quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Taking it slow


Um dia a gente se dá conta de que o tempo não basta mais. Que por mais que a gente se esforce e tente encaixar tarefas, a gente está sempre devendo. O que aconteceu com o tempo de quando a gente era criança? O tempo que sobrava. Horas que não passavam quando a gente ansiava por alguma coisa. Meses e meses de férias que se estendiam como um ano inteiro quando os amigos viajavam e não sobrava ninguém para brincar. Chegamos então a uma conclusão: não foi o tempo que mudou, foi o estilo de vida.

Tempo, tempo, tempo. Velocidade. Fazer tudo rápido. Isso cansa. Parar, pisar no freio. Avaliar o que realmente tem importância. Deve ser essa a solução para o problema.

Falta de tempo, stress, correria. E-mails que chegam, livros e filmes que são lançados e que não conseguimos ler ou assistir. Trabalho, atividades domésticas. Compromissos sociais, afetivos. Mudaram as prioridades? A gente trabalha para viver ou vive para trabalhar? Já nem sabemos mais. Não dá para continuar assim. É preciso curtir a vida, os momentos.

Entre uma tarefa e outra, cuidar de si. Para si próprio ou para os outros? Leitura de salão de beleza. "Puxa, que coincidência!" Se é que as coincidências existem de verdade. Matéria da Época de Janeiro deste ano: não é que a velocidade se tornou um mal mundial e atual? Com o perdão da rima boba.

Reduzir, desacelerar, qualidade de vida, "Less is more", já dizia Van der Rohe?

Que bom se a gente pudesse mudar assim. Viver numa velocidade saudável. Deixar de achar que as coisas e as pessoas precisam funcionar na velocidade de um clique.

Que bom se as pessoas pudessem ter a mesma velocidade. Se fosse possível sincronizar ritmos de gostos, objetivos, fases de vida. Se pais pudessem observar seus filhos com a velocidade que requer uma criança. Sem pensar no horário da próxima reunião. Sem tanta culpa. Não é que as pessoas também tem velocidades diferentes entre elas? A gente se encontra numa pausa qualquer, se nossas velocidades permitirem. "Beijo, me liga."

Desacelerar, parece inevitável. O planeta pede. A vida pede. Pisar no freio ou "crash" total.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A arte de desconstruir


Certa vez, ignorante a respeito da história de Picasso, eu visitei uma mostra que explicava a trajetória do pintor, desde a escola clássica até a criação do estilo que finalmente o consagrou como artista. Os trabalhos exibidos, que demonstravam esta evolução, eram na sua maioria retratos e o interessante era que o retrato original e a pintura que derivava dele eram colocados lado a lado de forma que podia-se perceber que olhos e narizes assimétricos tinham na verdade uma "lógica".

Se fosse pedido a Picasso que ele executasse uma obra correta e virtuosa do ponto de vista clássico, ele sabia fazê-la com precisão e competência. Por outro lado, o que lhe aprazia era mostrar as coisas não como as vemos, mas de acordo com uma interpretação própria, que apesar de incômoda para muitos, denota a sua habilidade e uma beleza singular.

Fiquei pensando sobre isso. Existem gênios em fazer a coisa certinha e gênios em fazer a coisa nem um pouco certinha. Fiquei aqui, admirando a capacidade de um gênio em potencializar sua habilidade, fazendo o certinho de forma excelente e o nem um pouco certinho de forma mais surpreendente e admirável ainda. Fiquei pasma diante da constatação que me atingiu de pronto, em perceber a força de se saber a regra, o método, a organização, para então jogar tudo para o alto e criar de novo, mostrando que é possível sim, haver ordem e beleza no caos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Presente de Menina

Fiz mais um presente um dia desses. Fiquei sabendo que o quarto da menina era amarelo então ficou mais fácil:


Eu fiquei viciada em cortar letrinhas na Cuttlebug em papel branco e cobrir com tinta relevo incolor com glitter. Na verdade, é chatinho de fazer mas o resultado fica tão bonito que eu acabei usando em vários dos meus trabalhos:


Estou com preguiça de colocar os créditos. Quem sabe outro dia...



domingo, 29 de novembro de 2009

Scrapbook - Eu fiz uma caixa!





Tava com uma caixinha de madeira guardada desde o Scrapbooking Show para ver se me animava a fazer. O problema é que eu não gosto muito de tinta, não sei pintar direito. Mas na caixinha de scrapbook dá para fazer um estilo mais rústico e o principal a gente cobre com o papel, então a minha pintura fica, digamos assim, aceitável.

Nesta caixa eu utilizei tinta Mural, flores American Crafts e Prima Flowers, bailarinas Making Memories e papel Bo Bunny linha Back to Backs.

Gostei do resultado.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Politicamente correta

Fora os radicalismos. Ninguém vai me ver hasteando bandeira do Green Peace ou algo parecido. Mas uma coisa sobre a qual eu sempre refleti, desde muito tempo, é sobre a quantidade de lixo que geramos. Digamos que bem antes de se falar tanto sobre Reciclagem ou Reutilização, eu já pensava sobre isso. Não que eu seja uma pessoa visionária ou algo assim. Talvez seja reflexo de um pouco da minha personalidade que pode se tornar por vezes excessivamente metódica e controladora.

Enfim. Quem faz artesanato acaba se tornando uma lixeirinha ambulante. Lixeirinhas mais ou menos organizadas. Volta e meia eu me pego guardando etiquetas de roupa com um material ou formato interessante, embalagens diferentes. Recentemente eu fiz o quadrinho que se vê abaixo lado, utilizando papel ondulado branco de embalagem de biscoito (pena que na foto não ficou muito nítido), uma redinha de plástico preta e a cartolina marrom que veio na etiqueta de uma roupa. O papel do fundo é "Doodlebug" e os apliques de instrumentos de mdf.


Sobre o olhar


Tava vendo no outro dia a 3a. temporada de 30 Rock e Jack, um bem sucedido, ambicioso e eticamente- questionável empresário da GE pergunta ao office-boy Kenneth, que seria a versão masculina de Poppy de "Happy-go-lucky", entretanto infinitamente menos irritante:

"Oh Kenneth, how would it be if I could see the world through your eyes?".

Essa é uma expressão que me emociona. "Ver o mundo através dos olhos de outra pessoa". O olhar por si só é algo emocionante; o quanto enxergamos no outro através dos olhos. E essa expressão, particularmente, me soa bastante poética. Não sei se já existia corriqueiramente no inglês ou se foi lançada pelo hit do Supertramp; a questão é que não só soa bonito imaginar o mundo com um colorido mais belo através do olhar de outra pessoa, quando nos sentimos incapacitados de nos encantar com as belezas da vida, como surpreende o fato de que para uma mesma situação, possam existir olhares e interpretações tão diversas.

O personagem de 30 Rock, Jack, lança a frase num arroubo de nostalgia. Após assistir um filme de seu aniversário de criança, onde fica registrado um momento de pura felicidade ao abrir um presente. Ele se dá conta de que Kenneth, apesar de adulto, não perdeu o olhar infantil, de quem se alegra com as pequenas coisas da vida. E que não fica buscando motivo para se sentir infeliz.
Do olhar para a vida: fiquei tentando entender quando e porque a gente perde o olhar da criança.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Happy-go-lucky - Simplesmente Feliz


Peço desculpas por me permitir ao menos algumas vezes me expressar de forma mau-humorada neste blog que por essência é alto-astral, positivamente reflexivo, tendendo no máximo a alguma melancolia passageira.

Assisti este filme ontem. Gosto de mudar o foco e perceber realidades diferentes das minhas. Diferentes paisagens e modos de vida. Para mim não é novidade observar temáticas sobre os problemas sociais ingleses. A falta de perspectiva dos jovens, drogas, conflitos raciais, a vida pouco glamourosa da "plebe". Vários filmes já abordaram esses problemas. Em "Happy-go-lucky", nada disso é tratado diretamente mas a gente percebe uma leve pincelada já que o propósito mesmo é mostrar como a personagem principal vive feliz, a despeito de tudo e de todos.

Apesar de inusitado, eu me senti particularmente irritada com o comportamento de Poppy. Fiquei refletindo sobre isso e não consegui concluir se sou essencialmente diferente dela, ou seja, incapaz de me alegrar com pouco ou se de fato me alegro com várias coisas mas que a forma de Poppy agir não é necessariamente de uma pessoa feliz, e sim, de uma pessoa quase idiótica. Ser feliz, permanecer feliz, não implica diretamente em rir e fazer piadas a todo momento, quase de forma hiperativa. Fiquei pensando que para ser feliz assim, prefiro ser feliz à minha maneira. Menos risonha e mais reservada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Lógica e Sentimento

Pensando logicamente, não faria sentido que conseguíssemos controlar nossos sentimentos através da lógica? Quero dizer: se conseguimos concluir que certas coisas são inevitáveis ou que fogem ao nosso controle, que sentido faz a gente se preocupar ou pensar incessantemente sobre elas, por exemplo?

Parece existir uma regra subliminar de que a lógica pode excluir ou minorar o sentimento. Uma certa tendência a achar que quem é lógico, é frio. Deve ser porque a gente associa a lógica à sabedoria e os sábios a figuras plácidas e impassíveis. Ora, quase sempre o que o sábio nos fala é lógico, seja ele oriental, grego ou sci-fi. Mas daí a afirmar que quem é lógico é impassível, a recíproca não é verdadeira. Seria o motivo da impassividade controle de sentimento ou austeridade?

O benefício da ignorância: às vezes, fico pensando, é melhor não saber, não concluir, do que conhecer demais. Porque conhecendo, elabora-se e elaborando é que a imaginação entra, confundindo toda a lógica. Não seria sob esse aspecto então a lógica, no plano imaginário, inesperadamente próxima ao sentimento? Sim, existe mesmo o benefício de não calcular, de não refletir. O estado mais primitivo, mais puro do pensamento e do sentimento. A simplicidade e a proximidade com o ser real. Se é que existe de fato a realidade.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ser

No outro dia ouvi uma frase, em linhas gerais, assim:

- Fulana não gosta que eu faça tal coisa porque fica parecido com o dela.

Fiquei pensando: engraçada essa preocupação de que uma outra pessoa possa ser parecida com a gente.

Existem poucas certezas na vida. A única e a mais batida é que vamos morrer. Talvez uma outra seja que a gente existe e "é". Porque a necessidade de mostrar para o mundo uma imagem e imprimir uma marca própria? Somos e isso é incontestável. Temos o direito de mudar uma coisinha ou outra transformando-nos ao longo do tempo, além das marcas que ganhamos com nossas experiências. Que somos únicos, quanto a isso não há dúvidas. Que importa se alguém tem um cabelo parecido ou uma camisa igual se o que vai dentro é diferente? O formato dos olhos, a sinceridade do sorriso, o entusiasmo de uma afirmação. Não existe ninguém no mundo exatamente igual.

Ser é algo inevitável e ao mesmo tempo contraditório. Porque nem sempre a gente é quem deveria ser, é quem a gente quer ou se deixa ser como realmente é. A maior parte do tempo preocupamo-nos em ser quem a gente acha que os outros querem que a gente seja. Esse é o nosso maior erro. Como escapar disso?

