domingo, 17 de janeiro de 2010

Conceitos

Para sobreviver numa sociedade, a gente se educa dentro de conceitos e segue regras e fórmulas mentais que visam fazer o que é "certo".

Há momentos na vida em que por motivos alheios (ou não) à nossa vontade, somos obrigados a revisitar esses modelos e questionar, diante de nossa experiência, o que é válido e deve permanecer e o que não nos serve mais.

Não canso de me surpreender com o quanto há de comum entre as nossas vivências e as dos outros, mesmo sendo as situações, os cenários, distintos.

Hoje eu ouvi um relato extremamente emocionado e igualmente emocionante em que a pessoa em linhas gerais dizia:

"... anos e anos de trabalho e estudo visando agradar as autoridades, que do alto de sua importância e de seu suposto conhecimento, nos olhavam da banca dizendo que podíamos ter feito diferente. Que o resultado de tanto esforço não era perfeito, não era suficiente. Tanta dedicação a uma carreira e ao estudo. Conceitos, meros conceitos que aprendi não terem a menor importância diante da morte de um filho. Para que tanto esforço em agradar? Aprendi que tudo aquilo não tem importância e depois de tantos anos, me vi obrigada a desconstruir conceitos. Meros conceitos".

De novo: conceito, regra e desconstrução. E renovação.

Sonho - Construção clássica


"- Vou te mostrar um lugar belo.

Caminhamos durante alguns minutos ao longo de uma ostentosa construção clássica de dois ou três andares em calcário amarelado, vários janelões adornados, uns após os outros. A construção, a despeito do estilo antigo, parece muito nova. Por fim, chegamos a uma espécie de pátio onde a construção passa a ter um formato arredondado, quase como se pudesse comportar um chafariz no meio. Na verdade trata-se da entrada, com grandiosas portas de madeira maciça, emolduradas por medalhões e "rococós" de pedra como as janelas que vimos pelo caminho. A pavimentação é em paralelepípedo cinza.

- Para que serve essa construção?
- Eu não sei.
- Mas ela parece ser algo com fim religioso, não? Talvez uma escola? Um seminário?
- Pode ser.
- Sim, acho que é uma escola católica e que padres devem morar aí. Acho que... como é mesmo o nome dele? Ele deve morar aí.
- Quem?
- Eu não lembro o que ele é... bispo, cardeal... Não lembro o primeiro nome dele, o sobrenome é Arns. Arns, sabe?

Acordo. Tento lembrar o nome do religioso mas não consigo. Por volta de 3 dias depois, vem a resposta na internet: "Zilda Arns morre em terremoto no Haiti". Dom Evaristo Arns.

Que grande coincidência, penso eu.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Taking it slow


Um dia a gente se dá conta de que o tempo não basta mais. Que por mais que a gente se esforce e tente encaixar tarefas, a gente está sempre devendo. O que aconteceu com o tempo de quando a gente era criança? O tempo que sobrava. Horas que não passavam quando a gente ansiava por alguma coisa. Meses e meses de férias que se estendiam como um ano inteiro quando os amigos viajavam e não sobrava ninguém para brincar. Chegamos então a uma conclusão: não foi o tempo que mudou, foi o estilo de vida.

Tempo, tempo, tempo. Velocidade. Fazer tudo rápido. Isso cansa. Parar, pisar no freio. Avaliar o que realmente tem importância. Deve ser essa a solução para o problema.

Falta de tempo, stress, correria. E-mails que chegam, livros e filmes que são lançados e que não conseguimos ler ou assistir. Trabalho, atividades domésticas. Compromissos sociais, afetivos. Mudaram as prioridades? A gente trabalha para viver ou vive para trabalhar? Já nem sabemos mais. Não dá para continuar assim. É preciso curtir a vida, os momentos.

Entre uma tarefa e outra, cuidar de si. Para si próprio ou para os outros? Leitura de salão de beleza. "Puxa, que coincidência!" Se é que as coincidências existem de verdade. Matéria da Época de Janeiro deste ano: não é que a velocidade se tornou um mal mundial e atual? Com o perdão da rima boba.

Reduzir, desacelerar, qualidade de vida, "Less is more", já dizia Van der Rohe?

Que bom se a gente pudesse mudar assim. Viver numa velocidade saudável. Deixar de achar que as coisas e as pessoas precisam funcionar na velocidade de um clique.

Que bom se as pessoas pudessem ter a mesma velocidade. Se fosse possível sincronizar ritmos de gostos, objetivos, fases de vida. Se pais pudessem observar seus filhos com a velocidade que requer uma criança. Sem pensar no horário da próxima reunião. Sem tanta culpa. Não é que as pessoas também tem velocidades diferentes entre elas? A gente se encontra numa pausa qualquer, se nossas velocidades permitirem. "Beijo, me liga."

