumadinho de novo. E obviamente, para minha profunda decepção, não encontrava. Mas isso não impedia que eu de novo, tentasse a mágica num outro dia.
Eu não sei porque mas desorganização, tumulto visual, excesso de cor e de informação, despadronização, essas são coisas extremamente perturbadoras para mim. Desde criança. Isso não quer dizer que eu consiga manter tudo arrumado o tempo todo mas arrumar, desfazer-me do desnecessário, são atitudes que me devolvem o equilíbrio e a paz interior.
Tem dias que eu visualizo a minha mente assim: como um quarto. Às vezes ele está ensolarado e arrumado, com um sol gostoso entrando pela janela. Em outros dias ele me parece sombrio, empoeirado como a passagem para a cabeça do John Malkovich, naquele filme "Quero ser John Malkovich".
O que há de comum entre mim e aquele menina de 5 anos é que eu ainda tento colocar tudo de volta nos lugares certos. Cada coisinha, cada pensamento na sua caixinha certa. A diferença é que hoje eu não acredito mais em fórmula mágica. Eu não tento mais fechar os meus olhos e esperar que tudo esteja bem ao abri-los. Doa ou não, eu tento fazer o certo, colocando eu mesma tudo de volta no lugar.

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