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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Origami para Lixeira



Recentemente eu precisei elaborar uma peça gráfica que tivesse o tema ligado a sustentabilidade. Meu ponto de partida para sugestão do tema sobre o qual eu iria trabalhar, foi listar as dúvidas que eu mesma tinha a respeito do que realmente são boas práticas. E com isso, automaticamente caí na questão das "sacolas plásticas".

Estamos tão viciados nas tais sacolinhas para jogar o lixo, que não conseguimos imaginar solução diferente. Uma coisa que pensava era: "se extinguirem as sacolinhas, não teremos que recorrer ao saco de lixo que também é de plástico?". Fui lendo a respeito e o que descobri foi o seguinte:

1. O que a maioria já sabe porque é mais divulgado, é que sobra muita sacolinha sem uso, ou seja, temos menos lixo do que sacolinhas. Logo, sempre há muitas delas por aí voando, sem utilização.

2. O saco de lixo normalmente é feito de material reciclado. Além disso, a composição dele é diferente da sacola de supermercado. Como não existe um compromisso tão grande com a questão do seu rompimento, o material dele acaba também sendo mais facilmente decomposto.

3. Podemos substituir a sacola plástica pelo jornal, para armazenamento do lixo.

Bom, com relação ao 3o. item, preciso dizer que trata-se de uma grande amnésia da minha parte. Quando eu era criança, as sacolas de supermercado eram de papel e a gente costumava forrar a lixeira com jornal e depois fazer um embrulho, também de jornal, mais revestido, para levar o jornal até a lixeira (no meu caso) do prédio. O mais engraçado no fato de eu ter esquecido, é que eu era responsável na maior parte das vezes  por esta tarefa. Eu abria grandes folhas no chão, virava o lixo, enrolava tudo bonitinho e forrava a lixeira de novo.

Mas como lembrei disso? Lendo a respeito do "Origami para Lixeira". Encontrei diversos artigos e videos sobre o assunto, que vocês poderão conferir nos links das palavras assinaladas.

Acho que tive tanto gosto em fazer essa pesquisa que a peça gráfica resultante acabou se tornando a melhor do conjunto que eu produzi. Achei muito simpática a figurinha do origami. Mas fica a dica: se bater preguiça de fazer o origami, sempre dá para forrar com o jornal, colocando mais de uma folha para proporcionar melhor absorção.

A imagem que eu utilizei, para fins acadêmicos, foi a mesma desse post, que eu encontrei no blog "Mundo Possível Vidas Possíveis" que recomendo visitar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Alma

Existe aquele conceito de alma que muitos tentam classificar ou explicar. De Platão a Allan Kardec, seja no Hinduísmo ou na Cabala, muitos acreditam existir dentro da gente aquela centelha que não faz parte exatamente de nosso corpo físico. Algo que em teoria poderia continuar vivo, uma vez morto o invólucro - a parte material que nos compõe. De minha parte posso dizer que isso eu sinto, desde sempre, sem que para isso precisassem colocar tanta regra. Espírito, alma, anima, seja como queiram chamar, existe dentro de mim a certeza de algo maior, de uma força interna que me rege e que pode estar aqui, no passado ou no futuro, em lugares imateriais e simultâneos, com outros que cá ainda estão ou que já se foram. Essa essência que se transporta sozinha, no momento em que ouve uma música, no calado de um escritório vazio, num dia pré-chuvoso, e que no mesmo estante está no Rio antigo da avó querida, jovem ou já velhinha, que tanto gostava dessa música em particular ou mesmo numa abafada sala de piano com a saudosa mestre que mesmo sem conhecer, dividia as mesmas lembranças.

Brejeiro e Apanhei-te Cavaquinho de Ernesto Nazareth em majestosa execução.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Momento Flashback - If you leave / Pretty in Pink

Quem me conhece um pouco sabe da minha fixação por coisas dos anos 80 e adolescência.

Tava ouvindo uma rádio do iTunes hoje e me deparei com essa música. Bateu aquela sensação: "humm,
sempre gostei dessa música mas não sei o nome". Bom, e para minha recordação, também faz parte da trilha de um filme que eu tanto gostei....


Vale acrescentar que também amo Two and a Half Men.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Natal chegou!


Quando eu era criança eu fazia questão de produzir a maior lista que conseguisse imaginar de amigos e parentes para enviar cartões de Natal. Creio que data daquela época a minha mania de escrever, pois não importava o tamanho da lista, eu sempre escrevia algo personalizado, nem que fosse apenas uma linha mas que não podia repetir para ninguém.

Na adolescência eu tinha pen friend, tinha prima que morava distante e tinha amiga que ia passar férias fora. Inventava o que fosse por uma oportunidade para escrever. E junto aquela ansiedade gostosa de imaginar se a carta ia chegar logo, se não ia extraviar e se a amiga ia gostar.

A internet tomou conta da vida da gente, rarearam as cartas e até os cartões de Natal. Para que mandar carta se tem e-mail? Alguns poucos românticos se mantiveram fiéis ao hábito. Outros, como eu, se afogaram na correria e o deixaram para o final da lista.

