terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A emoção de ler

Quando a gente lê e se emociona é porque o escritor conseguiu atingir lá no fundo algo que estava calado mas que existia mesmo sem a gente se dar conta. A gente percebe que existem coisas que andam no consciente ou no inconsciente das pessoas e que fazem com que elas estejam ligadas pelo sentimento.

Sinto que o post abaixo é algo que eu gostaria de ter escrito. Já tentei algumas vezes descrever essas impressões. Ligo através de um link aquilo que já estava ligado num outro plano virtual.

Saudade

Obrigada, amiga.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O curioso caso de Benjamin Button

Eu ainda não vi mas li a sinopse e isto me fez pensar. Num momento mais oportuno emocionalmente, assistirei.

Eu li uma vez, não me recordo onde. Não sei se era dado científico ou tema filosófico. Isso pouco importa porque para mim faz sentido. Li que os bebês, os filhotes, nascem engraçadinhos para criar uma espécie de feitiço na mãe. Para que ela enternecida por aquele ser encantador, sinta-se compelida a cuidá-lo, pois não é uma tarefa tão fácil.

Reflito então sobre o filme que eu ainda não vi. Se o filhote é engraçadinho para encantar e se ao envelhecermos por vezes voltamos a agir como os bebês, então melhor é viver de forma digna, honrada, inspiradora. Para que no momento em que a pele não for mais viçosa e nem o cabelo tão brilhoso, quando necessitarmos de cuidado, que as pessoas que nos olham vejam através da pele enrugada. Que nos enxerguem na alma, lembrando dos bons momentos que passaram, das grandes pessoas que somos mesmo que momentaneamente presos a um corpo frágil.

Esse post é para o Anderson

Vocês devem estar se perguntando: quem é Anderson? Anderson, é um profissional de saúde. Plantonista da madrugada de uma UTI. Tive a oportunidade de acompanhar o seu trabalho por algumas horas. A gente se pega quase todo dia reclamando de coisas. Coisas mínimas se compararmos com o que vou falar agora.

Tem pessoas, como o Anderson, que lidam todo o dia com o sofrimento humano. Doenças de todo o tipo, gente chorando, gente desesperada, risco de contaminação, presenciam óbitos, limpam, trocam curativos, controlam o horário dos medicamentos. E eles fazem isso tudo com amor. Quem disse que amor incondicional é só de mãe? Amor incondicional existe, mesmo sem ser de mãe. Meninos, eu vi.

Eu queria citar outros nomes. Mas já esqueci. Como esqueci, invento. Que esta seja uma homenagem a todos os que eu conheci e aos que também não conheci. Teve a Sueli e a Vilma, sempre sorrindo, palavras amigas e de incentivo, a mocinha grávida que trabalha no pronto-socorro, checando o soro, olhando por cada um. O Anderson me inspirou, me fez colocar para fora esta emoção pelo capricho, a competência, e principalmente o carinho. O Anderson se apresentou, perguntou o nome de todos, preocupou-se com o conforto, com a posição, em melhorar a dor, em trocar a fralda. Orientou, fez força para entender as palavras confusas, cobriu, nutriu, tranquilizou. Falou como eu falava com os meus filhos, quando eram bebês. Amor incondicional.

Queria saber qual o mistério desta vocação. Lembremos do Anderson na próxima vez que buzinarmos para quem está distraído pensando na vida. Quando respondermos mal ao colega que nos fez uma pergunta. Quando nos impacientarmos com qualquer coisa que dure menos do que 5 minutos, porque amigos, creiam-me. As horas numa UTI não passam. A dor de uma UTI não passa. Só pessoas como o Anderson é que trazem um pouco de conforto para esse sofrimento que parece que não termina.