My own embellishments

Quando comecei a fazer scrapbook há 2 anos atrás, eu como quase todo mundo, me encantei com os "embellishments" (enfeites) prontos. Aos poucos fui percebendo que com furadores, carimbos, fitas, bailarinas e restinhos de papel, eu conseguia produzir os meus. Já postei anteriormente sobre isso.


Bom, andei fazendo uns quadros sobre os mesmos temas e cores. E com isso sobrou muito papelzinho. Usando facas Cuttlebug, furadores Tok e crie e restos de papel (Repeteco, Doodlebug, Cartona disney, Cardstock Dcwv, papel em glitter DCWV), bailarinas Making Memories e Prima Flowers, eu montei esse enfeites. A página 17 x 17 ainda não está finalizada, vou levantar os quadradinhos com fita banana para dar dimensão e adicionar uma palavra embaixo que eu ainda não escolhi.


Estou postando antes de terminar porque fiquei entusiasmada com o resultado até agora:



terça-feira, 27 de outubro de 2009

Deu a louca no Degas

Um dia de arrumação:


- Um marcador de livros
- Um desenho antigo com a moldura quebrada
- Ops! Um bloquinho de post-it



Resultado:



Eu tenho uma predileção por Degas. Tem a ver com um livro que ganhei quando tinha uns 5 anos de idade chamado "Quero ser bailarina", que não era de Degas mas que me provocou na época uma compulsão por desenhar bailarinas.


O post-it eu ganhei de uma amiga queridíssima que sabe do meu gosto por este pintor e que me presenteou o bloquinho há muitos anos atrás.


O desenho foi feito por mim a lápis observando a foto da escultura de bailarina, num arroubo pseudo-artístico também há muitos anos atrás. Estava numa moldura preta mas ela quebrou. Perdoem-me a qualidade do desenho, aqueles que desenham, mas sinto-me orgulhosa dos poucos rabiscos que consigo fazer de vez em quando.


Espero que o mestre não esteja se revirando por aí.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pontos de vista

"Só sei que nada sei"
- Sócrates como citado por Platão.

Longe de mim ser uma pessoa radical, dona da verdade. Confesso que já fui mais e posso até ser em momentos de conflito acalorado. Em geral busco o contrário: deixar as pessoas serem, julgar menos, evitar o conselho gratuito e não solicitado. Entretanto tem sempre aquele momento em que você se vê diante de alguém que desabafa e que em troca espera um conselho. E é quando a gente se vê na obrigação de dizer algo.

Fico pensando que a pior das características que uma pessoa pode ter quando pede um conselho é o orgulho exagerado. O orgulho que gera a arrogância e a incapacidade de aceitar a opinião alheia. A vontade de discutir, de entrar em atrito. Aquilo que a pessoa possui de mais forte e que deve ser trabalhado é justamente o que a cega e a impede de ver um caminho para a sua reforma íntima.

Duro é se ver no papel de dizer a esta que ela deveria ser menos orgulhosa, menos arrogante. Mais duro ainda quanto maior for o grau de amizade. Acaba virando aquela "saia justa". A gente percebe que a pessoa quer ser ajudada, queremos dizer a verdade mas não conseguimos porque pode virar briga, pode gerar mágoa afastando-nos do objetivo que é ajudar.

Bom, duro para mim que sou covarde nessas horas mas talvez não tão duro para todos. A gente tenta falar de um jeito sutil, a idéia não "entra", tenta falar de outro, inicia-se a discussão. Então chega a hora que a gente tira o time de campo e simplesmente assiste a pessoa se enfiando no lodo sem conseguir tirá-la de lá.

Se a pessoa não entende a mensagem é porque: não se permitiu entender tamanho orgulho ou não está preparada para entender ou até entendeu mas não quer aceitar. Nessas horas, a gente deixa por conta do tal do livre arbítrio. Querer ajudar não significa se sentir dono do problema e sofrer junto. Sofrer não ajuda ninguém.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Scrapbook - Just a Girl


Variação sobre um mesmo tema. Fase Pink. Ainda bem que eu não sobrevivo de fotografia. O LO tá bonitinho mas a foto ficou péssima.

Aprendi que não devo mais fazer páginas sem prever a foto dentro. No outro LO quando tentei encaixar uma foto o resultado não ficou tão bom quanto eu imaginava.

Essa coroinha é um chipboard de mini-álbum da "Goodies". Adorei...



Scrapbooking Princess



Eu me empolguei de novo e andei fazendo uns quadrinhos... Faltou nesse LO o tapetinho da foto.
A moldura é preta. Sempre comprei branca mas ultimamente ando inovando.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O post estúpido



Certa vez me peguei pensando: "o que foi feito de Molly Ringwald?". Procurei na internet e havia mais de um post do mesmo tipo. Pensei nisso, acho que foi quando assisiti à primeira temporada de "One Tree Hill", onde a mãe do protagonista é uma ex-estrela teen da minha época.





Fã confessa de sitcoms, me peguei assistindo recentemente a "Two and a half men". Fascinada pelo personagem de Alan mas um tanto intrigada pelos "trejeitos" dele durante uma entrevista, me peguei pensando sobre a "orientação" dele. E foi pesquisando sobre ele que descobri então, ou melhor dizendo, relembrei que o ator "Jon Cryer", trata-se nada mais, nada menos do que um dos principais de "Pretty in Pink".

Dessa vez não me perguntei mais sobre o que foi feito de "Molly Ringwald". Mas certamente bateu uma nostalgia e uma vontade de assistir novamente este clássico: para quem foi adolescente nos anos 80.

Quando?

Não precisa ser nenhum grande filósofo para de vez em quando se pegar pensando em coisas como: de onde viemos, para que existimos.

É uma infinidade de questões sem resposta.

Dependendo do momento, somos mais ou menos sensibilizados por uma questão em particular. Fico vendo crianças amuadas pela provocação de outras. Pessoas que gastam tempo chateadas com a opinião alheia, pelo supor de que outros pensam algo errôneo a respeito delas. Então me pergunto:

"Quando é que vamos entender que somos, independentemente do que os outros acham que somos?"

Beats me...

Beats me: surpreende-me que a maioria de nós precise aprender a ser feliz. Ser feliz deveria ser algo intrínseco mas inexplicavelmente é algo que precisa ser conquistado.

Talvez aí resida o mistério da vida.

Grandes feitos, pequenas mudanças


Estava pensando no outro dia na quantidade de coisas que a gente deixa de fazer simplesmente porque a gente pensa que na vida tudo precisa ser grande. Grandes decisões, grandes mudanças, gestos grandiosos, imediatismo. E com isso o tempo vai passando, a lista vai aumentando e a sensação de culpa também.


Não que às vezes não seja necessário um empenho maior, um "sprint" para alcançar o que a gente deseja. Isso também é importante. Mas junto com o objetivo e as responsabilidades maiores, tem sempre algo pequenininho que a gente pode fazer um pouquinho, todo dia e que no fim pode melhorar a nossa vida.


Se a bagunça da casa reflete na desorganização interna, então é necessário tirar um dia ou um final de semana inteiro para organizar tudo? Porque não arrumar uma gaveta por dia, analisar uma pilha de papéis por vez, mas todo ou quase todo dia? Parece que não mas ações pequenas como essa nos dão sensações diárias de vitória e nos impulsionam para querer realizar mais no dia seguinte.

A atividade em si não precisa ser uma obrigação. Pode ser aquele sonho pessoal que vivemos adiando. Livros que deixamos de ler por não nos acharmos com tempo. Melhor ler uma página por dia do que não ler nada. Melhor escrever um post no blog do que um livro inteiro. Desde que o sonho se mantenha vivo.

Regularidade, continuidade... Persistência. É isso que aprendemos com o trabalho de formiguinha. Acho que é disso que a filosofia oriental nos fala muitas vezes e que a gente acaba esquecendo no turbilhão do dia-a-dia.

Think big! E small também. Every once in a while.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O olhar


Vou arriscar dizer que não existe artista de um talento só. O que torna o artista de verdade, conhecido ou desconhecido, não é a habilidade, a virtuosidade. O que torna o artista de verdade é o olhar e a vontade de expressar, de transbordar para o mundo o que vai lá dentro. Se a crítica é boa ou não, não importa. O crítico nada mais é do que alguém que decidiu classificar as produções alheias e que foi imponente o suficiente para fazer-se prevalecer. Sentir, visualizar, viajar, expressar, aí reside a verdadeira arte. Seja qual for o meio ou combinação, idade, sexo, origem, etnia, o que importa é a sensibilidade. A emoção provocada numa cena, por uma pincelada mais forte, num feixe de luz, composição de sons e ritmos, escritos poéticos, confissões, sabores. O perceber que somos também um pouco artistas quando aprisionamos aquela beleza, nem que por um segundo somente. O embevecimento, o enlevamento da alma, o sublime, o vencer do abstrato e das sensações.

Sofremos porque somos sensíveis. Mas somos artistas. E vemos. E sentimos. E vamos de um extremo ao outro. Do inferno ao céu.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

What a sunny day

Fiquei olhando pela janela e vendo o sol lá fora... Para variar minha mente voou. Pensei que a gente se cobra regularidade. Comportamentos e emoções estáveis, sentimentos de preferência positivos e nos lugares certos. Esse parece ser o estado ideal, "correto". Sim, acho que deve ser mesmo. Mas olhando para o sol lá fora, lembrei de repente sobre um comentário que ouvi ontem: "é, o tempo melhorou, tá gostoso o calor lá fora, mas quinta-feira vai esfriar de novo". Foi então que me dei conta de que a natureza não é regular. Os dias não são lineares. Esquenta e esfria, venta, o ar pára, tudo sem um padrão bem definido. Tentamos equacionar a natureza, a criação, a origem das coisas e esbarramos nos padrões irregulares. E na incapacidade de normalizar, aplaudimos a Teoria do Caos, quase como se se admitisse o fracasso da busca. Isso é que é genialidade, formular uma teoria para demonstrar que não o padrão não existe e ainda ser aplaudido de pé.

Pois é, da próxima vez que nos cobrarmos a felicidade ou a eficiência permanente, lembremo-nos de que somos parte da natureza. E como parte dela, suscetíveis a ruídos e a interferências que mudam o resultado do cálculo no meio do caminho. Não que isso não seja bom. Se não houvesse chuva, não brotariam maravilhas a cada dia.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Necessidade


Tem gente que não entende. Às vezes pode parecer que perco a concentração nas coisas pela vontade de escrever no blog. Mas é justamente o contrário. Escrever é o que faz os meus pensamentos acalmarem.

Há muito tempo atrás eu acordei um dia de madrugada pensando em trabalho e nas atividades que eu tinha que fazer no dia seguinte. Então me dei conta de que se eu escrevesse o que eu precisava fazer ou o que eu tinha bolado de solução para um problema, eu aquietaria os meus pensamentos e conseguiria dormir melhor. E tem sido assim. Solucionar problemas, construir, isso é parte do meu trabalho. Tenho a sensação freqüentemente de que não descanso enquanto não coloco as idéias no papel.

