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terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Perfis
Já falei inúmeras vezes aqui sobre as facetas que mostramos nas diversas situações ou grupos onde convivemos. De acordo com o ambiente ou com quem nos ouve, mostramos esta ou aquela parte de nosso ser, tão complexa a combinação que a nós mesmos acaba nos confundindo. Até chegarmos num ponto onde encontrar o nosso verdadeiro eu torna-se premente, necessário. Torna-se insuportável viver assim, tão perdido de si mesmo.
Esses são os papéis escolhidos por nós. Equivocados ou não.
Me ocorreu no outro dia, entretanto, que para algumas pessoas o que a gente deseja é que elas simplesmente nos vejam como a gente é. Sem máscaras ou fortalezas erguidas, a gente se mostra. Verdade nua e crua, inocência pura de criança. Que elas nos vejam de verdade, para que nos entendendo, possam nos nutrir com sentimento ou com o apoio que a gente precisa ou merece. E espantosamente a gente percebe um dia que se elas nos enxergam, não é de forma alguma como a gente é mas como elas gostariam que a gente fosse. Alterada está não somente a imagem como amaldiçoada a chance de compreensão. E pior ainda é que não enxergando como a gente é, às vezes disseminam a imagem do que a gente é, misturado com o que a gente não é, e o que chega de volta na gente é um reflexo turvo, que por sua vez nada tem a ver com o que a gente queria para a gente, de verdade. E nesse ir e vir de imagens, de perfis traçados ou imaginados, no meio desse caos, a gente tenta, ao contrário de todas as vezes em que a gente finge ser quem não é, provar que o nosso verdadeiro eu nada tem a ver com o eu imaginado pelo outro. Tentativas em vão. Porque o que o outro quer, na verdade, é continuar com essa imagem sonhada. E nos atira de volta a revolta, a mágoa, por nossa incapacidade de corresponder, até que a gente em troca, cansa de ser quem a gente é, levantando, desgraçadamente, uma máscara difícil de carregar. Máscara que invariavelmente termina por nos explodir no rosto.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Deletei o meu orkut
Faz aproximadamente um mês que eu deletei o meu Orkut. A ação foi provocada por uma constatação, daquelas que tomam a gente de repente, de que o site em questão não estava agregando nenhum benefício real à minha vida.
Fazia tempo que eu pensava sobre isto. Se devia ou não manter a conta. Eu sempre me dizia que se optasse pela exclusão, ia perder o elo de ligação com amigos tão queridos, pessoas tão importantes para mim no passado e que eu pude reencontrar através dessa rede.
Já faz algum tempo que eu defendo o modo de vida mais simples. Venho substancialmente, quase que diariamente me questionando sobre hábitos e atitudes que podem tornar a minha vida mais ou menos simples. E foi a partir de uma reflexão dessas que cheguei finalmente à minha decisão.
Eu fui privilegiada na profissão pelo contato com várias pessoas. Sempre encontrei muitas pessoas interessantes e outras nem tanto ou quase nada. Ao longo destes anos, pude colecionar uma imensidão de amigos e conhecidos no Orkut. Abria o sistema ultimamente quase que apenas mensalmente para encontrar nas atualizações, dezenas de fotos de pais deslumbrados, solteiros frenéticos nas baladas, solitários viajantes, fotos de terceiros publicadas sem o conhecimento ou aprovação dos mesmos, quando não, comentários indiscretos, que melhor teriam sido ditos por e-mail do que no scrapbook para todo santo ver.
Não me levem a mal. Não é tudo, ou melhor, pouco é crítica. A crítica fica sim para a falta de discernimento ou discrição. Dos amigos felizes por suas conquistas, fica da minha parte uma certa angústia, uma sensação de débito por não poder compartilhá-las pessoalmente. Dos amigos reencontrados idem, uma certa frustração por eu não encontrar o espaço que eles merecem em minha vida no presente, dado o papel importante que desempenharam no passado. Em relação às fotos... fica um gostinho da adolescência, quando a gente achava que sempre havia uma festa acontecendo da qual a gente não fazia parte.
Eu não posso reclamar da minha vida. Tenho uma parcela satisfatória de festas, conquistas e viagens a celebrar. O que me incomoda nas fotos do Orkut é a falsidade mesmo que não intencional. Fica aquela imagem estática, o sorriso eterno, como se tudo fossem flores o tempo todo. Caras e bocas, poses, como se fôssemos todos pop-star. Me veio hoje um insight; eu não pretendo de forma alguma condenar qualquer avanço tecnológico ou ferramenta. Eu acho que tudo é benéfico se utilizado com valor. O insight que me veio foi que as redes sociais em geral acabam se tornando veículos de uma certa falsidade, enquanto que o blog acaba privilegiando a sinceridade. É no blog que, despidos pelo anonimato, confessamos as nossas mazelas, os incômodos, onde escrevemos cansados, tristes e descabelados, mas verdadeiros. Existem os que se abrem sim. Mas os debates mais enriquecedores me parecem acontecer naqueles círculos onde permanece um certo mistério.
Então foi assim. Percebi que os amigos verdadeiros, aqueles que gostam de mim, batem na minha porta, me ligam, exatamente como antigamente, quando não havia internet. Os que eu espero um dia reencontrar, estão guardadinhos ou podem ser encontrados através de algum outro conhecido. Os que gostam de trocar experiências, mesmo que desconhecidos, continuam antenados no blog.
Pois é, deletei e fiquei mais leve.
Fazia tempo que eu pensava sobre isto. Se devia ou não manter a conta. Eu sempre me dizia que se optasse pela exclusão, ia perder o elo de ligação com amigos tão queridos, pessoas tão importantes para mim no passado e que eu pude reencontrar através dessa rede.
Já faz algum tempo que eu defendo o modo de vida mais simples. Venho substancialmente, quase que diariamente me questionando sobre hábitos e atitudes que podem tornar a minha vida mais ou menos simples. E foi a partir de uma reflexão dessas que cheguei finalmente à minha decisão.
Eu fui privilegiada na profissão pelo contato com várias pessoas. Sempre encontrei muitas pessoas interessantes e outras nem tanto ou quase nada. Ao longo destes anos, pude colecionar uma imensidão de amigos e conhecidos no Orkut. Abria o sistema ultimamente quase que apenas mensalmente para encontrar nas atualizações, dezenas de fotos de pais deslumbrados, solteiros frenéticos nas baladas, solitários viajantes, fotos de terceiros publicadas sem o conhecimento ou aprovação dos mesmos, quando não, comentários indiscretos, que melhor teriam sido ditos por e-mail do que no scrapbook para todo santo ver.
Não me levem a mal. Não é tudo, ou melhor, pouco é crítica. A crítica fica sim para a falta de discernimento ou discrição. Dos amigos felizes por suas conquistas, fica da minha parte uma certa angústia, uma sensação de débito por não poder compartilhá-las pessoalmente. Dos amigos reencontrados idem, uma certa frustração por eu não encontrar o espaço que eles merecem em minha vida no presente, dado o papel importante que desempenharam no passado. Em relação às fotos... fica um gostinho da adolescência, quando a gente achava que sempre havia uma festa acontecendo da qual a gente não fazia parte.
Eu não posso reclamar da minha vida. Tenho uma parcela satisfatória de festas, conquistas e viagens a celebrar. O que me incomoda nas fotos do Orkut é a falsidade mesmo que não intencional. Fica aquela imagem estática, o sorriso eterno, como se tudo fossem flores o tempo todo. Caras e bocas, poses, como se fôssemos todos pop-star. Me veio hoje um insight; eu não pretendo de forma alguma condenar qualquer avanço tecnológico ou ferramenta. Eu acho que tudo é benéfico se utilizado com valor. O insight que me veio foi que as redes sociais em geral acabam se tornando veículos de uma certa falsidade, enquanto que o blog acaba privilegiando a sinceridade. É no blog que, despidos pelo anonimato, confessamos as nossas mazelas, os incômodos, onde escrevemos cansados, tristes e descabelados, mas verdadeiros. Existem os que se abrem sim. Mas os debates mais enriquecedores me parecem acontecer naqueles círculos onde permanece um certo mistério.
