terça-feira, 31 de março de 2009

Momento poesia

Me deparei com uma Antologia Poética de Pablo Neruda:

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma
y te pareces a la palabra melancolía.

Post 400

Preciso registrar que o post passado foi o 400.

Vocês devem estar pensando: que bacana, uma pessoa escrever 400 posts.

Eu confesso. Escrever é doloroso. E só quem escreve sabe o que custou escrever 400 posts.

Valeu a pena.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sobre a permanência do amor

As pessoas insistem em justificar e a querer quantificar o amor. Principalmente quem olha de fora.

É comum e aceitável dizer: "ontem eu senti medo, agora me acalmei e já não sinto mais".

Por que não seria normal dizer: "ontem eu não amava, hoje eu me encantei e amo".

No amor, assim como na religião, parece haver um conjunto pré-estabelecido de regras. Para a religião, existe a bíblia. O ritual. Para o amor, existem regras não escritas nas quais as pessoas inconscientemente se baseiam ao julgar (veja que feio) uma situação. Porque amor tem que ser para sempre e precisa de motivo, ao que parece. Como a gente ouve às vezes a pessoa dizer: "a fulana não pode amar o beltrano porque ele é errado para ela. É carência".

"Hoje eu levei uma fechada no trânsito e senti raiva" - afirmativa correta, as pessoas diriam.

"Hoje eu olhei umas crianças brincando e senti amor" - afirmativa incorreta, se apressariam em explicar. Porque amor não é isso, não se sente em segundos, não acaba. Ele tem uma hora para começar e não pode acabar nunca.

Não consigo deixar de me indagar porque as pessoas precisam classificar sentimentos. O que se sente é o que se sente e ninguém tem nada com o que vai no coração das pessoas. A não ser, é claro, que o sentimento se ligue ao sentimento de outra pessoa. E neste caso, eu diria, interessa tão e somente aos dois.

domingo, 29 de março de 2009

Sentimentos

Ninguém consegue ao certo saber o que a gente sente e nem quantificar o sentimento.

Ninguém tem direito de diminuir o nosso sentimento.

O parâmetro de medição do sentimento é aquilo de bom que ele provoca na gente.

Sentimento é intangível mas pode ser percebido por palavras ou ações.

A percepção precisa ser própria, sem avaliação de outrem.

Quem não consegue perceber ou rejeita a sinceridade dos nossos sentimentos,
ou está com medo ou na verdade não é digno deles.

Sem Palavras

Eu andei quieta esses dias.













Quando ficamos muito tempo esquecidos de nós mesmos, temos a tendência de querer buscar num primeiro momento essa essência de volta desenfreadamente. Como cachorro preso, a gente sai sem direção. Se junto com essa euforia sentimos dor, o resultado pode não ser bom. Pode ser catastrófico, eu diria. Porque a gente pode se utilizar de válvulas de escape que no lugar de ajudar, apenas mascaram a dor que a gente sente. E pior do que tudo, podem nos levar à direção contrária do que a gente quer.

Ainda bem que de tempos em tempos somos forçados a pausas para reflexão. E no meio dessas pausas, a gente acaba olhando para as coisas com mais sobriedade. A gente para para avaliar aquilo que foi realmente crescimento e o que foi dano. Ouve as pessoas. E recebe a bênção de contar com pessoas que trazem de volta à gente o que há de melhor em nós.

No outro dia eu acordei, depois de meses de sofrimento e me senti melhor. Isso aconteceu porque eu tive um vislumbre de volta da pessoa que eu era, que andava meio perdida dos seus sonhos e das suas convicções. Eu recebi algumas ajudas, isso é verdade. Mas isso não tira o mérito da minha alegria. Porque a gente recebe ajuda por algum motivo.

Em seguida, eu senti vergonha. Senti vergonha de me desviar do meu caminho, de deixar de acreditar. Lamentei vários atos. Mas eles ficarão lá para sempre, para não deixar que eu esqueça daquilo que me faz bem ou mal. Foi uma vergonha bem mais profunda do que a que eu descrevi no dia em que quase me envolvi no acidente. Mas de certa forma, elas, as vergonhas, têm relação porque em ambas as situações, tive testemunhas que assistiam enquanto eu quase me quebrava de vez.

Pena é que as pessoas não estejam preparadas para a nossa recuperação. As mesmas pessoas que nos estendem a mão, as retiram por incapacidade de assimilar a mudança. Junte-se a isso inseguranças íntimas, talvez. E muito provavelmente o deixar-se dominar por opiniões alheias, contaminadas por preconceitos próprios. Sim, porque nem sempre o que a gente escuta aparentemente com a intenção de ajudar, é para ajudar realmente. As pessoas às vezes dizem coisas aos outros com um tom de amizade, mas podem misturar nessa ajuda um tanto de interesse próprio ou ciúme que acabam tornando a intenção desprovida de sinceridade e portanto envenenando no lugar de enriquecendo.

Sim, eu sou muito sensível. Eu percebo as coisas. Eu pressinto ações de terceiros a minha volta. Eu entendo as motivações humanas. Mas eu também acredito que aquilo o que as pessoas fazem que causa dano, uma hora outra acaba se revelando por si só. É necessário separar o joio do trigo.

Mas como eterna melacólica porém otimista que sou, acredito que o momento de clareza vem para todos. Se veio para mim, também vem para as outras pessoas. Eu acredito que no momento certo, livre de interferências negativas e preconceitos, todos estamos preparados para enxergar o nosso valor próprio e o dos outros e trilhar um caminho de alegria, trazendo para nós as experiências e as pessoas que nos fazem bem.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Homem e Deus

Estava hoje ouvindo uma música no carro, "Fix you" do Coldplay:

When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse.

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
Could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
"Just what you worth"

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Tears stream, down on your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face and I...

Tears stream, down on your face
I promise you I will learn from my mistakes
Tears stream down your face and I...

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you.

Eu não entendo praticamente nada de filosofia, entretanto estava humildemente refletindo sobre esta música hoje. Não sei se é essa a intenção mas eu noto nessa letra um certo cunho religioso. Fora que no fundo dela, tem um órgão de igreja. Várias canções desse álbum versam sobre "estar quebrado" e "necessitar de reparo".

