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domingo, 17 de janeiro de 2010

Sonho - Construção clássica


"- Vou te mostrar um lugar belo.

Caminhamos durante alguns minutos ao longo de uma ostentosa construção clássica de dois ou três andares em calcário amarelado, vários janelões adornados, uns após os outros. A construção, a despeito do estilo antigo, parece muito nova. Por fim, chegamos a uma espécie de pátio onde a construção passa a ter um formato arredondado, quase como se pudesse comportar um chafariz no meio. Na verdade trata-se da entrada, com grandiosas portas de madeira maciça, emolduradas por medalhões e "rococós" de pedra como as janelas que vimos pelo caminho. A pavimentação é em paralelepípedo cinza.

- Para que serve essa construção?
- Eu não sei.
- Mas ela parece ser algo com fim religioso, não? Talvez uma escola? Um seminário?
- Pode ser.
- Sim, acho que é uma escola católica e que padres devem morar aí. Acho que... como é mesmo o nome dele? Ele deve morar aí.
- Quem?
- Eu não lembro o que ele é... bispo, cardeal... Não lembro o primeiro nome dele, o sobrenome é Arns. Arns, sabe?

Acordo. Tento lembrar o nome do religioso mas não consigo. Por volta de 3 dias depois, vem a resposta na internet: "Zilda Arns morre em terremoto no Haiti". Dom Evaristo Arns.

Que grande coincidência, penso eu.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Beat it!

Eu tenho das minhas esquisitices. Dentre elas, está a aversão a assuntos repetitivos. Sejam diálogos repetitivos ou mensagens publicadas na mídia, tenho pavor a isso. Então, se a Amy Winehouse quer se matar de drogas e os jornais não param de publicar detalhes a respeito, posso dizer que a partir da terceira notícia, já não leio mais nada.

Morre um ícone e não tem como fugir. A gente já sabe que vamos ser inundados por retrospectivas, elocubrações acerca da morte, detalhes sórdidos ou belos sobre a vida da pessoa. Alguns causam mais interesse na gente, outros menos, o fato é que a gente acaba não escapando de se emocionar, nem que seja pelo menos um pouquinho.

Dos astros ou celebridades que morreram, posso dizer que me emocionei com a partida de Elvis Presley, John Lennon e Lady Di. Tudo tem a ver com o momento da vida ou das lembranças que os astros nos trazem. Elvis Presley me lembrava sessão da tarde, momentos descontraídos ao pé da televisão. "Love me tender" cantado de uma forma intuitiva, não muito fiel ao inglês da letra.

John Lennon tinha toda a ligação com os Beatles, do movimento hippie, do Peace not War, Paz e Amor, sei lá. Ou talvez tenha sido mesmo influência, de ouvir "Imagine" sendo tocado exaustivamente, da imprensa traduzindo a letra e mostrando cenas de John e Yoko na cama fazendo greve de fome.

Lady Di personificou o sonho de menina. A súdita que encontra o príncipe e faz um casamento de conto-de-fadas com um belíssimo vestido branco, adentrando a pomposa St. Paul Cathedral debaixo de todo o rigor e tradição da monarquia britânica. Princesa que então se dedica, a despeito dos caríssimos vestidos, às causas humanitárias, com direito a emoção e lágrimas.

Eu nem queria alimentar muito essa discussão de morte de Michael Jackson. Mas parei para pensar um pouco e não pude deixar de refletir que os grandes ícones acabam marcando época na vida da gente e trazendo um pouco mais de sonho à realidade repetitiva do nosso cotidiano. A gente sonha um pouco quando pára para ouvir determinada música ou ler sobre algo de grandioso que eles construíram. E a gente se sente mais motivado a seguir em frente e a buscar nossos feitos também.

