terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sorte de hoje no Orkut

Viver amanhã é muito tarde. Viva hoje.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O que aconteceu com o velho e bom "de nada"?

Tem umas expressões que vão se incorporando na linguagem falada e a gente nem entende muito bem de onde surgiram. A mim causam inclusive uma certa estranheza. Experimente dizer "Obrigada" para alguma atendente ou vendedora e você irá receber algumas das respostas abaixo. Mas nunca "de nada".

1. Imagina! (com uma pronúncia quase "magina").
Essa é engraçada mas até bonitinha.

2. "Por" nada
isso é muito curioso. Em espanhol também é "de nada". Em francês "de rien".
Aí a criatura fala assim, achando que está sendo mais polida, trocando o "de" por "por".

3. "Brigada eu".
Sem comentários... Uma corruptela de "eu que agradeço", imagino.

4. Não por isso.
Outra corruptela: de "não há de que" (no francês seria "Il n'y a pas de quoi")
Toda vez que escuto essa resposta, inicialmente me sinto rejeitada.
Depois lembro que a pessoa está querendo ser gentil comigo.

Normalmente essas respostas são dadas por pessoas que apreciam a interessante conjugação de 3 verbos "gerundiana": "eu vou estar verificando", por exemplo.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Caminhada

Acordava todo dia às seis da manhã. Tinha que entrar até as sete. Controlando os bocejos se vestia, separava alguns livros que havia deixado fora da mochila no dia anterior. Se fazia frio, vestia um casaco. Na vitrola, Legião Urbana: "Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo".

A caminhada não era tão longa; algumas vezes se juntava a umas colegas mais velhas. Outra vezes, seguia sozinha. Direita, esquerda, atravessar a avenida larga. Essa é perigosa, precisava tomar cuidado. Seguia mais um pouco em frente.

Quando virava na rua do colégio, algumas casas depois da esquina tinha um prédio. Já naquela hora, tão cedo, ouvia o som vindo da janela. Não saberia dizer exatamente qual era o conjunto. Nenhum do qual fosse fã. Mas o som lhe agradava. Rock progressivo. Naquele exato trecho da rua, diminuia um pouco o ritmo de seus passos, insconscientemente, prolongando por mais alguns momentos o deleite musical. Quem ouviria aquela música? Algum garoto interessante.

"Estou quase chegando lá", pensava. "Que vontade de matar o primeiro tempo. Será que o irmão Bruno deixa eu sair hoje?".

Se a aula estivesse chata, lia. Escondia o livro debaixo da carteira e lia. Alheia ao movimento em volta, ao professor, ao sinal do intervalo. Simplesmente lia, até acabar.

Bossa Nova





Eu ainda não tinha assistido. Que delícia de filme, alto astral.
Que saudades do meu Rio de Janeiro.







Acho que fui resumida demais ontem. Ainda estava sob o efeito do filme. Agora que passou, resolvi complementar: diria que tem uma ou outra situação que pretende ser cômica e fica um pouco exagerada. Mas de resto, fotografia, a combinação de cada música com a cena, o romance do Antônio Fagundes com a Amy Irving, tudo muito bonitinho. Ah! E tem uma coisa que é para gringo ver: todas as janelas têm vista para a praia. Até a janela do escritório do advogado. Mas tudo bem, o que importa é que ficou bonito.

Tal mãe tal filha


- Mamãe, o computador tá tocando uma música que encanta o meu coração!!

("Clocks" do Coldplay)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Salão de baile


Minha amiga Cacau vive falando de umas coincidências que acontecem de vez em quando que se tornam meio curiosas. Comigo elas também acontecem como hoje mesmo, por exemplo.

Faz umas 2 semanas que eu assisti no DVD o filme: "Chega de Saudade". Eu não postei nada sobre o filme porque fiquei ao final sem saber qual era a minha opinião sobre ele. Diria que não foi perda de tempo mas também não recomendaria com medo de desagradar. O filme se passa num salão de dança, desses que tocam ritmos mais antigos como bolero, cha-cha-cha, samba-rock, etc. E no salão rolam várias estórias paralelas entre os frequentadores, na maioria veteranos da dança. A crooner da orquestra que toca no baile é a Elza Soares.