Certas sensações não mudam, são apenas esquecidas. Como a alegria que a gente sente, por mais que saiba que uma carta vai chegar, no momento em que ela efetivamente chega. Com um selo diferente, uma letra marcante, a mensagem amiga, aquele tantinho de papel que deu a volta ao mundo e veio parar na porta da casa da gente.

Obrigada Beth Blue pelo carinho e por me fazer relembrar.

Feliz Natal a todos!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Quarto arrumado


Quando eu tinha entre 5 e 6 anos de idade, eu adorava assistir o seriado "Feiticeira". Me fascinava não somente os poderes mágicos da protagonista mas também o estilo de vida em si: casa ampla com gramado na frente, belos penteados, roupas elegantes, o cenário "família feliz" a despeito de todas as trapalhadas que a terrível Endora ou a irmã morena provocavam. No final tudo se resolvia e acabava com o casal feliz se beijando.

Não era raro que eu olhasse a bagunça à minha volta, que eu mesma havia provocado após uma série de brincadeiras e pensasse: "seria tão bom se eu tivesse poderes mágicos para colocar tudinho de volta no lugar!". Então, lá ia eu tentar imitar o movimento de nariz que a "Feiticeira" fazia ou fechar os olhos para desejar que ao abri-los, eu pudesse encontrar tudo arrumadinho de novo. E obviamente, para minha profunda decepção, não encontrava. Mas isso não impedia que eu de novo, tentasse a mágica num outro dia.

Eu não sei porque mas desorganização, tumulto visual, excesso de cor e de informação, despadronização, essas são coisas extremamente perturbadoras para mim. Desde criança. Isso não quer dizer que eu consiga manter tudo arrumado o tempo todo mas arrumar, desfazer-me do desnecessário, são atitudes que me devolvem o equilíbrio e a paz interior.

Tem dias que eu visualizo a minha mente assim: como um quarto. Às vezes ele está ensolarado e arrumado, com um sol gostoso entrando pela janela. Em outros dias ele me parece sombrio, empoeirado como a passagem para a cabeça do John Malkovich, naquele filme "Quero ser John Malkovich".

O que há de comum entre mim e aquele menina de 5 anos é que eu ainda tento colocar tudo de volta nos lugares certos. Cada coisinha, cada pensamento na sua caixinha certa. A diferença é que hoje eu não acredito mais em fórmula mágica. Eu não tento mais fechar os meus olhos e esperar que tudo esteja bem ao abri-los. Doa ou não, eu tento fazer o certo, colocando eu mesma tudo de volta no lugar.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Saudades de Ofélia


Longas, numerosas e abafadas manhãs de intermináveis férias no Rio de Janeiro.

Infância de apartamento.

Clique, clique, Thor, Tom e Jerry, Pica-pau. Nada de novo.

No meio da programação, uma novidade: programa de culinária.

Olhos curiosos que observam as mãos mágicas, a calma, o detalhe.

"Hum, isso aqui vai ficar gostoso!"

"Parece tão fácil!"

Um pouco de farinha aqui, quebre os ovos, misture bem.

A manteiga: e quanta manteiga!

Voz pausada, tranquila, um certo sotaque.

Olhos atentos, mente ativa que tudo observa, inconscientemente gravando. Cada detalhe.

A apresentadora anuncia: "isto aqui vai ficar uma delícia". E a imaginação acredita.

Dezenas de pratos saboreados, todos na imaginação.

Infância superada, aventuras na cozinha adolescente. Fase adulta: "odeio cozinhar"!

Trabalho, trabalho, trabalho... a luta contra o tempo. Que chato cozinhar!

Eu não quero cozinhar, eu não quero cozinhar, eu não quero cozinhar.

Pausa para reflexão: valores primordiais, sentido da vida?

Arte, comida, descanso. O ócio essencial? E os sonhos de infância?

E os bolinhos enrolados? E os pastéis fechados? E a massa de bolo crua?

C-O-N-S-T-A-T-A-Ç-Ã-O: cozinhar não é tão ruim assim.

Entre saladas, bolos e grelhados, temperos e azeites: puxa, como é bom cozinhar! Um dos prazeres da vida.

C-O-N-S-T-A-T-A-Ç-Ã-O-2: cozinha não precisa ser atribulada, tumultuada ou vaporosa. Cozinha pode ser devagarzinho, ao seu tempo, como aquela da infância, da saudosa D.Ofélia.

Ô cozinha maravilhosa da D.Ofélia! Obrigada, senhora: infância recuperada! Tomadas as rédeas da vida!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Slumdog Millionaire - A India de verdade


Ultimamente, com bastante frequência, eu diria, tenho sido tomada por um sentimento de "eu acredito em Papai Noel". Eu não sei dizer exatamente porque isso ocorre. Se é porque a minha angústia por me tornar uma pessoa em paz consigo mesma e com o mundo me tornou excessivamente otimista ou se eu realmente era incapaz de enxergar algumas verdades.

Eu confesso que tinha uma visão "super-hiper-adocicada" a respeito da India. No passado, lembro-me de ter lido, embora não consiga citar, inúmeros livros que tratavam a India como um pólo de espiritualidade, quase que um nirvana em terra. Eu tive a minha fase espiritualista e esotérica, quando lia com avidez tudo o que pudesse encontrar dentro do tema.