Então foi assim. Percebi que os amigos verdadeiros, aqueles que gostam de mim, batem na minha porta, me ligam, exatamente como antigamente, quando não havia internet. Os que eu espero um dia reencontrar, estão guardadinhos ou podem ser encontrados através de algum outro conhecido. Os que gostam de trocar experiências, mesmo que desconhecidos, continuam antenados no blog.
Pois é, deletei e fiquei mais leve.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Fazendo contas

Quem, seja por interesse ou necessidade, já se embrenhou nas literaturas disponíveis a respeito de finanças pessoais, deve se lembrar que um dos ensinamentos básicos das cartilhas propostas, é o de prestar a atenção nos pequenos gastos.
Em linhas gerais significaria o seguinte: vamos supor que todo dia você tome um cafezinho para descontrair. Se o cafezinho custa três reais e você o toma todos os dias de trabalho, então na semana isso representa quinze reais e no mês em torno de sessenta reais, o que ao fim de um ano, somaria aproximadamente setecentos e vinte reais.
O conceito seria listar os gastos feitos, atribuindo valores e propondo cortes e repriorização. A tendência que as pessoas têm é a de assumir vários pequenos gastos que "cabem" no orçamento e com isso, o salário se esgota no final do mês, impossibilitando projetos maiores como uma viagem ou a casa própria. Tem até aquela passagem do "Confessions of a Shopaholic" que exemplifica bem esse exercício, quando a protagonista, afundada em dívidas, resolve recorrer a um livro do tipo que eu citei. Enervante mas engraçado ao mesmo tempo.
Fiquei eu filosofando ao estilo "mesa de boteco" hoje. Vai tentar praticar uma "vida simples" na cidade de São Paulo e optar por caminhar no lugar de usar o carro. Veja que aqui não estou sendo política e nem abraçando causas impossíveis. O que me chamou a atenção, mesmo que óbvio, dessas obviedades que nos arrebatam em determinados dias, foi que faixas de pedestres são meramente decorativas. Não estou me referindo às faixas das principais avenidas e cruzamentos. Estas sim tem função, que é a de multar o motorista indisciplinado ou distraído que ousar ficar em cima delas no momento em que o sinal fecha. Mas as faixas nas ruas secundárias, nas centenas de ruas de bairro, essas, que deveriam ter a principal função de auxiliar o pedestre, em verdade são totalmente alegóricas.
Daí, deriva que o pedestre tem que se treinar na arte de atravessar a rua. Saber aproveitar aqueles segundos entre um sinal e outro em que dá um tempinho de correr, tomando o cuidado de não ser pego por um motoqueiro que é muito mais rápido e menos respeitador dos sinais. Sim, torna-se uma arte ou um esporte, nem sei bem direito. Bobeou, é lançado da curva, exatamente como um atleta olímpico. Triste mas verdadeiro.
De pensar que as faixas são "de enfeite", pus-me a imaginar, apenas imaginar, pois não teria competência para atribuir os devidos valores, na economia que a prefeitura teria em não pintar mais as faixas que não servem para nada. Sim, se está escrito no código de trânsito que o motorista deve parar na faixa para o pedestre atravessar, isso não é mesmo respeitado por ninguém. E quem tenta cumprir a regra, leva buzinaço na traseira.
Enfim, fiquei eu imaginando se melhor não seria aceitar que a regra não é cumprida e economizar os milhares de reais de tintas, provavelmente especiais por refletirem a luz, mão de obra, sinalização de obra, e todos os outros custos envolvidos que eu não consegui vislumbrar.
Quem sabe assim, não sobraria dinheiro para fazer projetos mais urgentes ou úteis.
Cansativo, né?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A Simpler Life
Quem acompanha este blog há muito tempo deve se lembrar que comentei sobre uma outra blogueira que tem muitas coisas em comum comigo, apesar da distância física e de nunca termos nos conhecido pessoalmente. Dessas coincidências cibernéticas. Um dia desses estava me atualizando nos posts dela e li um que (como vários outros) poderia ter sido escrito por mim:
Podem dizer que eu ando obcecada com o assunto que não vou ligar. É verdade mesmo. O que eu tenho a comentar a respeito é que não importa a situação, não adianta ler auto-ajuda ou receber conselhos. A gente só passa a praticar determinadas coisas na nossa vida quando vem aquele "insight" que muda a perspectiva de tudo e então a gente passa a ver determinada atitude como solução. Eu ando sim, pensando em simplificar a vida. Ser feliz é um objetivo constante. Por outro lado, descobri que não é fácil ser feliz. Este é um objetivo que envolve sim, uma parcela de sofrimento. Seja ele auto-imposto ou não.
Eu nem lembro se já comentei em post anterior, mesmo tendo sido os posts escassos ultimamente. Mas fica a referência literária: "Carl Honoré". Eu não terminei de ler o primeiro livro ainda: "Slow"-. Mas posso dizer que durante minha leitura, pude constatar mais uma vez que existem pensamentos, sensações que estão no ar, algo meio "jungiano", constatações que nos tomam em segundos e que a gente se surpreende ao notar que não são exclusivamente nossas. Como a impressão que me invadiu em determinado capítulo, a respeito do "slow food", em que me veio uma imagem completamente "Peter-Mayle-de-ser". E na página seguinte era exatamente a referência citada pelo autor. Naquele momento, livro e eu, nos conectamos por completo, compartilhando não só as sensações como também as conclusões.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Lógica e Sentimento
Pensando logicamente, não faria sentido que conseguíssemos controlar nossos sentimentos através da lógica? Quero dizer: se conseguimos concluir que certas coisas são inevitáveis ou que fogem ao nosso controle, que sentido faz a gente se preocupar ou pensar incessantemente sobre elas, por exemplo?
Parece existir uma regra subliminar de que a lógica pode excluir ou minorar o sentimento. Uma certa tendência a achar que quem é lógico, é frio. Deve ser porque a gente associa a lógica à sabedoria e os sábios a figuras plácidas e impassíveis. Ora, quase sempre o que o sábio nos fala é lógico, seja ele oriental, grego ou sci-fi. Mas daí a afirmar que quem é lógico é impassível, a recíproca não é verdadeira. Seria o motivo da impassividade controle de sentimento ou austeridade?
O benefício da ignorância: às vezes, fico pensando, é melhor não saber, não concluir, do que conhecer demais. Porque conhecendo, elabora-se e elaborando é que a imaginação entra, confundindo toda a lógica. Não seria sob esse aspecto então a lógica, no plano imaginário, inesperadamente próxima ao sentimento? Sim, existe mesmo o benefício de não calcular, de não refletir. O estado mais primitivo, mais puro do pensamento e do sentimento. A simplicidade e a proximidade com o ser real. Se é que existe de fato a realidade.
Parece existir uma regra subliminar de que a lógica pode excluir ou minorar o sentimento. Uma certa tendência a achar que quem é lógico, é frio. Deve ser porque a gente associa a lógica à sabedoria e os sábios a figuras plácidas e impassíveis. Ora, quase sempre o que o sábio nos fala é lógico, seja ele oriental, grego ou sci-fi. Mas daí a afirmar que quem é lógico é impassível, a recíproca não é verdadeira. Seria o motivo da impassividade controle de sentimento ou austeridade?
O benefício da ignorância: às vezes, fico pensando, é melhor não saber, não concluir, do que conhecer demais. Porque conhecendo, elabora-se e elaborando é que a imaginação entra, confundindo toda a lógica. Não seria sob esse aspecto então a lógica, no plano imaginário, inesperadamente próxima ao sentimento? Sim, existe mesmo o benefício de não calcular, de não refletir. O estado mais primitivo, mais puro do pensamento e do sentimento. A simplicidade e a proximidade com o ser real. Se é que existe de fato a realidade.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Necessidade

Tem gente que não entende. Às vezes pode parecer que perco a concentração nas coisas pela vontade de escrever no blog. Mas é justamente o contrário. Escrever é o que faz os meus pensamentos acalmarem.
