Estava lendo no outro dia o blog da Rosely Sayão, muito interessante para quem tem filhos ou contato com crianças e jovens:
http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/
Num dos posts motivados pela proximidade com o Dia das Crianças, falando sobre aspectos da infância, ela usa um texto de Manoel de Barros, do qual extraio um trecho abaixo:
Achadouros
“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade."
Dias antes eu havia recebido por e-mail um ppt falando sobre o mesmo conceito, aplicado a pessoas, o fato de como uma pessoa se torna maior ou menor para nós dependendo de ações, da espontaneidade, do carinho, do envolvimento que ela tem conosco. Este texto estava creditado a "Ercília Ferraz de Arruda Pollice".
E no fim é isso mesmo. Meu quarto é meu mundo. É lá que leio os melhores livros, vejo alguns filmes e penso sobre a vida deitada na cama, olhando através da janela. Gosto dele na mesma medida em que gosto de viajar, sair e ver gente. Arrisco adicionar a este conceito de tamanho, que ele pode variar não só pela intimidade como pelo momento e o estado emocional em que nos encontramos.
Quem nunca se sentiu sufocado ao ar livre?
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Small talk
No outro dia eu assisti um filme onde o cara dizia: "I hate small talk".
Eu diria que eu adoro "small talk", long talks, whatever-kind-of-talk. Converso com quem estiver do meu lado numa boa. Gosto de ouvir o que as pessoas pensam, ouvir os sotaques (aqui em SP tem sotaque de tudo quanto é tipo, às vezes só de mudar de bairro o sotaque já muda), de ouvir as pérolas.
Hoje tava no elevador, num momento de introspecção matutina e a galera já embarcou no "small talk" preferido da sexta-feira. Neste momento, não consegui me inserir na conversa, devido ao estado letárgico em que eu me encontrava. A semana inteira fez um frio desgraçado em São Paulo. Dias cinzas, chuvosos. Hoje, sexta-feira, apesar do frio, amanheceu com um sol maravilhoso e o céu completamente azul. Aí, é de se esperar que as pessoas comecem com aqueles comentários costumeiros: "será que vai chover no final de semana?". Isso porque já há alguns meses é assim em São Paulo. Faz sol durante a semana, chega até a esquentar mas no final de semana sempre chove. Para esta pergunta, tem a resposta obrigatória: "eu ouvi dizer que vai chover no domingo".
Eu fico impressionada com como as pessoas acompanham fielmente as previsões do tempo. No outro dia, não trouxe guarda-chuva para o trabalho. E alguém me disse: "você não viu na previsão que ia chover?". Nessas horas, se o intuito é fazer "small talk", a gente simplesmente ignora o fato de se viu ou não a previsão e lança uma dessas respostas óbvias: "eu vi, mas esqueci"...
Eu diria que eu adoro "small talk", long talks, whatever-kind-of-talk. Converso com quem estiver do meu lado numa boa. Gosto de ouvir o que as pessoas pensam, ouvir os sotaques (aqui em SP tem sotaque de tudo quanto é tipo, às vezes só de mudar de bairro o sotaque já muda), de ouvir as pérolas.
Hoje tava no elevador, num momento de introspecção matutina e a galera já embarcou no "small talk" preferido da sexta-feira. Neste momento, não consegui me inserir na conversa, devido ao estado letárgico em que eu me encontrava. A semana inteira fez um frio desgraçado em São Paulo. Dias cinzas, chuvosos. Hoje, sexta-feira, apesar do frio, amanheceu com um sol maravilhoso e o céu completamente azul. Aí, é de se esperar que as pessoas comecem com aqueles comentários costumeiros: "será que vai chover no final de semana?". Isso porque já há alguns meses é assim em São Paulo. Faz sol durante a semana, chega até a esquentar mas no final de semana sempre chove. Para esta pergunta, tem a resposta obrigatória: "eu ouvi dizer que vai chover no domingo".
Eu fico impressionada com como as pessoas acompanham fielmente as previsões do tempo. No outro dia, não trouxe guarda-chuva para o trabalho. E alguém me disse: "você não viu na previsão que ia chover?". Nessas horas, se o intuito é fazer "small talk", a gente simplesmente ignora o fato de se viu ou não a previsão e lança uma dessas respostas óbvias: "eu vi, mas esqueci"...
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Lembranças de muito tempo atrás
O post de hoje vai em homenagem à minha querida avó E. pois hoje seria o aniversário dela se ainda estivesse viva.
A minha avó, à sua maneira, foi daquelas avós que todo mundo sonha em ter. Ela brincava comigo, me preparava doces maravilhosos (arroz doce quentinho, bolinho de fubá frito com açúcar e canela, doce de abóbora, de mamão verde ralado). Me ensinou a brincar de "cama-de-gato", diversão para quando faltava luz, contava-me estórias da sua época, um passado para mim tão distante, da quando não havia televisão.