Há um destaque para o prédio onde se situa o salão. Um prédio de esquina em formato triangular, parecendo um micro-"Flat iron building" (de NY).

Pois estava eu hoje com duas crianças tagarelando dentro do carro à procura do "Estação Ciência" (que vale um post próprio) quando subitamente bati os olhos, em plena rua Guaicurus na Lapa, no tal prédio do filme, que é de verdade um salão de bailes entretanto chamado "União Fraterna". Fiquei embasbacada com a coincidência e um pouco triste de ver um prédio tão bonito totalmente pichado. Outro fato interessante é que no filme criaram um letreiro "Chega de Saudade" para o prédio, seguindo o mesmo padrão de forma e cores que o letreiro original.

Provavelmente isto tudo deve ter sido contado na divulgação do filme. Mas como eu não tinha lido nada a respeito, adorei descobrir por acaso. Parece que o filme agora ficou ainda mais interessante!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Avenida Paulista


Quando me mudei para São Paulo, impressionei-me muito com a Avenida Paulista. Fazia frio naquela época e caminhar por esta avenida era algo comparável a caminhar em NY. Pessoas elegantes, a imponência dos prédios. No final de semana mudava o perfil. Via-se figuras interessantes, vestimentas originais, tribos demarcadas.

Isso não mudou. Mudei eu. Há certos momentos na vida em que olhamos em volta e pensamos: "eu gostava disso, por que parei de fazer?". Na maior parte das vezes a gente sabe a resposta, existe uma justificativa, mas não evita que sintamos um vazio, uma saudade daquilo que não vivemos.

Muitos anos depois, tenho a oportunidade de caminhar novamente na Paulista por exigências profissionais. Emociono-me ainda com a vastidão da avenida, os prédios muito altos, o colorido das pessoas, a inegável elegância, o movimento nas estações de metrô, os inusitados skatistas, lojas, restaurantes, carros, ônibus, construções históricas, pessoas, pessoas, tic-tac temos pressa. Em cada esquina um ponto de interesse e uma nova impressão. Vale a pena conhecer.

Coincidências amorosas


Recebi um e-mail de uma amiga no outro dia dizendo que ela se reconheceu num post quando leu a palavra "jaburu". Esta minha amiga tem um vocabulário todo rebuscado se comparado à média das pessoas e também alguma historinhas curiosas. Pessoa muito divertida e interessante. Às vezes ela atribui determinada palavra à região onde mora, ela diz: "lá em Jundiaí se diz assim". E muitas vezes eu comento que no Rio também se diz assim. De onde se conclui que não é o fato de ser a cidade A ou B, é a necessidade que a pessoa tem de permear suas narrativas com palavras e expressões mais variadas e ricas.

Devo dizer para decepção dela que a palavra "jaburu" foi incorporada ao meu vocabulário bem cedo, na flor da adolescência. Na 5a. série fomos apresentados em grupo aos novos professores de Educação Física: era um professor para os meninos, chamado Ângelo e uma professora para as meninas chamada Ângela. E o curioso é que Ângelo e Ângela além de terem a mesma profissão, eram casados. Ângelo tinha o perfil "professor de educação física", divertido mas durão. Normalmente para os meninos eram partidas de futebol. E no meio da partida, a título de incentivo ele gritava para um e para outro: "vai lá, jaburu". E a palavra era utilizada de "n" outras formas.

Fiquei lembrando daquele casal. Até a 8a.série, quando mudei de escola, Ângelo e Ângela estavam sempre juntos, saiam e chegavam da escola juntos, aparentando completa sinergia. Lembrei-me de outros casais com coincidências de nome. Por exemplo, há um casal conhecido meu que assina Lu & Lu. E outro em que os nomes começam por G e que também assinam os seus nomes pelos respectivos apelidos, juntos.

Devo dizer que essa coincidência de nomes imprime no casal uma certa coesão. Mesmo se ilusória, imaginamos os dois sempre juntos. É quase como se não pudéssemos pensar em um sem o outro.

Eu acho isso bonito.