Tem sempre aqueles momentos na vida em que a gente dá uma pausa na correria, olha para trás e constata, como Otto Lara Resende:
"Ultimamente, passaram-se muitos anos".
Esta citação eu li no "Cartas Perto do Coração", creio que na primeira vez foi Fernando Sabino que escreveu para Clarice Lispector e mais tarde, em outra carta, ela escreveu para ele, concordando que para ela a frase também cabia.
Não sei o que se passava na cabeça deles na ocasião. Mas me atingiu em cheio.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Personagens
Depois que a gente começa a escrever, percebemos como isso é bom. Não é à toa que certos autores criam pseudônimos, assumem uma determinada identidade e criam estórias totalmente diferentes da sua vida pessoal. Ou o contrário, a "pessoa" escritor escreve sobre qualquer outra coisa e o "personagem" escritor extravaza os problemas, os dilemas, os sonhos, tudo aquilo que necessita de voz no momento.
É uma terapia.
É uma terapia.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Desafio
"Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser... Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhecem; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!!Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso?"
Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem
Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem
Ainda sobre sonhos
Estou chegando à conclusão de que essa relação que a gente tem com os sonhos é coisa de família. Porque tem gente que fala que não lembra dos sonhos, ou que sonha em preto e branco. Eu sempre lembrei muito dos meus sonhos. E pelas postagens anteriores, já ficou evidente que são coloridos.
Hoje quando acordei, minha filha estava dormindo comigo. Eu nem vi a hora em que ela foi para a minha cama. Levantei-me da cama e ela, ainda de olhos fechados me disse (já com aquele volume de voz na altura e velocidade aceleradíssima para falar que lhe são peculiares):
- Mamãe, sonhei que o N. estava colocando a boca no bolo. Era um bolo branquinho com uns morangos. Devia ser um bolo muito gostoso, né mamãe? (Isto, esticando o lábio inferior para a frente, como quem tocava o bolo).
Eu concordei que devia ser gostoso.
No outro dia estava conversando com um amigo sobre os sonhos. E ele me dizia que acha isso tudo de interpretação uma bobagem. Na verdade, creio que ele quis dizer interpretação como se fosse uma coisa meio mística ou premonitória. Eu disse para ele que o que me fascina nos sonhos é o fato de que a nossa mente produz uma estória completamente nova enquanto estamos dormindo, como se ela tivesse vontade própria. Os estudiosos tentam ligar estas imagens aos fatos do nosso cotidiano que nos marcaram ou àquelas questões que andam soltas no nosso inconsciente. Se essas teorias são corretas, ou não, nada muda o fato de que eles se auto-produzem enquanto dormimos.
Hoje quando acordei, minha filha estava dormindo comigo. Eu nem vi a hora em que ela foi para a minha cama. Levantei-me da cama e ela, ainda de olhos fechados me disse (já com aquele volume de voz na altura e velocidade aceleradíssima para falar que lhe são peculiares):
- Mamãe, sonhei que o N. estava colocando a boca no bolo. Era um bolo branquinho com uns morangos. Devia ser um bolo muito gostoso, né mamãe? (Isto, esticando o lábio inferior para a frente, como quem tocava o bolo).
Eu concordei que devia ser gostoso.
No outro dia estava conversando com um amigo sobre os sonhos. E ele me dizia que acha isso tudo de interpretação uma bobagem. Na verdade, creio que ele quis dizer interpretação como se fosse uma coisa meio mística ou premonitória. Eu disse para ele que o que me fascina nos sonhos é o fato de que a nossa mente produz uma estória completamente nova enquanto estamos dormindo, como se ela tivesse vontade própria. Os estudiosos tentam ligar estas imagens aos fatos do nosso cotidiano que nos marcaram ou àquelas questões que andam soltas no nosso inconsciente. Se essas teorias são corretas, ou não, nada muda o fato de que eles se auto-produzem enquanto dormimos.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Dia e Noite
Menina de 5 anos deitada no escuro:
- Mamãããããe!!!