Meu pensamento voa, sem controle, quase sempre. Hoje estava lembrando de uma pessoa que vi num casamento. Ela estava vestida de Frida Kahlo. Não era uma festa a fantasia. Era um casamento e ela de Frida Kahlo. Aí fico pensando assim, na coragem, na originalidade, e que no fim estava legal. E que talvez muitas pessoas nem tenham se dado conta de que ela estava parecida com a Frida Kahlo. Não sei porque fico pensando nessas coisas, mas eu fico.

Abro o documento para escrever o desenho de uma solução de trabalho. Teminha específico, sincronização de dados de um sistema central com outro sistema na internet. Abro o documento e lá dentro tem escrito (por outra pessoa) assim : "A estrutura de Produtos está baseado". Não dá para perceber sem ler o resto mas: falta de contexto, de concordância, de preposição, maiúscula no lugar errado, no fim uma frase que não precisava nem existir.

Fico lendo e relendo a frase, totalmente sem importância, mas incrédula me desconcentro. E de novo volta a Frida Kahlo no pensamento.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Porque até a pessoa mais paciente pode ter um momento quase sem noção

- Boa tarde, qual o seu pedido?

- Uma promoção mega, por favor. (Refrigerante grande, batata-frita, 2 hambúrgueres, queijo e salada).

- Promoção com mais 2 reais leva mais um lanche?

"Onde eu vou enfiar mais um lanche? Tá vendo mais alguém do meu lado?"

Sorriso forçadamente simpático:

- Não, obrigada.

A imitação da vida

Quando eu era criança eu tinha muita restrição alimentar. Certo período, para desespero da minha mãe nutricionista, eu me alimentei somente de macarrão e ovo mexido.

Com o passar do tempo meu leque de gostos foi aumentando gradativamente. Até demais, eu diria. Pois hoje em dia tudo me parece gostoso.

Estávamos falando sobre isso, eu e minha mãe no outro dia, e ela lembrou de uma ocasião em que eu cheguei em casa pedindo que ela cozinhasse um ensopado de carne e quiabo. O motivo foi que eu havia passado a manhã na casa de uma amiga e vi a mãe dela preparando o prato. Eu senti o aroma do cozido e observei que eles comiam com tanta satisfação que a iguaria, a despeito do aspecto gosmento e pouco atraente para mim, me pareceu apetitosa.

Vou fazer uma filosofia agora muito de porta de botequim. Estava pensando sobre como a gente ganha em conviver e observar o modo de vida de outras pessoas. De uma simples comida que nos parece estranha e que somos motivados a experimentar até grandes reformulações em atitudes e hábitos negativos. Ao conviver e observar recebemos a oportunidade de comparar e avaliar aquilo que agrega mais ou menos qualidade à nossa vida. É uma espécie de "benchmarking" natural. Observar, refletir, melhorar. E perceber mais uma vez que o prazer na vida reside nas coisas mais simples. No aconchego de uma cama quentinha, nos gestos carinhosos ou na partilha de uma refeição saborosa com as pessoas que amamos.

Essência, Alma


Muitas vezes eu me cobro coerência nas coisas. Naquilo que eu leio, estudo, acredito. Religião, filosofia, fico tentando encontrar uma linha de raciocínio que justifique as coisas e na qual eu possa acreditar.

Passei muito tempo achando que tinha me afastado disso tudo, dessas observações a respeito da vida, da origem de tudo, do sentido da vida. Não que seja obrigatório se preocupar com isso. A maior parte das pessoas vai passando pela vida sem se preocupar. Cheguei até a pensar várias vezes se essa "despreocupação" não poderia tornar a vida mais fácil, mais leve. Acho que a minha indagação sobre esses assuntos está ligada à lacuna religiosa que eu sempre senti.

Recentemente tenho assistido a algumas palestras espíritas. O que me agrada na doutrina espírita é que apesar dela ditar suas "crenças", ela nos induz sempre ao estudo, a compreender e conhecer antes de aceitar. Como diz uma grande amiga minha, é uma "fé raciocinada e não cega". E isso me agrada muito pois aceitar as coisas sem saber os motivos nunca foi a minha praia.

Surpreende-me que os estudiosos do espiritismo procurem passar em suas aulas conceitos que não são tão e somente ligados à religião em si. Muito tem a ver com filosofia e ciência. Freqüentemente são citados filósofos gregos, temas ligados à ciência genética. Mais especificamente, poderia comentar sobre o debate do outro dia, sobre o desenvolvimento de clones e o que os diferencia dos seres produzidos de forma natural: a vida, a inteligência, a alma, a essência.

Coincidentemente assisti com o meu filho um dia desses um documentário do Discovery Channel que falava sobre o esforço que os cientistas fazem para dar "vida" aos seus inventos. Alguns seguindo a linha de Inteligência Artificial, outros mais vanguardistas, se é assim que posso chamar, baseando-se na "Teoria do Caos".

Fico fascinada com tudo isso... astronomia, robótica, nanotecnologia, todos esses assuntos que eu tenho tido oportunidade de visitar. Mas não posso deixar de observar que no fim, pouco se sabe ainda com certeza sobre a origem da vida. Acumulamos muito conhecimento mas poucas conclusões concretas. Ou, pergunta para meus amigos espíritas: será que eu é que sou cética demais?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Blythe dolls


A Beth vive nos tentando com essas bonequinhas danadas de caras... Toda vez que visito o site dela fico babando nas fotos...


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Música e atemporalidade

Desde pequena tenho a sensação de me olhar no espelho e me sentir momentaneamente dissociada de minha imagem. Hoje estava no carro, vindo para o trabalho e como sempre ouvindo minhas músicas. Às vezes cantando, às vezes batucando ou quietinha, perdida nos meus pensamentos.

Fui invadida num certo momento pela consciência de quem eu era que mesmo sem se olhar no espelho, sabia que o íntimo não casava com a imagem. O que sinto nesses momentos é que a minha essência não tem idade e nem ligação direta com o meu corpo físico.

A música que eu ouvia era muito atual, música eletrônica, usando a tecnologia que eu tenho tido oportunidade de conhecer um pouco.

Eu não canso de me surpreender com a função que a música pode exercer na nossa vida. O prazer de ouvir, o prazer de executar, as lembranças que ela pode trazer e a mudança no nosso estado de espírito que ela pode provocar.

Hoje, escutando música no meu carro, me dei conta de uma sensação inédita. Eu percebi que ao me manter atualizada nas tendências musicais, eu acabo me sentindo parte do presente e do futuro, eliminando mesmo que por alguns instantes o peso negativo da idade. Sim, eu me senti muito jovem de novo, eu me transportei para uma época de sonhos e de inocência. Eu não era jovem no passado. Eu era jovem no presente.

Mini-adultos

Eu tenho me espantado cada vez mais com o nível e o teor das conversas que tenho travado com meus filhos. Minha filha de 5 anos (agora, quase 6) produz as pérolas que eu "posto" com freqüência aqui no blog. Nessa fase eles têm esse jeitinho irresistível de descrever assuntos complexos de uma forma infantil.

Meu filho de 9 anos está descobrindo o mundo da internet. Eu faço restrições ao tempo de uso e aos sites que ele acessa. Em conjunto com a internet vem toda uma tecnologia que dia após dia acaba se tornando obrigatória para quem depende do computador para trabalhar. Então é freqüente que eu discuta com ele assuntos como anti-vírus, roteadores, banda larga, sites de busca e softwares diversos.

Para suprir a curiosidade deles e a necessidade de aprender eu me vejo obrigada a me atualizar, a estudar para conseguir ensinar.

É aí que reside a renovação que os filhos provocam na vida da gente.

O preço que se paga



Fico pensando que não há na vida nada que seja essencialmente bom ou ruim. Em tudo há nuances, aspectos favoráveis ou desfavoráveis.

Quem tem uma mente criativa se beneficia de idéias que impulsionam quase tudo na vida. Trabalho, estudos, criações que dão o colorido diferente, o toque especial. Mas o preço que se paga é que a mente excessivamente criativa pode produzir em certos momentos um mundo paralelo, irreal, quase tão vasto quanto o mundo real. E as coisas às vezes se confundem, perde-se a noção, o limite entre esses dois mundos. Em certos momentos, a fuga momentânea pode até ser reconfortante. Em outros, pode produzir uma tortura desnecessária e massacrante.

Qual a solução? Como manter-se sonhador, criativo e com os pés no chão? Eu não sei a resposta. Sei que é possível transitar quase que permanentemente no mundo real. Mas é inevitável alçar vôos de tempos em tempos, momentos em que a criatura domina o criador.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A ciência e o universo infantil

Menina de 5 anos acerca de seus 2 fios de cabelo branco:

- Mamãe, acho que a melanina ficou com preguicinha e esqueceu de pintar esses 2 fios na minha cabeça.

Aprendizado

Não sei se ironia é a palavra certa mas às vezes me parece irônico que tantas pessoas se dediquem a escrever sobre suas próprias experiências, a compartilhar mensagens interessantes, seja através de auto-ajuda ou religião mas que no fundo a gente precise passar pela experiência ruim para apreender de verdade o que a mensagem queria dizer.

São vários os exemplos. A gente lê sobre o perdão, sobre a oportunidade de recomeçar, de se reerguer, de não perder o foco das coisas. Sobre não julgar e uma série de conceitos que uma vez entendidos, parecem muito lógicos. Só que misture a emoção ou a tendência a seguir um padrão de comportamento e parece tão difícil aplicar tudo isso.

E é aí que a gente percebe a verdade do ditado que diz que a "vida se encarrega de ensinar". Porque na hora do aperto, do sofrimento, é que certas "máximas" vêm à tona e é quando se dá a constatação real. A gente acaba aprendendo de verdade pelo sofrimento. Seria a forma positiva de enxergar a adversidade.

Seria muito bom se a gente conseguisse ler uma mensagem e de imediato aplicar o ensinamento. Na maioria das vezes acaba não sendo. É então que a gente começa a refletir que tudo isso faz parte mesmo do aprendizado. Que a gente tem que passar pela experiência para aprender de verdade.

Libertar-se do problema alheio entendendo que não cabe a nós a solução, que existe o livre arbítrio, este também é um aprendizado. Ajudar, orientar, apoiar sem no entanto sentir-se responsável pela solução quando ela depende do sentimento do outro.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Amor e atitude

Recebi um texto atribuído a Leo Buscaglia onde em linha gerais ele diz que para se desenvolver uma relação é necessário demonstrar através de ações o amor que se sente.


Uma vez, eu pincelei de leve esse assunto num post. Que não basta sentir, tem que externar através de palavras e atitudes. Existem coisas que parecem óbvias quando a gente lê mas que não são tão óbvias no momento de praticar. Resolvi falar sobre isso porque o texto fechou exatamente com um dos curtas de "Paris je t'aime" entitulado "Bastille" que eu vi recentemente.


Fico me segurando para não escrever sobre o filme porque detesto ser daquelas pessoas que contam o final da história. Mas para quem tiver interesse, pode dar uma procurada no Youtube e assistir; descobri que praticamente todos os curtas podem ser encontrados lá.