Eu nem li muito sobre a morte dele. Achei imprecisa a causa, vi algo sobre um helicóptero transportando o corpo. Se há algo a ser registrado por mim nesse momento é a lembrança. De uma adolescente que estudava no seu quarto fechado, ouvindo repetidamente de uma fita K-7 gravada da rádio Cidade, do Rio de Janeiro, uma gravação de qualidade muito pobre do hit "Beat it". Da emoção que causava a entrada da guitarra de Van Halen. Da música que acabava, a fita rebobinada, para de novo ouvir toda a canção ou apenas o riff (ops, aprendi essa palavra recentemente e precisava usar).

E assim segue a vida. Um ícone que vai, outro que chega, fases que iniciam ou terminam. Histórias entremeadas pela presença ou ausência de outros, caminhos que se cruzam influenciando ou não o nosso curso.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A defesa do cara difícil

Como honestidade é difícil e houve muita sinceridade num leitor que se considerou difícil, eu resolvi aceitar o desafio e elaborar uma defesa ao cara difícil, do post da Martha Medeiros.

Veja bem, caro leitor (agora roubando a frase dela), que a crônica da Martha não foi um apelo contra os caras difíceis. Ela foi um alerta. Tanto foi que o conselho final foi que a suposta vítima procure um analista para agüentar a montanha-russa emocional que tal relação irá impor.

No outro dia estava comentando com uma amiga aspectos sobre a genialidade. Já reparou como raramente a pessoa considerada gênio tem uma personalidade estável? Van Gogh? Billie Holiday? Beethoven e tantos outros? Sabe porque isso acontece? No meu ponto de vista são dois fatores: insegurança e inconformidade.

O cara difícil é um cara inseguro. Em geral ele consegue atingir picos de genialidade. Ele consegue resultados acima da média em determinados campos. Nesses momentos ele fica bem e beneficia todos que estão a sua volta com a felicidade que os resultados alcançados lhe proporcionaram. O cara difícil é sonhador, apaixonado e exigente. Quem convive com o cara difícil nestes momentos, pode experimentar sensações jamais vivenciadas porque sonho e felicidade geram experiências inéditas mesmo.

Só que felicidade não dura para sempre. O cara difícil, por ser inseguro, às vezes não consegue acreditar no seu valor. Qualquer comentário pode ser interpretado como crítica. Ele necessita de reafirmação das suas qualidades. Além disso, por ser exigente e inconformado, ao atingir um determinado patamar ele passa a olhar para a frente, a programar o que vem em seguida. O mesmo cara que foi capaz de atingir o céu se força ao inferno, ao isolamento, porque duvida de sua capacidade ou porque esquece das vitórias no momento em que fixa o seu novo objetivo.

O cara difícil usa a comparação com os outros como medidor. Só que nem sempre ele usa as referências corretas ou avalia corretamente os resultados. Com isso, ele pode se magoar, deixar se levar pela irracionalidade, nivelar-se temporariamente por baixo. Ele pode cometer violências consigo próprio que acabam magoando os que estão a sua volta.

Você me pediu, leitor, para exaltar as qualidades, as paixões. É verdade. Não foi à toa que a Martha se deu ao trabalho de escrever sobre o cara difícil. Estar ao lado de um cara difícil e quase sempre uma dádiva. Porque ele sempre contribui com coisas novas e interessantes. O complicado é depender emocionalmente do cara difícil porque tamanha é a oscilação, que a tendência é que quem depende emocionalmente acabe oscilando junto. Nem todo mundo está preparado ou precisa, dependendo das conquistas emocionais que tenha atingido, se submeter a essa inconstância.

Sabe o que eu desconfio, leitor? Eu desconfio que quando a Martha escreveu essa crônica, ela estivesse sentindo muita pena. Não dela e nem do cara difícil. Pena de ter terminado. Acho que ela deve ter conhecido um cara difícil com quem ela tenha vivido momentos inesquecíveis. Que ela em determinadas horas tenha se deixado levar pela ilusão de que realmente ela fosse a escolhida. Que ela tenha enxergado no cara difícil tudo isso que eu descrevi: que ele é um ser que sofre, que não age com o intuito de fazer os outros sofrerem, que ele gostaria de ser mais mediano mas que é uma pessoa que espera sempre mais da vida. Acho que ela deve ter se magoado com acusações injustas, que tenha sofrido por não conseguir fazê-lo enxergar que ela também partilhava de muitos valores e idéias. Que ela era uma pessoa confiável. Talvez ela tenha percebido que ela mesma tenha sido algum dia difícil e que tenha se encontrado, talvez ela tenha lamentado a incapacidade, naquele momento, do cara difícil se encontrar. Talvez ela tenha escrito tudo aquilo, com um desejo secreto de que o cara difícil pudesse ler, enxergar a sua tortura auto-imposta e desnecessária. E que se vendo de fora, pudesse crescer.