Talvez a minha visão, em particular, tenha sido formada a partir de um relato de uma colega de trabalho que nos idos dos anos 90 aderiu ao movimento do "Sai Baba" passando um mês num ashram. Segundo ela, na India as pessoas eram pobres, até miseráveis, mas eram felizes. Estavam sempre sorrindo. E essa imagem, de alguém que sonhava em encontrar um mundo verdadeiro, dentro da perfeição espiritual, ficou forjada a ferro, como se nada de ruim pudesse existir dentro daquele país.

Se eu estava errada ou não, não vem ao caso, creio eu. Concluo que era um ideal meu, sonhador, embora absoluto. O meu erro, não foi em acreditar que a espiritualidade pudesse tornar sim, uma pessoa mais feliz. O meu maior erro foi acreditar que a evolução espiritual de alguns, pudesse excluir tudo o que houvesse de mau naquele lugar. Eu errei em esquecer que seres humanos, uns mais evoluídos ou não, estão sempre sujeitos a erros, ao domínio da vaidade e no quanto a religião pode matar, contrariando os reais ensinamentos de seus líderes.

Pois foi assim que "Slumdog Millionaire - Como ser um milionário", me ajudou a ver uma India mais verdadeira. Na minha visão do passado, que era equivocada, assim como no presente. Cenas de conflitos religiosos, matança, miséria absoluta que não tem nada de bonita, criminalidade e prostituição, todas elas me surpreenderam, me trouxeram de volta ao chão. Sem no entanto, praticar o que aquele país também tem de bonito. A combinação da miséria com o sonho, a dualidade viva. O sonho de Jamal, um muçulmano sobrevivente a todos os contratempos. Que dentro de toda a maldade e a pobreza foi capaz de cultivar no íntimo a sua inocência.

A cena final ao estilo "Bollywood" nos traz de volta a esperança. E não preciso nem comentar sobre a genialidade do roteiro, a forma como as perguntas se entremeiam com a história. Meus aplausos para o filme.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Stella - O doce refúgio da leitura


Eu que ando para lá de atrasada nos lançamentos cinematográficos, consegui assistir ontem "Stella". Para ser sincera, o filme não me entusiasmou muito. Achei-o lento além da conta, a mãe, dona de bar, elegante demais para o nível do local... mas não deixa de ser um filme que eu recomendo. Vale a pena assistir pela sensibilidade e reprodução de época. Talvez a minha insatisfação tenha sido um pouco também pela comparação inevitável com o excelente "A culpa é do Fidel" que segue uma linha parecidíssima sendo entretanto infinitamente mais interessante e menos dramático.

O ponto do filme que me tocou mais foi a forma como a leitura passou a ser um refúgio para a solitária Stella. Eu mesma, filha única, embora criada num lar estruturado, lembrei-me com carinho das centenas de tardes passadas junto aos livros.

Há uma cena em que se vislumbra na capa do livro o nome "Duras". Eu não tenho problema em confessar (aliás já o fiz diversas outras vezes) os livros que tentei desbravar mas não consegui. Com certeza já andou pelas minhas mãos algum de Marguerite que eu não aguentei além do primeiro capítulo. O bom é que a esperança é a última que morre, e quem sabe um dia eu consiga voltar nesses livros abandonados.

Tudo isso me fez refletir sobre a forma como a leitura é tratada hoje em dia. Fico pensando que Stella, com aproximadamente 12 ou 13 anos, lia com interesse Marguerite Duras, assim como eu, apesar de não ter conseguido depois de adulta, fui capaz na mesma idade de enfrentar e desfrutar de outros grandes e densos autores.

Preocupou-me então que os jovens de hoje estejam limitados pelo marketing a visitar seções de livrarias específicas e um tanto pasteurizadas. De autores que, não tirando o mérito, repetem-se nos temas de dragões, seres fantásticos em geral, fadas e temas adolescentes que versam quase sempre as fórmulas de garotas populares, problemas escolares e namoro.

Na minha época, onde o consumo era menos estimulado, as visitas às livrarias eram menos frequentes. A gente acabava explorando as estantes de casa e as bibliotecas. Com isso, éramos menos direcionados, me parece que havia menos limites. Se Dostoievski era o que se tinha disponível e havia uma fome de leitura a alimentar, então era isso o que se lia.

Não gostaria de soar nem saudosista e muito menos metida a intelectual mas creio haver um valor inegável na leitura diversificada e com vários graus de dificuldade. Eu mesma gosto de um chick-lit e já li outros tantos autores "dedicados aos seres fantásticos" como mencionei anteriormente. O que eu não gostaria, creio eu, seria que meus filhos tratassem a leitura como uma visita a uma lanchonete de fast-food.

"I've made my point".



terça-feira, 27 de outubro de 2009

Deu a louca no Degas

Um dia de arrumação:


- Um marcador de livros
- Um desenho antigo com a moldura quebrada
- Ops! Um bloquinho de post-it



Resultado:



Eu tenho uma predileção por Degas. Tem a ver com um livro que ganhei quando tinha uns 5 anos de idade chamado "Quero ser bailarina", que não era de Degas mas que me provocou na época uma compulsão por desenhar bailarinas.