Nessa estória, o marido que planeja abandonar a mulher desiste da idéia quando recebe a notícia de que ela está em fase terminal de leucemia. Ele decide voltar com ela para casa e cuidar dela até que ela morre em seus braços. E a frase que me marcou no filme: "en force de se comporter comme un homme amoureux il devint de nouveux un homme amoureux" que seria algo como "de tanto se comportar como um homem apaixonado ele se tornou novamente um homem apaixonado".

Não que seja sempre possível resgatar de volta os sentimentos que se sentia antes que a relação se desgastasse. A situação do filme foi muito específica, uma decisão baseada na doença da mulher. Mas me pareceu original essa visão, a de que os atos gentis e carinhosos de uma pessoa apaixonada, em princípio simulados, pudesse por fim resultar na recuperação dos sentimentos que haviam se perdido.

Esclarecimento e dúvida


Mãe e filha de 5 anos colando adesivos no livro sobre cavalos:


- Mamãe, sabia que não existe uma zebra igual à outra? Cada zebra possui o seu próprio padrão de listras... O que é padrão?


terça-feira, 30 de junho de 2009

Paris je t'aime


Estava na minha lista de pendências e consegui assistir ontem. Como toda reunião de curtas, tem sempre as excelentes, as mais ou menos, e as péssimas, dependendo do gosto do freguês.

Cada estorinha é atribuída a um "bairro". Eu particularmente me emocionei muito em "Bastille" (Isabel Coixet), "Faubourg Saint-Denis" (Tom Tykwer), "Place de Victoires" (Nobuhiro Suwa) e "14e arrondissement (Alexander Payne)". Gostei também de "Montmartre" (Bruno Podalydès), "Quais de Seine" (Paul Mayeda Berges and Gurinder Chadha) e "Loin du 16e" (Walter Salles e Daniella Thomas). Odiei outros dois que não valem a pena ser mencionados. E o restante, apenas assisti.

Contar do que se trata cada estória é tirar um pouco da graça porque quase sempre, os diretores trabalham neste tipo de produção com o impacto do desfecho final. Há sempre algo a surpreender ou para se refletir sobre.

O que posso dizer para quem nunca leu sobre Paris, é que conhecer a sua origem, do trabalho que foi feito ainda na época de Napoleão pelo Barão de Haussmann e a sua divisão em unidades administrativas chamadas de "arrondissements", tornam a experiência de conhecer a cidade ainda mais interessante. Outra questão abordada freqüentemente no filme, ainda que de forma sutil, é a tensão racial vivida na capital devido ao convívio de imigrantes com culturas muito diferenciadas umas das outras.

Fica aí a dica: Paris, je t'aime.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

It's Not How Good You Are, It's How Good You Want To Be

Tava fuçando um dia desses um balcão de descontos da FNAC e me deparei com esse livro. Digamos assim que para livros, o marketing funciona comigo. Achei a capa simpática, o título de impacto e resolvi dar uma olhada. Isso tudo, aliado ao fato de que ultimamente não ando com muito estímulo para ler nada denso e o livro parecia ser bem simples de ler, mais o desconto... acabei comprando.

O nome do autor me pareceu familiar (Paul Arden) mas eu não fazia a menor idéia de que o livro tinha um certo direcionamento para profissionais de Marketing.

O fato é que certos conselhos ou divagações a respeito da vida são válidos em qualquer área profissional ou mesmo da vida. Mesmo sendo o livro voltado a uma área diferente da minha, não ficou invalidada a leitura, pois trata-se de um apanhado, em sua grande maioria de dizeres ou até mesmo citações de coisas que parecem óbvias num primeiro momento mas que acabam difíceis de praticar.

Às vezes, a impossibilidade de mudar uma forma de agir ou seguir um caminho mais direto ao sucesso, é conseqüência da falta de visão, da constatação real de como reagimos em determinadas situações. A gente pensa que está agindo de determinada maneira mas falha em perceber que está sendo teimoso demais ou que tem uma visão parcial da situação. E é por isso que muitas vezes recaímos nos mesmos erros ou padrões de comportamento. Acabamos culpando fatores externos por algo que no fim está no nosso controle. A partir do momento que conseguimos enxergar a forma como podemos nos modificar para obter resultados diferentes, quando percebemos o que pode ser ajustado na nossa forma de ser, já que o que é externo a nós não nos cabe modificar, é que entendemos máximas como a que extraí do livro e que transcrevo abaixo:

"Insanity is doing the same thing over and over again and expecting different results".

Imagino que Albert Einstein não estivesse, proferindo esta frase, se referindo somente a experimentos.

Beat it!

Eu tenho das minhas esquisitices. Dentre elas, está a aversão a assuntos repetitivos. Sejam diálogos repetitivos ou mensagens publicadas na mídia, tenho pavor a isso. Então, se a Amy Winehouse quer se matar de drogas e os jornais não param de publicar detalhes a respeito, posso dizer que a partir da terceira notícia, já não leio mais nada.

Morre um ícone e não tem como fugir. A gente já sabe que vamos ser inundados por retrospectivas, elocubrações acerca da morte, detalhes sórdidos ou belos sobre a vida da pessoa. Alguns causam mais interesse na gente, outros menos, o fato é que a gente acaba não escapando de se emocionar, nem que seja pelo menos um pouquinho.

Dos astros ou celebridades que morreram, posso dizer que me emocionei com a partida de Elvis Presley, John Lennon e Lady Di. Tudo tem a ver com o momento da vida ou das lembranças que os astros nos trazem. Elvis Presley me lembrava sessão da tarde, momentos descontraídos ao pé da televisão. "Love me tender" cantado de uma forma intuitiva, não muito fiel ao inglês da letra.

John Lennon tinha toda a ligação com os Beatles, do movimento hippie, do Peace not War, Paz e Amor, sei lá. Ou talvez tenha sido mesmo influência, de ouvir "Imagine" sendo tocado exaustivamente, da imprensa traduzindo a letra e mostrando cenas de John e Yoko na cama fazendo greve de fome.

Lady Di personificou o sonho de menina. A súdita que encontra o príncipe e faz um casamento de conto-de-fadas com um belíssimo vestido branco, adentrando a pomposa St. Paul Cathedral debaixo de todo o rigor e tradição da monarquia britânica. Princesa que então se dedica, a despeito dos caríssimos vestidos, às causas humanitárias, com direito a emoção e lágrimas.

Eu nem queria alimentar muito essa discussão de morte de Michael Jackson. Mas parei para pensar um pouco e não pude deixar de refletir que os grandes ícones acabam marcando época na vida da gente e trazendo um pouco mais de sonho à realidade repetitiva do nosso cotidiano. A gente sonha um pouco quando pára para ouvir determinada música ou ler sobre algo de grandioso que eles construíram. E a gente se sente mais motivado a seguir em frente e a buscar nossos feitos também.

Eu nem li muito sobre a morte dele. Achei imprecisa a causa, vi algo sobre um helicóptero transportando o corpo. Se há algo a ser registrado por mim nesse momento é a lembrança. De uma adolescente que estudava no seu quarto fechado, ouvindo repetidamente de uma fita K-7 gravada da rádio Cidade, do Rio de Janeiro, uma gravação de qualidade muito pobre do hit "Beat it". Da emoção que causava a entrada da guitarra de Van Halen. Da música que acabava, a fita rebobinada, para de novo ouvir toda a canção ou apenas o riff (ops, aprendi essa palavra recentemente e precisava usar).

E assim segue a vida. Um ícone que vai, outro que chega, fases que iniciam ou terminam. Histórias entremeadas pela presença ou ausência de outros, caminhos que se cruzam influenciando ou não o nosso curso.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Fonte de Inspiração



A inspiração pode vir de qualquer lugar. De uma paisagem, de uma música, de sentimentos bons ou ruins, de pessoas que evocam o que há de melhor. Há ocasiões em que pequenos fatos ou detalhes notados derivam em imensas obras ou escritos. E há outras em que a imensurabilidade do que se observa ou se sente provoca simplesmente a falta de palavras, superando a própria criação.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Namoro de metrô

Queria escrever esse post antes do dia dos namorados mas não deu tempo.

Uma coisa que observo toda vez que pego o metrô é como as pessoas são apaixonadas nas estações de metrô. Sim, eu sou uma pessoa romântica. E demonstrações públicas de romance, em plena luz do dia me comovem.

Não é raro entrar numa estação de metrô, seja no início do dia ou no final do dia e ver casais de namorados que se beijam.

Eles se beijam ao chegar na estação, quando o trabalho os separa. Se beijam no final do dia quando cada um segue para a sua estação final. Beijam-se de corpo inteiro, apoiados nas pilastras, nas muretas da estação, atrás dos outdoors. Abraçam-se entregues ao momento, entre cafunés e confidências, olhos nos olhos, mãos que se apóiam de cada lado, sustentando um rosto com delicadeza.

Eu não sei porque é assim, o que inspira esses momentos exatamente no metrô. Só sei que é bonito de se ver.

Feliz dia dos namorados - 3 dias depois.

Sobre a expectativa no relacionamento

simbiose
sim.bi.o.sesf (gr symbíosis) 1 Biol Vida em comum ou reunião de dois ou mais organismos dessemelhantes, como no helotismo, parasitismo, mutualismo e comensalismo. 2 Biol Vida em comum de dois animais ou vegetais de espécies diferentes em qualquer uma de várias relações mutuamente vantajosas ou necessárias; mutualismo. 3 Cooperação mútua entre pessoas ou grupos em uma sociedade. S. industrial, Sociol: agrupamento de fabricantes independentes da mesma região que utilizam produtos, uns dos outros, a fim de baratear o custo de fabricação.

Fico pensando que parece óbvio que a melhor forma de um relacionamento funcionar é assim. Um sonho, uma simbiose. Quando as engrenagens se encaixam de tal forma que o que falta em um é suprido pelo outro. Quando as pessoas se gostam, querem estar juntas e funcionar juntas. Talvez seja a minha forma de enxergar, a minha expectativa. O óbvio nem sempre é óbvio e a minha verdade não é a verdade de todos. Não sei se todo mundo pensa como eu. Só sei que não me parece possível ser feliz quando apenas uma das partes doa, ou quando uma das partes fica apenas aguardando o momento de receber. Quando não existe conversa, diálogo. É necessário troca: dar e receber em mão dupla.

Acho que é possível ser feliz assim.

domingo, 7 de junho de 2009

Now that the love is gone


Mãe e filha de 5 anos ao som (alto) de David Guetta no carro, paradas no "farol" (por sinal, que espetáculo de álbum).

- What are we supposed to do, after all that we've been through when everything that felt so right is wrong, now that the love is gooooooneeee.....

- Mãe, se tudo mundo que passar vê você cantando eu vou ficar com vergonha.


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Que frio é esse?

Hoje cheguei pela manhã no trabalho e o termômetro do carro marcava temperatura externa de 7o C.