Há muito tempo atrás eu acordei um dia de madrugada pensando em trabalho e nas atividades que eu tinha que fazer no dia seguinte. Então me dei conta de que se eu escrevesse o que eu precisava fazer ou o que eu tinha bolado de solução para um problema, eu aquietaria os meus pensamentos e conseguiria dormir melhor. E tem sido assim. Solucionar problemas, construir, isso é parte do meu trabalho. Tenho a sensação freqüentemente de que não descanso enquanto não coloco as idéias no papel.
Meu pensamento voa, sem controle, quase sempre. Hoje estava lembrando de uma pessoa que vi num casamento. Ela estava vestida de Frida Kahlo. Não era uma festa a fantasia. Era um casamento e ela de Frida Kahlo. Aí fico pensando assim, na coragem, na originalidade, e que no fim estava legal. E que talvez muitas pessoas nem tenham se dado conta de que ela estava parecida com a Frida Kahlo. Não sei porque fico pensando nessas coisas, mas eu fico.
Abro o documento para escrever o desenho de uma solução de trabalho. Teminha específico, sincronização de dados de um sistema central com outro sistema na internet. Abro o documento e lá dentro tem escrito (por outra pessoa) assim : "A estrutura de Produtos está baseado". Não dá para perceber sem ler o resto mas: falta de contexto, de concordância, de preposição, maiúscula no lugar errado, no fim uma frase que não precisava nem existir.
Fico lendo e relendo a frase, totalmente sem importância, mas incrédula me desconcentro. E de novo volta a Frida Kahlo no pensamento.
Há muito tempo atrás eu acordei um dia de madrugada pensando em trabalho e nas atividades que eu tinha que fazer no dia seguinte. Então me dei conta de que se eu escrevesse o que eu precisava fazer ou o que eu tinha bolado de solução para um problema, eu aquietaria os meus pensamentos e conseguiria dormir melhor. E tem sido assim. Solucionar problemas, construir, isso é parte do meu trabalho. Tenho a sensação freqüentemente de que não descanso enquanto não coloco as idéias no papel.
Meu pensamento voa, sem controle, quase sempre. Hoje estava lembrando de uma pessoa que vi num casamento. Ela estava vestida de Frida Kahlo. Não era uma festa a fantasia. Era um casamento e ela de Frida Kahlo. Aí fico pensando assim, na coragem, na originalidade, e que no fim estava legal. E que talvez muitas pessoas nem tenham se dado conta de que ela estava parecida com a Frida Kahlo. Não sei porque fico pensando nessas coisas, mas eu fico.
Abro o documento para escrever o desenho de uma solução de trabalho. Teminha específico, sincronização de dados de um sistema central com outro sistema na internet. Abro o documento e lá dentro tem escrito (por outra pessoa) assim : "A estrutura de Produtos está baseado". Não dá para perceber sem ler o resto mas: falta de contexto, de concordância, de preposição, maiúscula no lugar errado, no fim uma frase que não precisava nem existir.
Fico lendo e relendo a frase, totalmente sem importância, mas incrédula me desconcentro. E de novo volta a Frida Kahlo no pensamento.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Porque até a pessoa mais paciente pode ter um momento quase sem noção
- Boa tarde, qual o seu pedido?
- Uma promoção mega, por favor. (Refrigerante grande, batata-frita, 2 hambúrgueres, queijo e salada).
- Promoção com mais 2 reais leva mais um lanche?
"Onde eu vou enfiar mais um lanche? Tá vendo mais alguém do meu lado?"
Sorriso forçadamente simpático:
- Não, obrigada.
- Uma promoção mega, por favor. (Refrigerante grande, batata-frita, 2 hambúrgueres, queijo e salada).
- Promoção com mais 2 reais leva mais um lanche?
"Onde eu vou enfiar mais um lanche? Tá vendo mais alguém do meu lado?"
Sorriso forçadamente simpático:
- Não, obrigada.
sábado, 30 de maio de 2009
Confiança e Desconfiança
Recebi um torpedo no outro dia de uma amiga querida, estrangeira. Avisou-me que havia retornado ao Brasil e que gostaria de me ver. Alguns torpedos depois, ficou acertado que eu a buscaria em casa para um chopp. Sim, alguns torpedos depois. É a comunicação moderna.
Olhei o mapa no google maps e muito confiante no meu senso de direção peguei meu carro, alguns nomes de ruas memorizados e segui para o apartamento dela. Troquei o nome de uma rua pelo de outra e estava feito o estrago. Estava perdida.
Segui sem pânico ou preocupação pelo emaranhado de ruinhas escuras e arborizadas sem um ponto de táxi, uma padaria ou um pedestre que pudesse me auxiliar. Fui e voltei, desci e subi, até que numa esquina avistei um senhor de idade que aguardava alguém. Cautelosamente diminuí a velocidade e parei ao lado do senhor, abaixando o vidro do passageiro para solicitar a informação.
Eis que para minha surpresa, o senhor de idade começou a se movimentar devagar mas incomodamente para longe do carro, como quem procurava um táxi. Ele sequer me olhou, ignorou meu pedido de ajuda.
Foi então que eu me dei conta que o que aquele senhor sentia, era medo. Na minha visão uma mulher de boa aparência, bem vestida, num carro mediano, não servia de forma alguma de ameaça. De início me espantei com a atitude dele, achei até um pouco insana. Pensando depois sobre o ocorrido foi que pude entender a inquietação dele. Ele estava sozinho, a pé, no meio da noite. Provavelmente aflito porque nenhum táxi chegava. Ou a pessoa que ele esperava havia se atrasado. Fatos da cidade violenta que habitamos fazem com que esperemos sempre o pior, que haja algo de ruim por trás do que parece bom, esperamos sempre um golpe, uma armação. Uma mulher aparentemente inocente no fundo pode ser uma isca para um seqüestro ou assalto.
Transportei o sentimento desse senhor para o nosso dia a dia, para nossas relações próximas. Percebo que esse temor nos tomou de tal forma que sem querer, estamos sempre armados, sempre desconfiados, esperando que um gesto ou uma atitude esteja acobertando um sentimento ruim, uma intenção de prejudicar. Tentamos nos proteger de ações que não são sequer tangíveis. Ficamos nos protegendo de conceitos e situações imaginárias. Desconfiamos e desconfiamos, revisitamos conversas e atitudes na busca de uma falha, buscando algo que ateste uma mentira.
Fico me perguntando qual a solução disso. Como desconfiar apenas do que nos traz uma ameaça real, um risco de vida ou de assalto. Como confiar, libertando-nos das preocupações cansativas e desnecessárias. Como eu já disse anteriormente, qual a forma de aceitar o nível de comunicação direto, sem elaborar estórias paralelas.
Creio que o natural seriam os sentimentos positivos. Acreditar, ser feliz. Mas inexplicavelmente percebo que lutamos diariamente contra a negatividade. Lutamos para confiar, para não nos sentirmos desanimados ou melancólicos. Ao que parece o natural não é ser feliz. Ser feliz é uma uma opção, uma conquista, quando conseguimos nos libertar dos sentimentos que nos afligem.
Olhei o mapa no google maps e muito confiante no meu senso de direção peguei meu carro, alguns nomes de ruas memorizados e segui para o apartamento dela. Troquei o nome de uma rua pelo de outra e estava feito o estrago. Estava perdida.
Segui sem pânico ou preocupação pelo emaranhado de ruinhas escuras e arborizadas sem um ponto de táxi, uma padaria ou um pedestre que pudesse me auxiliar. Fui e voltei, desci e subi, até que numa esquina avistei um senhor de idade que aguardava alguém. Cautelosamente diminuí a velocidade e parei ao lado do senhor, abaixando o vidro do passageiro para solicitar a informação.