Posso dizer que escuto sem descanso esse álbum há uns 7 meses mais ou menos. Está claro que não é por acaso. Intimamente, apesar da minha aparência frequentemente alegre e forte, sinto-me como se algo tivesse quebrado por dentro. Crenças, convicções, sonhos. Pelo menos não quebrou a esperança. E posso afirmar que isso certamente faz com que eu me mova para a frente, mesmo que às vezes não vá para a direção certa.

Houve um tempo muito lá atrás onde eu me interessava pelo mistério da vida. Eu lia muitos livros ligados ao espiritismo, astrologia, algo de filosofia, mas sempre direcionado de alguma forma ao religioso. Era a minha necessidade de alimentar uma base religiosa inexistente em mim, uma busca empírica por Deus.

Depois que entrei para a faculdade e comecei a trabalhar, sinto que comecei a me afastar gradativamente disso tudo. O motivo eu não sei explicar. Talvez seja porque a minha área de atuação exija muito pensamento lógico e objetividade. A pressão por performance e atendimento de prazos é algo quase humanamente insuportável. Pois eis que um dia acordei e me senti praticamente atéia.

Eu sou uma pessoa muito espontânea. Não sei fingir sentimentos. Sou passional, extremada. E infelizmente percebo que ainda é muito difícil para mim entregar-me com a convicção e honestidade que eu gostaria a Deus. Sim, eu acredito em Deus. Mas tenho dificuldade em lidar com ele. Acho que é natural para pessoas que enfrentam grandes dificuldades, terem pensamentos em relação a isso. Simplesmente porque em determinadas ocasiões, os problemas são tantos, a confusão mental chega num ponto que dá vontade de jogar a toalha. Entregar a solução na mão de alguém e simplesmente ansiar para que ele possa nos dizer: "I can fix you".

Voltando à filosofia em si, acho que a minha angústia e a minha curiosidade em entender o que acontece comigo, não é exclusividade minha. Eu fico aqui elaborando de uma forma muito simplificada. Mas acho que temas como: Teocentrismo, Humanismo, Hedonismo, tudo isso de certa forma está ligado ao que eu fico pensando.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Pensamentos e Sonhos

Escrevi há um tempo atrás sobre sonhos. Eu dizia que o surpreendente dos sonhos é que enquanto dormimos, a nossa mente cria toda uma estória sem que tenhamos controle sobre ela. Às vezes são imagens de muitos anos atrás, outras recentes e muitas vezes cenas para as quais nem temos explicação. Isso tudo acontece quando estamos inconscientes, dormindo.

Percebi que mesmo acordados, nem sempre é diferente. Às vezes é difícil ter controle sobre os nossos pensamentos. Eles aparecem criando estórias quase tão fantásticas quanto às dos sonhos. Pior do que a auto-geração, é a persistência, a prisão em que esses pensamentos podem nos colocar, quando nos levam a um lugar não muito agradável, dominando-nos. Tentamos interromper a estória mas ela continua aumentando sem controle, gerando pânico e impossibilidade de intervenção.

Nessas horas, temos que respirar fundo, alinhar os fatos reais na cabeça, avaliar e esperar que a mente, de volta ao mundo concreto, volte a raciocinar conscientemente.

Não é verdade que nesse contexto, pensamentos e sonhos (ou pesadelos?) possam ser praticamente o mesmo?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sobre a maternidade

Quando eu era adolescente, lembro-me que algumas amigas me diziam que o sonho delas era ser mãe. Eu nunca tive esse sonho. Entretanto, devo confessar que uma vez grávida, eu me transformei. Todo o meu pensamento ficava voltado a tentar imaginar como seria o bebê que eu gerava em meu ventre e em como seria a minha vida a partir dali.

Hoje, caminhando na hora do almoço pela empresa onde estou prestando serviço, parei a pedido de uma amiga para observar os bebês do berçário. Sim, porque nessa empresa, há um berçário lindíssimo onde os bebês das funcionárias ficam enquanto elas trabalham. O berçário é dividido em 3 ou 4 partes de acordo com a faixa de desenvolvimento.

Há algo de primitivo que faz com que as mulheres desejem bebês. Parada ali, apoiada na divisória do berçário, eu lembrava dos meus filhos quando eram bebês. Da pele perfumada e macia. Pés cheirosos, cabelo sedosos. Embalá-los nos braços ao som de uma cantiga de ninar. Amor incondicional.

Voltando um pouco antes no tempo, devo dizer que a gravidez é uma das experiências mais prazeirosas na vida de uma mulher. Apesar do enjôo e da ansiedade, a partir do final do 4o. mês quando a barriga começa a despontar com sua rigidez inconfundível, inicia o prazer de ser mãe. Sentimos a movimentação interna, o desenvolvimento quase que diário, a plenitude da continuação da vida, a sensação de não estarmos sozinhas.

Creio que esse será um desses raros prazeres que eu não poderei mais vivenciar na minha vida. Mas devo dizer que é algo inesquecível. Que faz com que uma mulher nunca mais possa olhar uma barriga de grávida sem suspirar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Como medir o imensurável?

Tudo é relativo nessa vida. Uma amiga que está saindo há alguns meses com um cara me disse que está se segurando para não se apaixonar, pois ainda é muito cedo para isso.

Fiquei analisando o comentário dela e me perguntando: como se sabe o tempo de se apaixonar? Há quem diga que para se apaixonar, basta um olhar, o que provavelmente dura décimos de segundos. Outros asseguram que levarão a vida inteira sem se apaixonar, ou seja, anos. Existe a paixão que se constrói durante meses e que se acaba em poucos anos.

Além do tempo em si, tem a medida. A pessoa diz que ama muito. Quanto é muito, eu me pergunto? O quanto se ama é realmente a quantidade que o outro espera? Amar enquanto sentimento puro e sentido por quem ama, adianta para quem é amado se não é traduzido em palavras ou ações perceptíveis?

Acho que essa é uma equação ainda a ser resolvida...

Doppelgänger

Pois é, blog também é cultura.