São Paulo tem essa relação dúbia com o frio. Durante o verão o calor é insuportável e a pouca oferta de atividades externas atraentes faz com que quase todo mundo queira fugir para a praia ou para o interior. Inconscientemente parece que todo mundo fica meio que torcendo para o frio chegar. E dá a impressão de que a cidade combina mais com o frio mesmo. Só que quando o frio chega, o que começa devagarzinho já no final de março, começam junto as lamentações: "ai que frio, hoje está demais!".

Cheguei no escritório e fiquei sabendo que esta foi a noite mais fria do ano até o momento. Na verdade o inverno ainda não chegou. Mas o termômetro marcou 2o C durante a noite.

Escrever sobre o frio pode parecer pouco inspirador mas o que o frio evoca em mim não é pouca coisa.

Apesar de ser carioca, sempre adorei frio. Passei grande parte da minha adolescência freqüentando Petrópolis nos finais de semana. Há um ar de romantismo no frio. Observar o nevoeiro descendo e entrando pelas janelas da casa, o geladinho que faz com que a gente queira ficar mais enroladinho, colocar roupas mais quentes e mais elegantes. As comidas e as bebidas do frio. Ler romances europeus e se imaginar em países longínquos e com hábitos menos expansivos do que os nossos mas nem por isso menos interessantes.

Roupa de lã, a avó que tricota um suéter, chocolate quente, viagem para NY, neve, cachecóis coloridos, fondue, cobertor quentinho, cheirinho de churrasco de festa junina, tudo isso o frio me lembra de bom. Dormir no frio, andar no frio, sensações simples e boas, desde que se tenha um bom casaco e uma meia quentinha.

Então não se impressione. Da próxima vez em que me ouvir reclamando do frio, não me leve tão a sério. São palavras vazias. É o hábito que a gente acaba cultivando sem querer de reclamar um pouquinho das coisas. Eu amo o frio e celebro com alegria a chegada dele e de dias e noites tão gostosos.

sábado, 30 de maio de 2009

Tribos

Eu voltei a andar de metrô. Minha experiência com o metrô me traz sensações tão diversas que poderia escrever posts e posts sem fim. Metrô e caminhada. Caminhada também me faz pensar. Sempre.

Tenho "freqüentado" a estação Conceição do metrô. Estação antes desconhecida para mim. Chego sempre apressada, sempre atrasada. Ontem, ao contrário do normal, voltei para casa sem hora, sem preocupação. E voltei por uma entrada diferente do metrô. Por um lado bastante movimentado, escadarias e marquises. Neste lado, por onde eu ia, me deparei com uma cena inusitada. Dezenas de grupinhos de adolescentes, tribos particulares, adolescentes vestidos de forma singular, ou nem tanto, singular para eles talvez mas deixando de ser singular a partir do momento em que eles passaram a receber uma classificação.

Emo? Anime? Clubber? Nem sei ao certo classificar aquelas tribos. O que me chamou a atenção não foi a classificação em si, foi o conceito. Me explico:

Olhando aqueles grupinhos de adolescentes, na verdade, foram apenas segundos de observação, eu me dei conta agora de que podia até ter parado, observado com mais atenção, me prolongado mais. O que eu captei naqueles segundos, naquela passagem pela entrada do metrô, foi a necessidade que temos de nos auto-classificar e de sem querer classificar os outros.

Sim, podemos nos considerar descolados. Podemos dizer para nós mesmos: "sou eclético, tenho uma mente aberta e não julgo as pessoas". Mas o fato é que se nos dermos conta, paramos algumas vezes por dia para observar as pessoas e avaliar. Medimos os gostos, as atitudes, analisamos as amostras e emitimos uma conclusão, uma avaliação. O objetivo? Quase sempre coerência. Combinamos variáveis como se houvesse regra pré-estabelecida. Ela gosta de academia + Lê Clarice Lispector = "incoerência", há algo errado.

Sim, alguns, mais do que outros talvez. Cerebrais, melancólicos, intelectuais, instrospectivos. Não sei classificar ao certo. Pessoas que buscam incessantemente uma coerência de gostos e atitudes. Perdem-se no mundo virtual, não no sentido de internet, um mundo virtual existente desde sempre, naquele mundinho próprio que somente eles habitam. Sem querer, por mais descolados, sim somos pessoas singulares, diversas, compreensivas, incompreendidas, buscando ao contrário do que parece, o conceito da normalidade, dentro da anormalidade que é onde nos classificamos.

Olhando aqueles grupinhos de adolescentes, tão distintos e desconhecidos ao meu mundo particular, foi assim que me senti. Cidadã do mundo, experiente nas coisas da vida e da cidade grande, surpreendida por uma cena desconhecida, vestimentas nunca antes vistas, crenças e pensamentos desconhecidos. Eu me senti ignorante por alguns segundos, alienada. Eu me dei conta das fronteiras do meu conhecimento. Eu viajei na imaginação, me entreguei à fascinação do desconhecido e da complexidade da natureza humana.

Confiança e Desconfiança

Recebi um torpedo no outro dia de uma amiga querida, estrangeira. Avisou-me que havia retornado ao Brasil e que gostaria de me ver. Alguns torpedos depois, ficou acertado que eu a buscaria em casa para um chopp. Sim, alguns torpedos depois. É a comunicação moderna.

Olhei o mapa no google maps e muito confiante no meu senso de direção peguei meu carro, alguns nomes de ruas memorizados e segui para o apartamento dela. Troquei o nome de uma rua pelo de outra e estava feito o estrago. Estava perdida.

Segui sem pânico ou preocupação pelo emaranhado de ruinhas escuras e arborizadas sem um ponto de táxi, uma padaria ou um pedestre que pudesse me auxiliar. Fui e voltei, desci e subi, até que numa esquina avistei um senhor de idade que aguardava alguém. Cautelosamente diminuí a velocidade e parei ao lado do senhor, abaixando o vidro do passageiro para solicitar a informação.

Eis que para minha surpresa, o senhor de idade começou a se movimentar devagar mas incomodamente para longe do carro, como quem procurava um táxi. Ele sequer me olhou, ignorou meu pedido de ajuda.

Foi então que eu me dei conta que o que aquele senhor sentia, era medo. Na minha visão uma mulher de boa aparência, bem vestida, num carro mediano, não servia de forma alguma de ameaça. De início me espantei com a atitude dele, achei até um pouco insana. Pensando depois sobre o ocorrido foi que pude entender a inquietação dele. Ele estava sozinho, a pé, no meio da noite. Provavelmente aflito porque nenhum táxi chegava. Ou a pessoa que ele esperava havia se atrasado. Fatos da cidade violenta que habitamos fazem com que esperemos sempre o pior, que haja algo de ruim por trás do que parece bom, esperamos sempre um golpe, uma armação. Uma mulher aparentemente inocente no fundo pode ser uma isca para um seqüestro ou assalto.

Transportei o sentimento desse senhor para o nosso dia a dia, para nossas relações próximas. Percebo que esse temor nos tomou de tal forma que sem querer, estamos sempre armados, sempre desconfiados, esperando que um gesto ou uma atitude esteja acobertando um sentimento ruim, uma intenção de prejudicar. Tentamos nos proteger de ações que não são sequer tangíveis. Ficamos nos protegendo de conceitos e situações imaginárias. Desconfiamos e desconfiamos, revisitamos conversas e atitudes na busca de uma falha, buscando algo que ateste uma mentira.

Fico me perguntando qual a solução disso. Como desconfiar apenas do que nos traz uma ameaça real, um risco de vida ou de assalto. Como confiar, libertando-nos das preocupações cansativas e desnecessárias. Como eu já disse anteriormente, qual a forma de aceitar o nível de comunicação direto, sem elaborar estórias paralelas.

Creio que o natural seriam os sentimentos positivos. Acreditar, ser feliz. Mas inexplicavelmente percebo que lutamos diariamente contra a negatividade. Lutamos para confiar, para não nos sentirmos desanimados ou melancólicos. Ao que parece o natural não é ser feliz. Ser feliz é uma uma opção, uma conquista, quando conseguimos nos libertar dos sentimentos que nos afligem.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A defesa do cara difícil

Como honestidade é difícil e houve muita sinceridade num leitor que se considerou difícil, eu resolvi aceitar o desafio e elaborar uma defesa ao cara difícil, do post da Martha Medeiros.

Veja bem, caro leitor (agora roubando a frase dela), que a crônica da Martha não foi um apelo contra os caras difíceis. Ela foi um alerta. Tanto foi que o conselho final foi que a suposta vítima procure um analista para agüentar a montanha-russa emocional que tal relação irá impor.

No outro dia estava comentando com uma amiga aspectos sobre a genialidade. Já reparou como raramente a pessoa considerada gênio tem uma personalidade estável? Van Gogh? Billie Holiday? Beethoven e tantos outros? Sabe porque isso acontece? No meu ponto de vista são dois fatores: insegurança e inconformidade.

O cara difícil é um cara inseguro. Em geral ele consegue atingir picos de genialidade. Ele consegue resultados acima da média em determinados campos. Nesses momentos ele fica bem e beneficia todos que estão a sua volta com a felicidade que os resultados alcançados lhe proporcionaram. O cara difícil é sonhador, apaixonado e exigente. Quem convive com o cara difícil nestes momentos, pode experimentar sensações jamais vivenciadas porque sonho e felicidade geram experiências inéditas mesmo.

Só que felicidade não dura para sempre. O cara difícil, por ser inseguro, às vezes não consegue acreditar no seu valor. Qualquer comentário pode ser interpretado como crítica. Ele necessita de reafirmação das suas qualidades. Além disso, por ser exigente e inconformado, ao atingir um determinado patamar ele passa a olhar para a frente, a programar o que vem em seguida. O mesmo cara que foi capaz de atingir o céu se força ao inferno, ao isolamento, porque duvida de sua capacidade ou porque esquece das vitórias no momento em que fixa o seu novo objetivo.

O cara difícil usa a comparação com os outros como medidor. Só que nem sempre ele usa as referências corretas ou avalia corretamente os resultados. Com isso, ele pode se magoar, deixar se levar pela irracionalidade, nivelar-se temporariamente por baixo. Ele pode cometer violências consigo próprio que acabam magoando os que estão a sua volta.

Você me pediu, leitor, para exaltar as qualidades, as paixões. É verdade. Não foi à toa que a Martha se deu ao trabalho de escrever sobre o cara difícil. Estar ao lado de um cara difícil e quase sempre uma dádiva. Porque ele sempre contribui com coisas novas e interessantes. O complicado é depender emocionalmente do cara difícil porque tamanha é a oscilação, que a tendência é que quem depende emocionalmente acabe oscilando junto. Nem todo mundo está preparado ou precisa, dependendo das conquistas emocionais que tenha atingido, se submeter a essa inconstância.

