Sabe aquela máxima que diz que não se deve comprar um livro pela capa? Pois é, devo confessar, diria que quase sem nenhum pudor, que eu compro livro pela capa. A falta de pudor eu atribuo a um dos benefícios que a idade nos traz que é o de deixar de ter vergonha das coisas banais.
Estava um dia passeando na livraria e dei aquela passadinha pela seção de "pockets", dos quais sou fã confessa. Foi quando vi assim, numa pilha, vários livros do Nick Hornby, autor que sabia que tinha ouvido falar mas que não lembrava exatamente o quê.
Bom, aí comecei a manusear os livros e simpatizei com a sinopse de "Juliet Naked" (isso por que foi a capa que me causou maior impacto, deixando de lado a hipocrisia). Comprei o livro e ele ficou aguardando na minha fila.
Certo dia me disse uma amiga que estava querendo retomar as leituras em espanhol mas que andava meio sem paciência para os dramalhões da Isabel Allende ou as bizarrices de Gabriel García Marquez. Eu disse a ela que talvez houvesse alguma escritora de chick-lit espanhol, que poderia ser uma boa forma de retomar a leitura para depois passar a algo mais "sério". Pesquisando a respeito, me deparei com uma definição na wikipedia onde uma das informações passadas era a de que certos autores são classificados como lad-lit ou mais vulgarmente dick-lit. E figurava entre esses autores o "tal" do Nick Hornby.
Lembrei-me imediatamente do meu recém-adquirido livro. Pensei: "se for para ficar lendo sobre carros e mulheres, melhor trocar o livro". Pensamento preconceituoso, talvez o equivalente feminino ao pensamento masculino quando avalia um chick-lit.
Decidi manter o livro e iniciar a leitura. Para minha surpresa, não só a leitura está sendo agradável como extremamente atual. Eu diria que para um "guy", o Nick Hornby trata com extrema sensibilidade os sentimentos que acometem pessoas de uma idade um pouco mais avançada; questões como "o que foi feito da vida", "onde seus relacionamentos os levaram". Uma narrativa que intercala presente e passado, reflexões dos seus diferentes personagens e um estilo criativo e moderno, onde figuram iPods, blogs e sites populares.
Fiquei feliz com a decisão de manter o livro e dar uma chance a ele. Mais tarde fui pesquisar melhor e aprendi que ele também é o autor de "Alta Fidelidade" livro que não li mas cujo filme está na lista dos que mais aprecio e também do recente "An Education" (Educação) filme sobre o qual só ouvi bons comentários.
Devo dizer que não devo parar em "Juliet Naked".
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Eat Pray Love
Felizmente tenho lido bastante nos últimos tempos. Digo felizmente porque deixar de ler é algo que me aflige demais. Parece que tem todo um mundo de idéias correndo lá fora sem que eu consiga alcançá-las.
Apesar de tentar diversificar a minha leitura, vou confessar que não deixo de ter uma predileção por chick-lits. Ora, que mal faz uma leitura de entretenimento? Nem tudo precisa ser inteligente o tempo todo, né?
Mesmo assim, vale salientar que o livro que estou lendo nesse instante, "eat pray love" me surpreendeu por ter uma dose certa de profundidade. A autora confessa todas as dificuldades que enfrentou em seu divórcio, inclusive os episódios de depressão. Revela suas fraquezas e o que fez para tentar solucionar seus problemas. A partir do momento em que ela vai para a India e em seguida para a Indonésia, ela compartilha de uma forma bastante digerível uma série de ensinamentos de filosofia oriental. O livro é bem escrito e a linguagem rica e bem humorada.
Eu mesma já li livros de várias correntes espiritualistas e sempre fiquei com uma sensação de que é muito penoso atingir o tal nirvana, o contato direto com Deus. Não que não seja trabalhoso. Mas acho que existe dentro do crescimento espiritual algo de prático, que pode ser aplicado no dia-a-dia, sem que a gente tenha que raspar a cabeça e ficar cantando na rua enrolado em mantos. E é justamente isso que me agradou no livro. Apesar da autora embarcar numa viagem exótica e que envolve sim, reclusão e treinamento intensivo de meditação e yoga, fica uma sensação boa de que é possível, para quem quiser prestar atenção, conectar-se com a felicidade, com a divindade presente em nós e no mundo que nos cerca, desde que a gente se dedique e persista.
Eu recomendo que quem se interessar leia logo o livro pois o filme já saiu e deve chegar em breve ao Brasil.
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