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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre as mudanças interiores

Pincelei de leve no post anterior uma insatisfação comigo mesma. Existe um cansaço que nos atinge de tempos em tempos quando buscamos a nossa melhora interior. Melhora impalpável e impossível de medir. É fatigante essa tarefa de se observar, identificar o que precisa ser mudado e efetivamente implementar. Engraçado que nem estava naquele momento do post nesse estado de letargia. Mas lembrei dele. Porque sou possuidora de uma mente inquieta e inconstante, que num minuto está observando embevecida a forma como uma luz toca um objeto e no outro está sendo perseguida por monstros particulares e totalmente imaginários.

Se por um lado posso me torturar com o desejo de reforma e evolução, por outro, apesar do sofrimento, não consigo acreditar que seja se não correto, no mínimo saudável não pensar e nem almejar mudanças. Eu não prego o sofrimento. Mas olho com desconfiança tudo o que é fácil. Buscar o equilíbrio interior: sempre. Mas isso não quer dizer que não haverá esforço no aprendizado. Não quer dizer que eu não possa errar e tentar de novo de um outro jeito. E pelo fato de estar sempre atenta, acredito que os erros serão menores. Não estou dentro de um trem desgovernado que provoca acidentes irreparáveis. O que falo na primeira pessoa não é privilégio meu. É direito adquirido por todos, desde o nascimento.

Eu estava lendo o post da Pri no Devaneios e Metamorfoses e me deu vontade de expressar o quanto precisamos ser mais condescendentes conosco de tempos em tempos. Não dá para entender o passo da mudança. Mas eu tenho a certeza de que ela ocorre no tempo certo.

Eu tenho um lado espiritualizado independente de crença. Bom, vamos dizer que eu tenho uma tendência religiosa. Mas o meu lado excessivamente lógico me impede de abraçá-lo com entrega e sinceridade. Eu sinto que o clamor religioso nos atinge com o tempo, quando percebemos que na vida muitas coisas não conseguimos explicar mas que precisa haver um sentido em tudo o que vivemos. E que se a gente não sabe exatamente qual o sentido, fica mais fácil nomeá-lo como Deus até que a gente descubra o que é de verdade. E percebi que existe beleza na luz. E que todos somos atraídos por ela.

Devido a esse lado espiritualizado, desenvolvi um hábito de ler todo dia, antes de dormir, textos de meditação. Durante algum tempo foi um livro psicografado por Chico Xavier, do espírito Emmanuel, chamado "Meditações Diárias". Depois que eu quase decorei o livro e aproveitando a coincidência do comentário de uma amiga, passei a ler "Abrindo Portas Interiores" de Eileen Caddy. O ritual consiste em abrir aleatoriamente uma página, ler a mensagem e refletir sobre ela. E existe um misto de surpresa e certeza em reconhecer que 99% das vezes a mensagem é exatamente a que a gente precisava ouvir. É um hábito quase adolescente, para pessoas céticas como eu, mas que me nutre interiormente, quiçá até pela aceitação da inocência implícita no ato.

Para encerrar o post que já ficou longo demais, transcreverei a mensagem que li um certo dia e que me veio à cabeça quando li o que a Pri escreveu:

26 de fevereiro (são 366 mensagens diárias "recebidas" pela escritora):

"Algumas vezes o novo se desdobra tão devagar que não é possível perceber as mudanças que estão acontecendo, até que, de repente, elas já aconteceram desapercebidamente. Outras vezes é possível ver as mudanças se desenrolando passo a passo bem à frente dos olhos. Há vezes, ainda, quando acontecem coisas de um dia para o outro - como no inverno, quando você vai dormir à noite e na manhã seguinte está tudo coberto de neve. Você não teve nada a ver com o que aconteceu; tudo se passou de uma maneira miraculosa. O novo será revelado de muitas maneiras diferentes. Tudo que você tem a fazer é caminhar com ele, sem resistência. Mudanças não são necessariamente dolorosas. São inevitáveis  porque nada pode permanecer imutável; e se você consultar seu coração, você mesmo não irá querer que ele permaneça o mesmo."

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Texto lindo

Recebi de uma amiga um texto que me tocou profundamente porque sintetiza de forma poética, clara e coerente os sentimentos envolvidos numa jornada pessoal de progresso, onde a gente percebe o antes e o depois e reconhece que ainda tem a melhorar mas que já conquistou muita coisa. Fiquei tocada pelo texto e resolvi compartilhá-lo com vocês.