Sabe o que eu desconfio, leitor? Eu desconfio que quando a Martha escreveu essa crônica, ela estivesse sentindo muita pena. Não dela e nem do cara difícil. Pena de ter terminado. Acho que ela deve ter conhecido um cara difícil com quem ela tenha vivido momentos inesquecíveis. Que ela em determinadas horas tenha se deixado levar pela ilusão de que realmente ela fosse a escolhida. Que ela tenha enxergado no cara difícil tudo isso que eu descrevi: que ele é um ser que sofre, que não age com o intuito de fazer os outros sofrerem, que ele gostaria de ser mais mediano mas que é uma pessoa que espera sempre mais da vida. Acho que ela deve ter se magoado com acusações injustas, que tenha sofrido por não conseguir fazê-lo enxergar que ela também partilhava de muitos valores e idéias. Que ela era uma pessoa confiável. Talvez ela tenha percebido que ela mesma tenha sido algum dia difícil e que tenha se encontrado, talvez ela tenha lamentado a incapacidade, naquele momento, do cara difícil se encontrar. Talvez ela tenha escrito tudo aquilo, com um desejo secreto de que o cara difícil pudesse ler, enxergar a sua tortura auto-imposta e desnecessária. E que se vendo de fora, pudesse crescer.

Eu como incurável romântica, gostei dessa minha interpretação. E vou ficar aqui torcendo para que a Martha reencontre o seu cara difícil no momento do florescimento. Ou que se não for possível encontrar o mesmo cara difícil, puxa que pena! Que seja então um diferente, mas que valha a pena.

O fim do relacionamento

Eu fiz alguns posts anteontem que revolucionaram o blog. No fundo todo mundo gosta de discutir relações e sentimentos. Eu não sei, posso ter passado a impressão de estar sentindo raiva ou algo do tipo. Não sei definir o que era. Mas não era raiva.

Fiquei pensando sobre todos os relacionamentos que eu tive e que acabaram. Óbvio que tem os mais significativos. O que posso dizer é que mesmo que num momento ínfimo a raiva tenha existido, porque sempre há um momento em que nos sentimos traídos ou rejeitados, nunca o sentimento que perdurou foi a raiva. Sempre foi algo mais ligado ao vazio, à derrota.

Existe todo tipo de relacionamento. Existem os que a gente entra acreditando que vão dar certo e no fim não dão. Os que a gente resolve viver para ver onde vão dar. Os que a gente já sabe de cara que têm tudo para dar errado mas enfia a cara assim mesmo. Acho que no fim aprendi algumas coisas com isso. Pode ser que as minhas conclusões sejam relativas. Eu me considero uma pessoa sonhadora mas com os pés no chão. Seria possível isso? Em geral eu consigo notar o jeito do outro e entender onde as coisas podem me levar. Deve ser por isso que no fim não me sinto tão traída e nem sinto tanta raiva. Talvez nem todo mundo tenha essa clareza de pensamentos, algumas pessoas podem ser realmente fantasiosas demais.

Creio que o conceito de dar certo ou não também é relativo. Ele só existe se tivermos o anseio de que a relação dure para sempre. A partir do momento em que nos livramos desse conceito, passamos a enxergar o tal do "que seja eterno enquanto dure". Eu particularmente penso que raramente relacionamentos irão durar uma vida inteira com sucesso. Penso que eles deixam de dar certo em algum ponto porque as pessoas mudam seus objetivos, um lado amadurece, outro não, as vontades deixam de coincidir. Se é que algum dia coincidiram. Há relacionamentos que começam sem nada em comum.

Todo relacionamento, seja qual for das classificações que eu dei acima, precisa valer a pena. Existem os prós e os contras. Eu ia compará-los a uma balança (mas a balança não tem o lado bom e o ruim) e acabei pensando num eixo, do zero ao cem. O resultado precisa estar próximo ao meio do eixo, mesmo que essa posição não seja estática, que ela oscile de tempos em tempos. Se durante muito tempo ela pende para o lado do zero ou se a oscilação fica do extremo do ruim para o extremo do bom em curtos períodos de tempo, então creio que é interessante fazer uma avaliação e pensar se está valendo a pena ou não.

Seria amadurecimento ou estou ficando boba?

Como já confessei em alguns posts passados, com o passar do tempo o sentimento que está cada vez mais se apagando em mim é a raiva. Eu me explico.

Como boa leonina, eu já fui muito raivosa. Todo leonino é extremado, sente as coisas sempre no limite. Tudo ou nada. Entretanto, horóscopos a parte, creio que a raiva é um sentimento muito comum na juventude.

Quando somos jovens, temos muito pouca visão do que vai em volta da gente. Já comentei isso antes também: alguém não deu bom dia para a gente? Pronto, aquela pessoa (que pode não ter dormido, estar com dor de barriga, pode ter sofrido uma perda recente, que pode ser depressiva crônica) não merece mais receber bom dia da gente. O(s) dias(s) vão passando e a gente vai encontrando em cada pequena atitude dessas, até em relação a desconhecidos, justificativas para se magoar e sentir raiva, como se o mundo girasse em torno de nós.

À medida em que o tempo foi passando e eu fui vivenciando as mais variadas experiências, passei a compreender melhor as pessoas, a enxergar além, a perceber que na maior parte das vezes as pessoas têm atitudes não muito simpáticas ou até ruins, não pelo simples prazer de serem ruins, mas porque se sentiram mal de alguma forma. Mesmo que o ato tenha sido direto, de vingança, por exemplo, existe uma justificativa.

Isso não quer dizer que eu seja um ser superior e que nunca sinta raiva ou que jamais cometa pequenas vinganças. Eu sou humana! Mas posso afirmar com 100% de segurança que conforme os dias passam, cada vez me deixo levar menos por esse sentimento. E quando sou acometida pela raiva, na maior parte das vezes, se ela levou a um ato irracional, eu acabo me arrependendo.

Sonho - Desastre aéreo

Eu estava no trabalho tentando contar para vários colegas o que tinha me acontecido, uma história inacreditável mas ninguém me deixava contar. Eu começava a falar, alguém me interrompia, mudava o assunto.

Eu ficava aflita porque a história era muito interessante, eu me sentia viva, renovada. Mas não conseguia. Eu estava no escritório mas de alguma forma sabia o que havia se passado, apesar de não saber o motivo e nem de lembrar de todos os fatos. Só de uma parte do acontecimento.

Aparentemente eu havia entrado num vôo para Porto Alegre. Não me recordava do pânico e nem de estar sentada dentro do avião. O fato é que após a decolagem, o avião começou a cair mas o piloto, embora não conseguisse mantê-lo na altitude adeqüada, conseguia fazer com que o mesmo se mantivesse numa altitude média, e foi levando assim até que ele chegou nuns campos muito verdes onde conseguiu fazer um pouso forçado.

Eu já não estava mais no local do acidente. De uma forma que eu não conseguia lembrar e nem entender, eu havia sido resgatada. E eu via, não sei como, se na minha imaginação ou numa tela de televisão o avião branco, provavelmente daqueles boeings gigantescos, com alguns detalhes em vermelho próximos às janelas, pousado no meio da relva verde e intacto, apesar do pouso forçado. A "câmera" ia girando e dando vários ângulos do avião mas a visão predominante era a vista de cima, de forma que se enxergava o avião inteiro e pequeno devido à distância. Mais para baixo um rio. E adiante do rio, o que parecia ser um enorme caminhão betoneira, quase do tamanho do avião e muito branco, sem nenhuma sujeira. De alguma forma pensei que o caminhão fosse um trator e que o resgate havia sido feito por ele.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Martha Medeiros - Um cara difícil

Se eu fosse comentar tudo o que a Martha Medeiros escreve, destacar cada frase de impacto, cada idéia com a qual sinto empatia, dava um livro maior do que o próprio livro dela. A questão é, ela não é apenas uma cronista. É uma filósofa do cotidiano, mulher como a gente que sonha, tenta dar conta de tudo, sofre mas não perde a esperança. É como ela mesma diz: "doida". A parte revolucionária do título do livro ("Doidas e Santas").

Li uma crônica que me impressionou muito porque a descrição se encaixou perfeitamente em alguns tipos que já me descreveram. Quando digo perfeitamente, digo no detalhe mesmo, nas atitudes. Fiquei pensando se com toda a nossa diversidade, se todos nós mesmo assim não nos encaixamos perfeitamente em estereótipos. Procurei na web e alguém já havia transcrito e estou copiando abaixo:

Prezada leitora, se um dia você sair com um cara pela primeira vez, motivada a iniciar um relacionamento amoroso, e ele adverti-la dizendo "sou um cara difícil", acione a luz amarela. Ok pode ser que seja apenas charminho dele, uma maneira de se valorizar aos seus olhos - usou o adjetivo "difícil" como oposto de "tedioso". Sim, talvez ele só queira deixá-la ainda mais a fim, dizendo uma frase desafiadora que pode ser traduzida como : será que você consegue dar conta do meu temperamento explosivo, terá atributos suficientes para me amansar e me fazer virar um cordeiro na sua mão? Mulheres adoram esse joguinho perigoso.

Só que pode não ser jogo algum, e ele estar sendo absolutamente modesto na sua própria descrição. Talvez ele não seja difícil e, sim, impossível .

Nenhum de nós é muito fácil, nem homens, nem mulheres. Só o fato de termos sido criados em cativeiro numa família com suas próprias regras, valores e manias já faz de cada um de nós uma aposta arriscada na hora de ter que negociar com uma espécie nascida em um cativeiro diferente. Mas, como relações entre irmãos são veementemente desaconselhadas, o jeito é procurar uma alma gêmea na praia, no bar, na rave, e torcer para que ele não dê o fatídico aviso "sou um cara difícil", porque se ele for mais difícil do que todos naturalmente são, aí danou-se.

O cara difícil vai estar superentusiasmado quando falar com você ao telefone pela manhã, e à tardinha ligará de novo para desmarcar o cinema porque precisa ficar sozinho. E o mais grave: ele vai mesmo ficar sozinho, com a luz apagada, em embate silencioso com seus demônios internos.

Quando vocês estiverem na platéia de um show com três mil pessoas, ele vai encasquetar que um homem de camiseta verde está olhando com insistência para você, e vai ter certeza de que você está retribuindo o olhar, e você vai perder a voz tentando explicar, no meio daquela barulheira, que tem pelo menos 800 marmanjos de camiseta verde em volta, todos olhando pro palco.

Aliás, se estivessem olhando para você, qual o problema, ele não se garante?

Que audácia, você peitou o cara difícil. Ele vai deixá-la sozinha no show e desligará o celular por três dias. Se você não amá-lo, o prejuízo será apenas a bandeirada do táxi que você terá que pegar para voltar para casa, mas se você o ama, prepare-se para esvair-se em explicações e declarações, a fim de trazê-lo de volta à realidade. Um cara difícil exige uma paciência oceânica.

Ele vai ser romântico e muito bruto. Ele vai ser generoso e muito casca-grossa. Ele vai dizer a verdade e vai mentir às vezes. Ele vai fazê-la se sentir uma eleita entre todas e depois vai dar mole para muitas. Ele vai implicar com as mínimas coisas, e com as grandes também. . Ele vai exibir qualidades que você nem sabia que um homem poderia ter, e em troca vai abusar de todos os defeitos que você sabia que todo homem tinha. Ele vai ser ótimo na cama. Vai ser um perigo dirigindo um carro. Vai ser gentil com sua mãe. Vai ser um brucutu com a mãe dele. Ele mudará de humor a cada 20 minutos, ele vai brigar por nada, vai beijá-la demoradamente por horas e, com essa bipolaridade bem ou mal disfarçada, ele a deixará tão tonta e exausta que você pensará que foi atropelada por um trem descarrilhado.

