sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Eat Pray Love
Felizmente tenho lido bastante nos últimos tempos. Digo felizmente porque deixar de ler é algo que me aflige demais. Parece que tem todo um mundo de idéias correndo lá fora sem que eu consiga alcançá-las.
Apesar de tentar diversificar a minha leitura, vou confessar que não deixo de ter uma predileção por chick-lits. Ora, que mal faz uma leitura de entretenimento? Nem tudo precisa ser inteligente o tempo todo, né?
Mesmo assim, vale salientar que o livro que estou lendo nesse instante, "eat pray love" me surpreendeu por ter uma dose certa de profundidade. A autora confessa todas as dificuldades que enfrentou em seu divórcio, inclusive os episódios de depressão. Revela suas fraquezas e o que fez para tentar solucionar seus problemas. A partir do momento em que ela vai para a India e em seguida para a Indonésia, ela compartilha de uma forma bastante digerível uma série de ensinamentos de filosofia oriental. O livro é bem escrito e a linguagem rica e bem humorada.
Eu mesma já li livros de várias correntes espiritualistas e sempre fiquei com uma sensação de que é muito penoso atingir o tal nirvana, o contato direto com Deus. Não que não seja trabalhoso. Mas acho que existe dentro do crescimento espiritual algo de prático, que pode ser aplicado no dia-a-dia, sem que a gente tenha que raspar a cabeça e ficar cantando na rua enrolado em mantos. E é justamente isso que me agradou no livro. Apesar da autora embarcar numa viagem exótica e que envolve sim, reclusão e treinamento intensivo de meditação e yoga, fica uma sensação boa de que é possível, para quem quiser prestar atenção, conectar-se com a felicidade, com a divindade presente em nós e no mundo que nos cerca, desde que a gente se dedique e persista.
Eu recomendo que quem se interessar leia logo o livro pois o filme já saiu e deve chegar em breve ao Brasil.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Precious
Como falei anteriormente, andei numa maratona de filmes. Gosto para filmes é algo completamente particular. Eu, por exemplo, gosto dos agitados aos parados. Sou capaz de gostar dos filmes que ninguém gostou assim como de desgostar daqueles que todo mundo gostou. Não que eu seja do contra. Só queria de certa forma provar a minha teoria. O que faz a gente gostar de um filme, uma música? Momento, um aspecto isolado. Sei lá. O mesmo filme que a gente viu há anos atrás e revê numa fase diferente de vida, que decepção, já não tem o mesmo gosto. Ou aquele que a gente viu e torna a ver, puxa vida, não é que eu não tinha reparado nisso? E de repente ele passa a ter um novo sabor, uma graça, a explicação de tudo.
Entre os filmes que vi e gostei, poderia citar "Amor sem escalas" com o George Clooney, longe de uma comédia romântica como o anúncio leva a entender. Na verdade uma abordagem totalmente inusitada da crise americana e da frieza das relações profissionais de nossos tempos. Vamos lá, claro que evoluímos. Antigamente era mandar embora, deixar de morrer de fome e pronto. Hoje, tenta-se mesmo que minimamente, em ambiente um pouco mais evoluído, deixar-se uma impressão de que o ser humano por trás do empregado importa. Através de frases pré-construídas, estratégias bem boladas, que o filme tão fielmente retrata. Amei, a estética, paisagens que se entrecortam, a arte em mostrar belo aquilo que não é belo, câmeras que focam tão maestralmente olhos, sim, maestria nos olhos. Parabéns para os atores. É um filme de olhares.
Gostei também de "Um lugar para viver". Filminho despretensioso, mostra a jornada de um casal que se descobre grávido. Sabe aquele casal meio alternativo que vai vivendo a sua vidinha, o seu sonho, fazendo aquilo que gosta? E de repente questiona se a vida de sonho é suficiente para criar um filho. Realidade esmagadora de alguém que precisa criar um filho, que não se sente obrigado a seguir regras, a ter um plano de saúde, a privilegiar o estudo em instituição renomada, até que aparece um filho. Por que de fato, para pessoas com consciência, um filho muda tudo. A gente quer proporcionar ao filho tudo o que há de melhor, mesmo que a gente mesmo não tenha tido acesso a uma determinada coisa.