Na vida, nada é constante. As situações, os humores parecem ir e vir como as marés. Novos dias surgem como uma oportunidade de tentar coisas novas e deixar as ruins para trás, momentos difíceis nos tornam mais fortes e nos fazem crescer. E nem sempre a gente se ama de verdade. Mas que bom se pelo menos a gente aprende o que é se amar de verdade. Amando a nós mesmos é que conseguimos dar o melhor de nós para o mundo, para as pessoas. Isso é muito especial. E é o que todos deveriam perseguir.


Quando me amei de verdade,
Compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E, então, pude relaxar,
Hoje sei que isso tem nome...
AUTO-ESTIMA.

Quando me amei de verdade,
Pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional,
Não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é...
AUTENTICIDADE.

Quando me amei de verdade,
Parei de desejar que minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de...
AMADURECIMENTO.

Quando me amei de verdade,
Comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo,
Mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não esta preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é...
RESPEITO.

Quando me amei de verdade,
Comecei a me livrar de tudo o que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama...
AMOR PRÓPRIO.

Quando me amei de verdade,
Deixei de temer meu tempo livre
E desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalônicos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é...
SIMPLICIDADE.

Quando me amei de verdade,
Desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes,
Hoje descobri a...
HUMILDADE.

Quando me amei de verdade,
Desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez.
Isso é...
PLENITUDE.

Quando me amei de verdade,
Percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração,
Ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é...
SABER VIVER!

Não devemos ter medo dos confrontos...
Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas...

Texto de CHARLES CHAPLIN

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O dia difícil

Esse post é para a Labelle. Eu ia escrever um comentário mas me dei conta que ia ficar tão grande que acabaria se tornando um post.

Você me disse que está evitando filmes tristes. Só que eu vou ter que citar "Precious". A narrativa do filme é no formato de pensamentos da Precious, uma garota truculenta, de pouca fala, mas com uma mente que não pára de refletir sobre o que acontece com ela, dentro da simplicidade de seu vocabulário que ela, analfabeta, alcança. Então teve uma passagem que me tocou profundamente. Ela disse:

"The other day, I cried. But you know what? Fuck that day. That's why God, or whoever, makes other days".

Fiquei pensando que não só é uma benção que os dias acabem e novos dias comecem como, de uma forma meio bizarra, os dias ruins parecem existir para que a gente consiga reconhecer os bons dias, quando eles "aparecem". A mente humana é assim. A gente identifica com facilidade as coisas ruins mas parece ter dificuldade em lembrar ou se abrir para o que é bom. Deve ser por isso que existe tanta religião ensinando a gente a ser feliz.

Bom dia! ;-)

Quotes da Precious:

http://www.imdb.com/title/tt0929632/quotes

segunda-feira, 8 de março de 2010

Fonte de inspiração II (de hoje)


O espírito humano
O artista deve
Colocar toda
A sua energia
Sua sinceridade
E a modéstia
A maior
Para descartar
Durante o seu
trabalho os
Velhos clichês

Matisse - Série Jazz


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Live the life you have imagined


Vou jogar aqui um balde de água fria. Acho que todo mundo precisa, de tempos em tempos de umas frases de efeito, "inspiradoras", como atualmente se diz. E não vejo mal nisso. Em termos.

Frases inspiradoras são necessárias. Naqueles momentos de baixa, quando a gente não se sente capaz, quando precisamos de um empurrãozinho. E são essencialmente boas, eu diria. Mas creio que o verdadeiro valor das frases de efeito esteja na reflexão que elas nos provocam. Na grande complexidade que existe por trás de algo aparentemente tão simples. Nos milhares de caminhos e facetas que elas evocam.

O meu medo em relação às frases de reflexão, é que as atitudes motivadas por elas, sejam elas lidas em outdoors ou banners de cafés ou livrarias, sejam reflexos de um "fast-thinking", ops, expressão que acabei de inventar, tão impressionada que estou diante da velocidade destes dias. Ler, refletir e agir, em questão de minutos e horas. Horas? Sim, horas. Parece absurdo né. Imagine horas, numa contagem de tempo atual, quando estamos acostumados a contar em segundos. Parece uma eternidade.

Eu acredito que todo mundo tenha direito a viver a vida que imaginou ou sonhou. Acho que é o que move a vida. Totalmente necessário. O que eu não acredito, e aí está o perigo da frase, é que isso aconteça sem dor. Imagina você, adolescente de vida estável, vivendo a vida que você imaginou. Vai ser bom até um momento. Até o ponto em que, não sei porque, você vai colocar tudo em questão diante do marasmo.