Julgamento, culpa, visão, medo

Estou aqui com tantos pensamentos, constatações e insights. Queria dividir tudo isto com as pessoas, falar sobre o que tenho aprendido mas é difícil. Difícil de se organizar e difícil de me fazer entender. É aquilo que eu sempre falo, da constatação, do "cair a ficha". A gente fica preso nuns pensamentos, sem ver saída. Um belo dia acontece algo, vem o clarão e a gente enxerga o erro. E tenta melhorar. Por mais que a gente tente explicar isto para outra pessoa, na maior parte das vezes não é possível. A pessoa compreende o que a gente diz mas não consegue praticar. Ou nem alcança o ponto de vista. Tem que sentir na pele para aprender. E às vezes nem aprende.

Estou percebendo o seguinte. A gente nasce míope. Aprendemos um monte de regras ao longo da infância, da adolescência, regras mínimas para nos tornarmos seres aptos a viver em sociedade. Algumas vezes aprendemos regras de mais, outras de menos. Estas regras fazem com que olhemos para os outros e os julguemos de acordo com o mínimo que aprendemos e o que a nossa visão alcança. Um exemplo: a gente aprende que tem que dar bom dia, agradecer que a pessoa abriu a porta do elevador. Aí a gente dá bom dia e o outro não responde, pronto: julgamento! "Que pessoa sem educação". Mas se a gente parasse para conversar com a pessoa, poderia descobrir que ela não respondeu simplesmente por estar enfrentando um problema sério, nem se deu conta de tão sofrida.

Me lembrei de um dia, tava numa loja, em Paris. Veio uma mulher e pediu licença para alguém que estava comigo. E esta pessoa não se mexeu. E a mulher, brandiu em francês: mas parece que é surdo! E o fato é, a pessoa em questão, realmente tinha problemas de audição exatamente do lado que a mulher falou. Por sorte, não se deu conta do ocorrido.

Presenciando fatos assim, a gente fica menos míope, amplia a visão. A gente lembra do acontecido e passa a julgar menos. Quanto mais a gente enxerga, menos a gente julga e menos culpado a gente se sente, creio eu. E mais feliz a gente fica, mais apto a se doar e a receber. Este é o ciclo da vida. Não ter medo, "se jogar" dentro dos seus limites. Galgar cada degrau no seu tempo certo. Conversar muito. Falar com o máximo de pessoas, ouvir diferentes pontos de vista. Ampliar, ampliar a visão (não entendia porque a Clarice Lispector ficava repetindo as palavras. Acabei de entender).

Não ter medo de errar. Ser responsável e caprichoso na medida certa. Sem culpas, sem medo. Não ter vergonha. Não ter vergonha do corpo, de pedir desculpas. Perdoar. Não se achar menos do que os outros. Não pensar que não é suficiente para os outros.

Eu vejo as coisas de fora. Vejo as pessoas se aprisionando em si próprias, se boicotando. Algumas vezes enxergo por ter cometido os mesmo erros e já ter me libertado de alguns. Não sou perfeita, longe disso. Tenho muito a melhorar. E já melhorei muitas coisas. Temo só não conseguir enxergar em mim mais coisas que me aprisionam e não conseguir melhorar mais.
Temo por esperança e não por impossibilidade. Aprendi que as coisas são possíveis.

É tudo isso que tenho aprendido e pensado. Mas não consigo dizer direito.

As aparências enganam

Recebi um e-mail certo dia de uma amiga com a qual não falava há muitos anos. Respondi para ela que tinha visto umas fotos dela no Orkut e que gostei de ver que ela está muito bonita e transparecendo muita felicidade. Ela respondeu para mim: "você já reparou como no Orkut todo mundo é feliz?"

Tive que concordar com ela.

Experimente dar upload de fotos no Orkut. No dia seguinte, vai perceber que o contador de visitas sobe estrondosamente. Seja por voyeurismo, por saudade ou curiosidade, as pessoas olham as fotos. E quem sobe as fotos, também tem um propósito.