Tem outros filmes... Mas eu queria finalmente comentar "Precious". Eu venho fugindo de filmes extremamente tristes, vocês sabem como quem. Vou me isentar de pronunciar o nome dele. Mas dentro da minha fugaz fantasia de o mundo é belo, pausa que me dei de trabalho e das atrocidades do mundo, tenho evitado me envolver com questões negativas. Tenho passado "batido" de assassinato de Elisa, de morte de skatista e tudo o que possa se imaginar. Mas "Precious", é daqueles filmes infinitamente tristes mas que a gente não pode deixar de ver. A poesia que vem na figura de uma menina esteticamente e socialmente deformada, e quando a gente acha que nada mais pode dar errado na vida dela, ainda dá. É daquelas situações em que não se sabe explicar por que, a nossa esperança é renovada. Onde a gente, com olhos cheios de lágrimas enxerga a beleza da vida dentro do caos.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Por um mundo melhor
Faz tempo que estou devendo um pronunciamento sobre como eu desejo que o mundo seja e o que pode ser feito para fazer um mundo melhor.
Eu recebi indicações da Val de Com toda a minha alma e da Labelle de Mulher de Trinta, o que me deixou muito lisonjeada. Por isso achei por bem postar uma resposta quando tivesse algo de conteúdo a declarar. Bom, pelo menos vou tentar responder adequadamente.
A regra diz que precisamos:
Vou correr o risco aqui de ser chamada de saudosista. Mas o mundo que eu imagino é uma mistura das coisas boas que haviam na minha infância com aquilo de bom que o progresso nos trouxe. Queria um mundo em que as pessoas pudessem caminhar tranquilas na rua, onde vizinho conhecesse vizinho, onde as crianças pudessem jogar bola até o sol se por e andar sozinhas para o colégio. Queria bolo assado em casa, jantar e conversa em família, menos carro na rua e deslumbramento com as coisas simples. Queria que computador servisse para armazenar dados, evitando desmatamento, que aproximasse as pessoas de verdade, com trocas significativas.
O que eu faria para tornar o mundo melhor? Acredito que podemos tornar o mundo melhor promovendo mudanças em nós mesmos. Se cada um se empenhar de verdade, disseminando o amor pelo próximo, agindo certo porque é certo e não apenas pelas regras, se procurarmos sorrir mais, ser mais gentis, acredito que se conseguirmos promover essas mudanças, sendo menos materialistas, menos ambiciosos, ajudando, compartilhando, isso é que vai fazer o mundo melhor. Puxa, agora além de saudosista sou piegas...
No outro dia eu estava na fila do supermercado. O supermercado havia aberto apenas um caixa que era justamente o caixa preferencial. Formou-se uma fila enorme. Ao simples sinal de que mais um ia ser aberto, praticamente toda a fila se deslocou para o outro caixa. Eu estava já colocando minhas compras na esteira quando me dei conta de que eu havia "sobrado" no caixa preferencial e que atrás de mim tinha uma senhorinha com 2 potes de iogurte na mão. Olhei para ela e felizmente "caiu a ficha". Perguntei: "a senhora gostaria de passar as suas compras antes de mim?". O olhar dela se iluminou e ela, muito simpática, me respondeu que "sim, muito obrigada!". Ela estendeu seus potes de iogurte para a moça do caixa muito delicadamente e informou: "estou aceitando a gentileza de minha amiguinha aqui". Pagou e me agradeceu mais umas 2 ou 3 vezes. E eu saí com um belo sorriso do supermercado.
Fazer o bem faz bem. Believe me!
Eu recebi indicações da Val de Com toda a minha alma e da Labelle de Mulher de Trinta, o que me deixou muito lisonjeada. Por isso achei por bem postar uma resposta quando tivesse algo de conteúdo a declarar. Bom, pelo menos vou tentar responder adequadamente.