Equilíbrio. Equilíbrio é a palavra que não deixo de repetir. Nem tanto a calmaria e nem o sofrimento absoluto. Desculpe, mas não acredito na genialidade sem uma parcela de sofrimento. Fico olhando os exemplos, os modelos que admiro. O que levaria uma pessoa a cortar a orelha fora? Van Gogh, amigos. Ou Alexander McQueen a se matar depois de tantas conquistas. Não interessa se você não é fã de moda. O "cara" criou um estilo, influenciou mentes, marcou sua passagem por aqui.

O que quero dizer é: "live the life you have imagined". Mas isso não quer dizer que tudo serão flores. Que você não terá que "comer grama", pegar ônibus, ficar sem dormir, trabalhar no final de semana. Eu proclamo que todos vivamos as vidas que imaginamos. Com os esforços e sacrifícios necessários. Desde que a gente consiga decifrar a hora de começar e de parar.

Carpe diem.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Simpler Life

Quem acompanha este blog há muito tempo deve se lembrar que comentei sobre uma outra blogueira que tem muitas coisas em comum comigo, apesar da distância física e de nunca termos nos conhecido pessoalmente. Dessas coincidências cibernéticas. Um dia desses estava me atualizando nos posts dela e li um que (como vários outros) poderia ter sido escrito por mim:


Podem dizer que eu ando obcecada com o assunto que não vou ligar. É verdade mesmo. O que eu tenho a comentar a respeito é que não importa a situação, não adianta ler auto-ajuda ou receber conselhos. A gente só passa a praticar determinadas coisas na nossa vida quando vem aquele "insight" que muda a perspectiva de tudo e então a gente passa a ver determinada atitude como solução. Eu ando sim, pensando em simplificar a vida. Ser feliz é um objetivo constante. Por outro lado, descobri que não é fácil ser feliz. Este é um objetivo que envolve sim, uma parcela de sofrimento. Seja ele auto-imposto ou não.

Eu nem lembro se já comentei em post anterior, mesmo tendo sido os posts escassos ultimamente. Mas fica a referência literária: "Carl Honoré". Eu não terminei de ler o primeiro livro ainda: "Slow"-. Mas posso dizer que durante minha leitura, pude constatar mais uma vez que existem pensamentos, sensações que estão no ar, algo meio "jungiano", constatações que nos tomam em segundos e que a gente se surpreende ao notar que não são exclusivamente nossas. Como a impressão que me invadiu em determinado capítulo, a respeito do "slow food", em que me veio uma imagem completamente "Peter-Mayle-de-ser". E na página seguinte era exatamente a referência citada pelo autor. Naquele momento, livro e eu, nos conectamos por completo, compartilhando não só as sensações como também as conclusões.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Martha Medeiros - Um cara difícil

Se eu fosse comentar tudo o que a Martha Medeiros escreve, destacar cada frase de impacto, cada idéia com a qual sinto empatia, dava um livro maior do que o próprio livro dela. A questão é, ela não é apenas uma cronista. É uma filósofa do cotidiano, mulher como a gente que sonha, tenta dar conta de tudo, sofre mas não perde a esperança. É como ela mesma diz: "doida". A parte revolucionária do título do livro ("Doidas e Santas").

Li uma crônica que me impressionou muito porque a descrição se encaixou perfeitamente em alguns tipos que já me descreveram. Quando digo perfeitamente, digo no detalhe mesmo, nas atitudes. Fiquei pensando se com toda a nossa diversidade, se todos nós mesmo assim não nos encaixamos perfeitamente em estereótipos. Procurei na web e alguém já havia transcrito e estou copiando abaixo:

Prezada leitora, se um dia você sair com um cara pela primeira vez, motivada a iniciar um relacionamento amoroso, e ele adverti-la dizendo "sou um cara difícil", acione a luz amarela. Ok pode ser que seja apenas charminho dele, uma maneira de se valorizar aos seus olhos - usou o adjetivo "difícil" como oposto de "tedioso". Sim, talvez ele só queira deixá-la ainda mais a fim, dizendo uma frase desafiadora que pode ser traduzida como : será que você consegue dar conta do meu temperamento explosivo, terá atributos suficientes para me amansar e me fazer virar um cordeiro na sua mão? Mulheres adoram esse joguinho perigoso.

Só que pode não ser jogo algum, e ele estar sendo absolutamente modesto na sua própria descrição. Talvez ele não seja difícil e, sim, impossível .

