Reaprendi recentemente que recortes e colagens fazem parte de mim desde muito tempo, desde épocas em que eu nem me lembrava mais. Sempre me encantaram, particularmente os trabalhos com dimensão. Quando pequena eu ficava admirando por vários minutos as páginas das estórias de Chapeuzinho Vermelho e Cinderela em versão dimensional, onde mini-cenários exibiam bonequinhas vestidas com pérolas e rendas. Eu examinava cada detalhe e desejava intimamente poder entrar naqueles cenários.
Eu assisti recentemente o filme "Le Petit Nicolas". O filme foi feliz em retratar o livro da forma como o lemos, ou pelo menos da forma como eu o imaginava quando o li há muitos anos atrás. E engraçado isso, o que me marcou mais no filme foi a abertura, com ilustrações originais em forma de pop-up. Genial. Isso me faria sonhar quando era criança, ou melhor, me faz sonhar mesmo depois de adulta!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
Balanço
"Antes de ter sido sequestrada, eu acho que a felicidade estava relacionada ao sucesso. Atualmente a felicidade está relacionada para mim ao descanso, paz, serenidade".
Um dia desses caiu em minhas mãos uma revista contendo uma entrevista com Ingrid Betancourt, ex-senadora colombiana sequestrada pelas FARC e mantida em cativeiro durante 6 anos. Não posso dizer que acompanhei de tão perto a trajetória de Ingrid mas a sua história me chamou a atenção desde a ocasião do seu sequestro. O documentário que eu assisti a retratou como uma mulher de garra, que lutava contra a pobreza e a corrupção no governo colombiano. Se era verdade ou não, se a postura dela após a sua libertação em 2008 foi correta, nada disso cabe a mim julgar ou defender. O que me interessa nesse caso é a conclusão a que ela chegou após anos de reclusão e ao momento de vida em que ela se encontra.
Estamos iniciando um novo ano. Momento de inevitável reavaliação, de planejamento. Muitos dizem que estamos no início de uma nova era, mudança que se concretizará com alterações drásticas na forma como a vida é vista e valorizada no planeta. Dizem que tudo isso se concretizará em 2012, que as mudanças embora radicais e sofridas, não resultarão no fim do mundo como previa Nostradamus mas como um fim do que há de ruim e início de nova era. Bom, me parece que todo ano existem previsões deste tipo ou de todos os tipos. Eu gostaria muito que dessa vez fosse verdade.
Eu assisti muitos filmes nesse final de semana. Duas temporadas de Dexter, um serial killer que por incrível que pareça a gente aprende a amar, "Whatever Works" de Woody Allen e Casamento Silencioso, um filme de produção romena. E estou iniciando o "Petit Nicolas", livro que eu li há muitos anos atrás e que agora estou tendo o prazer de assistir, com todas as suas deliciosas interpretações infantis do mundo adulto. Ah! E antes que vocês perguntem, se é que vocês se recordam de um post meu antigo, sim, eu consegui reconhecer várias palavras em romeno.
Eu fiquei pensando após essa overdose de informação que há um momento na vida em que a gente tende a olhar para trás, avaliar o que a gente fez de bom ou de ruim e em que a gente sente necessidade de mudar. Quase sempre isso resulta em mudanças radicais. E se a gente não resolve por livre e espontânea vontade promover essas mudanças, parece que de alguma forma a vida se encarrega de forçá-las. Acho que não é nada assim de espetacular, parece ser parte da vida, como um roteiro pré-definido. Sabe aquela história de que os bebês parecem se comportar mais ou menos igual, têm um tempo de chorar, um tempo para sentar, um tempo para engatinhar, e por aí, uma cronologia mais ou menos parecida? Aí vem a adolescência em que por mais popular que se possa parecer, quase sempre lutamos contra nossas próprias inseguranças e dúvidas? Pois é, então existe um período pós-realização ou não realização, por volta dos 40 anos em que a gente resolve jogar tudo para o alto. Não necessariamente porque foi inútil, talvez simplesmente porque foi o certo durante um tempo mas deixou de ser. Ou porque a gente viu que tentar ser o que os outros querem que a gente seja e não o que a gente realmente é, não funciona. Isso me lembra que eu assisti também um documentário sobre Freud. E essa batalha foi o que ele tão brilhantemente descreveu como a luta entre o nosso Superego e o nosso Id.