A regra diz que precisamos:
- Exibir o selo no blog e apoiar,
- Colocar o link do blog que nos deu o selo
- Indicar quantos blogs quiser
- Ah! E falar sobre o tema, é claro
Vou correr o risco aqui de ser chamada de saudosista. Mas o mundo que eu imagino é uma mistura das coisas boas que haviam na minha infância com aquilo de bom que o progresso nos trouxe. Queria um mundo em que as pessoas pudessem caminhar tranquilas na rua, onde vizinho conhecesse vizinho, onde as crianças pudessem jogar bola até o sol se por e andar sozinhas para o colégio. Queria bolo assado em casa, jantar e conversa em família, menos carro na rua e deslumbramento com as coisas simples. Queria que computador servisse para armazenar dados, evitando desmatamento, que aproximasse as pessoas de verdade, com trocas significativas.
O que eu faria para tornar o mundo melhor? Acredito que podemos tornar o mundo melhor promovendo mudanças em nós mesmos. Se cada um se empenhar de verdade, disseminando o amor pelo próximo, agindo certo porque é certo e não apenas pelas regras, se procurarmos sorrir mais, ser mais gentis, acredito que se conseguirmos promover essas mudanças, sendo menos materialistas, menos ambiciosos, ajudando, compartilhando, isso é que vai fazer o mundo melhor. Puxa, agora além de saudosista sou piegas...
No outro dia eu estava na fila do supermercado. O supermercado havia aberto apenas um caixa que era justamente o caixa preferencial. Formou-se uma fila enorme. Ao simples sinal de que mais um ia ser aberto, praticamente toda a fila se deslocou para o outro caixa. Eu estava já colocando minhas compras na esteira quando me dei conta de que eu havia "sobrado" no caixa preferencial e que atrás de mim tinha uma senhorinha com 2 potes de iogurte na mão. Olhei para ela e felizmente "caiu a ficha". Perguntei: "a senhora gostaria de passar as suas compras antes de mim?". O olhar dela se iluminou e ela, muito simpática, me respondeu que "sim, muito obrigada!". Ela estendeu seus potes de iogurte para a moça do caixa muito delicadamente e informou: "estou aceitando a gentileza de minha amiguinha aqui". Pagou e me agradeceu mais umas 2 ou 3 vezes. E eu saí com um belo sorriso do supermercado.
Fazer o bem faz bem. Believe me!
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Comer
Eu ando numa maratona de filmes... Durante algum tempo, olhava os lançamentos ou mesmo filmes muito comentados e ficava com um ar de desconfiança... agora resolvi colocar em dia e tive ótimas surpresas. Quem sabe eu não ganho motivação para postar essas dicas.
Engraçado como funciona a cabeça da gente. Estava assistindo "Julie e Julia" e numa determinada cena, em que eles estão com a irmã de Julia num restaurante, quebrando nacos de baguette, bebendo vinho e degustando queijos, eu me peguei pensando. Pensamento provocado pelo desejo de comer um Brie: existe na vida da gente um marco, lógico que não para todos, mas para aqueles que apreciam boa comida e boa bebida. Esse marco é que determina quando a gente deixa de simplesmente se alimentar para efetivamente apreciar comida. Quando a gente fica parecendo assim meio bobo, meio esnobe, por idolatrar um certo tipo de queijo, uma marca de azeite ou uma boa garrafa de vinho.
Parei a cena do video e fiquei tentando imaginar quando isso pode ter acontecido comigo. Se foi na época em que eu li Peter Mayle, em que nem estressada eu era com a vida moderna ainda, mas em que eu incorporava um executivo inglês, cansado do ritmo excessivo do trabalho, conhecendo e se apaixonando aos poucos pela região da Provence. Ou melhor teria sido na época da mania de Isaías Pessotti, na qual entre um prato de massa e uma taça de delicado vinho italiano e beges paisagens, se desvendava um crime já arquivado, num ritmo quase de Agatha Christie mas infinitamente mais saboroso? Ou do tal "vol-au-vent" de codorna da memorável "Festa de Babette"?