Há algum tempo atrás, escrevendo um comentário no blog de uma amiga, deparei-me com o comentário de outra pessoa que me chamou a atenção. Quem está acostumado a escrever e ler blog percebe que as conexões vão se formando dessa forma. Ao ler o comentário do outro, a gente se sente compelido a visitar o blog e passa, ou não, a ser frequentador assíduo.

Pois eis que li o blog e me identifiquei com ele. E comentei. Ou será que foi ela que comentou primeiro e depois eu visitei? Para falar a verdade, já não importa mais. Porque o assombroso é a quantidade de semelhanças que existem entre nós.

Ela mora em Amsterdam. Eu moro em São Paulo. Ambas somos separadas e com filhos. Ela está "one step ahead", já entrou num relacionamento. Enfrentamos perda de entes queridos, cada qual no seu tempo. Leio sobre os filmes e livros que ela fala: muitos em comum. Faixa etária próxima. Fiquei boquiaberta de descobrir que ela também faz scrapbooking. E por último: estilo de escrita parecido, apesar de que, eu acho que ela escreve melhor. Ela é tradutora. Eu gosto de aprender línguas mas sou analista de sistemas. E por aí vai.

Aí, eu andei lendo muitos posts dela. E ela os meus. Até que um dia comentei para ela que estava achando tudo muito parecido, ao que ela respondeu: é verdade, é como se estivéssemos vivendo aquele filme "La double vie de Véronique", uma espécie de doppelgänger.

Tudo isso para dizer que AMEI o post dela do outro dia. Falando sobre "Catalisadores" . Resumindo de uma forma muuuito superficial, seria o seguinte: ela fala sobre pessoas que despertam o que há de melhor na gente. É isso aí, gente. Palmas para os catalisadores.

No olho do furacão

Certa vez eu quase me envolvi num acidente. Eu descia um viaduto numa velocidade alta, entrei na curva ainda em alta velocidade e o veículo que tinha problemas de suspensão e um volante hidráulico não muito confiável rabeou. Foi inabilidade minha. Acostumada a dirigir carros mais novos e estáveis, eu não me dei conta de que a velocidade com que eu entrei na curva não era adequada.

O carro foi para um lado, eu acertei para o outro, fiquei por alguns segundos nessa luta de tentar colocar o carro reto na rua de novo. Fui num ziguezague fora de controle até conseguir assumir o controle novamente. E para piorar, posso dizer que no momento em que o carro saiu do meu controle pela primeira vez, esteve há pouco de capotar.

Quando consegui voltar ao normal, minhas pernas tremiam como geléia e eu mal conseguia acelerar para chegar no trabalho que já estava bem próximo.

O surpreendente nisso tudo é que apesar do episódio não durar mais do que alguns segundos, nos quais o meu coração batia forte e eu tentava segurar o carro, pude perceber várias cenas que se desenrolavam em volta. O pedestre assustado assistindo tudo da calçada, os carros que freavam atrás de mim, os carros que eu tentava não atingir na minha frente.

Foi uma cena de poucos segundos, parecendo de filme, onde a gente apesar da velocidade assiste tudo em câmera lenta. E no final, vergonha.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Living in denial

O americano usa muito essa expressão "denial". O que significaria isso em português? Viver negando algo. Não me recordo de nenhuma expressão na nossa língua que retrate com a mesma exatidão a situação.

Explicando melhor seria o seguinte: a gente passa por situações na vida que são tão dolorosas ou tão difíceis de encarar, que fazem com que a gente negue que tem problemas. A gente acaba inventando uma estorinha na nossa cabeça para tentar esquecer o problema. É um "me engana que eu gosto" inconsciente. Sim, porque quem cria essa estória não se dá conta de que inventou para fugir dos problemas.

Parece louco né? Mas é verdade. É mais fácil viver uma fantasia do que encarar o mundo real.

Aí a gente se pergunta: tem problema? Em princípio não. Porque afinal, somos donos do nosso nariz e ninguém tem nada a ver com a vida da gente, é o que a gente pensa.

E vai tudo muito bem. A gente se engana, vive a fantasia, incorpora um personagem que nem sempre tem a ver com a gente. Até que um dia a gente se dá conta de que se afastou da própria essência. Aquilo que a gente vive não tem exatamente a ver com o que a gente é de verdade.

E de novo, tem problema? Talvez não. O problema é quando a gente se dá conta de que foi tão eficiente em mentir para si mesmo que até as pessoas que nos cercam começaram a acreditar na mentira.

O americano, para o "denial", tem uma resposta: "intervention". Seria assim, quando os familiares e amigos percebem o problema e resolvem dar uma chacoalhada na pessoa para que ela volte ao seu rumo normal. Tem um pouco a ver também com drogas e alcoolismo mas não necessariamente somente nesses casos.

Aqui no Brasil a gente não usa esses termos. E nem o assunto é tratado com tanto método. Mas cabe a nós escutar de tempos em tempos o que os outros têm a dizer. E se a mensagem se repete com frequência, aí é hora de avaliar o que está acontecendo. Antes que seja tarde demais...

Analisando o medo

É fato que existe aquele medo, instinto básico, que segundo os estudos se torna necessário para a nossa defesa própria. Diante do perigo, a adrenalina sobe e a gente tem reflexos que visam a nossa proteção.

Existe também um outro medo, aquele que ao contrário do primeiro, pode mais atrapalhar do que ajudar. Ele pode aparecer na hora de tomar uma grande decisão, de enfrentar o desconhecido. Também se insinua na nossa mente quando nos deparamos com situações que nos remetem a fatos antigos, coisas que não sairam exatamente como planejadas e que nos fizeram sofrer.

Se no fundo a gente reconhece que as coisas nem sempre acontecem do mesmo jeito ou que a gente não tem certeza do que vem no futuro se não tentar, tudo bem. Porque nesse caso, a gente ainda consegue reverter a situação. Calcular o risco e seguir em frente. O problema é quando o medo se torna paralizante, quando ficamos escravos do passado, achando que as situações se repetem e que não é possível escrever um novo roteiro com um final diferente.