- Quem sou eu? - será sua primeira pergunta ao acordar sobre os trilhos.

No primeiro encontro, pergunte:

- Você é um homem difícil?

Se ele responder que é, procure imediatamente um psicanalista. Para você, santa.

Alimentando o ego

Alguém aí viu "He's just not that into you"?

Scarlett Johansson interpreta uma professora de yoga que tem um amigo que é perdidamente apaixonado por ela. Ela não só não deixa claro para ele que não está apaixonada, como ainda se aproveita da situação. O amigo se torna o porto seguro, aquele que está sempre disponível quando ela sofre uma desilusão amorosa.

Eu tava lendo no outro dia um post no "Elas e Ele", ou seria no "Presente a limpo" . E lá comenta-se que as pessoas não devem se iludir. Que existem ritmos diferentes (nisso eu concordo). Existem pessoas que procuram relacionamentos mais sérios e pessoas que buscam múltiplos parceiros e aventuras. E em seguida, comenta-se que não adianta pessoas do primeiro grupo acharem que podem ser felizes com pessoas do segundo grupo. Também concordo com essa afirmativa.

Além disso, foi falado no post que se o objetivo é estabelecido de início, que não vai haver envolvimento, então que não tem problema. Eu concordo até um ponto porque o fato é que sempre existe o fator imprevisto. O sentimento que não pode ser controlado. Há sempre alguém também que contraria o combinado, secretamente criando expectativas. Por último, diria que existem pessoas como a personagem da Scarlett Johansson que no fundo sabem que é só sexo mas que precisam se sentir amadas e especiais e que por isso criam uma falsa imagem de romantismo fazendo com que o outro se apaixone mesmo que eles mesmos não estejam apaixonados. E se em algum momento forem acusados de simularem a paixão, muito simples: "eu não, você entendeu errado, desde o princípio avisei que não havia compromisso".

Eu concordo com os amigos blogueiros que tudo seria mais simples se as pessoas fossem honestas. Acontece que na prática não funciona assim. As pessoas têm sentimentos confusos, traumas particulares, negam vontades e expectativas. E no fim, o ideal que seria honestidade, acaba sendo o mais raro de acontecer.

Desconstruindo a relação moderna

Eu fiquei pensando numa coisa muito controversa hoje se pensarmos em termos de auto-ajuda e de feminismo. Todo animal possui um instinto de procurar o seu oposto: macho ou fêmea.

Fiquei também pensando no amor de mãe e filho. Do amor incondicional. Pode ser que nem sempre a mãe consiga suprir o amor do filho. Mas é verdade que todo filho busca o amor da mãe. Isso é instinto.

Pessoas sofrem a vida inteira porque não conseguem encontrar um amor verdadeiro. Que não seja para sempre, mas que seja significativo ao menos uma vez.

Aí é que entram as fórmulas baratas de felicidade: você não precisa de um parceiro romântico, existem outras coisas boas na vida. Dedique-se ao esporte, a fazer bem aos outros, você pode fazer sexo sem amor.

Vai tomar no cúúúúúúúú (estou exorcizando, meninas do Inferno Astral). Não seria meio que instintivo as pessoas procurarem o sexo oposto? Não seria o instinto, que também faz parte de nós, interferindo no racional? Tudo bem, a gente pode até compensar de alguma forma. Mas essas outras coisas não substituem totalmente.

E de novo, como no post passado. Quem deseja se apaixonar, quem sonha com o amor, de repente virou fraco. Existem tantas coisas boas na vida, porque você só pensa em se apaixonar? Você nunca estará sozinha, tem filhos e amigos e isso é suficiente.

Se fosse suficiente, as comédias românticas não seriam sucesso de bilheteria e não teria tanto músico escrevendo letra de amor por aí.

E tenho dito.


Pelo direito de ser romântico

Ah, o amor de adolescência. Seja moça ou rapaz, aquele amor platônico. Basta ver o ser amado para perdermos o jeito, coração acelerado. Uma rejeição e a vida perde o sentido. Jamais voltaremos a nos apaixonar.

Vida adulta, tempos modernos. De repente, apaixonar-se tornou-se proibido. Os homens contabilizam as conquistas. Quanto mais mulheres comerem melhor (gente, me desculpem mas hoje vou abandonar o tom educado. Estou ao estilo o mais "Inferno Astral" possível). As mulheres não podem mais se apaixonar. São fracas. A mulher sempre se apaixona e isso é ruim.

Nos tornamos todos "sex-machines". Se não tivermos muitos parceiros, se o sexo não for sempre perfeito e em grande quantidade, se não soubermos separar sentimento de sexo, somos bobos e piores do que os outros.

Às mulheres cabe uma tarefa muito árdua. Quase impossível. Identificar quando o homem é machista e deseja uma mulher intocada, que não tenha desejo próprios e quando está lidando com um canalha, que espera só sexo, diante de quem não se diminua se acontecer de se envolver.

Sexo moderno: fico lendo os blogs por aí. É tudo muito simples, está no contrato inicial: "olha, é difícil eu me apaixonar, não espere muito". Então fica pré-estabelecido que o sentimento nunca pode existir. Não pode haver um encantamento seja pela conversa que rola antes, durante ou depois do sexo. Ficou tudo muito claro: "é só sexo". E quem se deixou levar, quem se apaixonou, tornou-se um fraco, não soube respeitar as leis modernas.

É tudo tão simples. Basta casar melancia com melancia e mamão com mamão. Frutas ou animais a parte, é simples como o canário que olha o canário e facilmente identifica o seu parceiro. Não há papagaios se fazendo de canários. O canto é sempre bonito, nunca é um grasnar se fingindo de canto. Sim, o ser humano, racional, consegue controlar seus sentimentos 100% do tempo.

Se até animais morrem de tristeza quando perdem seus donos. Porque não haveríamos nós de nos permitir sofrer por amor? Eu me lembro no passado, na juventude, de ter sofrido meses por um amor perdido. De repente isso não é mais permitido. O homem que sofre é menos macho e a mulher que sofre é submissa.

O preço que pagamos por essas crenças modernas? A perda da inocência, a perda do valor do simples, da riqueza de um olhar, de um toque involuntário e inesperado. O que ganhamos: a desconfiança. Não acreditamos mais na palavra, sofremos ciúmes doentios. Temos tanto medo de sermos traídos, porque a traição segundo a crença moderna é tão fácil, que traímos pelo simples medo de perder, pela competição ("já que vou levar um chifre então faço eu primeiro"). Homens e mulheres, perdidos na descrença, na incapacidade de amar verdadeiramente. Deixamos de viver momentos belos. Propagamos o trauma e os sentimentos ruins. Que seja só sexo!

Pelo direito de ser infeliz

Hoje eu acordei com o espírito do contra. Sim, fiquei com vontade de escrever tudo ao contrário. Eu me dei conta de que há algo cruel na teoria do "Carpe diem", de buscar a felicidade, da auto-ajuda.

Descobri que é proibido ser infeliz. Sim, tudo o que se prega hoje em dia é que sejamos felizes. É necessário ser sempre eficiente e feliz.

Fiquei pensando no seguinte: ficar infeliz muitas vezes é necessário. Não estou defendendo a depressão. Que fiquemos anos a fio afastados do mundo sofrendo. É bem verdade que eu já vi gente que deixou de viver achando normal e concordo que não é bom.

Depressão é muito diferente de ficar triste, de ficar infeliz, mesmo que a infelicidade dure alguns meses ou alguns anos.

A gente passa por provações na vida: desilusões, perda de entes queridos, fatalidades que nos tiram alguma capacidade, doenças. Tudo o que se ouve hoje em dia é que não podemos nos
deixar abater.

Concordo que não se pode deixar abater para sempre. Entretanto, estamos esquecendo de que
em determinadas situações, é permitido sofrer. E nem sempre por um período curto de tempo.
Pode ser que necessitemos de um tempo maior para nos recuperar.

Vou abrir demais o meu coração agora. Ano passado eu enfrentei duas "paradas" muito duras: descobri que meu pai tinha uma doença terminal (e ele acabou falecendo no início do ano)
e terminei o meu casamento.

Eu não deixei de trabalhar, não deixei de cuidar dos meus filhos, não deixei de pagar minhas
contas, não deixei de sonhar. O tempo todo, em meio ao sofrimento, eu procurei manter pensamento positivo e fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para ficar bem.

Descobri entretanto que não importa o que se faça, principalmente quando somos eficientes demais, que seja suficiente. As pessoas sempre esperam mais. Você não pode deixar de nutrir os sentimentos dos seus filhos, mesmo que esteja com o coração esfacelado. Você não pode render menos no trabalho, não é permitido errar, mesmo que as pessoas te conheçam há anos e já tenham presenciado mostras das sua competência. Você não pode beber um pouco demais, você não pode perder os objetivos, mesmo que os tenha tido por uma vida inteira e nunca tenha perdido o foco neles, você não pode se sentir perdido.Você não pode tirar um day-off; qualquer uma dessas ações, mesmo que você tenha sido aluno exemplar, tenha passado no vestibular para faculdade de "ponta", fale 3 línguas, seja bom profissional, uma pessoa honesta, tenha conquistado crescimento pessoal e material: no momento em que você se entregue a qualquer uma dessas atitudes, passa a ser fraco, um perdedor, como os americanos gostam de dizer. O mundo está pronto a olhar, julgar e condenar. Nós mesmos estamos prontos a ditar a
nossa própria sentença.

Pretendo desconstruir uma série de mensagens, uma série de conceitos. Sim, porque estou muito subversiva hoje. Estou contrariando até a modernidade.

Sonho - Reforma não autorizada

Eu acordo de manhã e entro na lavanderia (área de serviço). As paredes que eram brancas estão pintadas da metade para cima de preto. O teto também está todo preto.

Eu fico tentando entender o que pode ter acontecido. É então que aparece uma empregada nova. Eu me lembro que contratei uma nova. Ela me diz que o interfone tocou, avisaram que o pintor estava subindo para fazer o serviço e ela autorizou a entrada. Eu digo para ela bastante irritada:

- Tinha que me perguntar antes! Eu não estava esperando nenhum pintor! Nunca autorize a entrada de estranhos sem antes confirmar comigo.

Ando pelo apartamento e encontro outros dois cômodos alterados. Os forros de gesso foram retirados e avista-se canos e um teto chapiscado. Eu me desespero. Eu penso: "faltava tão pouco para terminar a obra e agora terei que refazer um monte de coisas que já estavam prontas".

Tento reclamar com o porteiro. Ele alega que deixou o pintor entrar porque ele mencionou o nome de uma pessoa conhecida. E eu lhe respondo que foi um engano porque não há ninguém com aquele nome morando lá e nunca houve.

Penso numa forma de reclamar com o síndico e de fazer os cômodos voltarem ao que eram. Sinto um enorme cansaço.

domingo, 17 de maio de 2009

Finalmente eu fui




O som é excelente. Dá para dançar numa boa, sem muvuca e sem ficar com zumbido no ouvido depois.