Devo dizer que essas delícias, eu nem as havia provado ainda. Ficava a curiosidade sem nem saber ao certo como elas seriam exatamente. Quase como a criança que degustava mentalmente os tais pastéis de vento do fantasminha Pluft.
Muitos anos se passaram. Viagens, jantares, mais livros. Inacreditavelmente, vol-au-vent de codorna. Filmes. Mais uma paixão cultivada, entre tantas artes: o prazer de comer. Só que agora de verdade. Com o tempo, com mais sabedoria. "Sin perder la ternura", sem deixar de reconhecer o gozo das coisas simples, do cheiro de um arroz bem feito.
Incrível essa cabeça da gente. Que por causa de uma simples cena, leva-nos a revisitar quase que uma vida inteira.
Engraçado como funciona a cabeça da gente. Estava assistindo "Julie e Julia" e numa determinada cena, em que eles estão com a irmã de Julia num restaurante, quebrando nacos de baguette, bebendo vinho e degustando queijos, eu me peguei pensando. Pensamento provocado pelo desejo de comer um Brie: existe na vida da gente um marco, lógico que não para todos, mas para aqueles que apreciam boa comida e boa bebida. Esse marco é que determina quando a gente deixa de simplesmente se alimentar para efetivamente apreciar comida. Quando a gente fica parecendo assim meio bobo, meio esnobe, por idolatrar um certo tipo de queijo, uma marca de azeite ou uma boa garrafa de vinho.
Parei a cena do video e fiquei tentando imaginar quando isso pode ter acontecido comigo. Se foi na época em que eu li Peter Mayle, em que nem estressada eu era com a vida moderna ainda, mas em que eu incorporava um executivo inglês, cansado do ritmo excessivo do trabalho, conhecendo e se apaixonando aos poucos pela região da Provence. Ou melhor teria sido na época da mania de Isaías Pessotti, na qual entre um prato de massa e uma taça de delicado vinho italiano e beges paisagens, se desvendava um crime já arquivado, num ritmo quase de Agatha Christie mas infinitamente mais saboroso? Ou do tal "vol-au-vent" de codorna da memorável "Festa de Babette"?
Devo dizer que essas delícias, eu nem as havia provado ainda. Ficava a curiosidade sem nem saber ao certo como elas seriam exatamente. Quase como a criança que degustava mentalmente os tais pastéis de vento do fantasminha Pluft.
Muitos anos se passaram. Viagens, jantares, mais livros. Inacreditavelmente, vol-au-vent de codorna. Filmes. Mais uma paixão cultivada, entre tantas artes: o prazer de comer. Só que agora de verdade. Com o tempo, com mais sabedoria. "Sin perder la ternura", sem deixar de reconhecer o gozo das coisas simples, do cheiro de um arroz bem feito.
Incrível essa cabeça da gente. Que por causa de uma simples cena, leva-nos a revisitar quase que uma vida inteira.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Tales of Mere Existence
É uma pena não ter disponível com legendas, apesar de que grande parte da graça está em como ele fala as coisas.
Eu recomendo esse aí para começar. "A typical conversation with my mom".
Eu recomendo esse aí para começar. "A typical conversation with my mom".
Gatilho
Estava lendo no outro dia um livro chamado "Deus usa batom" de Karen Berg. Esse livro fala sobre a Cabala com um enfoque para mulheres. Acredito que a espiritualidade, independentemente da linha adotada, é necessária na vida de todos. Eu sempre busquei a minha, lamento dizer que nunca no grau de maturidade e disciplina que eu gostaria de atingir. Mas saber que pelo menos eu penso no assunto, que pelo menos a consciência existe, isso me traz um mínimo de conforto. No outro dia uma amiga me escreveu: "não se martirize". E é este um dos grande ensinamentos que eu preciso aprender e interiorizar. Martirizar-se não soluciona nada.