Nenhum de nós é muito fácil, nem homens, nem mulheres. Só o fato de termos sido criados em cativeiro numa família com suas próprias regras, valores e manias já faz de cada um de nós uma aposta arriscada na hora de ter que negociar com uma espécie nascida em um cativeiro diferente. Mas, como relações entre irmãos são veementemente desaconselhadas, o jeito é procurar uma alma gêmea na praia, no bar, na rave, e torcer para que ele não dê o fatídico aviso "sou um cara difícil", porque se ele for mais difícil do que todos naturalmente são, aí danou-se.

O cara difícil vai estar superentusiasmado quando falar com você ao telefone pela manhã, e à tardinha ligará de novo para desmarcar o cinema porque precisa ficar sozinho. E o mais grave: ele vai mesmo ficar sozinho, com a luz apagada, em embate silencioso com seus demônios internos.

Quando vocês estiverem na platéia de um show com três mil pessoas, ele vai encasquetar que um homem de camiseta verde está olhando com insistência para você, e vai ter certeza de que você está retribuindo o olhar, e você vai perder a voz tentando explicar, no meio daquela barulheira, que tem pelo menos 800 marmanjos de camiseta verde em volta, todos olhando pro palco.

Aliás, se estivessem olhando para você, qual o problema, ele não se garante?

Que audácia, você peitou o cara difícil. Ele vai deixá-la sozinha no show e desligará o celular por três dias. Se você não amá-lo, o prejuízo será apenas a bandeirada do táxi que você terá que pegar para voltar para casa, mas se você o ama, prepare-se para esvair-se em explicações e declarações, a fim de trazê-lo de volta à realidade. Um cara difícil exige uma paciência oceânica.

Ele vai ser romântico e muito bruto. Ele vai ser generoso e muito casca-grossa. Ele vai dizer a verdade e vai mentir às vezes. Ele vai fazê-la se sentir uma eleita entre todas e depois vai dar mole para muitas. Ele vai implicar com as mínimas coisas, e com as grandes também. . Ele vai exibir qualidades que você nem sabia que um homem poderia ter, e em troca vai abusar de todos os defeitos que você sabia que todo homem tinha. Ele vai ser ótimo na cama. Vai ser um perigo dirigindo um carro. Vai ser gentil com sua mãe. Vai ser um brucutu com a mãe dele. Ele mudará de humor a cada 20 minutos, ele vai brigar por nada, vai beijá-la demoradamente por horas e, com essa bipolaridade bem ou mal disfarçada, ele a deixará tão tonta e exausta que você pensará que foi atropelada por um trem descarrilhado.

- Quem sou eu? - será sua primeira pergunta ao acordar sobre os trilhos.

No primeiro encontro, pergunte:

- Você é um homem difícil?

Se ele responder que é, procure imediatamente um psicanalista. Para você, santa.

terça-feira, 31 de março de 2009

Momento poesia

Me deparei com uma Antologia Poética de Pablo Neruda:

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma
y te pareces a la palabra melancolía.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Roubando o post da Beth

Do Blog "Noites em Claro", Juno again.

A frase chave do diálogo:

"In my opinion, the best thing you can do is find a person who loves you for exactly what you are. Good mood, bad mood, ugly, pretty, handsome, what have you, the right person will still think the sun shines out your ass. That's the kind of person that's worth sticking with."

Post melancolia 2 do dia....

Post melancolia

Tenho dúvidas se melancolia tem motivo. Penso se ela existe por si só. Ou seja resultado da combinação de tantas coisas que fica difícil definir um motivo exato. Sentimento tem motivo, eu me pergunto? Umas vezes sim, outras não. Amar alguém, não é um sentimento que surge por si só, tem motivo?

Na falta de organização própria, busco palavra em outra pessoa. Eu queria elaborar um pouco sobre a personagem Joana de "Perto do coração Selvagem", que quando criança, choca a professora primária com sua pergunta: "O que vem depois de ser feliz?". Não sei se a pergunta é exatamente assim. Na falta do livro comigo, busco na internet e não encontro. Mas encontro esse trecho sem referência:

" Prisão, liberdade. São essas as palavras que me ocorrem. No entanto não são as verdadeiras, únicas e insubstituíveis, sinto-o. Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome. – Sou pois um brinquedo a quem dão corda e que terminada esta não encontrará vida própria, mais profunda. Procurar tranqüilamente admitir que talvez só a encontre se for buscá-la nas fontes pequenas. Ou senão morrerei de sede. Talvez não tenha sido feita para as águas puras e largas, mas para as pequenas e de fácil acesso. E talvez meu desejo de outra fonte, essa ânsia que me dá ao rosto um ar de quem caça para se alimentar, talvez essa ânsia seja uma idéia – e nada mais. Porém – os raros instantes que às vezes consigo de suficiência, de vida cega, de alegria tão intensa e tão serena como o canto de um órgão – esses instantes não provam que sou capaz de satisfazer minha busca e que esta é sede de todo um ser e não apenas uma idéia? Além do mais, a idéia é a verdade! Grito-me. (...)”