O post-it eu ganhei de uma amiga queridíssima que sabe do meu gosto por este pintor e que me presenteou o bloquinho há muitos anos atrás.


O desenho foi feito por mim a lápis observando a foto da escultura de bailarina, num arroubo pseudo-artístico também há muitos anos atrás. Estava numa moldura preta mas ela quebrou. Perdoem-me a qualidade do desenho, aqueles que desenham, mas sinto-me orgulhosa dos poucos rabiscos que consigo fazer de vez em quando.


Espero que o mestre não esteja se revirando por aí.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Beat it!

Eu tenho das minhas esquisitices. Dentre elas, está a aversão a assuntos repetitivos. Sejam diálogos repetitivos ou mensagens publicadas na mídia, tenho pavor a isso. Então, se a Amy Winehouse quer se matar de drogas e os jornais não param de publicar detalhes a respeito, posso dizer que a partir da terceira notícia, já não leio mais nada.

Morre um ícone e não tem como fugir. A gente já sabe que vamos ser inundados por retrospectivas, elocubrações acerca da morte, detalhes sórdidos ou belos sobre a vida da pessoa. Alguns causam mais interesse na gente, outros menos, o fato é que a gente acaba não escapando de se emocionar, nem que seja pelo menos um pouquinho.

Dos astros ou celebridades que morreram, posso dizer que me emocionei com a partida de Elvis Presley, John Lennon e Lady Di. Tudo tem a ver com o momento da vida ou das lembranças que os astros nos trazem. Elvis Presley me lembrava sessão da tarde, momentos descontraídos ao pé da televisão. "Love me tender" cantado de uma forma intuitiva, não muito fiel ao inglês da letra.

John Lennon tinha toda a ligação com os Beatles, do movimento hippie, do Peace not War, Paz e Amor, sei lá. Ou talvez tenha sido mesmo influência, de ouvir "Imagine" sendo tocado exaustivamente, da imprensa traduzindo a letra e mostrando cenas de John e Yoko na cama fazendo greve de fome.

Lady Di personificou o sonho de menina. A súdita que encontra o príncipe e faz um casamento de conto-de-fadas com um belíssimo vestido branco, adentrando a pomposa St. Paul Cathedral debaixo de todo o rigor e tradição da monarquia britânica. Princesa que então se dedica, a despeito dos caríssimos vestidos, às causas humanitárias, com direito a emoção e lágrimas.

Eu nem queria alimentar muito essa discussão de morte de Michael Jackson. Mas parei para pensar um pouco e não pude deixar de refletir que os grandes ícones acabam marcando época na vida da gente e trazendo um pouco mais de sonho à realidade repetitiva do nosso cotidiano. A gente sonha um pouco quando pára para ouvir determinada música ou ler sobre algo de grandioso que eles construíram. E a gente se sente mais motivado a seguir em frente e a buscar nossos feitos também.

Eu nem li muito sobre a morte dele. Achei imprecisa a causa, vi algo sobre um helicóptero transportando o corpo. Se há algo a ser registrado por mim nesse momento é a lembrança. De uma adolescente que estudava no seu quarto fechado, ouvindo repetidamente de uma fita K-7 gravada da rádio Cidade, do Rio de Janeiro, uma gravação de qualidade muito pobre do hit "Beat it". Da emoção que causava a entrada da guitarra de Van Halen. Da música que acabava, a fita rebobinada, para de novo ouvir toda a canção ou apenas o riff (ops, aprendi essa palavra recentemente e precisava usar).

E assim segue a vida. Um ícone que vai, outro que chega, fases que iniciam ou terminam. Histórias entremeadas pela presença ou ausência de outros, caminhos que se cruzam influenciando ou não o nosso curso.

sábado, 16 de maio de 2009

Pequena vingança

Eu fico lendo as histórias do Felipe e morrendo de rir. Fiquei pensando sobre as piadas e as brincadeiras que eu sempre fiz e diria que o meu estilo é totalmente diferente, é um estilo muitíssimo mais sutil. É a tal coisa, questão de estilo. O que não quer dizer que eu não ache outros estilos engraçados também.

Fiquei tentando lembrar de alguma brincadeira mais radical que eu tenha feito no passado. Aí lembrei de uma historinha que não vai fazer nem cócegas perto das do Felipe, é até bonitinha.

Tinha um cara que estudava comigo no 1o. ano do segundo grau, o J. Ele era estrangeiro, acho que morava no Brasil havia alguns anos. Pat Ferret não tem a melhor das memórias mas vai lembrar dele, eu acho.

J. era um cara que sentava na primeira carteira do meio da sala e prestava atenção em tudo o que o professor dizia na aula. Fazia perguntas durante a aula e depois da aula ficava batendo papo com os professores. J. era CDF e um pouco mala.

Eu me sentava no meio de uma fileira do canto, me sentia meio excluída porque era nova no colégio, achava tudo muito chato, tinha amigos "vadios" e passava muitas aulas jogando batalha naval com a menina que sentava atrás de mim. Eu também era CDF mas era um tipo mais largado de CDF.