Voltando ao livro, existem muitos ensinamentos bacanas e que considero lógicos. Práticas que eu já entendi há muito tempo atrás serem necessárias. Leio esses livros, me identifico, mas no fundo vem uma frustração (olha eu me martirizando de novo). Eu não me conformo com a distância que existe entre aquilo que a gente considera bom e que a gente gostaria de aplicar de forma consistente na vida com o que a gente realmente consegue por em prática. Creio que um dos grandes mistérios da vida está em encontrar a chave da reprogramação de nossos pensamentos e ações. Por mais que a gente saiba que determinada atitude não faz bem (vou me isentar aqui da classificação de certo ou errado), isso infelizmente não previne a atitude em si. A gente não gosta, sabe que o resultado não vai ser bom mas continua fazendo do mesmo jeito.
Sabe o que me frustra mais? Tem coisas que a gente faz por inconsciência. Digamos assim, que até tem uma certa desculpa. E aquilo que a gente tem consciência a respeito mas não consegue controlar? Talvez o controle seja o pior de tudo. Sempre digo que a situação ideal é quando algo se torna um hábito bom. Você não precisa se forçar àquilo. Você simplesmente faz. Aquilo já se tornou parte de você. O controle, especialmente em pessoas explosivas, parece ter o efeito contrário ao desejado. Me parece que o controle leva em algum ponto ao descontrole. Vem um gatilho e "buuummmm", lá se foi pelos ares o controle. E pior, parece que com mais força do que se não tivesse ocorrido uma tentativa de evitar.
Gatilho. Sim, percebi que existem gatilhos. Frases, repetições externas. Coisas que nos incomodam e que a gente não tem como mudar. Não dá para fugir, não dá para calar. Não dá para evitar. E a gente tem que aprender de alguma forma (que forma será essa?) a aceitar. Aquilo que nos incomoda, não necessariamente está errado. Às vezes não dá nem para mensurar ou classificar. Simplesmente incomoda. E ninguém, aí que está o mais difícil de tudo, a não ser nós mesmos, vai conseguir solucionar. "Para toda ação existe uma reação". Eu gostaria sinceramente que a reação não fosse eternamente a mesma disparada pela ação. E que a intensidade, como na equação física, fosse na medida do possível, proporcional.
Voltando ao livro, existem muitos ensinamentos bacanas e que considero lógicos. Práticas que eu já entendi há muito tempo atrás serem necessárias. Leio esses livros, me identifico, mas no fundo vem uma frustração (olha eu me martirizando de novo). Eu não me conformo com a distância que existe entre aquilo que a gente considera bom e que a gente gostaria de aplicar de forma consistente na vida com o que a gente realmente consegue por em prática. Creio que um dos grandes mistérios da vida está em encontrar a chave da reprogramação de nossos pensamentos e ações. Por mais que a gente saiba que determinada atitude não faz bem (vou me isentar aqui da classificação de certo ou errado), isso infelizmente não previne a atitude em si. A gente não gosta, sabe que o resultado não vai ser bom mas continua fazendo do mesmo jeito.
Sabe o que me frustra mais? Tem coisas que a gente faz por inconsciência. Digamos assim, que até tem uma certa desculpa. E aquilo que a gente tem consciência a respeito mas não consegue controlar? Talvez o controle seja o pior de tudo. Sempre digo que a situação ideal é quando algo se torna um hábito bom. Você não precisa se forçar àquilo. Você simplesmente faz. Aquilo já se tornou parte de você. O controle, especialmente em pessoas explosivas, parece ter o efeito contrário ao desejado. Me parece que o controle leva em algum ponto ao descontrole. Vem um gatilho e "buuummmm", lá se foi pelos ares o controle. E pior, parece que com mais força do que se não tivesse ocorrido uma tentativa de evitar.