Esse medo, cruel, nos atormenta dentro da nossa própria mente, enviando-nos pensamentos nem sempre verídicos. Ele nos turva a visão e impede que a gente enxergue as coisas como elas são. É comum nesse contexto que a gente acabe se atrapalhando, metendo os pés pelas mãos, agindo de forma distanciada da nossa vontade simplesmente porque a gente não consegue mais distinguir a verdade da imaginação.

E na dúvida, mesmo não querendo, a gente se deixa momentaneamente vencer pelo medo, acreditando que uma hora ele vai passar. E ainda bem que para quem acredita, uma hora passa.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Por fim alguém me autoriza...

Sorte de hoje no Orkut: "Não tenha medo de ir devagar; só tenha medo de ficar parado".

O ano é 99

Certa vez li um post onde a pessoa, no dia do seu aniversário, aproveitava para lembrar do que tinha acontecido 10 anos antes, na mesma data.

Hoje falei sobre chuva, "águas de março". E coincidentemente havia comentado durante o almoço com algumas colegas de trabalho sobre as vezes em que fiquei presa sozinha por horas em algum local longínquo de São Paulo por causa da chuva, das assustadoras enchentes, de Anhangabaú cheio até o teto.

Volto para casa, converso com meus filhos. Vejo minha filha que ontem ainda era bebê, enorme, deitada na minha cama.

Parei para pensar: o que eu estava fazendo em 18 de março de 1999?

O que, exatamente, eu não sei. Mas consigo lembrar um pouco do que acontecia naquela época:

- Eu havia viajado para Londres, em janeiro ou fevereiro...
- Eu estava num cliente perto do Shopping Center Norte, travando uma daquelas batalhas aparentemente impossíveis de se vencer;
- Eu falava diariamente por e-mail com uma das minhas melhores amigas e madrinha da minha filha, várias vezes por dia.
- Eu ainda não estava grávida do meu primeiro filho mas iria engravidar dentro de 1 mês... ou seja, eu não tinha nenhuma responsabilidade além do trabalho....
- Meus pais ainda moravam no Rio, meu pai ainda era vivo.
- Eu era mais impaciente, intolerante mas tinha mais sonhos e convicções.
- Eu tinha um Vectra e adorava correr com ele pelas ruas e estradas sem radar.
- Eu passeava na Augusta, Oscar Freire e Lorena sozinha, no final do dia e comprava algumas roupas.
- Eu quase não tinha amigos em São Paulo. Meus amigos iam quando os projetos acabavam. Eu voltava para casa e muitas vezes me sentia sozinha.
- Eu lia muito.
- Eu comia doces e usava manequim 36, tinha o cabelo curto e treinava na Runner da Paulista.
- Eu comprava muitos CDs e muitos livros.
- Eu trabalhava muito e acreditava num objetivo, que algum dia eu chegaria num lugar confortável.

É, muita coisa mudou. Por outro lado, outras nem tanto.

Águas de março...

Foi só eu declarar publicamente o meu amor pela estrada, velocidade, cabelos ao vento e tudo mais que... começou a chover de noite. Chuva daquelas de dar tensão, de doer a mandíbula e os ombros...

Voltei com chuva ontem e hoje.... medo dos caminhões, das ultrapassagens de terceiros mal calculadas, de freiar na pista molhada, de não enxergar direito por que o limpador não dá conta...

Mas acho que na vida é assim mesmo. A gente sente o poder e o prazer em determinados momentos. No momento seguinte nem tanto. O negócio é lembrar que antes esteve bom e que como sempre na vida, vai melhorar de novo.

Todo ano é igual. Chove e eu lembro do refrão:

"São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração"

Fala comigo...

O maior motivo de reclamação e desentendimento entre eu e o meu pai quando eu era adolescente era o telefone. Eu pegava no telefone e tinha a capacidade de conversar durante horas.... sério mesmo, por horas digo, três, quatro horas. Meu pai dizia para mim: pelo menos liga depois das oito. Eu pegava o telefone depois das oito da noite e ficava às vezes até meia-noite. Aí a reclamação mudava: você não pode ficar tanto tempo. E se alguém precisar ligar para falar algo importante?

Fiquei lembrando disso e de como a comunicação atual mudou. No modelo antigo, telefone tradicional, sem nenhum recurso tecnológico, o telefone tocava, a gente atendia, falava... sentimentos eram percebidos ou intuídos pelo tom de voz e pela mudança na modulação. Pausas, respiração. Era possível enganar? Sim, mas era um pouco mais difícil.

Veio o celular, o rapport já mudou de figura. "Ah, desculpe, a ligação tá falhando". Desliga-se o celular com a desculpa de que o sinal está ruim. Toca o telefone, aquela olhada no visor para ver quem é e se decidir se vai atender ou não.

MSN? As pessoas conversam, tem os emoticons que simulam os sentimentos. Simulam sim porque a pessoa tá ali, de saco cheio mas manda uma carinha feliz. Tem o offline, o bloqueio, várias conversas paralelas, a conexão cai e gera um mal-entendido.

Estamos cada vez mais ligados e dependentes da tecnologia. É impossível não perguntar onde isso vai chegar. Quando eu era criança, subia no andar das minhas melhores amigas, tocava a campainha e encontrava as pessoas ali, do jeito que estivessem. Descabeladas, de pijama, alegres ou tristes. E a gente se gostava assim mesmo. Agora, a gente fala no celular, recebe um torpedo da amiga desmarcando o encontro, fala no msn, sem ter nenhuma idéia do que se passa do outro lado.

Eu não sou contra a tecnologia. Dependo dela e me utilizo dela inclusive para lazer. Só fico me perguntando às vezes se ao ingressarmos cada vez mais no mundo virtual não estamos deixando de lado o simples da vida que também é bom. Fico pensando se não há um preço nessa troca. Se o preço não é que estejamos tornando os sentimentos reais em sentimentos virtuais.

terça-feira, 17 de março de 2009

Selinho, obaaaa!!

Minha amiga Pat do blog Fuça de Ferret, indicou-me para mais um selinho.