Eu como incurável romântica, gostei dessa minha interpretação. E vou ficar aqui torcendo para que a Martha reencontre o seu cara difícil no momento do florescimento. Ou que se não for possível encontrar o mesmo cara difícil, puxa que pena! Que seja então um diferente, mas que valha a pena.

Sonho - Desastre aéreo

Eu estava no trabalho tentando contar para vários colegas o que tinha me acontecido, uma história inacreditável mas ninguém me deixava contar. Eu começava a falar, alguém me interrompia, mudava o assunto.

Eu ficava aflita porque a história era muito interessante, eu me sentia viva, renovada. Mas não conseguia. Eu estava no escritório mas de alguma forma sabia o que havia se passado, apesar de não saber o motivo e nem de lembrar de todos os fatos. Só de uma parte do acontecimento.

Aparentemente eu havia entrado num vôo para Porto Alegre. Não me recordava do pânico e nem de estar sentada dentro do avião. O fato é que após a decolagem, o avião começou a cair mas o piloto, embora não conseguisse mantê-lo na altitude adeqüada, conseguia fazer com que o mesmo se mantivesse numa altitude média, e foi levando assim até que ele chegou nuns campos muito verdes onde conseguiu fazer um pouso forçado.

Eu já não estava mais no local do acidente. De uma forma que eu não conseguia lembrar e nem entender, eu havia sido resgatada. E eu via, não sei como, se na minha imaginação ou numa tela de televisão o avião branco, provavelmente daqueles boeings gigantescos, com alguns detalhes em vermelho próximos às janelas, pousado no meio da relva verde e intacto, apesar do pouso forçado. A "câmera" ia girando e dando vários ângulos do avião mas a visão predominante era a vista de cima, de forma que se enxergava o avião inteiro e pequeno devido à distância. Mais para baixo um rio. E adiante do rio, o que parecia ser um enorme caminhão betoneira, quase do tamanho do avião e muito branco, sem nenhuma sujeira. De alguma forma pensei que o caminhão fosse um trator e que o resgate havia sido feito por ele.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sonho - Reforma não autorizada

Eu acordo de manhã e entro na lavanderia (área de serviço). As paredes que eram brancas estão pintadas da metade para cima de preto. O teto também está todo preto.

Eu fico tentando entender o que pode ter acontecido. É então que aparece uma empregada nova. Eu me lembro que contratei uma nova. Ela me diz que o interfone tocou, avisaram que o pintor estava subindo para fazer o serviço e ela autorizou a entrada. Eu digo para ela bastante irritada:

- Tinha que me perguntar antes! Eu não estava esperando nenhum pintor! Nunca autorize a entrada de estranhos sem antes confirmar comigo.

Ando pelo apartamento e encontro outros dois cômodos alterados. Os forros de gesso foram retirados e avista-se canos e um teto chapiscado. Eu me desespero. Eu penso: "faltava tão pouco para terminar a obra e agora terei que refazer um monte de coisas que já estavam prontas".

Tento reclamar com o porteiro. Ele alega que deixou o pintor entrar porque ele mencionou o nome de uma pessoa conhecida. E eu lhe respondo que foi um engano porque não há ninguém com aquele nome morando lá e nunca houve.