Gatilho. Sim, percebi que existem gatilhos. Frases, repetições externas. Coisas que nos incomodam e que a gente não tem como mudar. Não dá para fugir, não dá para calar. Não dá para evitar. E a gente tem que aprender de alguma forma (que forma será essa?) a aceitar. Aquilo que nos incomoda, não necessariamente está errado. Às vezes não dá nem para mensurar ou classificar. Simplesmente incomoda. E ninguém, aí que está o mais difícil de tudo, a não ser nós mesmos, vai conseguir solucionar. "Para toda ação existe uma reação". Eu gostaria sinceramente que a reação não fosse eternamente a mesma disparada pela ação. E que a intensidade, como na equação física, fosse na medida do possível, proporcional.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Por que é assim?
Pode me chamar de chata. Eu sou o tipo de pessoa que lava a louça se perguntando se é água demais. Que fica tentando imaginar o que vai acontecer com todas aquelas embalagens jogadas fora. Que pede licença quando vai passar na frente de alguém que olha a prateleira no supermercado e que devolve o carrinho para o lugar ao final das compras. Eu agradeço quando alguém me abre a porta e dou bom dia. Com o tempo fui adquirindo mais algumas manias. Tento não fazer fofoca, não julgar e não comer doces. Eu detesto que façam mal aos animais, não gosto de gente que só reclama e abomino falta de educação no trânsito. Ah, esqueci! Eu dou passagem e respeito o farol vermelho. E as faixas. E o limite de velocidade. Eu não pego dinheiro no chão da rua. Para mim, achado não é roubado mas também não é meu. É de alguém que pode voltar para buscar.
Poderia dizer que estas são coisas "pequenas" que me preocupam. Muitas regras que eu inventei para mim, formas de respeitar e viver bem. Ser uma pessoa educada, agradável e que sabe viver em comunidade. Tão chata eu sou.
Não é de admirar então que cada vez mais eu veja um abismo se formar entre mim e a realidade. Existem coisas que não deixam de me surpreender negativamente. Cada vez mais e a cada dia mais. Quanto menos eu minto, cada desculpa esfarrapada que deixo de dar aumenta a minha estupefação diante das mentiras deslavadas e desnecessárias. Certos conceitos como não roubar e não matar, são coisas inquestionáveis, práticas naturais desde que me entendo por gente, então é inacreditável dentro do meu universo que possam existir pessoas capazes de praticá-las e pior, por motivos fúteis. Lógico que não sou míope, não sou alienada e consigo entender o pano de fundo do problema social, da infância desprovida, da violência doméstica. Vejo as atrocidades nas notícias e no cotidiano, longe ou perto de mim e antes costumava me perguntar: por que tem que ser assim? Por que eles precisaram fazer isso? Sim, eu vivia me perguntando.
Com o tempo cansei de que querer saber o por quê. Cansei ou concluí ser inútil. O por que, se a gente sabe, não resolve. No mínimo previne, se for possível. Não me interessa mais saber por que é assim. Eu só gostaria que não fosse assim.
Poderia dizer que estas são coisas "pequenas" que me preocupam. Muitas regras que eu inventei para mim, formas de respeitar e viver bem. Ser uma pessoa educada, agradável e que sabe viver em comunidade. Tão chata eu sou.
Não é de admirar então que cada vez mais eu veja um abismo se formar entre mim e a realidade. Existem coisas que não deixam de me surpreender negativamente. Cada vez mais e a cada dia mais. Quanto menos eu minto, cada desculpa esfarrapada que deixo de dar aumenta a minha estupefação diante das mentiras deslavadas e desnecessárias. Certos conceitos como não roubar e não matar, são coisas inquestionáveis, práticas naturais desde que me entendo por gente, então é inacreditável dentro do meu universo que possam existir pessoas capazes de praticá-las e pior, por motivos fúteis. Lógico que não sou míope, não sou alienada e consigo entender o pano de fundo do problema social, da infância desprovida, da violência doméstica. Vejo as atrocidades nas notícias e no cotidiano, longe ou perto de mim e antes costumava me perguntar: por que tem que ser assim? Por que eles precisaram fazer isso? Sim, eu vivia me perguntando.