Esse selinho é também um meme, e tem suas regras:
  1. Ao receber o selo, listar 7 coisas que te fazem sorrir.
  2. Indicar o selo a 7 blogs que fazem você sorrir.
  3. Informar aos blogs indicados que eles receberam o selo.
Eis a minha listinha, então:
  • Meus filhos
  • Falar bobagem
  • Sitcoms
  • Chopp com os amigos
  • Animaizinhos bonitinhos
  • Crianças em geral
  • Gestos carinhosos
Ops, sem ordem de prioridade, ok? Vou ficar devendo as indicações....

segunda-feira, 16 de março de 2009

To apaixonada...



Sesto Sento

http://www.myspace.com/sestosento

Escutem "Lift me up" e "Mysterious ways".

On the highway


Eu estou trabalhando fora de São Paulo e preciso pegar a estrada todo dia. Vocês devem estar pensando: que chato, que cansativo.

Posso falar a verdade? Isso é muito bom. É a terceira vez que eu preciso fazer um projeto fora de São Paulo e pegar estrada. Estou acostumada a dirigir para o Rio também. O que eu posso dizer é: dá uma sensação de liberdade inexplicável pegar uma estrada lisa, afundar o pé no acelerador e ir...

Há muitos anos atrás eu participei de um projeto que me fazia pegar a Dutra. Naquela época não tinha radar. Era fácil dar 130 com um carro potente. Só desviando dos carros na frente.

Voltando alguns anos atrás. Rio de Janeiro, sem radar. 120 no Túnel Rebouças. Da Tijuca à Barra à noite indo para a balada em 15 minutos. Claro que naquela época não tinha tanto trânsito.

Alemanha... 140, 150... o que na verdade é uma velocidade baixa para eles.

Venho pensando nisso há dias. Eu entro na estrada e desligo. Me entrego ao deslizar e às curvas de uma estrada não tão cheia e com um piso bastante regular.

De noite: olho de gato, placas de sinalização, lanternas vermelhas do trecho em obras. Pedágio "sem parar". Parece que estamos vivendo um videogame. Enduro, Need for Speed.

Uma falsa sensação de liberdade...

"Get your motor runnin'
Head out on the highway
Lookin' for adventure
And whatever comes our way
Yeah Darlin' go make it happen
Take the world in a love embrace
Fire all of your guns at once
And explode into space
"

Intense...

Pode parecer mentira. Mas acho que é isso mesmo. Born to be wild.

Pé esquerdo... a constatação

Tava lendo um post aqui, parei para pensar. Se fosse acreditar no dito popular eu estava ferrada, afinal: todo dia eu acordo com o pé esquerdo! Eu me deito do lado esquerdo da cama.

Será que está na hora de mudar?

Sonho - Celular

Toca o celular e eu atendo sem olhar quem liga.
É meu pai. Eu me assusto muito.
Ele diz para mim:
- Eu cheguei aqui mas não cheguei muito bem.

Eu quero responder. Começo a chorar. Penso em frases e palavras e falo mas a voz não sai. Quanto mais tento falar, mais a minha garganta aperta e a voz não sai. Eu grito muito. E a voz não sai.

Acordo chorando.

sábado, 14 de março de 2009

Olha a rave aí...

Será que eu aguento isso?


video

Constatações da Semana

Paradoxismo.

"O que os olhos não vêem o coração não sente".

"O coração sente o que os olhos não vêem".

"O coração sente o que os olhos vêem".

"Os olhos não vêem o que o coração sente".

Eu não tenho gatos...

but I am a cat person. Não é fofo?

Um dia ainda vou ter um.

Short Cuts - Cenas da vida


Eu fui poucas vezes sozinha ao cinema. Na verdade, é um hábito que aos olhos de muitos pode parecer excêntrico mas quando fazemos, percebemos que pode ser um momento de grande satisfação pessoal. Eu particularmente nem gosto quando estou assistindo um filme, de comentar o que está acontecendo. Prefiro mergulhar mais na estória e comentar ao final, fora do cinema.

O filme que eu assisti quando fui sozinha pela primeira vez foi Short Cuts de Robert Altman. Eu tenho esse gosto por cinema cult e nem sempre encontro companhia para esse tipo de filme. Foi no Rio ainda, entrei numa sessão sábado à noite no cinema do São Conrado Fashion Mall me sentindo meio esquisita mas depois que o filme terminou, percebi que não havia nada de errado em cultivar esse hábito.

Robert Altman tinha esse estilo onde ele escalava um enorme elenco com nomes de peso e criava várias estórias paralelas que se entrecruzavam muitas vezes de uma forma que os personagens nem se davam conta. E em geral havia algo a ser revelado no final.

Lembro-me particularmente nesse filme de uma situação em que uma mãe encomendava um bolo de aniversário muito elaborado. Só que o aniversariante era atropelado de leve mas batia com a cabeça no asfalto. Ele chegava em casa e não contava para ninguém do acidente. Quando os pais percebiam que havia algo de errado e o levavam ao hospital, já era tarde demais e ele terminava por falecer. O confeiteiro do bolo, ao perceber que o bolo não era retirado, começava a ligar para a casa dos pais exigindo a retirada. Na medida em que ele ia percebendo que o bolo não ia ser retirado, ele se exaltava de tal forma que começava até a gritar e a insultar a mãe do menino nos recados que deixava na secretária eletrônica.

E é o que pode acontecer na vida mesmo: conclusões precipitadas. Ou não. Outras vezes, pode ser falta de consideração mesmo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Prazo de entrega

No MSN: X. deseja compartilhar uma pasta de arquivos.

"Aceitar"

Início de transferência.

10 minutos depois:

X: Acelera esse negócio aí. Que p. de conexão é essa que você tem que nunca termina?
Y: O problema é que eu só tenho 500 kbps.
X: Pô, da próxima vez vou gravar o CD e mandar a minha avó entregar de bicicleta. Vai mais rápido...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pobres de nós...

seres humanos... tentando sobreviver dentro das regras de um mundo sem regras. A gente tenta acertar; erra. Fica preso a costumes e hábitos, fazemos o que esperam da gente. Seguimos aos tropeços contabilizando alegrias, tristezas, mentiras, revelações. É preciso não julgar, sempre há o outro lado da moeda. É preciso não extrair conclusões precipitadas, sofrer por antecipação. O que a gente sofre, os outros também sofrem. Uns são mais fortes, outros mais fracos. Buscando a felicidade por caminhos livres ou tortuosos. A experiência conta. Para quem tem oportunidade e consegue tirar bom proveito dela.