Estou lendo um livro do Nick Hornby onde várias pessoas tentam suicídio no mesmo local e não só elas não se suicidam como começam uma jornada de conhecimento dos problemas uns dos outros. Eu ainda estou no início do livro. Mas o que me chamou a atenção nesse caso não foram os problemas em si mas o "awakening", o cair da ficha. O "Whatever Works", "Tudo pode dar certo", pinta de uma forma muito divertida essas oportunidades de um "fresh start" como o americano costuma dizer e termo que eu particularmente gosto pois me parece muito simpático ser refrescada com a oportunidade de um novo início. Woody Allen parece ter retomado neste filme seu velho e querido estilo de história passada em NY regada a intelectuais com seus problemas aparentemente sofisticados e complexos mas que na verdade não têm nada de particulares, são apenas de natureza humana. Filme regado a diálogos inteligentes, belas prateleiras de livros que eu tanto gosto e o principal: o sarcasmo brilhantemente bem-humorado.
Bom, parece que o meu balanço não resultou em muita conclusão. Sigo aqui pensando em todas essas coisas, refletindo sobre a vida, nas verdades que um dia a gente questiona, chega a pensar que não eram verdades como a gente imaginava. Sonhando com um novo mundo, desejando que um dia deixemos de ser prisioneiros, seja de um sistema político, uma relação equivocada, uma expectativa ou mesmo de nossos próprios pensamentos. Desejando estudar cada vez mais, melhorar não somente intelectualmente mas como ser completo e único e ao mesmo tempo interconectado. Esses são os meus desejos para o ano que se inicia e para os que estão por vir. E é o que desejo a todos vocês. Um feliz 2011!!
Um dia desses caiu em minhas mãos uma revista contendo uma entrevista com Ingrid Betancourt, ex-senadora colombiana sequestrada pelas FARC e mantida em cativeiro durante 6 anos. Não posso dizer que acompanhei de tão perto a trajetória de Ingrid mas a sua história me chamou a atenção desde a ocasião do seu sequestro. O documentário que eu assisti a retratou como uma mulher de garra, que lutava contra a pobreza e a corrupção no governo colombiano. Se era verdade ou não, se a postura dela após a sua libertação em 2008 foi correta, nada disso cabe a mim julgar ou defender. O que me interessa nesse caso é a conclusão a que ela chegou após anos de reclusão e ao momento de vida em que ela se encontra.
Estamos iniciando um novo ano. Momento de inevitável reavaliação, de planejamento. Muitos dizem que estamos no início de uma nova era, mudança que se concretizará com alterações drásticas na forma como a vida é vista e valorizada no planeta. Dizem que tudo isso se concretizará em 2012, que as mudanças embora radicais e sofridas, não resultarão no fim do mundo como previa Nostradamus mas como um fim do que há de ruim e início de nova era. Bom, me parece que todo ano existem previsões deste tipo ou de todos os tipos. Eu gostaria muito que dessa vez fosse verdade.
Eu assisti muitos filmes nesse final de semana. Duas temporadas de Dexter, um serial killer que por incrível que pareça a gente aprende a amar, "Whatever Works" de Woody Allen e Casamento Silencioso, um filme de produção romena. E estou iniciando o "Petit Nicolas", livro que eu li há muitos anos atrás e que agora estou tendo o prazer de assistir, com todas as suas deliciosas interpretações infantis do mundo adulto. Ah! E antes que vocês perguntem, se é que vocês se recordam de um post meu antigo, sim, eu consegui reconhecer várias palavras em romeno.
Eu fiquei pensando após essa overdose de informação que há um momento na vida em que a gente tende a olhar para trás, avaliar o que a gente fez de bom ou de ruim e em que a gente sente necessidade de mudar. Quase sempre isso resulta em mudanças radicais. E se a gente não resolve por livre e espontânea vontade promover essas mudanças, parece que de alguma forma a vida se encarrega de forçá-las. Acho que não é nada assim de espetacular, parece ser parte da vida, como um roteiro pré-definido. Sabe aquela história de que os bebês parecem se comportar mais ou menos igual, têm um tempo de chorar, um tempo para sentar, um tempo para engatinhar, e por aí, uma cronologia mais ou menos parecida? Aí vem a adolescência em que por mais popular que se possa parecer, quase sempre lutamos contra nossas próprias inseguranças e dúvidas? Pois é, então existe um período pós-realização ou não realização, por volta dos 40 anos em que a gente resolve jogar tudo para o alto. Não necessariamente porque foi inútil, talvez simplesmente porque foi o certo durante um tempo mas deixou de ser. Ou porque a gente viu que tentar ser o que os outros querem que a gente seja e não o que a gente realmente é, não funciona. Isso me lembra que eu assisti também um documentário sobre Freud. E essa batalha foi o que ele tão brilhantemente descreveu como a luta entre o nosso Superego e o nosso Id.