Eis que para minha surpresa, o senhor de idade começou a se movimentar devagar mas incomodamente para longe do carro, como quem procurava um táxi. Ele sequer me olhou, ignorou meu pedido de ajuda.
Foi então que eu me dei conta que o que aquele senhor sentia, era medo. Na minha visão uma mulher de boa aparência, bem vestida, num carro mediano, não servia de forma alguma de ameaça. De início me espantei com a atitude dele, achei até um pouco insana. Pensando depois sobre o ocorrido foi que pude entender a inquietação dele. Ele estava sozinho, a pé, no meio da noite. Provavelmente aflito porque nenhum táxi chegava. Ou a pessoa que ele esperava havia se atrasado. Fatos da cidade violenta que habitamos fazem com que esperemos sempre o pior, que haja algo de ruim por trás do que parece bom, esperamos sempre um golpe, uma armação. Uma mulher aparentemente inocente no fundo pode ser uma isca para um seqüestro ou assalto.
Transportei o sentimento desse senhor para o nosso dia a dia, para nossas relações próximas. Percebo que esse temor nos tomou de tal forma que sem querer, estamos sempre armados, sempre desconfiados, esperando que um gesto ou uma atitude esteja acobertando um sentimento ruim, uma intenção de prejudicar. Tentamos nos proteger de ações que não são sequer tangíveis. Ficamos nos protegendo de conceitos e situações imaginárias. Desconfiamos e desconfiamos, revisitamos conversas e atitudes na busca de uma falha, buscando algo que ateste uma mentira.
Fico me perguntando qual a solução disso. Como desconfiar apenas do que nos traz uma ameaça real, um risco de vida ou de assalto. Como confiar, libertando-nos das preocupações cansativas e desnecessárias. Como eu já disse anteriormente, qual a forma de aceitar o nível de comunicação direto, sem elaborar estórias paralelas.
Creio que o natural seriam os sentimentos positivos. Acreditar, ser feliz. Mas inexplicavelmente percebo que lutamos diariamente contra a negatividade. Lutamos para confiar, para não nos sentirmos desanimados ou melancólicos. Ao que parece o natural não é ser feliz. Ser feliz é uma uma opção, uma conquista, quando conseguimos nos libertar dos sentimentos que nos afligem.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Alimentando o ego
Alguém aí viu "He's just not that into you"?
Scarlett Johansson interpreta uma professora de yoga que tem um amigo que é perdidamente apaixonado por ela. Ela não só não deixa claro para ele que não está apaixonada, como ainda se aproveita da situação. O amigo se torna o porto seguro, aquele que está sempre disponível quando ela sofre uma desilusão amorosa.
Eu tava lendo no outro dia um post no "Elas e Ele", ou seria no "Presente a limpo" . E lá comenta-se que as pessoas não devem se iludir. Que existem ritmos diferentes (nisso eu concordo). Existem pessoas que procuram relacionamentos mais sérios e pessoas que buscam múltiplos parceiros e aventuras. E em seguida, comenta-se que não adianta pessoas do primeiro grupo acharem que podem ser felizes com pessoas do segundo grupo. Também concordo com essa afirmativa.
Além disso, foi falado no post que se o objetivo é estabelecido de início, que não vai haver envolvimento, então que não tem problema. Eu concordo até um ponto porque o fato é que sempre existe o fator imprevisto. O sentimento que não pode ser controlado. Há sempre alguém também que contraria o combinado, secretamente criando expectativas. Por último, diria que existem pessoas como a personagem da Scarlett Johansson que no fundo sabem que é só sexo mas que precisam se sentir amadas e especiais e que por isso criam uma falsa imagem de romantismo fazendo com que o outro se apaixone mesmo que eles mesmos não estejam apaixonados. E se em algum momento forem acusados de simularem a paixão, muito simples: "eu não, você entendeu errado, desde o princípio avisei que não havia compromisso".
Eu concordo com os amigos blogueiros que tudo seria mais simples se as pessoas fossem honestas. Acontece que na prática não funciona assim. As pessoas têm sentimentos confusos, traumas particulares, negam vontades e expectativas. E no fim, o ideal que seria honestidade, acaba sendo o mais raro de acontecer.
Scarlett Johansson interpreta uma professora de yoga que tem um amigo que é perdidamente apaixonado por ela. Ela não só não deixa claro para ele que não está apaixonada, como ainda se aproveita da situação. O amigo se torna o porto seguro, aquele que está sempre disponível quando ela sofre uma desilusão amorosa.
Eu tava lendo no outro dia um post no "Elas e Ele", ou seria no "Presente a limpo" . E lá comenta-se que as pessoas não devem se iludir. Que existem ritmos diferentes (nisso eu concordo). Existem pessoas que procuram relacionamentos mais sérios e pessoas que buscam múltiplos parceiros e aventuras. E em seguida, comenta-se que não adianta pessoas do primeiro grupo acharem que podem ser felizes com pessoas do segundo grupo. Também concordo com essa afirmativa.
Além disso, foi falado no post que se o objetivo é estabelecido de início, que não vai haver envolvimento, então que não tem problema. Eu concordo até um ponto porque o fato é que sempre existe o fator imprevisto. O sentimento que não pode ser controlado. Há sempre alguém também que contraria o combinado, secretamente criando expectativas. Por último, diria que existem pessoas como a personagem da Scarlett Johansson que no fundo sabem que é só sexo mas que precisam se sentir amadas e especiais e que por isso criam uma falsa imagem de romantismo fazendo com que o outro se apaixone mesmo que eles mesmos não estejam apaixonados. E se em algum momento forem acusados de simularem a paixão, muito simples: "eu não, você entendeu errado, desde o princípio avisei que não havia compromisso".
Eu concordo com os amigos blogueiros que tudo seria mais simples se as pessoas fossem honestas. Acontece que na prática não funciona assim. As pessoas têm sentimentos confusos, traumas particulares, negam vontades e expectativas. E no fim, o ideal que seria honestidade, acaba sendo o mais raro de acontecer.
Desconstruindo a relação moderna
Eu fiquei pensando numa coisa muito controversa hoje se pensarmos em termos de auto-ajuda e de feminismo. Todo animal possui um instinto de procurar o seu oposto: macho ou fêmea.
Fiquei também pensando no amor de mãe e filho. Do amor incondicional. Pode ser que nem sempre a mãe consiga suprir o amor do filho. Mas é verdade que todo filho busca o amor da mãe. Isso é instinto.
Pessoas sofrem a vida inteira porque não conseguem encontrar um amor verdadeiro. Que não seja para sempre, mas que seja significativo ao menos uma vez.
Aí é que entram as fórmulas baratas de felicidade: você não precisa de um parceiro romântico, existem outras coisas boas na vida. Dedique-se ao esporte, a fazer bem aos outros, você pode fazer sexo sem amor.
Vai tomar no cúúúúúúúú (estou exorcizando, meninas do Inferno Astral). Não seria meio que instintivo as pessoas procurarem o sexo oposto? Não seria o instinto, que também faz parte de nós, interferindo no racional? Tudo bem, a gente pode até compensar de alguma forma. Mas essas outras coisas não substituem totalmente.
E de novo, como no post passado. Quem deseja se apaixonar, quem sonha com o amor, de repente virou fraco. Existem tantas coisas boas na vida, porque você só pensa em se apaixonar? Você nunca estará sozinha, tem filhos e amigos e isso é suficiente.
Se fosse suficiente, as comédias românticas não seriam sucesso de bilheteria e não teria tanto músico escrevendo letra de amor por aí.
E tenho dito.
Fiquei também pensando no amor de mãe e filho. Do amor incondicional. Pode ser que nem sempre a mãe consiga suprir o amor do filho. Mas é verdade que todo filho busca o amor da mãe. Isso é instinto.
Pessoas sofrem a vida inteira porque não conseguem encontrar um amor verdadeiro. Que não seja para sempre, mas que seja significativo ao menos uma vez.