Roubando o post da Beth

Do Blog "Noites em Claro", Juno again.

A frase chave do diálogo:

"In my opinion, the best thing you can do is find a person who loves you for exactly what you are. Good mood, bad mood, ugly, pretty, handsome, what have you, the right person will still think the sun shines out your ass. That's the kind of person that's worth sticking with."

Post melancolia 2 do dia....

Post melancolia

Tenho dúvidas se melancolia tem motivo. Penso se ela existe por si só. Ou seja resultado da combinação de tantas coisas que fica difícil definir um motivo exato. Sentimento tem motivo, eu me pergunto? Umas vezes sim, outras não. Amar alguém, não é um sentimento que surge por si só, tem motivo?

Na falta de organização própria, busco palavra em outra pessoa. Eu queria elaborar um pouco sobre a personagem Joana de "Perto do coração Selvagem", que quando criança, choca a professora primária com sua pergunta: "O que vem depois de ser feliz?". Não sei se a pergunta é exatamente assim. Na falta do livro comigo, busco na internet e não encontro. Mas encontro esse trecho sem referência:

" Prisão, liberdade. São essas as palavras que me ocorrem. No entanto não são as verdadeiras, únicas e insubstituíveis, sinto-o. Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome. – Sou pois um brinquedo a quem dão corda e que terminada esta não encontrará vida própria, mais profunda. Procurar tranqüilamente admitir que talvez só a encontre se for buscá-la nas fontes pequenas. Ou senão morrerei de sede. Talvez não tenha sido feita para as águas puras e largas, mas para as pequenas e de fácil acesso. E talvez meu desejo de outra fonte, essa ânsia que me dá ao rosto um ar de quem caça para se alimentar, talvez essa ânsia seja uma idéia – e nada mais. Porém – os raros instantes que às vezes consigo de suficiência, de vida cega, de alegria tão intensa e tão serena como o canto de um órgão – esses instantes não provam que sou capaz de satisfazer minha busca e que esta é sede de todo um ser e não apenas uma idéia? Além do mais, a idéia é a verdade! Grito-me. (...)”

E essa outra frase:

“Eu sou uma atriz para mim mesma. Eu finjo que sou determinada pessoa mas na realidade não sou nada.”

Talvez meu amigo André consiga dar as referências corretas.

quarta-feira, 11 de março de 2009

E o mistério da confimação se repete...

Há uns meses atrás, eu observei num post que as palavrinhas de confirmação começaram a se parecer com palavras de verdade, pois normalmente é uma miscelânea sem sentido de letras.

Ontem, falei sobre a palavrinha quase obscena que apareceu para mim num post picante.

Pois eis que hoje, estava eu me lamuriando no blog alheio (sim, porque nesses últimos dias, acho que na incapacidade de elaborar algo interessante no meu próprio blog, mesmo que melancólico, eu dei para fazer comentários nos blogs alheios que valem quase como posts), quando ao salvar, recebi uma palavrinha de novo muito peculiar para a situação.

Acho que o André tem razão. Eu estou influenciando o sistema com a minha mente... Imagine uma pessoa melancólica... fazendo um comentário extra-melancólico. Agora confira a palavrinha:

MATME!!!!

terça-feira, 10 de março de 2009

Induzida à obscenidade...

Hoje tava totalmente sem inspiração... Abri o blog para dar uma olhada nas atualizações dos meus links e vi um post da minha amiga Pat Ferret, toda saidinha. Li o post e chorei de rir. Fiz um comentário querendo parecer engraçadinha e para meu espanto, na hora em que fui gravar, vejam a palavra de confirmação que me apareceu. Será que Pat Ferret, nas suas aventuras pelo HTML anda fazendo gracinha até na confirmação? O que vocês acham??



segunda-feira, 9 de março de 2009

Sonho - Sala de Show

Eu estava num salão amplo com taco de madeira e paredes azul turquesa salpicadas de verde parecendo o fundo do mar. Lembrava muito um salão que havia no Hotel Quitandinha em Petrópolis.

Ouvi um anúncio: a banda do Renato Aragão ia tocar. Achei esquisito mas parei para ouvir. Apesar de enxergar o palco, eu não conseguia distinguir os músicos lá. De repente começou um rock brasileiro que agora não me recordo qual era, parecia uma versão de música. E ele cantava muito bem. Eu comecei a dançar muito animada, olhei para o lado e disse para o meu pai: "até que ele canta bem!". Eu continuava dançando muito animada e meu pai olhava para mim e ria da minha empolgação.

Dentro do sonho comecei a tomar consciência de que estava sonhando. Aí lembrei: "meu pai está comigo aqui mas na verdade ele morreu".

domingo, 8 de março de 2009

Desabafo do dia da mulher

Todo ano é a mesma coisa. Vem o dia da mulher e fico com uma cara assim, de não saber se isso é bom ou ruim.

É claro que valorizo a oportunidade de ser independente e ter igualdade de escolhas e ações. Eu só fico pensando que nós, que crescemos no meio do caminho desta conquista, passamos ainda por algumas crises muito sérias. Fomos criadas para ter uma vida profissional e no entanto esperam da gente que sejamos também donas-de-casa eficientes. Os homens que cresceram na mesma época que nós receberam de suas mães, profissionais do lar, a visão ainda da esposa que é a única responsável por cuidar da casa e dos filhos. Eles podem até dizer que gostam das mulheres independentes, porque afinal é ótimo ter alguém com quem dividir a responsabilidade financeira. Mas na verdade não conseguem dividir as funções domésticas e nem enxergar a vida profissional de sua esposa com a mesma seriedade com que enxergam as deles.