Juntas assistimos algumas novelas quando eu ainda era bem pequena: "Estúpido Cupido", a "Moreninha". Todo dia à tarde, ela se sentava para tomar o seu copo de café preto com pão com manteiga. Ensinou-me o básico de tricô e crochê, artes que ela dominava com maestria.
Momento mágico era quando eu pedia para ela abrir suas caixinhas de jóia em madeira marchetada. Ela não gostava de usar jóias mas meu avô era fascinado por elas e nas datas especiais sempre a presenteava com uma nova peça. Meus olhos de criança brilhavam vendo o colorido das águas-marinhas, esmeraldas, madrepérolas, dos anéis e dos broches. Eram jóias e bijuterias finas simples, compradas com esforço.
Ela gostava de música e radio-novela que escutava no seu radinho de pilha sempre ligado no final da tarde. Sua música preferida era o "Brejeiro" de Ernesto Nazaré que eu me esforçava em dedilhar como podia, quando ainda não tinha domínio suficiente no piano para fazê-lo, só para agradar.
Já bem idosa, tinha os cabelos branquinhos e fofos como algodão. Com a sua fragilidade, mãos levinhas e dedos fininhos, secava e desembaraçava com carinho os meus longos cabelos então negros.
Uma pessoa querida, quando se vai, nunca é esquecida. Seja a separação por morte ou pelo destino, no fim ficam as boas lembranças. E o tempo ajuda a amenizar a dor.
A minha avó, à sua maneira, foi daquelas avós que todo mundo sonha em ter. Ela brincava comigo, me preparava doces maravilhosos (arroz doce quentinho, bolinho de fubá frito com açúcar e canela, doce de abóbora, de mamão verde ralado). Me ensinou a brincar de "cama-de-gato", diversão para quando faltava luz, contava-me estórias da sua época, um passado para mim tão distante, da quando não havia televisão.
Juntas assistimos algumas novelas quando eu ainda era bem pequena: "Estúpido Cupido", a "Moreninha". Todo dia à tarde, ela se sentava para tomar o seu copo de café preto com pão com manteiga. Ensinou-me o básico de tricô e crochê, artes que ela dominava com maestria.
Momento mágico era quando eu pedia para ela abrir suas caixinhas de jóia em madeira marchetada. Ela não gostava de usar jóias mas meu avô era fascinado por elas e nas datas especiais sempre a presenteava com uma nova peça. Meus olhos de criança brilhavam vendo o colorido das águas-marinhas, esmeraldas, madrepérolas, dos anéis e dos broches. Eram jóias e bijuterias finas simples, compradas com esforço.
Ela gostava de música e radio-novela que escutava no seu radinho de pilha sempre ligado no final da tarde. Sua música preferida era o "Brejeiro" de Ernesto Nazaré que eu me esforçava em dedilhar como podia, quando ainda não tinha domínio suficiente no piano para fazê-lo, só para agradar.
Já bem idosa, tinha os cabelos branquinhos e fofos como algodão. Com a sua fragilidade, mãos levinhas e dedos fininhos, secava e desembaraçava com carinho os meus longos cabelos então negros.
Uma pessoa querida, quando se vai, nunca é esquecida. Seja a separação por morte ou pelo destino, no fim ficam as boas lembranças. E o tempo ajuda a amenizar a dor.
sábado, 4 de outubro de 2008
Special

"I always thought I would be special. But I am not, I am just an ordinary person. But that's OK, because you make me special".
Sandra Bullock em "Hope Floats".
Estou aqui há alguns minutos tentando organizar mentalmente o motivo desta frase ter me tocado tanto. Eu nem vi o filme inteiro, peguei bem no finalzinho e do pouco o que vi, ficou marcada esta fala. Acho que fiz uma viagem no tempo e voltei para minha adolescência. Existem formas de enxergar as oportunidades futuras: jovens que sonham muito e acham que tudo é possível, os que não fazem a menor idéia do que fazer da vida, os que vão levando e os pessimistas, que acham que o futuro não trará nada de promissor.
Talvez no passado eu tenha sido um pouco dos 3 primeiros: não tinha muita idéia do que fazer, embora enxergasse milhares de oportunidades e resolvendo optar por algo e ver no que ia dar.
De repente me vejo adulta, trabalhando, enfrentando os problemas diários, contas para pagar, engarrafamento, doença, desilusão.... Parece que tudo era mais fácil quando a obrigação era apenas estudar e sonhar; admirar grandes músicos e escritores, sonhar que um dia eu poderia ser um deles. Mas no fim, chego à mesma conclusão da personagem do filme: eu sou apenas uma pessoa comum, com defeitos e problemas como todo mundo. Mas faço a diferença para aqueles que me conhecem de perto e que me querem bem... e no fim, concluo que isso é o que me basta para ser feliz.