Estou lendo um livro do Nick Hornby onde várias pessoas tentam suicídio no mesmo local e não só elas não se suicidam como começam uma jornada de conhecimento dos problemas uns dos outros. Eu ainda estou no início do livro. Mas o que me chamou a atenção nesse caso não foram os problemas em si mas o "awakening", o cair da ficha. O "Whatever Works", "Tudo pode dar certo", pinta de uma forma muito divertida essas oportunidades de um "fresh start" como o americano costuma dizer e termo que eu particularmente gosto pois me parece muito simpático ser refrescada com a oportunidade de um novo início. Woody Allen parece ter retomado neste filme seu velho e querido estilo de história passada em NY regada a intelectuais com seus problemas aparentemente sofisticados e complexos mas que na verdade não têm nada de particulares, são apenas de natureza humana. Filme regado a diálogos inteligentes, belas prateleiras de livros que eu tanto gosto e o principal: o sarcasmo brilhantemente bem-humorado.
Bom, parece que o meu balanço não resultou em muita conclusão. Sigo aqui pensando em todas essas coisas, refletindo sobre a vida, nas verdades que um dia a gente questiona, chega a pensar que não eram verdades como a gente imaginava. Sonhando com um novo mundo, desejando que um dia deixemos de ser prisioneiros, seja de um sistema político, uma relação equivocada, uma expectativa ou mesmo de nossos próprios pensamentos. Desejando estudar cada vez mais, melhorar não somente intelectualmente mas como ser completo e único e ao mesmo tempo interconectado. Esses são os meus desejos para o ano que se inicia e para os que estão por vir. E é o que desejo a todos vocês. Um feliz 2011!!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
E tudo era branco...
Dada a proximidade do Réveillon e estando eu avessa ultimamente a aglomerações, restou-me ir à locadora e pegar um pacote de fim de semana (e eu ainda com essa história de não saber as regras da nova ortografia, onde vai hífen e onde não vai). Entre os filmes, o "Sex in the city 2".
Antes de mais nada, devo observar que a frase anterior, não sei explicar, me arremeteu em qualquer parte da mente à coluna do "Apicius", do saudoso JB. Linkei a definição de um blog achado no Google, não por ser seguidora (embora talvez até mereça seguir, devido à coincidência de afinidades) mas por pressa de não deixar escapar o momento. A lembrança não veio de imediato. Fiquei pensando: "quem era mesmo que eu lia assim?".
Comecei a assistir o filme e minutos após, tocada pelas belíssimas cenas do casamento gay que se inicia, tive um daqueles "insights". Segundo os participantes até o momento, um casamento não poderia ser mais gay. Ironia ou não, vejo as cenas que se desenrolam, de um branco estonteante e músicas que evocam as lembranças de várias tardes passadas na companhia da "Sessão da Tarde" e seus musicais e me emociono.
Fiquei deslumbrada pelas músicas, pela beleza das cenas e resolvi dar um pause no filme para registrar A sensação. Talvez eu não consiga descrever com exatidão, o que foi exatamente que eu senti. Muitas vezes me faltam os adjetivos e os substantivos. Mas foi um misto de saudosismo com encantamento. Vejam o que as cenas provocaram em mim: tive que procurar no dicionário a tradução para "émerveillement" pois esta foi a palavra que me ocorreu e para a qual não conseguia um sinônimo em minha própria língua. Isso é indicativo da mágica que me envolveu pois me parece que as mesmas coisas que dizemos no português, se ditas no francês, não sei porque, soam mais bonitas.
Eu não sei se esse estado em que eu fiquei é indicativo de idade, se alguém mais jovem poderia se emocionar como eu me emocionei. Nem entendo como podem os gays, pelo menos os hollywoodianos, ter essa capacidade de potencializar as fantasias femininas infantis, regadas a belos vestidos, divinas músicas e castelos encantados. E de princesas. Também não sei dizer se o filme vai prosseguir tão bom assim. Só sei dizer que foi assim que eu senti e foi assim que eu quis dizer.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O Natal chegou!
Quando eu era criança eu fazia questão de produzir a maior lista que conseguisse imaginar de amigos e parentes para enviar cartões de Natal. Creio que data daquela época a minha mania de escrever, pois não importava o tamanho da lista, eu sempre escrevia algo personalizado, nem que fosse apenas uma linha mas que não podia repetir para ninguém.
Na adolescência eu tinha pen friend, tinha prima que morava distante e tinha amiga que ia passar férias fora. Inventava o que fosse por uma oportunidade para escrever. E junto aquela ansiedade gostosa de imaginar se a carta ia chegar logo, se não ia extraviar e se a amiga ia gostar.
A internet tomou conta da vida da gente, rarearam as cartas e até os cartões de Natal. Para que mandar carta se tem e-mail? Alguns poucos românticos se mantiveram fiéis ao hábito. Outros, como eu, se afogaram na correria e o deixaram para o final da lista.