As pessoas querem demonstrar felicidade e sucesso no Orkut por vários motivos. Alguns porque estão felizes mesmo, sobem as fotos no momento da empolgação. Outros por vingança, aquele sentimento meio "good girl gone bad" (pode ser "good boy gone bad" também), querem "passar o recado" para alguém de que "a fila andou". Tem os otimistas e os que querem usar um momento legal para se visualizarem sempre naquele estado feliz e terem forças para enfrentar as dificuldades. Há os exibicionistas, que gostam de mostrar o físico. E há os que vivem em "negação": sobem as fotos querendo que todo mundo veja mas se alguém comenta algo ou percebem que os outros viram as fotos, ficam ofendidos e reclamam que ninguém tem privacidade no Orkut.

Assim acontece com um blog também. Alguns escrevem absolutamente tudo o que se passa na cabeça no momento, como um diário pessoal. Outros mais românticos, se concentram em despejar as mazelas amorosas, com muito sofrimento e muito sentimento (o que geralmente provoca posts muito emocionantes, particularmente gosto, é a galera com perfil "Clarice Lispector"). Tem os cômicos, que também adoro. E há os que como eu usam o blog como terapia, tentando canalizar o sofrimento de forma positiva. É a "blogueterapia". Se esse termo não existe, inventei agora.

Não sei se dá para ser Poliana o tempo todo. Hoje por exemplo, não estou com muita vontade. Mas sigo aqui, tentando buscar boas palavras, bons assuntos que me tranquilizem e que também possam encantar o dia de alguém que perca alguns minutos lendo essas coisinhas que eu despretensiosamente escrevo. Mas peço desculpas se não conseguir ser muito positiva e tiver que escrever algumas coisas mais amargas algum dia. Aliás, peço licença.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ser feliz é um aprendizado

No outro dia eu estava conversando com uma pessoa e ela me disse: estou criando o meu filho de forma que ele aprenda a ser feliz. Achei engraçado essa afirmativa porque isso já foi tema de várias conversas minhas com uma grande amiga.

Olhe uma criança, ela nasce feliz. As pequenas descobertas do dia-a-dia, o cumprimento das menores necessidades básicas já trazem satisfação. A criança espera menos, ou quase nada das pessoas e das coisas.

Aí começam as regras: não pode isso, não pode aquilo, tem que fazer desse jeito. Espera que ainda não é a hora. Só que raras vezes as pessoas nos dizem: faça isso que é bom, isto que você acha que não pode, pode sim, também não precisa ser tão rígido, aquilo lá, não precisa esperar tanto, pode fazer agora que não faz mal. A gente exercita ao longo da vida a culpa, o tempo todo. E quase nada de felicidade.

Nem 8 nem 80. Nem ter regras de menos e nem de mais. Porque a falta de regras também gera infelicidade. É o que eu sempre comento. Se não deu para aprender a ser feliz de criança, ainda é tempo. Não é fácil encontrar o equilíbrio mas é possível. E quanto mais cedo "cair a ficha", melhor.

Lembranças inesquecíveis

Lembro-me exatamente de praticamente tudo o que aconteceu comigo neste exato dia, há 9 anos atrás. Certas lembranças são assim; os anos vão passar e para sempre lembramos. É engraçado isso: ter data marcada para lembrar.

Na noite anterior já comecei o jejum. Era muito cedo quando acordei, por volta de quatro e meia da manhã. Acordei quando ainda era escuro. Será que cheguei a dormir? Eu me arrumei, pegamos as malas já arrumadas havia meses e rumamos para a maternidade.

Entrei na sala de parto sozinha, aguardando a anestesia. Pouco a pouco, foram entrando médicos, assistentes. O que se seguiu, lembro em detalhes. Fatos, sensações. Mas seria cansativo ler a respeito, portanto poupo-lhes desta narrativa.