Aí é que entram as fórmulas baratas de felicidade: você não precisa de um parceiro romântico, existem outras coisas boas na vida. Dedique-se ao esporte, a fazer bem aos outros, você pode fazer sexo sem amor.
Vai tomar no cúúúúúúúú (estou exorcizando, meninas do Inferno Astral). Não seria meio que instintivo as pessoas procurarem o sexo oposto? Não seria o instinto, que também faz parte de nós, interferindo no racional? Tudo bem, a gente pode até compensar de alguma forma. Mas essas outras coisas não substituem totalmente.
E de novo, como no post passado. Quem deseja se apaixonar, quem sonha com o amor, de repente virou fraco. Existem tantas coisas boas na vida, porque você só pensa em se apaixonar? Você nunca estará sozinha, tem filhos e amigos e isso é suficiente.
Se fosse suficiente, as comédias românticas não seriam sucesso de bilheteria e não teria tanto músico escrevendo letra de amor por aí.
E tenho dito.
Pelo direito de ser romântico
Ah, o amor de adolescência. Seja moça ou rapaz, aquele amor platônico. Basta ver o ser amado para perdermos o jeito, coração acelerado. Uma rejeição e a vida perde o sentido. Jamais voltaremos a nos apaixonar.
Vida adulta, tempos modernos. De repente, apaixonar-se tornou-se proibido. Os homens contabilizam as conquistas. Quanto mais mulheres comerem melhor (gente, me desculpem mas hoje vou abandonar o tom educado. Estou ao estilo o mais "Inferno Astral" possível). As mulheres não podem mais se apaixonar. São fracas. A mulher sempre se apaixona e isso é ruim.
Nos tornamos todos "sex-machines". Se não tivermos muitos parceiros, se o sexo não for sempre perfeito e em grande quantidade, se não soubermos separar sentimento de sexo, somos bobos e piores do que os outros.
Às mulheres cabe uma tarefa muito árdua. Quase impossível. Identificar quando o homem é machista e deseja uma mulher intocada, que não tenha desejo próprios e quando está lidando com um canalha, que espera só sexo, diante de quem não se diminua se acontecer de se envolver.
Sexo moderno: fico lendo os blogs por aí. É tudo muito simples, está no contrato inicial: "olha, é difícil eu me apaixonar, não espere muito". Então fica pré-estabelecido que o sentimento nunca pode existir. Não pode haver um encantamento seja pela conversa que rola antes, durante ou depois do sexo. Ficou tudo muito claro: "é só sexo". E quem se deixou levar, quem se apaixonou, tornou-se um fraco, não soube respeitar as leis modernas.
É tudo tão simples. Basta casar melancia com melancia e mamão com mamão. Frutas ou animais a parte, é simples como o canário que olha o canário e facilmente identifica o seu parceiro. Não há papagaios se fazendo de canários. O canto é sempre bonito, nunca é um grasnar se fingindo de canto. Sim, o ser humano, racional, consegue controlar seus sentimentos 100% do tempo.
Se até animais morrem de tristeza quando perdem seus donos. Porque não haveríamos nós de nos permitir sofrer por amor? Eu me lembro no passado, na juventude, de ter sofrido meses por um amor perdido. De repente isso não é mais permitido. O homem que sofre é menos macho e a mulher que sofre é submissa.
O preço que pagamos por essas crenças modernas? A perda da inocência, a perda do valor do simples, da riqueza de um olhar, de um toque involuntário e inesperado. O que ganhamos: a desconfiança. Não acreditamos mais na palavra, sofremos ciúmes doentios. Temos tanto medo de sermos traídos, porque a traição segundo a crença moderna é tão fácil, que traímos pelo simples medo de perder, pela competição ("já que vou levar um chifre então faço eu primeiro"). Homens e mulheres, perdidos na descrença, na incapacidade de amar verdadeiramente. Deixamos de viver momentos belos. Propagamos o trauma e os sentimentos ruins. Que seja só sexo!
Vida adulta, tempos modernos. De repente, apaixonar-se tornou-se proibido. Os homens contabilizam as conquistas. Quanto mais mulheres comerem melhor (gente, me desculpem mas hoje vou abandonar o tom educado. Estou ao estilo o mais "Inferno Astral" possível). As mulheres não podem mais se apaixonar. São fracas. A mulher sempre se apaixona e isso é ruim.
Nos tornamos todos "sex-machines". Se não tivermos muitos parceiros, se o sexo não for sempre perfeito e em grande quantidade, se não soubermos separar sentimento de sexo, somos bobos e piores do que os outros.
Às mulheres cabe uma tarefa muito árdua. Quase impossível. Identificar quando o homem é machista e deseja uma mulher intocada, que não tenha desejo próprios e quando está lidando com um canalha, que espera só sexo, diante de quem não se diminua se acontecer de se envolver.
Sexo moderno: fico lendo os blogs por aí. É tudo muito simples, está no contrato inicial: "olha, é difícil eu me apaixonar, não espere muito". Então fica pré-estabelecido que o sentimento nunca pode existir. Não pode haver um encantamento seja pela conversa que rola antes, durante ou depois do sexo. Ficou tudo muito claro: "é só sexo". E quem se deixou levar, quem se apaixonou, tornou-se um fraco, não soube respeitar as leis modernas.
É tudo tão simples. Basta casar melancia com melancia e mamão com mamão. Frutas ou animais a parte, é simples como o canário que olha o canário e facilmente identifica o seu parceiro. Não há papagaios se fazendo de canários. O canto é sempre bonito, nunca é um grasnar se fingindo de canto. Sim, o ser humano, racional, consegue controlar seus sentimentos 100% do tempo.
Se até animais morrem de tristeza quando perdem seus donos. Porque não haveríamos nós de nos permitir sofrer por amor? Eu me lembro no passado, na juventude, de ter sofrido meses por um amor perdido. De repente isso não é mais permitido. O homem que sofre é menos macho e a mulher que sofre é submissa.
O preço que pagamos por essas crenças modernas? A perda da inocência, a perda do valor do simples, da riqueza de um olhar, de um toque involuntário e inesperado. O que ganhamos: a desconfiança. Não acreditamos mais na palavra, sofremos ciúmes doentios. Temos tanto medo de sermos traídos, porque a traição segundo a crença moderna é tão fácil, que traímos pelo simples medo de perder, pela competição ("já que vou levar um chifre então faço eu primeiro"). Homens e mulheres, perdidos na descrença, na incapacidade de amar verdadeiramente. Deixamos de viver momentos belos. Propagamos o trauma e os sentimentos ruins. Que seja só sexo!
Pelo direito de ser infeliz
Hoje eu acordei com o espírito do contra. Sim, fiquei com vontade de escrever tudo ao contrário. Eu me dei conta de que há algo cruel na teoria do "Carpe diem", de buscar a felicidade, da auto-ajuda.
Descobri que é proibido ser infeliz. Sim, tudo o que se prega hoje em dia é que sejamos felizes. É necessário ser sempre eficiente e feliz.
Fiquei pensando no seguinte: ficar infeliz muitas vezes é necessário. Não estou defendendo a depressão. Que fiquemos anos a fio afastados do mundo sofrendo. É bem verdade que eu já vi gente que deixou de viver achando normal e concordo que não é bom.
Depressão é muito diferente de ficar triste, de ficar infeliz, mesmo que a infelicidade dure alguns meses ou alguns anos.
A gente passa por provações na vida: desilusões, perda de entes queridos, fatalidades que nos tiram alguma capacidade, doenças. Tudo o que se ouve hoje em dia é que não podemos nos
deixar abater.
Concordo que não se pode deixar abater para sempre. Entretanto, estamos esquecendo de que
em determinadas situações, é permitido sofrer. E nem sempre por um período curto de tempo.
Pode ser que necessitemos de um tempo maior para nos recuperar.