- Que foi?
- Você sabe que eu tenho medo de ficar sozinha no escuro.
Deitando-me ao lado dela:
- Mas porque você tem medo?
- Eu não sei, fico imaginando que vão acontecer umas coisas.
- Como o que? As coisas que existem de dia no claro, são as mesmas que as de noite, só estão no escuro.
- Vampiro.
- Vampiro não existe.
- Morcego. De dia ele fica lá, penduradinho dormindo. De noite ele fica voando.
"Good point".
- Ah, mas ele fica voando lá fora, não vai entrar aqui dentro.
- Mas pode entrar.
- Mamãããããe!!!
- Que foi?
- Você sabe que eu tenho medo de ficar sozinha no escuro.
Deitando-me ao lado dela:
- Mas porque você tem medo?
- Eu não sei, fico imaginando que vão acontecer umas coisas.
- Como o que? As coisas que existem de dia no claro, são as mesmas que as de noite, só estão no escuro.
- Vampiro.
- Vampiro não existe.
- Morcego. De dia ele fica lá, penduradinho dormindo. De noite ele fica voando.
"Good point".
- Ah, mas ele fica voando lá fora, não vai entrar aqui dentro.
- Mas pode entrar.
Sonho - Pães
Hoje eu tive um sonho comprido... não lembro de todos os detalhes. Sei que havia pessoas conhecidas mas já esqueci quem eram. No final do sonho aconteceu o seguinte: ventava muito fora de casa... uma ventania fora do normal, de tirar tudo do lugar, coisa que acontece muito no Rio mas que não é tão comum aqui em São Paulo. Por algum motivo entrei no meu quarto e me aproximei da minha cama. Apesar do vento, fazia muito sol. A cortina estava fechada mas o tom do quarto era dourado, como se o sol estivesse refletindo lá dentro. Olhei para o meu travesseiro branco e ele estava coberto de comida de passarinho. Eu pensei: "está ventando muito e o vento levantou todo o alpiste que havia nas tigelas das gaiolas". Cheguei mais perto ainda do travesseiro e avistei uns objetos parecendo de madeira clara, peguei um deles e pareciam pinhas, porém de madeira clara. De repente a pinha se transformou em algo um pouco maior e mais redondo e foi então que me dei conta de que era pão. Virei o pão e ele tinha uns 3 sulcos. Era pão de sal. Tudo era meio bege-dourado. Alpiste, paredes e pães.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Revelações sobre o banheiro feminino
Certa vez retornei irritada do banheiro da empresa, nem me lembro porque, mas sei que contei a um amigo o que eu tinha encontrado por lá. Ele me perguntou espantado: "quer dizer que mulher também faz porcaria no banheiro?" E eu: "ô, se faz"...
Fora as coisas mais óbvias do tipo: papel higiênico no chão e tampa de vaso molhada (causado pelo xixi em pé), tem também as experiências mais "hard" como coisas que deveriam ter ido para dentro do vaso mas que espantosamente foram para fora. Tem também aqueles episódios de dar pena, onde o problema não foi gerado pela pessoa em si mas pela falta de pressão da válvula. Enfim... O que posso dizer é que essas porcarias geralmente são notadas pela próxima pessoa que entra e quem fez normalmente não está mais no local.
Normalmente em banheiro de empresa tem aquelas pias compridas com mais de uma torneira. Depois do almoço é aquele congestionamento: mulheres escovando os dentes, passando fio dental, se maquiando. Eu geralmente evito esses horários de "rush", me dá uma certa claustrofobia, fora a chance maior de presenciar certos odores não desejados.