O emprego da mulher é encarado como algo complementar ao deles. Se o chefe manda trabalhar no final de semana, são várias as justificativas a serem dadas. De um lado, tenta-se negociar no trabalho e no outro justifica-se para o marido porque é necessário trabalhar e porque não foi possível escapar da convocação, porque no final de semana elas não deveriam deixar de dar conta de suas atribuições em casa. O marido pode voltar para casa na hora que achar conveniente. A mulher precisa estar de volta no horário de liberar a babá pois a responsabilidade de ficar com os filhos é dela. Mais justificativas e stress. É andar o tempo todo na corda-bamba.

De repente nós, mulheres, profissionais, casadas e com filhos, nos vemos no meio de um acúmulo de funções quase impossível de cumprir. E pior: no meio do acúmulo, esquecemos de nós mesmas, dos nossos sonhos e dos nossos gostos que deveriam também ser parte da tão proclamada conquista. O marido diz que vai dividir e acaba entrando na função de cobrador. A balança continua pesando só para um lado.

É como eu li num texto americano no outro dia. A gente olha para a casa, para os filhos e tenta entender o que aconteceu com aquela jovem que estudou, se graduou com nota máxima no projeto final, que gostava de música e de conversar com os amigos. Quando foi que ela se afundou numa vida de exigências diárias, de tarefas e tarefas a cumprir, preenchendo expectativas quase sempre alheias e por vezes tão diferentes das suas. Sem direito a conversa, sem direito a desabafo, sem direito a falhar e a ter preguiça.

É isso aí. Feliz dia da mulher.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Fui fuçada!

Gentem,

mais um selinho... Essa blogosfera anda tão generosa!! Aproveitem para dar uma olhadinha no Bud porque ele é muito fofo e me trouxe lembranças de infância.

Pat, valeeeeu!! Adorei!!!

Eu recebi uma dádiva

Uma não. Várias. Recebi a dádiva de ter uma mente imaginativa. O que me traz benefícios e também dor. A dádiva de ter sensibilidade apurada. E de ter uma filha muito parecida comigo.

Nós temos uma vasta biblioteca infantil. Eu adoro comprar livros para os meus filhos. Compro, leio sozinha e depois com eles. Certa vez, comprei um livro chamado "Quem tem medo de monstros". Achei que meu filho ia gostar porque desde cedo ele se interessa por monstros, naves espaciais, estórias com perfil mais de aventura.

Ontem minha filha pediu para eu ler um livro antes de dormir. Resolvi procurar algo diferente e me deparei com o tal livro. Começamos a ler, o monstro apareceu na estória e várias perguntas surgiram. Notei um certo tom de apreensão. Na medida em que o monstro começou a se aproximar mais do menino e a aprontar algumas travessuras, as mãozinhas dela seguraram o meu braço e permaneceram agarradas até que a estória terminasse.

O problema é que o monstro no livro desaparece sem explicações. Ainda bem que eu me lembro de como era na idade dela. As coisas que eu imaginaria em cima de um livro desses. Tratei de dar alguns esclarecimentos para ela. Que o menino poderia ter dormido e sonhado. Ou que ele quis se divertir e inventou na cabeça uma estória fantástica que se tornou a brincadeira dele. Falei algumas outras coisas e ela se acalmou.

Ela me perguntou porque o monstro do livro era tão feio, com tantas pintas e chifres. E eu disse para ela: "você gosta de desenhar também né? E você também desenha monstros. Quando você desenha, não faz o máximo para que o seu monstro fique bem amedrontador?", ela assentiu. "Pois com o autor deste livro também é assim. Ele queria que você achasse que o monstro dele também era amedrontador".

Resolvendo pendências do passado....

Hoje minha filha acordou de excelente humor.

Escrita e sentimento

Chamou-me atenção várias vezes ao ler artigos sobre grandes escritores que muitos deles relatam que escrever é um processo doloroso. Isso ficou na minha cabeça um dia.

Sobre ser doloroso fiquei na dúvida: quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha? A dor ou a escrita? Por que comigo é assim: aconteceu algumas vezes de em momentos de sentimento extremo, seja de dor, ansiedade ou melancolia, escrever posts que se tornaram os meus preferidos ou que foram muito comentados. De onde concluo que o processo criativo tem muita ligação com o sentimento. E talvez grandes explosões emocionais realmente provoquem criações mais exuberantes.

Acho que por doloroso podemos entender também auto-crítica. Digamos que para mim é fácil, eu que estou aqui despretensiosamente escrevendo. Se alguém lê o meu post e comenta, é alegria. Lucro. Por que eu escrevo por que gosto e preciso. Mas o escritor tem toda a pressão do público e da mídia. E sejamos francos, a tendência das pessoas é na maior parte das vezes criticar e não elogiar. Então concordo que seja doloroso. Porque acabam existindo fatores de preocupação limitantes que eu, por exemplo, não tenho. Não gostei do que eu mesma escrevi: coloco um marcador "boring" que eu criei e pronto. E o espantoso é que às vezes eu acho "boring" e no fim alguém acha engraçado ou lembra de outro fato. No fim, de que vale se criticar tanto...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Túnel do tempo

Ultimamente parece que eu entrei no túnel do tempo. De uma hora para a outra voltei a encontrar pessoas que foram muito importantes para mim no passado. Mesmo que na maioria das vezes o encontro não seja físico, existe muita emoção em compartilhar lembranças do passado e impressões sobre o presente. Sobre como a vida pode ter nos modificado ao longo dos anos.

Eu tenho umas "doideiras". Ao longo desses anos, eu sempre sonhei com duas amigas. Uma que eu acreditava que tinha magoado. E outra que era muito especial mas de quem me afastei inexplicavelmente. Coisa de destino, rotinas diferentes, mudança de cidade. Nos meus sonhos, que ocorriam de forma esparsa mas não deixavam de acontecer, eu sempre me desculpava com elas.

A primeira amiga, voltou a ser minha amiga virtual. No meu primeiro contato com ela escrevi um extenso e-mail de desculpas. Ela não só me desculpou como para minha surpresa, nem lembrava direito do que havia acontecido. Agora, nos falamos várias vezes por semana. E eu não voltei a sonhar com ela.