Penso numa forma de reclamar com o síndico e de fazer os cômodos voltarem ao que eram. Sinto um enorme cansaço.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sonho - Saguão do hotel

Encontro um amigo. Ele me diz que vá com ele receber a mãe que chega de viagem. Eu chamo a minha mãe e vamos caminhando os três pela rua, ele mais à frente e nós duas o seguindo.

Chegamos numa praça muito movimentada, parece que está havendo um festival, uma comemoração. Ele, sempre de costas para mim, diz que a mãe está logo em frente, no meio da multidão. Do meio da confusão surge um "bell-boy" com um carrinho carregado de malas. Ele entrega algo ao meu amigo que por sua vez o entrega a mim.

Eu pego o objeto pequeno, formato de violino. Ele está embalado numa capa parecendo de violão, apesar de violinos normalmente serem guardados em estojos rígidos. Eu pergunto para o meu amigo: "é um violino?", porque ele parece ser muito pequeno para um violino, mas ele diz que sim.

Entramos no saguão do hotel, tão cheio quanto a praça. A decoração é toda em vermelho e dourado. O local não é muito amplo mas no canto direito, há uma pequena orquestra e no fundo da orquestra a parede é toda forrada de nichos retangulares. Alguns músicos, os de trás, estão num nível acima, quase encostando no teto. Dos nichos saem luzes que apontam para o teto.

As pessoas no saguão, predominantemente chinesas, recebem massagens e outros tratamentos terapêuticos. Uma senhora se aproxima da minha mãe e lhe diz que tente uma massagem; que ela nunca havia feito e que tinha sido muito bom.

Eu fico observando o ambiente enquanto o meu amigo, ainda sem me olhar, separa uma pérola para me entregar. A pérola está no meio de um prato contendo o que parece ser farinha de trigo.

domingo, 19 de abril de 2009

Os sonhos e o sono

Fazia muito tempo que eu não sonhava de forma tão nítida e tão rica. Hoje eu dormi um sono daqueles muito gostosos. Eu deitei e dormi profundamente por mais de 9 horas.

Concluí que isso aconteceu porque eu estava tranquila, feliz, sem preocupações e principalmente porque a minha noite de sono transcorreu sem interrupções.

Esfriou muito em São Paulo. As noites já começam a ser muito frias. Dormi na minha cama macia, enrolada (ou melhor, afundada, perdida) no meu edredon.

Sonho - Aranhas


Hoje eu sonhei muito. Muito mesmo. Tenho a sensação de que tive mais alguns sonhos dos quais não me lembro.

Em seguida ao sonho dos gatos, eu sonhei que corria por dentro de um estacionamento porque chovia muito. O estacionamento era coberto por uma estrutura toda vazada de quadrados que por fim não protegia nada. Eu corria e me encharcava toda porque a chuva estava fortíssima.

Cheguei em casa. Minha empregada me disse que algo deveria ser feito pois de repente, muitos insetos começaram a invadir a casa. A gente não se dava conta mas aranhas de todos os tipos e outros insetos peçonhentos, desconhecidos para mim, mas que ela sabia nomear, andavam aparecendo e querendo entrar nos cômodos pelas janelas. Conforme ela me contava sobre os insetos, eu os visualizava de uma forma muito real, eles apareciam no sonho como se projetados a partir de um livro de ciências.

Eu fiquei tentando imaginar qual seria o melhor método de combate. Pensei na dedetização tradicional mas alguém me disse que não funcionaria. Essa situação me provocava tremendo pavor uma vez que sinto um medo incontrolável de insetos.

O sonho prosseguiu de novo com meus filhos e com brinquedos. Legos. Mas não lembro do final.

Sonho - Evento de doação de gatos


Eu estava levando os meus filhos numa festa onde as próprias crianças montavam brinquedos. Entramos na festa e recebemos um kit. Continuamos andando e havia várias quadras separadas por telas de arame, tudo muito organizado e enfeitado. Bandeirinhas coloridas de São João.

Meu filho começou a montar o brinquedo mas perdeu as instruções. Eu quis voltar para a área coberta onde havia muitos stands com demonstração de brinquedos e gatos. A entrada dessa área estava bloqueada por dois balcões. Havia uma apresentação de gatos acontecendo no momento, por isso o bloqueio.