Mas o que me irrita de verdade é quando o fato acontece quando a gente está ali no banheiro, ao lado da pessoa. A criatura lava as mãos e com toda a educação adquirida na beira do rio, lavando roupas, ela sacode as mãos com um vigor que fica evidente que as suas mãos precisam ficar secas, mas todo o resto (e nisso inclua-se espelhos, pias e pessoas) podem ficar molhados. E a ironia da coisa é que a despeito do meu comentário preconceituoso, na maior parte das vezes a pessoa está longe de ter alguma vez passado alguma situação de privação. O que demonstra que falta de educação pode acontecer em qualquer lugar. Inclusive em berço de ouro.
Fora as coisas mais óbvias do tipo: papel higiênico no chão e tampa de vaso molhada (causado pelo xixi em pé), tem também as experiências mais "hard" como coisas que deveriam ter ido para dentro do vaso mas que espantosamente foram para fora. Tem também aqueles episódios de dar pena, onde o problema não foi gerado pela pessoa em si mas pela falta de pressão da válvula. Enfim... O que posso dizer é que essas porcarias geralmente são notadas pela próxima pessoa que entra e quem fez normalmente não está mais no local.
Normalmente em banheiro de empresa tem aquelas pias compridas com mais de uma torneira. Depois do almoço é aquele congestionamento: mulheres escovando os dentes, passando fio dental, se maquiando. Eu geralmente evito esses horários de "rush", me dá uma certa claustrofobia, fora a chance maior de presenciar certos odores não desejados.
Mas o que me irrita de verdade é quando o fato acontece quando a gente está ali no banheiro, ao lado da pessoa. A criatura lava as mãos e com toda a educação adquirida na beira do rio, lavando roupas, ela sacode as mãos com um vigor que fica evidente que as suas mãos precisam ficar secas, mas todo o resto (e nisso inclua-se espelhos, pias e pessoas) podem ficar molhados. E a ironia da coisa é que a despeito do meu comentário preconceituoso, na maior parte das vezes a pessoa está longe de ter alguma vez passado alguma situação de privação. O que demonstra que falta de educação pode acontecer em qualquer lugar. Inclusive em berço de ouro.
Orgulho Tricolor
Fiquei muito dividida no jogo de ontem ("São Paulo x Fluminense"). Dividida porque eu praticamente não acompanho o futebol e se o faço é pelo meu filho que torce com bastante dedicação pelo São Paulo. Na maior parte das vezes, acabo assistindo aos jogos do
Tricolor Paulista e torcendo para ele. Conheço os jogadores quase todos e do Fluminense nenhum.
Como explicar esse sentimento? Quando criança, escolhi o time pela camisa. Pelas cores. Eu admirava (e admiro até hoje) as cores do Fluminense. E existe algo de orgulho carioca que permanece lá no fundo, querendo se manifestar, ao ver o meu time jogando contra um time paulista. Mesmo achando hoje em dia, experiência de carioca que vive há anos em São Paulo, que bairrismo é uma tremenda bobagem.
Vou lançar assim, sem compromisso, mesmo sabendo que posso provocar um pouquinho os meus amigos paulistas tricolores, uma coisa que li certa vez, que dizia Nelson Rodrigues: "Tricolor verdadeiro só o Fluminense. O resto são apenas times de três cores".
Tricolor Paulista e torcendo para ele. Conheço os jogadores quase todos e do Fluminense nenhum.
Como explicar esse sentimento? Quando criança, escolhi o time pela camisa. Pelas cores. Eu admirava (e admiro até hoje) as cores do Fluminense. E existe algo de orgulho carioca que permanece lá no fundo, querendo se manifestar, ao ver o meu time jogando contra um time paulista. Mesmo achando hoje em dia, experiência de carioca que vive há anos em São Paulo, que bairrismo é uma tremenda bobagem.
Vou lançar assim, sem compromisso, mesmo sabendo que posso provocar um pouquinho os meus amigos paulistas tricolores, uma coisa que li certa vez, que dizia Nelson Rodrigues: "Tricolor verdadeiro só o Fluminense. O resto são apenas times de três cores".
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