A emoção do nascimento, o que a gente sente quando colocam aquele bebê morninho ao lado da gente, o chorinho fraco, a primeira vez que os pegamos no colo, pegar naquelas mãozinhas minúsculas, não vou tentar descrever aqui. Não cabe num post, não tenho palavras suficientes. E nem olhos que segurem as lágrimas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Construtivismo


Como eu sempre gostei muito de ler, costumo utilizar a leitura como um momento "lúdico-filosófico" com os meus filhos. Normalmente eu não me restrinjo à estória. Ao longo da leitura (na maior parte das vezes antes de dormir), procuro fazer perguntas, associar a ilustração à narrativa, buscar o porque das coisas. Isso tudo eu sempre fiz intuitivamente e acompanhando o que eu sentia que era apropriado à faixa etária deles, já que não tenho nenhuma formação pedagógica.

Quando meu filho era ainda bem pequeno (2 ou 3 anos) eu procurava contar as verdades sobre as coisas numa linguagem que ele pudesse entender. A chuva, por exemplo, era quando um dia muito quente transformava a água dos lagos e dos rios num vaporzinho que subia até o céu e que chegando lá em cima encontrava de novo o frio que o transformava de volta em água fazendo com que as gotinhas caíssem de volta para a terra. Historinhas que ele gostava e memorizava. Tinha várias outras histórias. Do Sol que iluminava uma parte do planeta e o restante ficava no escuro criando a noite, das nuvens que ficavam se arrastando no céu fazendo muito barulho, os trovões, e assim por diante.

Depois que meu filho cresceu e comecei a trocar experiências com as professoras que seguem o método construtivista, cheguei à conclusão de que o que eu praticava empiricamente era um pouco do que se exercita nesse método. Eu sempre evitei dar respostas prontas. Estimulo o pensar. Num exercício de escola, se vejo um erro, tento apontar que existe uma falha para que o meu filho relendo o exercício o encontre. E na maior parte das vezes ele encontra.

Dois fatos interessantes aconteceram com meus filhos, os dois envolvendo dinossauros. O primeiro foi quando meu filho tinha uns 5 anos de idade, foi comentado pela professora durante uma reunião individual. Ela disse que explicou na classe que na época em que os dinossauros viveram, os homens ainda não existiam e que tudo o que se conhece hoje sobre os dinoussauros foi descoberto através dos fósseis. Meu filho perguntou para ela como então os cientistas conseguiram descobrir as cores dos dinossauros já que os fósseis não têm pele.

Hoje tive uma experiência com a minha filha. Menos científica e mais filosófica, eu diria. Estávamos no carro e ela tagarelando a respeito dos dinossauros. Ela tem cinco anos e meio e me disse: mamãe, os cientistas não sabem porque os dinossauros foram extintos (sim, é isso mesmo, as crianças dessa idade falam assim). Eu tenho uma idéia. Eu acho que o homem precisava existir e os dinossauros carnívoros comiam todos, então eles tiveram que morrer para que o homem existisse.

Há mais de um ano atrás eu comprei esse livro do Josteïn Gaarder, "Ei! Tem alguém aí?", para ler com meus filhos. Como eu já havia lido 2 livros deste autor e sabia que se trata de filosofia, li sozinha antes para ter certeza de que seria apropriado. Eu ainda achei um pouco avançado para eles. Mas devo dizer que fiquei bastante satisfeita pois percebi, de novo, que várias temáticas abordadas no livro são tratadas em nossas conversas ou brincadeiras.

Devo fazer somente uma ressalva. Meu filho que tem um perfil mais lógico, tem alguns problemas com a espiritualidade e religiosidade. Como ele sempre procura o porque das coisas, tem dificuldade de aceitar Deus. Ele estuda num colégio católico e espero que as aulas de formação religiosa o auxiliem nisso. Minha filha sempre foi mais "artista", sensível, menos ligada ao motivo das coisas. E embora consiga seguir muito bem uma linha de raciocínio, ela ainda consegue acreditar mesmo que logicamente não faça tanto sentido. Sendo assim, ela ainda acredita em Papai Noel. É quase como se ela ainda quisesse acreditar pois quando algo lhe parece inverossímil, ela mesma trata de buscar uma justificativa que resgate a veracidade da estória.