Um belo dia, J. deu para se aproximar de mim. Até que ele tinha bom papo. Contava umas coisas da terra dele e me dizia que gostava de escrever poesia. Ele me mostrava umas poesias dele e eu (apesar de nunca ter gostado de ler poesia), achava que algumas era realmente muito boas.

Eu não lembro exatamente como começou a história. Acho que foi porque ele transcreveu uma poesia numa folha de caderno e me deu. Eu fiquei bastante constrangida mas aceitei a poesia e guardei.

Eu tinha uma grande amiga que era exímia escritora. Ela lia muito, desenhava e gostava de mais estilos literários do que eu. Eu a conhecia do curso de inglês e ela morava a uma quadra de casa. Muitas vezes eu chegava em casa, tomava banho, almoçava e me debandava para a casa dela.

Naquele dia, obviamente, levei a poesia. Minha amiga nem bem começou a ler e disse:
- Mas isso aqui é de Fernando Pessoa, porra!

Caímos numa gargalhada sem fim. Naquela época, qualquer coisinha era motivo para a gente ter ataques de riso.

A minha amiga era bem mais maldosa do que eu. Dar de presente uma poesia de Fernando Pessoa manuscrita como se fosse de autoria própria nos pareceu algo digno de vingança, de receber uma lição.

Foi então que começamos uma troca de cartas com J. Escrevemos uma carta apaixonada para ele (essa sim, de autoria própria, com direito a versinho e tudo). Eu cheguei no dia seguinte no colégio e contei para o J. que uma amiga tinha gostado do poema dele e que como ela também gostava de escrever, quis se corresponder com ele.

As cartas continuaram. E quanto mais J. se empolgava, mais apaixonadas eram as respostas. Até que pensamos no golpe final: marcar um encontro. Minha amiga tinha um desafeto. Uma amiga que havia lhe roubado o namorado. A ladra de namorados era bastante bonita. Adicionamos a foto da menina na carta seguinte e estava pronta a isca.

J. ficou louco. Queria marcar o encontro. Pensamos no lugar, no horário, em tudo. Eu não podia ir espiar, muito arriscado. Naquela época a cidade era mais vazia, ele poderia me ver. Minha amiga com outra foram lá olhar.

Mas J. não apareceu. J. amarelou.

No dia seguinte, no colégio, perguntei a J. o que tinha acontecido. E ele cabisbaixo me respondeu: - Não sei, não tive coragem.

E foi assim que terminou a história de J. História de mentira, vivida em carta e sem final feliz. Como muitas histórias por aí. A vingança ganhou um ar de melancolia.

As cartas foram guardadas. Minha amiga ficou com elas. J. continuou meu "amigo" mas nunca mais falou no assunto. E no final do ano, J. voltou com os pais para o país de origem. As amigas da Pat, que eram amigas mais verdadeiras do que eu, ainda falaram com ele por carta (naquela época não havia e-mail) mas eu nunca mais soube de J.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sobre o bom-humor

Dentre tantas as revisões que andei fazendo sobre a minha vida, em que foi inevitável entrar muitas vezes no passado, chamou-me a atenção o quanto o bom-humor, a brincadeira, a piada são constantes e importantes na minha vida.

Desde que me entendo por gente, começando com o meu pai e continuando com os amigos, sempre estive cercada ou talvez seja melhor dizer que sempre busquei pessoas com esse perfil. Boas gargalhadas, fazer graça de si mesmo, até nas situações adversas.

Reencontrei virtualmente há coisa de 1 ano, um grande amigo de faculdade. Nós nos correspondemos com frequência trocando lembranças com um toque de humor especial, exatamente como era na época da faculdade. Só que dessa vez, tudo em forma escrita, o que antes era vivenciado entre uma aula e outra ou num trabalho em grupo.

Recentemente ele me deu uma dica de um programa hilário  que tem alguns episódios gravados no Youtube. O nome é: Larica Total. Trata -se de um programa de culinária com um cunho muito original. É um programa voltado para solteiros onde receitas bastante simples são passadas com recursos muito reduzidos, algumas vezes até bizarros. O lema do programa é que: só porque se está sozinho, não quer dizer que seja necessário morrer de fome. Ele tenta estimular a platéia a resolver seus problemas de fome, seja qual for a hora do dia, mostrando que não há porque ter preguiça de cozinhar.

Domingo foi um dia muito agradável e tranquilo e eu consegui assistir vários desses episódios e dar boas risadas.

Contei para ele que assisti o programa e que gostei muito e a resposta dele, que transcrevo ipsis-literis para não perder a comicidade que lhe é peculiar, foi:

"O primeiro, frango total flex, o do macarrão tb é bom (putz a hora que o cara derruba água da panela
e apaga o fogo e ele pára pra fazer uma faxina...é ótimo).

Tem tb um misto quente gratinado (bem sofisticado) que deve ficar gostoso.

Eu me identifiquei com o programa pq eu me vi nos meus tempos de flat, república...

Uma vez, eu e um amigo bebíamos e um outro criticou achando que deveríamos ser mais saudáveis.
Aí descemos fomos no supermercado e voltamos com ingredientes para fazer, de n sabores,
caipirinhas de gatorade !!!!