Disse para a moça que eu gostaria de adotar um gato e se havia algum disponível. Ela me disse que não. Veio falar comigo um veterinário de óculos, cara muito sisuda. Ele disse que se eu me candidatasse, que no máximo em 2 semanas um gato era enviado para a minha casa.

Fiquei sentada por alguns minutos ali um pouco decepcionada. Fiquei refletindo sobre como isso acontece, da gente demorar para decidir algo e que às vezes quando a gente decide já pode ser tarde.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sobre a permanência do amor

As pessoas insistem em justificar e a querer quantificar o amor. Principalmente quem olha de fora.

É comum e aceitável dizer: "ontem eu senti medo, agora me acalmei e já não sinto mais".

Por que não seria normal dizer: "ontem eu não amava, hoje eu me encantei e amo".

No amor, assim como na religião, parece haver um conjunto pré-estabelecido de regras. Para a religião, existe a bíblia. O ritual. Para o amor, existem regras não escritas nas quais as pessoas inconscientemente se baseiam ao julgar (veja que feio) uma situação. Porque amor tem que ser para sempre e precisa de motivo, ao que parece. Como a gente ouve às vezes a pessoa dizer: "a fulana não pode amar o beltrano porque ele é errado para ela. É carência".

"Hoje eu levei uma fechada no trânsito e senti raiva" - afirmativa correta, as pessoas diriam.

"Hoje eu olhei umas crianças brincando e senti amor" - afirmativa incorreta, se apressariam em explicar. Porque amor não é isso, não se sente em segundos, não acaba. Ele tem uma hora para começar e não pode acabar nunca.

Não consigo deixar de me indagar porque as pessoas precisam classificar sentimentos. O que se sente é o que se sente e ninguém tem nada com o que vai no coração das pessoas. A não ser, é claro, que o sentimento se ligue ao sentimento de outra pessoa. E neste caso, eu diria, interessa tão e somente aos dois.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Pensamentos e Sonhos

Escrevi há um tempo atrás sobre sonhos. Eu dizia que o surpreendente dos sonhos é que enquanto dormimos, a nossa mente cria toda uma estória sem que tenhamos controle sobre ela. Às vezes são imagens de muitos anos atrás, outras recentes e muitas vezes cenas para as quais nem temos explicação. Isso tudo acontece quando estamos inconscientes, dormindo.

Percebi que mesmo acordados, nem sempre é diferente. Às vezes é difícil ter controle sobre os nossos pensamentos. Eles aparecem criando estórias quase tão fantásticas quanto às dos sonhos. Pior do que a auto-geração, é a persistência, a prisão em que esses pensamentos podem nos colocar, quando nos levam a um lugar não muito agradável, dominando-nos. Tentamos interromper a estória mas ela continua aumentando sem controle, gerando pânico e impossibilidade de intervenção.

Nessas horas, temos que respirar fundo, alinhar os fatos reais na cabeça, avaliar e esperar que a mente, de volta ao mundo concreto, volte a raciocinar conscientemente.

Não é verdade que nesse contexto, pensamentos e sonhos (ou pesadelos?) possam ser praticamente o mesmo?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sonho - Celular

Toca o celular e eu atendo sem olhar quem liga.
É meu pai. Eu me assusto muito.
Ele diz para mim:
- Eu cheguei aqui mas não cheguei muito bem.

Eu quero responder. Começo a chorar. Penso em frases e palavras e falo mas a voz não sai. Quanto mais tento falar, mais a minha garganta aperta e a voz não sai. Eu grito muito. E a voz não sai.

Acordo chorando.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Sonho - Sala de Show

Eu estava num salão amplo com taco de madeira e paredes azul turquesa salpicadas de verde parecendo o fundo do mar. Lembrava muito um salão que havia no Hotel Quitandinha em Petrópolis.