Vou abrir demais o meu coração agora. Ano passado eu enfrentei duas "paradas" muito duras: descobri que meu pai tinha uma doença terminal (e ele acabou falecendo no início do ano)
e terminei o meu casamento.
Eu não deixei de trabalhar, não deixei de cuidar dos meus filhos, não deixei de pagar minhas
contas, não deixei de sonhar. O tempo todo, em meio ao sofrimento, eu procurei manter pensamento positivo e fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para ficar bem.
Descobri entretanto que não importa o que se faça, principalmente quando somos eficientes demais, que seja suficiente. As pessoas sempre esperam mais. Você não pode deixar de nutrir os sentimentos dos seus filhos, mesmo que esteja com o coração esfacelado. Você não pode render menos no trabalho, não é permitido errar, mesmo que as pessoas te conheçam há anos e já tenham presenciado mostras das sua competência. Você não pode beber um pouco demais, você não pode perder os objetivos, mesmo que os tenha tido por uma vida inteira e nunca tenha perdido o foco neles, você não pode se sentir perdido.Você não pode tirar um day-off; qualquer uma dessas ações, mesmo que você tenha sido aluno exemplar, tenha passado no vestibular para faculdade de "ponta", fale 3 línguas, seja bom profissional, uma pessoa honesta, tenha conquistado crescimento pessoal e material: no momento em que você se entregue a qualquer uma dessas atitudes, passa a ser fraco, um perdedor, como os americanos gostam de dizer. O mundo está pronto a olhar, julgar e condenar. Nós mesmos estamos prontos a ditar a
nossa própria sentença.
Pretendo desconstruir uma série de mensagens, uma série de conceitos. Sim, porque estou muito subversiva hoje. Estou contrariando até a modernidade.
Descobri que é proibido ser infeliz. Sim, tudo o que se prega hoje em dia é que sejamos felizes. É necessário ser sempre eficiente e feliz.
Fiquei pensando no seguinte: ficar infeliz muitas vezes é necessário. Não estou defendendo a depressão. Que fiquemos anos a fio afastados do mundo sofrendo. É bem verdade que eu já vi gente que deixou de viver achando normal e concordo que não é bom.
Depressão é muito diferente de ficar triste, de ficar infeliz, mesmo que a infelicidade dure alguns meses ou alguns anos.
A gente passa por provações na vida: desilusões, perda de entes queridos, fatalidades que nos tiram alguma capacidade, doenças. Tudo o que se ouve hoje em dia é que não podemos nos
deixar abater.
Concordo que não se pode deixar abater para sempre. Entretanto, estamos esquecendo de que
em determinadas situações, é permitido sofrer. E nem sempre por um período curto de tempo.
Pode ser que necessitemos de um tempo maior para nos recuperar.
Vou abrir demais o meu coração agora. Ano passado eu enfrentei duas "paradas" muito duras: descobri que meu pai tinha uma doença terminal (e ele acabou falecendo no início do ano)
e terminei o meu casamento.
Eu não deixei de trabalhar, não deixei de cuidar dos meus filhos, não deixei de pagar minhas
contas, não deixei de sonhar. O tempo todo, em meio ao sofrimento, eu procurei manter pensamento positivo e fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para ficar bem.
Descobri entretanto que não importa o que se faça, principalmente quando somos eficientes demais, que seja suficiente. As pessoas sempre esperam mais. Você não pode deixar de nutrir os sentimentos dos seus filhos, mesmo que esteja com o coração esfacelado. Você não pode render menos no trabalho, não é permitido errar, mesmo que as pessoas te conheçam há anos e já tenham presenciado mostras das sua competência. Você não pode beber um pouco demais, você não pode perder os objetivos, mesmo que os tenha tido por uma vida inteira e nunca tenha perdido o foco neles, você não pode se sentir perdido.Você não pode tirar um day-off; qualquer uma dessas ações, mesmo que você tenha sido aluno exemplar, tenha passado no vestibular para faculdade de "ponta", fale 3 línguas, seja bom profissional, uma pessoa honesta, tenha conquistado crescimento pessoal e material: no momento em que você se entregue a qualquer uma dessas atitudes, passa a ser fraco, um perdedor, como os americanos gostam de dizer. O mundo está pronto a olhar, julgar e condenar. Nós mesmos estamos prontos a ditar a
nossa própria sentença.
Pretendo desconstruir uma série de mensagens, uma série de conceitos. Sim, porque estou muito subversiva hoje. Estou contrariando até a modernidade.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Cruzeiro das Loucas
Tem coisas que a gente pensa que só acontecem em filme...
Assisti há umas semanas atrás o filme "Cruzeiro das Loucas". Preciso dizer que sempre fui fã de comédias. Desde as mais intelectuais até videos caseiros do Youtube, quase tudo me diverte. Esse filme, é daqueles bem canastrões americanos e tem umas cenas bem engraçadas.
Em linhas gerais, o filme é sobre dois solteiros que pensam em se dar bem num cruzeiro mas que por uma vingança do agente de viagens, acabam num cruzeiro gay. Após uma série de situações cômicas, há um momento em que se notifica aos tripulantes que há um outro navio à deriva próximo a eles.
Eis que ocorre um resgate de uma dezena de escandinavas loiras (obviamente) e gostosonas. Bem ao estilo "Baywatch", peitão e maiô vermelho.
Numa certa segunda-feira, onde eu passei um dia infernal e saí muitíssimo tarde do trabalho, após um final de semana de marasmo total, recebi um telefonema de uma amiga. Ela também estava num humor complicado. Combinamos de nos encontrar num bar e chorar as mazelas.
Estávamos lá, naquele movimento de segunda-feira, bar vazio. O bar que frequentamos assiduamente e que nunca teve música ao vivo, naquele dia tinha um triozinho que ironicamente cantava tudo o que se possa imaginar de depressivo, de Coldplay a Kansas, no estilo o mais "Dust in the wind" que se possa imaginar.
Após uma hora de lamentações passadas e futuras (apesar de que mesmo no meio da lamentação eu sempre encontro momentos de bom-humor, como já relatei anteriormente), fizemos uma pausa num determinado momento. Parecia pausa programada, daquelas de filme. Pausa em que a gente pára os olhos num determinado ponto, vê uma cena que inicia e não acredita no que está vendo. Digamos assim, que se fosse filme, eu abriria a boca e esfregaria os olhos.
Entravam no bar, um após o outro, cerca de 17 gringos. Minha amiga achou que eram alemães. Eu, não sei porque, cismei que eram suecos. Foram entrando e se aproximando de uma mesa em frente à nossa. Ficamos as duas, tal qual os americanos do "Cruzeiro das Loucas" observando incrédulas em plena segunda-feira de bar vazio, as beldades escandinavas que se acomodavam na mesa em frente. Tinha um que era a cara do vocalista do A-ha nos áureos tempos (tudo bem, ele não é sueco). Mas só para sentir o drama.
No fim, foi só isso. Mas que foi legal, foi.
Assisti há umas semanas atrás o filme "Cruzeiro das Loucas". Preciso dizer que sempre fui fã de comédias. Desde as mais intelectuais até videos caseiros do Youtube, quase tudo me diverte. Esse filme, é daqueles bem canastrões americanos e tem umas cenas bem engraçadas.
Em linhas gerais, o filme é sobre dois solteiros que pensam em se dar bem num cruzeiro mas que por uma vingança do agente de viagens, acabam num cruzeiro gay. Após uma série de situações cômicas, há um momento em que se notifica aos tripulantes que há um outro navio à deriva próximo a eles.
Eis que ocorre um resgate de uma dezena de escandinavas loiras (obviamente) e gostosonas. Bem ao estilo "Baywatch", peitão e maiô vermelho.
Numa certa segunda-feira, onde eu passei um dia infernal e saí muitíssimo tarde do trabalho, após um final de semana de marasmo total, recebi um telefonema de uma amiga. Ela também estava num humor complicado. Combinamos de nos encontrar num bar e chorar as mazelas.