Com o tempo cansei de que querer saber o por quê. Cansei ou concluí ser inútil. O por que, se a gente sabe, não resolve. No mínimo previne, se for possível. Não me interessa mais saber por que é assim. Eu só gostaria que não fosse assim.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Pensamentos
Estou tentando lembrar onde foi que eu li ou ouvi recentemente que não importa quantas coisas boas tenham sido feitas para você na infância, que você provavelmente vai esquecer isso tudo e só vai lembrar daquela única coisa, ou poucas coisas ruins que aconteceram.
Nas minhas leituras pelos blogs afora, vejo o assunto adolescência como um tema recorrente. Quase todo mundo conta algo, se não uma situação específica, que marcou negativamente, dissertações sobre a fase, sobre as angústias, os medos, as inseguranças.
Já li, tanto na corrente espiritualista, como em textos pedagógicos, que a idade de 7 anos é um marco na vida de uma pessoa. Até os 7 anos, a criança encontra-se em formação; o que for recebido de valores éticos, de conceitos que servem para a formação do indivíduo, a construção da auto-estima, é isso o que vai determinar a conduta do adulto no futuro. Houve quem dissesse até que se a criança não recebeu até essa idade a base adequada, que ela seria de certa forma um "caso perdido".
Não gosto de radicalismos. Eu tento sempre acreditar que tudo é possível se a gente acredita, se se esforça. Reconheço o papel da dor como agente de mudanças. Preciso acreditar em tudo isso.
Mas não posso deixar de admitir que certas frases, certos pensamentos dessa tenra idade, mesmo que equivocados, nos perseguem mesmo que subliminarmente. Por vezes as mensagens são identificadas e trabalhadas e em muitas outras, elas movem ações e pensamentos presentes sem que nós tomemos consciência. Isso é cruel.
Como minimizar essas marcas? Como voltar ao passado e explicar para aquela criança que sentia medo e solidão que seus temores eram infundados? Que a dimensão de suas preocupações era exagerada?
Se a adolescência foi uma fase difícil? Com certeza sim. Mas felizmente não deixou traumas eternos. Tenho a satisfação de reconhecer que aqueles problemas, os da adolescência, eu esqueci.
Nas minhas leituras pelos blogs afora, vejo o assunto adolescência como um tema recorrente. Quase todo mundo conta algo, se não uma situação específica, que marcou negativamente, dissertações sobre a fase, sobre as angústias, os medos, as inseguranças.
Já li, tanto na corrente espiritualista, como em textos pedagógicos, que a idade de 7 anos é um marco na vida de uma pessoa. Até os 7 anos, a criança encontra-se em formação; o que for recebido de valores éticos, de conceitos que servem para a formação do indivíduo, a construção da auto-estima, é isso o que vai determinar a conduta do adulto no futuro. Houve quem dissesse até que se a criança não recebeu até essa idade a base adequada, que ela seria de certa forma um "caso perdido".
Não gosto de radicalismos. Eu tento sempre acreditar que tudo é possível se a gente acredita, se se esforça. Reconheço o papel da dor como agente de mudanças. Preciso acreditar em tudo isso.
Mas não posso deixar de admitir que certas frases, certos pensamentos dessa tenra idade, mesmo que equivocados, nos perseguem mesmo que subliminarmente. Por vezes as mensagens são identificadas e trabalhadas e em muitas outras, elas movem ações e pensamentos presentes sem que nós tomemos consciência. Isso é cruel.
Como minimizar essas marcas? Como voltar ao passado e explicar para aquela criança que sentia medo e solidão que seus temores eram infundados? Que a dimensão de suas preocupações era exagerada?
Se a adolescência foi uma fase difícil? Com certeza sim. Mas felizmente não deixou traumas eternos. Tenho a satisfação de reconhecer que aqueles problemas, os da adolescência, eu esqueci.
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