Teve tb miojo night, festa do salgadinho...a gente se virava rsrsrsrsrsrs".

É como eu sempre digo ultimamente. Bom-humor e coisas simples. Prazeres simples. Tá aí a chave da felicidade.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O sabor de um Alpino


O que há de especial na forma como eu me lembro da infância não é somente eu lembrar dos fatos em si. Mas de eu visualizar cenas e lembrar das sensações que eu sentia naquela ocasião.

Eu devia ter uns 3 anos de idade. Meu pai trabalhava e estudava e eu o via pouco. Não me recordo de vê-lo pela manhã. Recordo-me dele à noite quando chegava e me trazia figurinhas para um álbum da Hanna Barbera e um Alpino. Durante muito tempo, no meu registro de tempo infantil foi assim: um Alpino por noite.

Abrir aquela "empadinha" de chocolate tinha um significado mágico para mim. Eu observava as curvinhas que o chocolate fazia na lateral, e o papel alumínio que desgrudava dele. O sabor do chocolate era diferente. Mais intenso, mais espesso.

Há coisas que hoje eu como e não têm mais o sabor de antigamente. Bolinho Ana Maria, por exemplo. Parece que algo mudou na receita, ou eu que mudei a percepção, vai saber.

Mas Alpino, não. Alpino tem exatamente o mesmo sabor, um aroma único. E que se tornam ainda melhores se for ganhado.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sobre as despedidas


O ano é 87, creio eu. Início de 87. Quatro amigos num maverick vermelho. Conversa, palhaçada, como sempre. Ouvindo música no rádio, daqueles prazeres simples que a gente se esquece às vezes de praticar. No meio da conversa, uma música triste no rádio. Ou talvez a música nem fosse tão triste, tornou-se melancólica devido ao sentimento implícito neles do que estava por vir.


Pausa para reflexão. Fim de uma fase, objetivos diferentes. O ciclo de convivência de dois anos chegava ao fim. E foi então que vieram as lágrimas. Poucas, escorrendo devagar pelo rosto. Se todos choraram não saberia dizer. Mas com certeza duas choraram. Pois para elas, o ciclo de 2 anos na verdade foi a consolidação de uma amizade desenvolvida ao longo de 10 anos de convivência.

O que eles não sabiam, ou não se deram conta naquele momento foi que o que parecia um momento único seria um entre vários que enfrentaram ou ainda enfrentariam na vida. As pessoas chegam e vão. Por motivos previsíveis ou não, com tempo para curtir antes da despedida ou sem direito a despedida. Seria arriscado dizer que certa pessoas vêm com um propósito e depois que a missão termina, elas se vão? Ou se vão por um tempo e depois voltam.

É por isso que não adianta sofrer por antecedência, não adianta sofrer por aquilo que ainda está por vir. É preciso viver com intensidade e alegria o momento para que quando finalmente chegue a hora, seja possível lembrar do que foi bom. E se a gente apreende esse sentimento, de viver o que há de bom na vida, seja ao sentir o sol da manhã batendo no rosto ou de viver grandes realizações, o sofrimento diminui e a gente consegue dar um tom de permanência à felicidade pois há quem diga que a vida na verdade é feita de momentos felizes.

Deus quis que aquelas amigas se reencontrassem da maneira que a vida lhes permitiu. Se o contato não pôde ser mais diário, pelo menos foi duradouro no sentido de que mesmo à distância, o sentimento de intimidade, sinceridade e de bem-querer perdurasse ao longo dos anos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Caixa de Pandora - o mico do concurso

Bom, com essa história do salgadinho e dos bloggers se confessando por aqui, eu resolvi contar uma que guardava há muitos séculos. Nem sei se vai ter muita graça porque é o tipo de situação que só vendo para entender.

Eu tinha uma amiga por volta de uns 14, 15 anos com quem acontecia uma coisa meio irritante. A gente de vez em quando dava de gostar do mesmo cara. Nesta ocasião em particular, cada uma tinha um target diferente. E nos unimos no mesmo objetivo, numa missão.

A gente estudava em frente ao Maracanã. No final de semana anterior, a gente tinha ido numa matinê de um clube do bairro, local que frequentávamos em domingos alternados. Acontece que batendo papo com os "targets" na matinê, descobrimos que durante a semana eles iam participar de uma prova de ingresso a uma escola militar.

Pensando em como nós duas éramos, creio que a idéia só pode ter sido minha, porque eu sempre tive muita imaginação. Combinamos de depois da saída do colégio andar por dentro do Maracanã (que a gente conhecia bem porque frequentava umas aulas de natação e ginástica olímpica por lá) e achar o local da prova para encontrar os nossos amigos. Andamos pelos portões até que encontramos o portão de entrada. Vou dizer que a passagem pelo portão já foi suficientemente constrangedora. O que a gente não calculou é que num concurso onde são oferecidas centenas de vagas, o número de participantes é algo na casa dos milhares. Então tivemos que atravessar por aquele portão, de dentro do Maracanã para a calçada de fora, de cabeça baixa, pois tratava-se de um concurso exclusivamente masculino. Presenças femininas no máximo eram de umas mães perdidas por lá.