Ameeeei!

sábado, 16 de maio de 2009

Pequena vingança

Eu fico lendo as histórias do Felipe e morrendo de rir. Fiquei pensando sobre as piadas e as brincadeiras que eu sempre fiz e diria que o meu estilo é totalmente diferente, é um estilo muitíssimo mais sutil. É a tal coisa, questão de estilo. O que não quer dizer que eu não ache outros estilos engraçados também.

Fiquei tentando lembrar de alguma brincadeira mais radical que eu tenha feito no passado. Aí lembrei de uma historinha que não vai fazer nem cócegas perto das do Felipe, é até bonitinha.

Tinha um cara que estudava comigo no 1o. ano do segundo grau, o J. Ele era estrangeiro, acho que morava no Brasil havia alguns anos. Pat Ferret não tem a melhor das memórias mas vai lembrar dele, eu acho.

J. era um cara que sentava na primeira carteira do meio da sala e prestava atenção em tudo o que o professor dizia na aula. Fazia perguntas durante a aula e depois da aula ficava batendo papo com os professores. J. era CDF e um pouco mala.

Eu me sentava no meio de uma fileira do canto, me sentia meio excluída porque era nova no colégio, achava tudo muito chato, tinha amigos "vadios" e passava muitas aulas jogando batalha naval com a menina que sentava atrás de mim. Eu também era CDF mas era um tipo mais largado de CDF.

Um belo dia, J. deu para se aproximar de mim. Até que ele tinha bom papo. Contava umas coisas da terra dele e me dizia que gostava de escrever poesia. Ele me mostrava umas poesias dele e eu (apesar de nunca ter gostado de ler poesia), achava que algumas era realmente muito boas.

Eu não lembro exatamente como começou a história. Acho que foi porque ele transcreveu uma poesia numa folha de caderno e me deu. Eu fiquei bastante constrangida mas aceitei a poesia e guardei.

Eu tinha uma grande amiga que era exímia escritora. Ela lia muito, desenhava e gostava de mais estilos literários do que eu. Eu a conhecia do curso de inglês e ela morava a uma quadra de casa. Muitas vezes eu chegava em casa, tomava banho, almoçava e me debandava para a casa dela.

Naquele dia, obviamente, levei a poesia. Minha amiga nem bem começou a ler e disse:
- Mas isso aqui é de Fernando Pessoa, porra!

Caímos numa gargalhada sem fim. Naquela época, qualquer coisinha era motivo para a gente ter ataques de riso.

A minha amiga era bem mais maldosa do que eu. Dar de presente uma poesia de Fernando Pessoa manuscrita como se fosse de autoria própria nos pareceu algo digno de vingança, de receber uma lição.

Foi então que começamos uma troca de cartas com J. Escrevemos uma carta apaixonada para ele (essa sim, de autoria própria, com direito a versinho e tudo). Eu cheguei no dia seguinte no colégio e contei para o J. que uma amiga tinha gostado do poema dele e que como ela também gostava de escrever, quis se corresponder com ele.

As cartas continuaram. E quanto mais J. se empolgava, mais apaixonadas eram as respostas. Até que pensamos no golpe final: marcar um encontro. Minha amiga tinha um desafeto. Uma amiga que havia lhe roubado o namorado. A ladra de namorados era bastante bonita. Adicionamos a foto da menina na carta seguinte e estava pronta a isca.

J. ficou louco. Queria marcar o encontro. Pensamos no lugar, no horário, em tudo. Eu não podia ir espiar, muito arriscado. Naquela época a cidade era mais vazia, ele poderia me ver. Minha amiga com outra foram lá olhar.

Mas J. não apareceu. J. amarelou.

No dia seguinte, no colégio, perguntei a J. o que tinha acontecido. E ele cabisbaixo me respondeu: - Não sei, não tive coragem.

E foi assim que terminou a história de J. História de mentira, vivida em carta e sem final feliz. Como muitas histórias por aí. A vingança ganhou um ar de melancolia.

As cartas foram guardadas. Minha amiga ficou com elas. J. continuou meu "amigo" mas nunca mais falou no assunto. E no final do ano, J. voltou com os pais para o país de origem. As amigas da Pat, que eram amigas mais verdadeiras do que eu, ainda falaram com ele por carta (naquela época não havia e-mail) mas eu nunca mais soube de J.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Parece até presente

Palavrinhas de confirmação curiosas sempre aparecem para mim no blog da Pat. Ela ainda não me esclareceu a mágica disso. Essa semana andei me sentindo como se precisasse de um abraço, de que alguém dissesse para mim: "gosto de você de verdade". Vou tomar essa palavra como um carinho inesperado, por mais aleatório que seja o fato.



quinta-feira, 14 de maio de 2009

Dessas coisas paradoxais

Algumas pessoas vivem exigindo ou esperando dos outros que sejam da maneira como elas os idealizam. E quando percebem que a mudança não é possível ou não é imediata, se magoam, se revoltam.

Entretanto quando os outros lhe dizem em troca o que esperavam delas, o que pedem é que sejam compreendidas. Clamam para que aceitem o seu jeito como se nascêssemos todos estáticos, imutáveis.

Além de paradoxal, eu me pergunto: seria egoísmo, conformismo ou o quê? Não fica parecendo que o mundo, este particular, gira em torno delas?

E aprendeu a se calar

Lamentavelmente desde muito cedo, cedo demais, foi obrigada a conviver com a agressão do silêncio. Silêncio incômodo, rígido, raivoso.

No início não conseguia compreender o que podia justificar a agressão. Corroía-se de culpa sem saber o motivo. Era obrigada a rever atos que não compreendia.

Mais tarde, por ironia do destino, tornara-se por demais eloqüente e tratava de explicar. Discussões sem fim, sem ganhador, só perdedores. E de novo era agredida com o silêncio. A culpa ainda lhe acometia. O silêncio vencia.

Com o tempo deu-se conta de que quem se fecha com o silêncio magoado, raivoso, na verdade se fecha para o mundo. Não consegue aceitar que existam no mundo pessoas diferentes, com diferentes opiniões e vontades. Que nem sempre se tem razão. Ou que nem sempre vale a pena ter razão. E que na incapacidade de reconhecer e lidar com esse fato, agride as pessoas com o silêncio. Agressão covarde contra a qual não existe defesa.

Foi então que aprendeu a se afastar e a se calar. De nada adianta tentar explicar fatos a quem não quer ouvir e nem refletir. Perde quem se fecha à oportunidade de superar as crises. E por incrível que pareça, muitas pessoas escolhem esse caminho. O mais difícil e solitário.

Muitas vezes teve vontade de dizer:

"Olha, preciso sair com meus amigos. Eles são imperfeitos como eu mas são bons e estão aprendendo." Mas se calou.

"Amiga desculpe. Eu cometi um erro e não posso voltar atrás. Entretanto é um fato pequeno diante da nossa amizade e vale a pena perdoar". Mas se calou.

"Você é especial para mim mas eu não sou para você. Você brinca com os sentimentos das pessoas e isso eu não posso aceitar". Mas se calou.

"Eu aprendi a enxergar meus exageros e amadureci. Mas você não conseguiu rever os seus e se tornou mais egoísta". Mas se calou.

"Você foi importante na minha vida e isso jamais será esquecido mas você sempre prioriza os seus objetivos e eu gostaria de companheirismo, respeito, confiança e serenidade". Mas se calou.

"Tudo parece melhor com você mas eu não posso aceitar só o que você quer me oferecer". Mas se calou.

"A qualidade que torna a jóia preciosa é a sua raridade. Não se deve pagar pelo plástico e pelo diamante o mesmo preço". Mas se calou.

"Você não me conhece e não deveria me julgar pelas escolhas que fiz e que nem sequer te afetam". Mas se calou.

"De uma forma estranha eu compreendo que nem tudo o que se faz com efeito negativo é com o intuito direto de prejudicar. É o que se é diante de todos, é indiscriminado". Mas se calou.

"Não se deve tomar como pessoal algo que não é pessoal". Mas se calou.

Foi um silêncio amadurecido e escolhido e por isso menos dolorido. Não com sentimento de derrota ou de vingança. Foi um silêncio conciliador pois de nada adiantaria argumentar.

Quem se calou primeiro escolheu a própria verdade, ficou com o sentimento amargo. Escolheu a rejeição. Escolheu se sentir menor do que realmente é.

Calou-se então, não com a conformidade total. O desconforto não se anulou por completo. Mas a culpa deu lugar ao lamento. Pelo desperdício. Por observar que poderia ser melhor se a outra parte pudesse enxergar. Se não fosse cultivada a mágoa. Se não fossem elaboradas interpretações erradas. Se fosse possível compreender que nem sempre é suficiente apenas "ser". De tempos em tempos é necessário revisar o que se é para se tornar melhor e mais feliz. É um clichê mas é verdadeiro: nascemos aprendendo e continuamos aprendendo até o último segundo que antecede a morte.

Não gostaria de terminar com um clichê. Mas a vida muitas vezes é assim. Feita de clichês.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Insegurança

Certa vez eu tive um amigo muito especial. Tínhamos em comum o bom-humor e a música. Após horas e horas de conversa, uma coisa levou a outra, um convite para um sábado à noite e começamos a namorar.

Em pouquíssimo tempo de namoro, um desentendimento. Um final de semana perdido, algo a ver com ele ter que ir à opera com os pais. Comunicação truncada ao telefone, traumas passados rondando. Em cima de meras suposições concluí que não havia nada a fazer senão terminar.

Minha pressa foi tanta com a minha pobre conclusão, baseada em pouquíssmos fatos reais e muita imaginação que não consegui me conter. Num ímpeto peguei o telefone de volta e terminei em poucos minutos algo que havia sido construído ao longo de alguns meses. Terminei aparentando frieza quando o sentimento era puro medo.

Feita a besteira, chorei. Chorei nos dias que se seguiram e por pelo menos mais um ano lamentei a perda, a precipitação. Algumas vezes pensei em me desculpar, em voltar atrás. Mas o medo não me permitiu. Eu me deprimi, bombei em matéria na faculdade, rejeitei outros amores.

Acho que foi depois desse ano inteiro, só depois que consegui superar a experiência, que concluí que não poderia nunca mais deixar de viver uma emoção por pura insegurança, por orgulho. Medo de ser rejeitada, de levar o "pé" primeiro. Eu me prometi experimentar sem medo o que me fosse oferecido de interessante. Enquanto valesse a pena, enquanto houvesse algo a agregar. E o mais importante de tudo: eu me prometi nunca mais basear as minhas conclusões em hipóteses. Em histórias imaginadas, monstros particulares. Prometi que a partir deste dia, tomaria decisões mais acertadas, baseadas em análises mais demoradas de fatos concretos, combinando o resultado com a constatação do que fosse importante para mim, pelo seu valor essencial, despido de orgulho fútil.

Em toda relação existe a soma e a subtração. Os valores são ponderados. Cada característica recebe seu peso no cálculo da média. Se os fatores de redução do equilíbrio não podem ser mudados, não há o que fazer. Sim, por insegurança cometemos erros terríveis. E é por isso que não me permito mais me dominar por ela.