Napoleon Dynamite

Vi o filme ontem e gostei. Não vou dizer que é um filme exceleeeente, mas é inusitado, engraçado. Assim como o "Little Miss Sunshine", ele mostra os Estados Unidos que Hollywood não mostra. Onde as pessoas que vivem no interior são pobres, se vestem esquisito, têm gostos excêntricos, não recebem a educação adequada do sistema público. Mostra a realidade sem ter que apelar para crimes hediondos como o "Boys don't cry". Muito pelo contrário, a gente vê o filme e termina feliz, se sentindo leve. Isso também porque rolam umas musiquinhas anos 80 muito bem escolhidas...
Para os desavisados: depois dos créditos ainda rola uma cena final...
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Projeto do bimestre: dinossauros
Declaração de uma menina de 5 anos :
- Mamãe, eu adoro esse dinossauro de pescoço comprido que é "herbívero".
- Mamãe, eu adoro esse dinossauro de pescoço comprido que é "herbívero".
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Absurdos
Houve uma época em que tudo me revoltava: pessoa que não agradece quando você segura a porta do elevador me revoltava, fechada no trânsito me revoltava, aguardar ser atendida na central de telemarketing me revoltava, pessoa que quando você dá bom dia não responde me revoltava, fila me revoltava, enfim.... Acho que isso acontece por volta dos 20 e poucos anos, quando você sai de casa, começa a frequentar o mundo de verdade e percebe que as pessoas e as situações não têm a mesma educação e a estrutura com a qual você aprendeu a ver o mundo. Quando você ainda vive olhando só para o seu umbigo e não entende que as pessoas podem estar num dia ruim, terem problemas, estarem com sono ou serem desligadas.
É claro que eu me estresso. Mas com o tempo aprendi a selecionar um pouco o que me estressa. Posso levar 20 fechadas num dia e não me estressar. E levar uma única no dia seguinte que vai me estressar. Acho que hoje em dia, depende mais do estado de espírito em que eu me encontro do que da situação em si.
Hoje de manhã, estava ansiosa com alguns acontecimentos de trabalho e de vida que me pareceram fugir do controle num dado momento e subitamente tive aquela vontade incontrolável e inexplicável de tomar um café. Mas não aqueles de máquina de escritório, café de verdade. Acho que foi aquela sensação de "morning fix".
Desci para a lojinha de café que tem dentro da empresa e muito apressada pedi:
- Um capuccino grande, por favor.
(Porque eu não tomo café puro).
- Olha, estamos sem café. Posso fazer um chocolate, tudo bem?
- Não, obrigada, fica para a próxima.
Como assim?!!! Não tem café na cafeteria?!!!!!
É claro que eu me estresso. Mas com o tempo aprendi a selecionar um pouco o que me estressa. Posso levar 20 fechadas num dia e não me estressar. E levar uma única no dia seguinte que vai me estressar. Acho que hoje em dia, depende mais do estado de espírito em que eu me encontro do que da situação em si.
Hoje de manhã, estava ansiosa com alguns acontecimentos de trabalho e de vida que me pareceram fugir do controle num dado momento e subitamente tive aquela vontade incontrolável e inexplicável de tomar um café. Mas não aqueles de máquina de escritório, café de verdade. Acho que foi aquela sensação de "morning fix".
Desci para a lojinha de café que tem dentro da empresa e muito apressada pedi:
- Um capuccino grande, por favor.
(Porque eu não tomo café puro).
- Olha, estamos sem café. Posso fazer um chocolate, tudo bem?
- Não, obrigada, fica para a próxima.
Como assim?!!! Não tem café na cafeteria?!!!!!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Gargalhadas
Sabe aqueles e-mails bobinhos mas que acabam sendo divertidos? Vai fazendo perguntinhas e vc vai respondendo e manda para quem te mandou e para outros amigos responderem? Dependendo do dia vc entra no clima ou acha totalmente b.b.ca encaminhar este tipo de e-mail.
Pois é, recebi um e-mail desses, respondi toda certinha (o que já demonstra um pouco da minha personalidade, além das respostas em si). E comecei a receber as respostas.
Numa delas ia tudo normal; 4 lugares onde morei, 4 programas de TV, 4 apelidos, 4 comidas.... até que veio a pergunta:
4 lugares em que desejaria estar agora:
Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.
Ahahahaha.... me pegou de surpresa... chorei de rir e nem sei bem porque.
Pois é, recebi um e-mail desses, respondi toda certinha (o que já demonstra um pouco da minha personalidade, além das respostas em si). E comecei a receber as respostas.
Numa delas ia tudo normal; 4 lugares onde morei, 4 programas de TV, 4 apelidos, 4 comidas.... até que veio a pergunta:
4 lugares em que desejaria estar agora:
Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.
Ahahahaha.... me pegou de surpresa... chorei de rir e nem sei bem porque.
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