Ouvi um anúncio: a banda do Renato Aragão ia tocar. Achei esquisito mas parei para ouvir. Apesar de enxergar o palco, eu não conseguia distinguir os músicos lá. De repente começou um rock brasileiro que agora não me recordo qual era, parecia uma versão de música. E ele cantava muito bem. Eu comecei a dançar muito animada, olhei para o lado e disse para o meu pai: "até que ele canta bem!". Eu continuava dançando muito animada e meu pai olhava para mim e ria da minha empolgação.

Dentro do sonho comecei a tomar consciência de que estava sonhando. Aí lembrei: "meu pai está comigo aqui mas na verdade ele morreu".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sonho - Igreja

Sonhei que fui a uma igreja assistir um culto. Embora fosse uma igreja protestante, para entrar tínhamos que entrar numa caixa de madeira escura que tinha a ponta superior triangular e passavam essa caixa por cima de uma espécie de biombo e ela caía dentro de um confessionário.

Passaram primeiro o meu pai. Depois eu entrei. Quando me vi dentro do confessionário, percebi que havia uma passagem direta da rua para dentro da igreja que não exigia essa manobra complicada. Eu pensei: "por que tive que entrar por aqui se dava para ir direto?".

Dentro da igreja todos os bancos eram de madeira escura e havia muita confusão lá dentro. Pessoas andando de um lado para o outro e falando alto. A parte posterior da igreja também tinha bancos e era mais estreita. Parecia um playground. Todas as crianças estavam concentradas lá brincando e havia também um piano que aparentemente seria tocado somente para as crianças. Fiquei imaginando se quando o culto começasse as pessoas fariam silêncio.

Eu vi meu filho e minha filha no meio daquelas crianças. Eles estavam muito felizes com a brincadeira. Aproximei-me do meu filho e ele estava mais alto do que eu. Calculei 1,70m mas ele continuava com o rosto infantil de 9 anos. Falei para ele que a viagem de férias havia lhe feito bem pois ele tinha crescido bastante.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sonho - Decoração

Faz tempo que eu tenho uns sonhos onde estou em apartamentos imensos, com vários quartos, caminhos complicados e decoração sofisticada. Às vezes me impressiono com o tamanho do apartamento. Vou andando e a cada momento aparecem quartinhos, escadas, caminhos diferentes. Hoje eu tive um sonho deste tipo. O apartamento não era muito grande e eu não me lembro direito do percurso. Mas a decoração era bem colorida. Mais colorida do que das outras vezes. Havia paredes azuis, almofadas floridas, algumas entremeadas de fios brilhantes. Vasos com flores, coisas assim. Tudo estava claro e alegre. Nos sonhos antigos, geralmente o ambiente era sombrio.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sonho - (Re?)-construção


Estou num terreno vazio. Olho para o lado e vejo uma pilha de tijolos. Sei que tenho que construir uma casa mas... como? Vejo um homem desconhecido e ele me diz:
- Não se preocupe. Eu te ajudo.

Muda a cena e vejo um local onde houve um bombardeio. Deito-me em um monte, no meio dos escombros. Olho para a frente e vejo a Catedral da Sagrada Família de Barcelona; a fachada preservada, a parte interna eu não tenho certeza. O céu está cinzento. Penso: "que interessante a beleza estranha de Gaudí. Mesmo em meio à destruição, a catedral continua bonita, parece até que ela combina com o cenário..."

Acordo mas continuo pensando no sonho de olhos fechados.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ainda sobre sonhos

Estou chegando à conclusão de que essa relação que a gente tem com os sonhos é coisa de família. Porque tem gente que fala que não lembra dos sonhos, ou que sonha em preto e branco. Eu sempre lembrei muito dos meus sonhos. E pelas postagens anteriores, já ficou evidente que são coloridos.