Passado o sufoco do portão, pasmem: encontramos os nossos amigos. Encontramos, papeamos e resolvemos voltar por fora do Maracanã para evitar o constrangimento do portão novamente. O lado do Maracanã era o que dava para a UERJ e a gente tinha que voltar para uma das ruas que dava acesso para a Rua S. Francisco Xavier.

Seguimos caminhando pela calçada e nela há um ponto em que ela fica muitíssimo larga, com uma grande passarela que se não me engano, vai para o metrô ou atravessa para a UERJ, não sei ao certo. A passarela estava inteiramente tomada por meninos sentados, aguardando o início do concurso. Comentamos entre nós a quantidade de "gente" que havia ali, novamente muito envergonhadas. Não bastasse a nossa vergonha pelas gracinhas que já tínhamos escutado no maldito portão, quando chegamos mais ou menos no meio do caminho para a "liberdade", bem em frente a tal passarela, um desgraçado resolveu levantar, apontar para nós e instigar os outros que estavam sentados por ali. Resultado? Centenas de garotos levantando, apontando para nós, aplaudindo e assoviando.

Saímos correndo de lá, tomadas pela vergonha e pelo medo de sermos descobertas por nossos pais. O normal seria chegarmos em casa por volta de meio-dia e meia. Naquele dia chegamos pra lá de uma hora da tarde. Meu pai era muito bravo e ficava em casa durante o dia porque ele trabalhava de madrugada. Eu nem me lembro qual foi a desculpa que inventei. A única coisa que me lembro é que rezava para que o carro da Globo que andava por lá, com repórteres entrevistando os candidatos não tivesse presenciado a cena e nos registrado no RJ TV....

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Elevador polonês

Quando eu estava na 5a.série, antes de tocar o sinal do fim do recreio, já tinha que sair correndo para entrar na sala de aula. Era o seguinte: os meninos iam se enfileirando antes de entrar na sala para fazer corredor polonês e bater nos outros que entravam.

Pois é, menino é assim mesmo. Eles têm essas brincadeiras.

Não que eles fossem bater na gente, não batiam, mas se desse um azar de estar perto na hora, podia sobrar alguma coisa para as meninas também. Isso acontecia quando eu tinha lá pelos meus 11 anos.

Anos mais tarde, uma das minhas melhores amigas mudou-se para um prédio quase ao lado do meu. E eu ia lá com muita frequência. O irmão dela tinha muitos amigos e a gente acabava conversando muito com eles, jogando WAR, essas coisas mais de adolescentes. Nós éramos as únicas duas meninas de um grupo grande de meninos. Eventualmente vinha uma terceira.

Pois aos 16 anos mais ou menos, a história se repetia. Porque quando os nossos amigos entravam no elevador, que tem apenas 4 cantos, eles corriam cada qual para um canto. E quem sobrasse no meio, ia apanhando do térreo até o último andar, onde a minha amiga morava. Ou o contrário. Da cobertura até o térreo. E posso dizer, que por pelo menos umas duas vezes, eu e minha amiga nos metemos no meio da confusão, sem efetivamente apanhar, mas assustadas com a confusão de um elevador chacoalhando, onde se distribuiam socos e ponta-pés.

Menina que convive com menino é assim. A gente não entende porque eles fazem essas coisas. Mas a gente acaba se acostumando.

Sobre elevadores

Eu estava lendo uma historinha do Felipe no Presente a limpo passada no elevador. Eu me lembrei de alguns fatos de quando me mudei para um prédio com elevador quando tinha uns 7 anos de idade.

De início, usar o elevador foi uma experiência assustadora. Eu que até então subia 3 lances de escada para chegar até o meu apartamento antigo, tive que superar a experiência de pegar um elevador. Afinal, quem é que nunca tinha ouvido histórias amedrontadoras de elevadores caindo ou de pessoas que abriam a porta e caiam direto no vão do elevador, né. Fora ficar preso no elevador, que também era uma possibilidade aterrorizante.

Eu que sempre fui baixinha, precisava me esticar para apertar os botões. Por sorte eu conseguia alcançar bem o meu andar que era o 5o. Ir para os andares das minhas amigas já era uma tarefa mais árdua porque uma morava no 9o. e a outra no 12o. E por falar em 12o. Isso também era muito assustador. A casa de máquinas ficava dois andares para cima, chegava-se até ela através de uma escadinha que saía do 13o.andar que por si só já dava aquele toque de terror. Não sei se todo mundo sabe que uma casa de máquinas (pelo menos daquele tempo) faz uns barulhos bem ao estilo de "Os outros".

Veja quantas fantasias a mente infantil é capaz de criar. Eu não sei porque mas criança consegue ser bem cruel. Por mais que a gente tivesse medo, sempre fingia que não e tentava amedrontar os outros com as histórias que havia ouvido.