A segunda amiga, falou comigo ontem pelo msn. Ela não sabe, mas em alguns momentos, com confidências que trocamos, eu chorei. Chorei da emoção do reencontro, de poder pronunciar um certo arrependimento e por perceber que ela, que no passado tinha tantas coisas em comum comigo, continua tendo. Nas alegrias e nas aflições.

Quando eu via o "Túnel do Tempo" quando era criança, com certeza não conseguia captar todas as nuances que existem em ser capaz de voltar no tempo. Se eu pudesse voltar no tempo, ao contrário do que se possa pensar, acho que não reescreveria a história. Para que arriscar um "Efeito Borboleta"? Pensando bem, acho que minhas escolhas não têm sido tão erradas. E afinal, essas experiências têm me mostrado que se um dia as escolhas forem erradas, com sorte (ou não?) existe quase sempre a possibilidade de corrigi-las no presente. É identificar o momento e pegar ou largar...

terça-feira, 3 de março de 2009

Quando foi que a minha vida virou um to do list?

Um dia, desesperada com a quantidade de incontáveis tarefas não cumpridas que eu tinha no meu "to do list" mental, eu me dei conta: "eu não tenho um to do list. Eu vivo um to do list". E nos intervalos, faço aquilo que importa.

Fiquei analisando a minha vida, pensando nas coisas que eu fazia e no que provocava tantas tarefas. Foi então que eu me dei conta de que temos que buscar um modo de vida mais simples. Não me levem a mal. Não é hipocrisia, quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa bastante consumista e bastante ligada a bens materiais e pode ter essa impressão. Mas a conclusão que eu cheguei é que quanto mais materialistas nos tornamos, mais atarefados ficamos.

Por isso, depois dessa constatação, passei a olhar a minha vida de uma forma diferente. Esclareço: não é porque a gente constatou algo que consegue mudar de um dia para o outro. Acho que mais importante do que promover mudanças radicais na nossa vida, é identificar pequenas mudanças e fazê-las constantemente. Eu tive algum chefe um dia que chamava isso de "trabalho de formiguinha". Fazer um pouquinho, todo dia, sem cansar.

Voltando ao assunto do quanto o "possuir" nos gera trabalho. Vou dar alguns exemplos.

A partir do momento que compramos um carro, veja a quantidade de tarefas que ganhamos: contratar seguro, renovar seguro, pagar ipva, fazer inspeção veicular, trocar óleo, verificar água e calibragem dos pneus, reparar eventuais defeitos. Há quem queira ter mais de um carro. Então multiplique esse número de tarefas por 2 ou mais. Compramos um apartamento, tem todas as contas a pagar, reunião de condomínio, reparos, reformas. Sabe aquela decoração bacana, cheia de luzinhas para todos os lados? Lâmpadas e lâmpadas a comprar e trocar. Cortinas para lavar. Contrata-se empregada: assinar carteira, recolher INSS e FGTS, calcular férias e 13o., eventuais demissões e recontratações.

Resolvemos comprar aquele super celular. Tem que instalar software de sincronização, aprender a usar os recursos do celular. TV a cabo, banda larga, mais contas para pagar (neste mometo nem estou falando do peso financeiro, mas das tarefas mesmo. Vencimentos para lembrar, agendamentos). Aí o serviço resolve não funcionar um determinado dia. São dias de brigas pelo telefone e recebimento de técnicos. Aparelhos eletrônicos, todos gerando mais funções a conhecer, instalações e defeitos.

Roupas, sapatos, livros, CDs, mídias de todo tipo, objetos de decoração. Tudo isso gera: arrumação, limpeza, aquisição de locais para armazenagem. E todas as sub-tarefas derivadas disso.

Tem gente que tem hobby que vira obrigação. A pessoa se envolve no dia-a-dia, não dá conta de tocar o hobby e internamente se cobra por não conseguir dar prosseguimento.

Animais de estimação. Quase como filhos. Limpeza, alimentação, veterinário.

E olha que nem falei de filhos ainda. Vou me abster de falar de filhos por que filhos valem a pena e não sei se posso sem querer passar uma imagem contrária. Mas mesmo no quesito filhos, há coisas a refletir. O nosso papel em priorizar educação e valores no lugar de consumismo e materialismo que por sua vez podem vir a gerar ainda mais aborrecimento. E observe-se que aquele dito popular de que quem cuida de um, cuida de dois, é a maior mentira. É trabalho dobrado sim.

É isso aí. Pausa para reflexão. O que você tem de excesso na sua vida?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Paradoxal

É bobo mas vou ter que comentar: o papel é para enxugar a mão. Manda a gente puxar com as duas mãos. A gente puxa mas mesmo assim o papel despedaça com a mão molhada. Só funciona puxando com as mãos quase secas.

Ninguém merece.

domingo, 1 de março de 2009

Shall we Dansu?

Sim, é Dansu mesmo. Em japonês.

Ontem eu fui num clube latino. Latino de verdade, com frequentadores latinos. O normal lá era falar espanhol, embora todos falassem português. Da rua, pela portinha pequena, a gente não consegue vislumbrar o que há lá dentro. Um ambiente grande, com mezzanino e ar rústico. Banda ao vivo, vários ritmos: salsa, merengue, cúmbia, reggaeton, cha cha cha... No início eu estava tímida. Aos poucos fui me soltando e me diverti muito.

Eu tenho essa tendência a olhar as coisas e lembrar de filmes... Fiquei lembrando de "Buena Vista Social Club"... tinha aquele ambiente latino, fumaça no ar, calor, sensualidade, a dança é muito sensual mas sem vulgaridade (bom, excluindo o reggaeton....).

Lembrei-me daquele excelente filme japonês, "Shall we Dansu". Que sendo filme de sucesso fora do circuito americano, ganhou a infeliz versão "Shall we dance" com a Jeniffer Lopez e o Richard Gere. Eu digo infeliz porque é o de sempre: pegam um filme fantástico, retiram as sutilezas que são justamente o que torna o filme bom e produzem algo pasteurizado e de fácil digestão (ou indigestão) para o público médio americano.

Para quem não viu o filme fica o trailer só para deixar com vontade.... O momento em que Sugyiama-san avista a professora de dança na janela, da estação de trem, é de cortar a respiração... e de resto, muitas risadas.


video