Estávamos lá, naquele movimento de segunda-feira, bar vazio. O bar que frequentamos assiduamente e que nunca teve música ao vivo, naquele dia tinha um triozinho que ironicamente cantava tudo o que se possa imaginar de depressivo, de Coldplay a Kansas, no estilo o mais "Dust in the wind" que se possa imaginar.
Após uma hora de lamentações passadas e futuras (apesar de que mesmo no meio da lamentação eu sempre encontro momentos de bom-humor, como já relatei anteriormente), fizemos uma pausa num determinado momento. Parecia pausa programada, daquelas de filme. Pausa em que a gente pára os olhos num determinado ponto, vê uma cena que inicia e não acredita no que está vendo. Digamos assim, que se fosse filme, eu abriria a boca e esfregaria os olhos.
Entravam no bar, um após o outro, cerca de 17 gringos. Minha amiga achou que eram alemães. Eu, não sei porque, cismei que eram suecos. Foram entrando e se aproximando de uma mesa em frente à nossa. Ficamos as duas, tal qual os americanos do "Cruzeiro das Loucas" observando incrédulas em plena segunda-feira de bar vazio, as beldades escandinavas que se acomodavam na mesa em frente. Tinha um que era a cara do vocalista do A-ha nos áureos tempos (tudo bem, ele não é sueco). Mas só para sentir o drama.
No fim, foi só isso. Mas que foi legal, foi.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A cultura e as diferenças

Há muitos anos atrás, trabalhei com um consultor que havia passado 1 ano trabalhando na Coréia. Nos tempos de globalização de hoje isso não é algo tão raro mas naquela época era. Ele nos contava várias coisas sobre aquele país. Os costumes, as dificuldades, sobre o clima muito frio e sobre as inovações tecnológicas que ainda não haviam chegado aqui.
Dentre todas as histórias que ele me contou, a única que fixou na minha mente foi talvez a que eu achei mais bizarra, mais divertida. Ele dizia que era muito difícil viver por lá sozinho, o povo era muito fechado e era um tanto difícil fazer amizades. Sendo assim, não era incomum que ele fosse sozinho ao cinema.
Ele chegava no cinema e se deprimia um pouco ao ver os casais juntos se divertindo enquanto ele ficava sozinho. Pois um dia, ele observava um casal muito amoroso que levava um saquinho de papel pardo, com balas e bombons, imaginava ele. Eis que o namorado, muito zeloso e gentil abre o saquinho e tira de lá exatas duas bananas. E os pombinhos, felizes, começam a descascá-las e a comê-las antes do filme.
Explicação para a cena é: na Coréia, pelo menos naquela época, frutas tropicais eram artigo de luxo, caríssimas. E isso explica o gesto de amor praticado pelo dedicado namorado.
Dentre todas as histórias que ele me contou, a única que fixou na minha mente foi talvez a que eu achei mais bizarra, mais divertida. Ele dizia que era muito difícil viver por lá sozinho, o povo era muito fechado e era um tanto difícil fazer amizades. Sendo assim, não era incomum que ele fosse sozinho ao cinema.
Ele chegava no cinema e se deprimia um pouco ao ver os casais juntos se divertindo enquanto ele ficava sozinho. Pois um dia, ele observava um casal muito amoroso que levava um saquinho de papel pardo, com balas e bombons, imaginava ele. Eis que o namorado, muito zeloso e gentil abre o saquinho e tira de lá exatas duas bananas. E os pombinhos, felizes, começam a descascá-las e a comê-las antes do filme.
Explicação para a cena é: na Coréia, pelo menos naquela época, frutas tropicais eram artigo de luxo, caríssimas. E isso explica o gesto de amor praticado pelo dedicado namorado.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Como Gilmore Girls

Eu tenho uma grande amiga com a qual travo conversas sem fim e difíceis de acompanhar. Eu me explico: é que ambas falamos muito, muito rápido e trocamos de assunto com muita facilidade. Os assuntos vêm e vão e a gente raramente se perde mas de vez em quando ocorrem umas linhas cruzadas. A gente costuma brincar que as nossas conversas são dignas de "Gilmore Girls", seriado americano, do qual ambas somos grandes fãs.
De vez em quando ela fala pra mim ao final de uma conversa (que também acontece por escrito): "entendeu, Lorelai?".
A diversidade dos nossos diálogos é tanta, que até piada no meio da desgraça própria a gente fala. Bom, eu falo, mas a especialista nisto é ela. Eu vivo dizendo para ela que ela tinha que criar o próprio blog. Porque assim como os "gilmorismos" da Lorelai, ela tem as suas pérolas dignas de serem registradas.
Só para ter uma idéia, hoje ela me escreveu um e-mail contando várias coisas, dentre elas uma doença de uma pessoa querida. E eis o "diálogo" que se seguiu:
Lorelai: "Ela está muito fraquinha, deitada e reclamando muito."
Rory: "Ah, isso é da doença mesmo. Vamos rezar para que ela melhore, com o tempo ela vai reganhando as forças."
Lorelai: "Existe a palavra "reganhando" ? kkkk"
Rory: "Eu já ri um monte aqui mas respondendo à sua pergunta, segundo o Michaelis da Língua Portuguesa:
reganhar1 re.ga.nhar1(re+ganhar) vtd Tornar a ganhar; readquirir, reaver, recobrar, recuperar.
reganhar2 re.ga.nhar2(contr de arreganhar) vint 1 desus Tiritar de frio; arreganhar-se. 2 Morrer (o animal) arreganhando os dentes."
reganhar2 re.ga.nhar2(contr de arreganhar) vint 1 desus Tiritar de frio; arreganhar-se. 2 Morrer (o animal) arreganhando os dentes."
Lorelai: "Olha, pensa bem... na dúvida não use mais esse termo reganhar... kkkkkkkkk".
Brinquedo novo
Com a ajuda da Pat Ferret eu adicionei uma caixinha nova de pesquisa no blog.
A vontade de criar essa ferramenta surgiu ontem quando eu comecei a escrever um post e me lembrei vagamente de já ter falado sobre o assunto antes.
Consegui adicionar o gadget hoje pela manhã e está funcionando bem, embora não bonitinho; melhor seria se eu tivesse hospedado os resultados dentro do blog mas fiquei com preguiça de procurar o resto.
O fato é que consegui fazer minha pesquisa dentro do blog. Descobrir quantas vezes falei sobre elevadores. E o fato é que falei 11 vezes, inclusive no post onde conto o pesadelo que me perseguia. Daqui a pouco vou ter que criar um marcador só para elevadores.
A vontade de criar essa ferramenta surgiu ontem quando eu comecei a escrever um post e me lembrei vagamente de já ter falado sobre o assunto antes.
Consegui adicionar o gadget hoje pela manhã e está funcionando bem, embora não bonitinho; melhor seria se eu tivesse hospedado os resultados dentro do blog mas fiquei com preguiça de procurar o resto.
O fato é que consegui fazer minha pesquisa dentro do blog. Descobrir quantas vezes falei sobre elevadores. E o fato é que falei 11 vezes, inclusive no post onde conto o pesadelo que me perseguia. Daqui a pouco vou ter que criar um marcador só para elevadores.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
O poder da gafe na internet
Um dia recebi um e-mail de uma amiga surtada. Parece que ela tinha tomado um vinho, fez um post inspirado e saiu disparando e-mails entusiasmados sobre o post. Tudo bem que eu já passei por essa experiência (de beber um pouco e escrever) mas respondi para ela:
"Tira a garrafa da criatura na frente do computador!"
Esse é o tipo de atitude que pode colocar alguém em situação difícil. Tem que evitar a internet nesses momentos. :)
Mas o pior mesmo é quando a criatura nem bebeu e sai por aí disparando e-mails sem sentido. Imagina a situação: você escreve um e-mail para a pessoa passando um texto legal. Uma hora depois, você recebe um e-mail dessa pessoa, toda preocupada, dizendo assim: "eu não vi que você tinha copiado um amigo, ainda bem que não escrevi (muita) besteira".