Certa vez, entramos no elevador, eu e minhas amigas e no chão tinha uma caixa de camisa. Sabe aquelas caixas retangulares onde a camisa fica guardada dentro de um plástico, com o colarinho e o punho bem fixos por alfinetes e barbatanas? Pois é. Era meio da manhã, horário que a fome já começava a bater. Descíamos do 9o. andar e vimos a caixa. Era comum as pessoas colocarem as coisas no elevador para outra pessoa pegar em outro andar. Crianças que éramos e meninas, curiosas, abrimos a tal caixa. Que para nossa surpresa e felicidade estava abarrotada de salgadinhos. Coxinhas, empadas, croquetes, salgadinhos desse tipo. E quentinhos. Claro que não tivemos dúvidas e enchemos cada uma a boca com um tanto de salgadinhos. E a caixa seguiu elevador abaixo quase pela metade.

Um tempinho mais tarde, bateu o medo. E se os salgados estivessem envenenados? Imagina se criança, que tem medo de elevador e da bruxa da Branca de Neve não ia uma hora ou outra chegar nessa conclusão né?

Bom, o fato é que ninguém morreu e os salgadinhos com certeza estavam deliciosos. Com um gostinho a mais por serem proibidos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Estranhas coincidências

Certo dia viajei para uma cidadezinha do interior de São Paulo, dessas pequeninas e com charme. Lojinhas de artesanato, restaurantezinhos. Bateu uma fome no meio da manhã e eu entrei num café. As donas eram duas francesas, mãe e filha, que me acolheram com muita simpatia. Conversamos um pouco e elas me contaram que moravam em São Paulo mas mantinham aquele café e se revezavam para cuidar dele.

Umas duas semanas depois desse evento, eu estava passando por uma praça bem bonitinha que há perto de casa. Na verdade o farol fechou e eu parei. Pois exatamente na frente do meu carro, cruzou a francesa, a filha, com dois belíssimos cachorros. E eles ficaram passeando na praça.

Naquela mesma semana, de novo eu vi a francesa com seus cachorros. Depois, nunca mais os vi, ou não passei mais lá, ou não estava mais atenta.

Hoje passei pela mesma praça, por onde passo quase todo dia há muitos anos. E me lembrei dessa história. Fiquei refletindo sobre a quantidade de vezes que essas coincidências acontecem comigo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sobre a maternidade

Quando eu era adolescente, lembro-me que algumas amigas me diziam que o sonho delas era ser mãe. Eu nunca tive esse sonho. Entretanto, devo confessar que uma vez grávida, eu me transformei. Todo o meu pensamento ficava voltado a tentar imaginar como seria o bebê que eu gerava em meu ventre e em como seria a minha vida a partir dali.

Hoje, caminhando na hora do almoço pela empresa onde estou prestando serviço, parei a pedido de uma amiga para observar os bebês do berçário. Sim, porque nessa empresa, há um berçário lindíssimo onde os bebês das funcionárias ficam enquanto elas trabalham. O berçário é dividido em 3 ou 4 partes de acordo com a faixa de desenvolvimento.

Há algo de primitivo que faz com que as mulheres desejem bebês. Parada ali, apoiada na divisória do berçário, eu lembrava dos meus filhos quando eram bebês. Da pele perfumada e macia. Pés cheirosos, cabelo sedosos. Embalá-los nos braços ao som de uma cantiga de ninar. Amor incondicional.

Voltando um pouco antes no tempo, devo dizer que a gravidez é uma das experiências mais prazeirosas na vida de uma mulher. Apesar do enjôo e da ansiedade, a partir do final do 4o. mês quando a barriga começa a despontar com sua rigidez inconfundível, inicia o prazer de ser mãe. Sentimos a movimentação interna, o desenvolvimento quase que diário, a plenitude da continuação da vida, a sensação de não estarmos sozinhas.

Creio que esse será um desses raros prazeres que eu não poderei mais vivenciar na minha vida. Mas devo dizer que é algo inesquecível. Que faz com que uma mulher nunca mais possa olhar uma barriga de grávida sem suspirar.

terça-feira, 24 de março de 2009

No olho do furacão

Certa vez eu quase me envolvi num acidente. Eu descia um viaduto numa velocidade alta, entrei na curva ainda em alta velocidade e o veículo que tinha problemas de suspensão e um volante hidráulico não muito confiável rabeou. Foi inabilidade minha. Acostumada a dirigir carros mais novos e estáveis, eu não me dei conta de que a velocidade com que eu entrei na curva não era adequada.

O carro foi para um lado, eu acertei para o outro, fiquei por alguns segundos nessa luta de tentar colocar o carro reto na rua de novo. Fui num ziguezague fora de controle até conseguir assumir o controle novamente. E para piorar, posso dizer que no momento em que o carro saiu do meu controle pela primeira vez, esteve há pouco de capotar.

Quando consegui voltar ao normal, minhas pernas tremiam como geléia e eu mal conseguia acelerar para chegar no trabalho que já estava bem próximo.

O surpreendente nisso tudo é que apesar do episódio não durar mais do que alguns segundos, nos quais o meu coração batia forte e eu tentava segurar o carro, pude perceber várias cenas que se desenrolavam em volta. O pedestre assustado assistindo tudo da calçada, os carros que freavam atrás de mim, os carros que eu tentava não atingir na minha frente.

Foi uma cena de poucos segundos, parecendo de filme, onde a gente apesar da velocidade assiste tudo em câmera lenta. E no final, vergonha.