Hoje quando acordei, minha filha estava dormindo comigo. Eu nem vi a hora em que ela foi para a minha cama. Levantei-me da cama e ela, ainda de olhos fechados me disse (já com aquele volume de voz na altura e velocidade aceleradíssima para falar que lhe são peculiares):

- Mamãe, sonhei que o N. estava colocando a boca no bolo. Era um bolo branquinho com uns morangos. Devia ser um bolo muito gostoso, né mamãe? (Isto, esticando o lábio inferior para a frente, como quem tocava o bolo).

Eu concordei que devia ser gostoso.

No outro dia estava conversando com um amigo sobre os sonhos. E ele me dizia que acha isso tudo de interpretação uma bobagem. Na verdade, creio que ele quis dizer interpretação como se fosse uma coisa meio mística ou premonitória. Eu disse para ele que o que me fascina nos sonhos é o fato de que a nossa mente produz uma estória completamente nova enquanto estamos dormindo, como se ela tivesse vontade própria. Os estudiosos tentam ligar estas imagens aos fatos do nosso cotidiano que nos marcaram ou àquelas questões que andam soltas no nosso inconsciente. Se essas teorias são corretas, ou não, nada muda o fato de que eles se auto-produzem enquanto dormimos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sonho - Pães

Hoje eu tive um sonho comprido... não lembro de todos os detalhes. Sei que havia pessoas conhecidas mas já esqueci quem eram. No final do sonho aconteceu o seguinte: ventava muito fora de casa... uma ventania fora do normal, de tirar tudo do lugar, coisa que acontece muito no Rio mas que não é tão comum aqui em São Paulo. Por algum motivo entrei no meu quarto e me aproximei da minha cama. Apesar do vento, fazia muito sol. A cortina estava fechada mas o tom do quarto era dourado, como se o sol estivesse refletindo lá dentro. Olhei para o meu travesseiro branco e ele estava coberto de comida de passarinho. Eu pensei: "está ventando muito e o vento levantou todo o alpiste que havia nas tigelas das gaiolas". Cheguei mais perto ainda do travesseiro e avistei uns objetos parecendo de madeira clara, peguei um deles e pareciam pinhas, porém de madeira clara. De repente a pinha se transformou em algo um pouco maior e mais redondo e foi então que me dei conta de que era pão. Virei o pão e ele tinha uns 3 sulcos. Era pão de sal. Tudo era meio bege-dourado. Alpiste, paredes e pães.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonho - Viagem para Boston

Sonhei hoje que arrumei 3 malas e que ia para Boston. Resolvi sair direto de algum lugar (acho que era do trabalho) mas não tinha passaporte. Olhei no relógio, 8:55h, faltava apenas 1 hora para embarcar. Tempo que não dá nem para chegar no Aeroporto de Guarulhos. Eu olhava em volta e pensava: "onde estão as 3 malas"? E nas mãos, tinha um molho de chaves. E fiquei naquela indecisão, entre ir para casa buscar as malas ou sair direto para o aeroporto, pensando que mesmo assim, não dava mais tempo...

Acordei, passei a mão na bochecha esquerda para tirar uns fios de cabelo. Pensei: "ufa, ainda bem que não foi na testa. Não vou esquecer o sonho"...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sonho - Mar


Sábado eu fui agraciada com um sonho. Sonhei que estava no mar, de roupa e tudo. Eu, a madrinha da minha filha e a filha dela (que também estavam com roupa normal). Era um mar de águas cristalinas, de um verde claro. O céu estava azul e eu não sentia o sol queimando. Onde eu estava, não avistava areia para nenhum dos lados embora conseguisse ficar com os pés firmes no chão. E o engraçado é que apesar de não ver a areia, sabia que ela estava a esquerda de mim, embora pela posição das ondas, o normal seria que estivesse atrás. De tempos em tempos via umas ondas enormes e quando elas chegavam perto, apenas nos levantavam do chão, lá no alto, sem estourarem em cima da gente. A água tinha a temperatura agradável, nem fria e nem morna demais. Minha única preocupação era com I., a menina de 4 anos que estava conosco. Quando vinha a onda, eu achava que ela podia se afogar e a segurava firme. Mas a onda passava e ficava tudo bem.

Foi um sonho muito agradável.