E essa outra frase:

“Eu sou uma atriz para mim mesma. Eu finjo que sou determinada pessoa mas na realidade não sou nada.”

Talvez meu amigo André consiga dar as referências corretas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mensagem bonita



Recebi mês passado de uma amiga esta mensagem. Fiquei muito emocionada por que ela reenviou algo que eu mesma havia enviado para ela em 2006. Existem mensagens que a gente lê e acha bonito, mesmo que não façam sentido no momento. E depois, num outro momento, pode ser que passem a fazer...

Infelizmente não vou conseguir dar a referência correta quanto ao autor desta mensagem. Eu a recebi como um texto de Mário Quintana, entretanto um colega blogueiro que me acompanha alertou-me para a falsidade desta informação.

Aproveitando para transcrever uma parte do comentário onde ele cita um link esclarecedor:
"Aqui vai o link de um site de um sujeito que tenta desfazer este e uns outros equívocos do mesmo tipo: http://www.fabiorocha.com.br/mario.htm"

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Luto

Quando a gente perde uma pessoa querida com quem convivemos muito mas não tínhamos mais o contato diário, o pranto é baixinho, devagar, sofrimento calmo. Ele aparece em pequenas lembranças, recordações do passado e mínimas coisas que nos acostumamos a fazer com aquela pessoa. Em geral vem quando estamos sozinhos, quando o pensamento se desliga das obrigações diárias.

Sofre muito quem tem ligação forte, sinergia, quase dependência.

Sofrem também de forma saudosa, aqueles que conheceram a pessoa no passado e que dela guardam doces recordações.

Eu não podia deixar de registrar 2 posts feitos por bloggers queridas relacionados à minha recente perda:

Impotência

Elegia

Perdas de pessoas queridas são fechamentos de ciclos. Momentos para lamentar, refletir, reorganizar e buscar novos caminhos. Que o novo ciclo se inicie utilizando aquilo de bom que conseguirmos extrair das experiências vividas, mesmo que sofridas.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Desafio

"Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser... Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhecem; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!!Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso?"

Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Orgulho Tricolor

Fiquei muito dividida no jogo de ontem ("São Paulo x Fluminense"). Dividida porque eu praticamente não acompanho o futebol e se o faço é pelo meu filho que torce com bastante dedicação pelo São Paulo. Na maior parte das vezes, acabo assistindo aos jogos do
Tricolor Paulista e torcendo para ele. Conheço os jogadores quase todos e do Fluminense nenhum.

Como explicar esse sentimento? Quando criança, escolhi o time pela camisa. Pelas cores. Eu admirava (e admiro até hoje) as cores do Fluminense. E existe algo de orgulho carioca que permanece lá no fundo, querendo se manifestar, ao ver o meu time jogando contra um time paulista. Mesmo achando hoje em dia, experiência de carioca que vive há anos em São Paulo, que bairrismo é uma tremenda bobagem.

Vou lançar assim, sem compromisso, mesmo sabendo que posso provocar um pouquinho os meus amigos paulistas tricolores, uma coisa que li certa vez, que dizia Nelson Rodrigues: "Tricolor verdadeiro só o Fluminense. O resto são apenas times de três cores".

domingo, 30 de novembro de 2008

Cease the day...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sonho - Mar


Sábado eu fui agraciada com um sonho. Sonhei que estava no mar, de roupa e tudo. Eu, a madrinha da minha filha e a filha dela (que também estavam com roupa normal). Era um mar de águas cristalinas, de um verde claro. O céu estava azul e eu não sentia o sol queimando. Onde eu estava, não avistava areia para nenhum dos lados embora conseguisse ficar com os pés firmes no chão. E o engraçado é que apesar de não ver a areia, sabia que ela estava a esquerda de mim, embora pela posição das ondas, o normal seria que estivesse atrás. De tempos em tempos via umas ondas enormes e quando elas chegavam perto, apenas nos levantavam do chão, lá no alto, sem estourarem em cima da gente. A água tinha a temperatura agradável, nem fria e nem morna demais. Minha única preocupação era com I., a menina de 4 anos que estava conosco. Quando vinha a onda, eu achava que ela podia se afogar e a segurava firme. Mas a onda passava e ficava tudo bem.