Páro para pensar: "mas eu não copiei nenhum amigo". Olho lá e o amigo está copiado. Será que estava tão distraída assim? Só que analisando o e-mail inicial, não só não era o do texto que eu havia passado no mesmo dia como era um e-mail de quase 1 ano antes. Onde havia um amigo copiado. E indo um pouco além, o que deveria ser direcionado para mim foi respondido com um reply all.
Não consegui dar o tom de comédia que eu queria para a história. Só posso dizer que no momento que percebi (mas não entendi) o que tinha acontecido, eu gargalhei de perder o ar por alguns minutos.
"Tira a garrafa da criatura na frente do computador!"
Esse é o tipo de atitude que pode colocar alguém em situação difícil. Tem que evitar a internet nesses momentos. :)
Mas o pior mesmo é quando a criatura nem bebeu e sai por aí disparando e-mails sem sentido. Imagina a situação: você escreve um e-mail para a pessoa passando um texto legal. Uma hora depois, você recebe um e-mail dessa pessoa, toda preocupada, dizendo assim: "eu não vi que você tinha copiado um amigo, ainda bem que não escrevi (muita) besteira".
Páro para pensar: "mas eu não copiei nenhum amigo". Olho lá e o amigo está copiado. Será que estava tão distraída assim? Só que analisando o e-mail inicial, não só não era o do texto que eu havia passado no mesmo dia como era um e-mail de quase 1 ano antes. Onde havia um amigo copiado. E indo um pouco além, o que deveria ser direcionado para mim foi respondido com um reply all.
Não consegui dar o tom de comédia que eu queria para a história. Só posso dizer que no momento que percebi (mas não entendi) o que tinha acontecido, eu gargalhei de perder o ar por alguns minutos.
terça-feira, 31 de março de 2009
Post 400
Preciso registrar que o post passado foi o 400.
Vocês devem estar pensando: que bacana, uma pessoa escrever 400 posts.
Eu confesso. Escrever é doloroso. E só quem escreve sabe o que custou escrever 400 posts.
Valeu a pena.
Vocês devem estar pensando: que bacana, uma pessoa escrever 400 posts.
Eu confesso. Escrever é doloroso. E só quem escreve sabe o que custou escrever 400 posts.
Valeu a pena.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Pensamentos e Sonhos
Escrevi há um tempo atrás sobre sonhos. Eu dizia que o surpreendente dos sonhos é que enquanto dormimos, a nossa mente cria toda uma estória sem que tenhamos controle sobre ela. Às vezes são imagens de muitos anos atrás, outras recentes e muitas vezes cenas para as quais nem temos explicação. Isso tudo acontece quando estamos inconscientes, dormindo.
Percebi que mesmo acordados, nem sempre é diferente. Às vezes é difícil ter controle sobre os nossos pensamentos. Eles aparecem criando estórias quase tão fantásticas quanto às dos sonhos. Pior do que a auto-geração, é a persistência, a prisão em que esses pensamentos podem nos colocar, quando nos levam a um lugar não muito agradável, dominando-nos. Tentamos interromper a estória mas ela continua aumentando sem controle, gerando pânico e impossibilidade de intervenção.
Nessas horas, temos que respirar fundo, alinhar os fatos reais na cabeça, avaliar e esperar que a mente, de volta ao mundo concreto, volte a raciocinar conscientemente.
Não é verdade que nesse contexto, pensamentos e sonhos (ou pesadelos?) possam ser praticamente o mesmo?
Percebi que mesmo acordados, nem sempre é diferente. Às vezes é difícil ter controle sobre os nossos pensamentos. Eles aparecem criando estórias quase tão fantásticas quanto às dos sonhos. Pior do que a auto-geração, é a persistência, a prisão em que esses pensamentos podem nos colocar, quando nos levam a um lugar não muito agradável, dominando-nos. Tentamos interromper a estória mas ela continua aumentando sem controle, gerando pânico e impossibilidade de intervenção.
Nessas horas, temos que respirar fundo, alinhar os fatos reais na cabeça, avaliar e esperar que a mente, de volta ao mundo concreto, volte a raciocinar conscientemente.
Não é verdade que nesse contexto, pensamentos e sonhos (ou pesadelos?) possam ser praticamente o mesmo?
segunda-feira, 23 de março de 2009
Living in denial
O americano usa muito essa expressão "denial". O que significaria isso em português? Viver negando algo. Não me recordo de nenhuma expressão na nossa língua que retrate com a mesma exatidão a situação.
Explicando melhor seria o seguinte: a gente passa por situações na vida que são tão dolorosas ou tão difíceis de encarar, que fazem com que a gente negue que tem problemas. A gente acaba inventando uma estorinha na nossa cabeça para tentar esquecer o problema. É um "me engana que eu gosto" inconsciente. Sim, porque quem cria essa estória não se dá conta de que inventou para fugir dos problemas.
Parece louco né? Mas é verdade. É mais fácil viver uma fantasia do que encarar o mundo real.
Aí a gente se pergunta: tem problema? Em princípio não. Porque afinal, somos donos do nosso nariz e ninguém tem nada a ver com a vida da gente, é o que a gente pensa.
E vai tudo muito bem. A gente se engana, vive a fantasia, incorpora um personagem que nem sempre tem a ver com a gente. Até que um dia a gente se dá conta de que se afastou da própria essência. Aquilo que a gente vive não tem exatamente a ver com o que a gente é de verdade.
E de novo, tem problema? Talvez não. O problema é quando a gente se dá conta de que foi tão eficiente em mentir para si mesmo que até as pessoas que nos cercam começaram a acreditar na mentira.
O americano, para o "denial", tem uma resposta: "intervention". Seria assim, quando os familiares e amigos percebem o problema e resolvem dar uma chacoalhada na pessoa para que ela volte ao seu rumo normal. Tem um pouco a ver também com drogas e alcoolismo mas não necessariamente somente nesses casos.
Aqui no Brasil a gente não usa esses termos. E nem o assunto é tratado com tanto método. Mas cabe a nós escutar de tempos em tempos o que os outros têm a dizer. E se a mensagem se repete com frequência, aí é hora de avaliar o que está acontecendo. Antes que seja tarde demais...
Explicando melhor seria o seguinte: a gente passa por situações na vida que são tão dolorosas ou tão difíceis de encarar, que fazem com que a gente negue que tem problemas. A gente acaba inventando uma estorinha na nossa cabeça para tentar esquecer o problema. É um "me engana que eu gosto" inconsciente. Sim, porque quem cria essa estória não se dá conta de que inventou para fugir dos problemas.
Parece louco né? Mas é verdade. É mais fácil viver uma fantasia do que encarar o mundo real.
Aí a gente se pergunta: tem problema? Em princípio não. Porque afinal, somos donos do nosso nariz e ninguém tem nada a ver com a vida da gente, é o que a gente pensa.
E vai tudo muito bem. A gente se engana, vive a fantasia, incorpora um personagem que nem sempre tem a ver com a gente. Até que um dia a gente se dá conta de que se afastou da própria essência. Aquilo que a gente vive não tem exatamente a ver com o que a gente é de verdade.
E de novo, tem problema? Talvez não. O problema é quando a gente se dá conta de que foi tão eficiente em mentir para si mesmo que até as pessoas que nos cercam começaram a acreditar na mentira.
O americano, para o "denial", tem uma resposta: "intervention". Seria assim, quando os familiares e amigos percebem o problema e resolvem dar uma chacoalhada na pessoa para que ela volte ao seu rumo normal. Tem um pouco a ver também com drogas e alcoolismo mas não necessariamente somente nesses casos.
Aqui no Brasil a gente não usa esses termos. E nem o assunto é tratado com tanto método. Mas cabe a nós escutar de tempos em tempos o que os outros têm a dizer. E se a mensagem se repete com frequência, aí é hora de avaliar o que está acontecendo. Antes que seja tarde demais...
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