Desacelerar, parece inevitável. O planeta pede. A vida pede. Pisar no freio ou "crash" total.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A arte de desconstruir


Certa vez, ignorante a respeito da história de Picasso, eu visitei uma mostra que explicava a trajetória do pintor, desde a escola clássica até a criação do estilo que finalmente o consagrou como artista. Os trabalhos exibidos, que demonstravam esta evolução, eram na sua maioria retratos e o interessante era que o retrato original e a pintura que derivava dele eram colocados lado a lado de forma que podia-se perceber que olhos e narizes assimétricos tinham na verdade uma "lógica".

Se fosse pedido a Picasso que ele executasse uma obra correta e virtuosa do ponto de vista clássico, ele sabia fazê-la com precisão e competência. Por outro lado, o que lhe aprazia era mostrar as coisas não como as vemos, mas de acordo com uma interpretação própria, que apesar de incômoda para muitos, denota a sua habilidade e uma beleza singular.

Fiquei pensando sobre isso. Existem gênios em fazer a coisa certinha e gênios em fazer a coisa nem um pouco certinha. Fiquei aqui, admirando a capacidade de um gênio em potencializar sua habilidade, fazendo o certinho de forma excelente e o nem um pouco certinho de forma mais surpreendente e admirável ainda. Fiquei pasma diante da constatação que me atingiu de pronto, em perceber a força de se saber a regra, o método, a organização, para então jogar tudo para o alto e criar de novo, mostrando que é possível sim, haver ordem e beleza no caos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Presente de Menina

Fiz mais um presente um dia desses. Fiquei sabendo que o quarto da menina era amarelo então ficou mais fácil:


Eu fiquei viciada em cortar letrinhas na Cuttlebug em papel branco e cobrir com tinta relevo incolor com glitter. Na verdade, é chatinho de fazer mas o resultado fica tão bonito que eu acabei usando em vários dos meus trabalhos:


Estou com preguiça de colocar os créditos. Quem sabe outro dia...



domingo, 29 de novembro de 2009

Scrapbook - Eu fiz uma caixa!





Tava com uma caixinha de madeira guardada desde o Scrapbooking Show para ver se me animava a fazer. O problema é que eu não gosto muito de tinta, não sei pintar direito. Mas na caixinha de scrapbook dá para fazer um estilo mais rústico e o principal a gente cobre com o papel, então a minha pintura fica, digamos assim, aceitável.

Nesta caixa eu utilizei tinta Mural, flores American Crafts e Prima Flowers, bailarinas Making Memories e papel Bo Bunny linha Back to Backs.

Gostei do resultado.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Politicamente correta

Fora os radicalismos. Ninguém vai me ver hasteando bandeira do Green Peace ou algo parecido. Mas uma coisa sobre a qual eu sempre refleti, desde muito tempo, é sobre a quantidade de lixo que geramos. Digamos que bem antes de se falar tanto sobre Reciclagem ou Reutilização, eu já pensava sobre isso. Não que eu seja uma pessoa visionária ou algo assim. Talvez seja reflexo de um pouco da minha personalidade que pode se tornar por vezes excessivamente metódica e controladora.

Enfim. Quem faz artesanato acaba se tornando uma lixeirinha ambulante. Lixeirinhas mais ou menos organizadas. Volta e meia eu me pego guardando etiquetas de roupa com um material ou formato interessante, embalagens diferentes. Recentemente eu fiz o quadrinho que se vê abaixo lado, utilizando papel ondulado branco de embalagem de biscoito (pena que na foto não ficou muito nítido), uma redinha de plástico preta e a cartolina marrom que veio na etiqueta de uma roupa. O papel do fundo é "Doodlebug" e os apliques de instrumentos de mdf.


Sobre o olhar


Tava vendo no outro dia a 3a. temporada de 30 Rock e Jack, um bem sucedido, ambicioso e eticamente- questionável empresário da GE pergunta ao office-boy Kenneth, que seria a versão masculina de Poppy de "Happy-go-lucky", entretanto infinitamente menos irritante:

"Oh Kenneth, how would it be if I could see the world through your eyes?".

Essa é uma expressão que me emociona. "Ver o mundo através dos olhos de outra pessoa". O olhar por si só é algo emocionante; o quanto enxergamos no outro através dos olhos. E essa expressão, particularmente, me soa bastante poética. Não sei se já existia corriqueiramente no inglês ou se foi lançada pelo hit do Supertramp; a questão é que não só soa bonito imaginar o mundo com um colorido mais belo através do olhar de outra pessoa, quando nos sentimos incapacitados de nos encantar com as belezas da vida, como surpreende o fato de que para uma mesma situação, possam existir olhares e interpretações tão diversas.

O personagem de 30 Rock, Jack, lança a frase num arroubo de nostalgia. Após assistir um filme de seu aniversário de criança, onde fica registrado um momento de pura felicidade ao abrir um presente. Ele se dá conta de que Kenneth, apesar de adulto, não perdeu o olhar infantil, de quem se alegra com as pequenas coisas da vida. E que não fica buscando motivo para se sentir infeliz.
Do olhar para a vida: fiquei tentando entender quando e porque a gente perde o olhar da criança.