Foi um sonho muito agradável.

domingo, 9 de novembro de 2008

Estória ou história

Cara... vou sair desse blogger. Hj eu tô atacada...

Essa eu achei para responder a pergunta de um amigo:

(referência: http://www.nlnp.net/)

_ ESTÓRIA ou HISTÓRIA?

As palavras "estória" e "história" são aceitas por diversos autores, com significados distintos:

- estória: exposição romanceada de fatos imaginários, narrativas, contos, fábulas;

- história: para dados históricos, que se baseiam em documentos ou testemunhos.

Estas duas palavras constam do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras. Mas o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa recomenda simplesmente a grafia história, nos dois sentidos. E o dicionário de Caldas Aulete refere-se à forma estória como um brasileirismo, isto é, apenas um aportuguesamento da forma inglesa "story".



terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sintonia

Comentei com uma pessoa sobre o livro que eu estou lendo e ela me enviou uma passagem muito legal (não sei de qual livro, vai ver que é do mesmo):

"Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o não pedir e somente acreditar que o silêncio que se crê em você é resposta ao seu mistério".

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Citations

Acho que foi o frio.... acordei hoje, nessa manhã de "primavera"... e estava mais frio ainda do que no auge do inverno...

Caminhei pela rua cinzenta, garoa fina, casaco de couro e cachecol...

Pensei: "Faz tempo que não leio nada em francês"... Pode dizer o que for, mas francês é muito chique. Tudo na frança é chique. Paisagens, comida, artes... Pode-se dizer qualquer bobagem em francês que passa a ser chique também... rs

E nesta onda de inspiração, encontrei este site muito legal, com milhares de citações e resenhas de livros. Um show:

http://www.evene.fr/

Aproveito para roubar uma citação:

"Rien ne fait mieux écrire que d'écrire sur ce qu'on aime"
Paul Léautaud

(Nada faz escrever melhor do que escrever sobre aquilo que gostamos)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Música para a alma


Há muitos anos atrás comentei com uma amiga mexicana sobre um excelente filme que eu havia visto baseado no romance de uma escritora mexicana (Como água para chocolate de Laura Esquivel). Esta amiga era apaixonada por leitura e pelos escritores latino-americanos. Ela acabou me presenteando com um livro que segundo ela era ainda melhor do que o primeiro: La ley del amor. Faz muitos anos que li o livro e não me recordo exatamente da estória mas um detalhe que me marcou foi que ele vinha com um CD e em determinadas partes a gente escutava a música relacionada ao trecho do livro porque, segundo a escritora, tem certas músicas que promovem uma transformação no nosso estado de espírito, uma conexão com a verdadeira alma. Eu queria citar o trecho exato nesta postagem mas não consegui encontrar o livro. Encontrei na internet, entretanto, um outro trecho que está relacionado ao mesmo assunto e belíssimamente escrito:

"Es muy fácil detectar el desorden en el mundo real y tangible. Lo difícil es encontrar el orden de las cosas que no se ven. Pocos pueden hacerlo. Entre ellos, los artistas son los "acomodadores" por excelencia. Con su especial percepción deciden cuál es el lugar que debe ocupar el amarillo, el azul o el rojo en un lienzo; qué lugar deben ocupar las notas y qué lugar los silencios; cuál debe ser la primera palabra de un poema. Van armando rompecabezas guiados por su voz interior que les dice "Esto va aquí" o "Esto no va aquí", hasta poner la última pieza en su lugar.

Si dentro de cada obra artística hay un orden predeterminado para los colores, los sonidos o las palabras, quiere decir que esa obra cumple un objetivo que está más allá de la simple satisfacción del autor. Significa que desde antes de que fuera creada ya tenía asignado un lugar específico. ¿Dónde?. En el alma humana. Por lo tanto, cuando un poeta acomoda palabras dentro de un poema de acuerdo con la voluntad divina, está acomodando algo en el interior de todos los seres humanos, pues su obra está en concordancia con el orden cósmico. Como resultado, su obra circulará sin obstáculos por las venas de todo el mundo, creando un vínculo colectivo poderosísimo. "


http://www.youtube.com/watch?v=CdhG_rAanPM&feature=related