Certas sensações não mudam, são apenas esquecidas. Como a alegria que a gente sente, por mais que saiba que uma carta vai chegar, no momento em que ela efetivamente chega. Com um selo diferente, uma letra marcante, a mensagem amiga, aquele tantinho de papel que deu a volta ao mundo e veio parar na porta da casa da gente.
Obrigada Beth Blue pelo carinho e por me fazer relembrar.
Feliz Natal a todos!
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Porque era Clarice...
Eu não sou muito de me emocionar mais com arquivos .pps porque são na maioria das vezes uma caixa de pandora: ou mensagens piegas demais ou imagens de gosto duvidoso. Ou tudo junto num arquivo só. E piora quando vem com uma mensagem de corrente. Mas vez por outra aparece algo que nos surpreende. Recebi um e o abri simplesmente porque se entitulava "Clarice Lispector".
Poderia observar o meu amigo André não serem todas as citações verdadeiras. Entretanto muitas são e nos encantam com aquela complexidade às vezes disfarçada de simples, outras carregadas de doce ou profunda melancolia, melancolia esta que nem sempre é benéfica mas que sempre se transfoma em algo de beleza estarrecedora.
O mais interessante ainda é que pude conhecer através deste arquivo algo que se chama Umbrella Art. Eu não sei definir exatamente se é um movimento estruturado como uma mostra programada ou se é uma ideia implementada por vários artistas em diversas partes do mundo. Procurei um pouco mas não me aprofundei na definição. Só digo que vale a pena conferir o site Crooked Brains, onde eles publicaram uma compilação de diversas instalações, como assim o chamam. A gente fica meio que voando na beleza das imagens, como se tivessem tirado Magritte das telas e transformado em realidade.
Como o momento é de final de ano, época em que vem um clamor por revisões do que passou e resoluções para o ano que se aproxima, fica para reflexão uma das citações que eu li e que de certa forma
combina com algumas coisas que andei dizendo recentemente:
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro". - Clarice Lispector.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Sobre as mudanças interiores
Pincelei de leve no post anterior uma insatisfação comigo mesma. Existe um cansaço que nos atinge de tempos em tempos quando buscamos a nossa melhora interior. Melhora impalpável e impossível de medir. É fatigante essa tarefa de se observar, identificar o que precisa ser mudado e efetivamente implementar. Engraçado que nem estava naquele momento do post nesse estado de letargia. Mas lembrei dele. Porque sou possuidora de uma mente inquieta e inconstante, que num minuto está observando embevecida a forma como uma luz toca um objeto e no outro está sendo perseguida por monstros particulares e totalmente imaginários.
Se por um lado posso me torturar com o desejo de reforma e evolução, por outro, apesar do sofrimento, não consigo acreditar que seja se não correto, no mínimo saudável não pensar e nem almejar mudanças. Eu não prego o sofrimento. Mas olho com desconfiança tudo o que é fácil. Buscar o equilíbrio interior: sempre. Mas isso não quer dizer que não haverá esforço no aprendizado. Não quer dizer que eu não possa errar e tentar de novo de um outro jeito. E pelo fato de estar sempre atenta, acredito que os erros serão menores. Não estou dentro de um trem desgovernado que provoca acidentes irreparáveis. O que falo na primeira pessoa não é privilégio meu. É direito adquirido por todos, desde o nascimento.
Eu estava lendo o post da Pri no Devaneios e Metamorfoses e me deu vontade de expressar o quanto precisamos ser mais condescendentes conosco de tempos em tempos. Não dá para entender o passo da mudança. Mas eu tenho a certeza de que ela ocorre no tempo certo.
Eu tenho um lado espiritualizado independente de crença. Bom, vamos dizer que eu tenho uma tendência religiosa. Mas o meu lado excessivamente lógico me impede de abraçá-lo com entrega e sinceridade. Eu sinto que o clamor religioso nos atinge com o tempo, quando percebemos que na vida muitas coisas não conseguimos explicar mas que precisa haver um sentido em tudo o que vivemos. E que se a gente não sabe exatamente qual o sentido, fica mais fácil nomeá-lo como Deus até que a gente descubra o que é de verdade. E percebi que existe beleza na luz. E que todos somos atraídos por ela.
Devido a esse lado espiritualizado, desenvolvi um hábito de ler todo dia, antes de dormir, textos de meditação. Durante algum tempo foi um livro psicografado por Chico Xavier, do espírito Emmanuel, chamado "Meditações Diárias". Depois que eu quase decorei o livro e aproveitando a coincidência do comentário de uma amiga, passei a ler "Abrindo Portas Interiores" de Eileen Caddy. O ritual consiste em abrir aleatoriamente uma página, ler a mensagem e refletir sobre ela. E existe um misto de surpresa e certeza em reconhecer que 99% das vezes a mensagem é exatamente a que a gente precisava ouvir. É um hábito quase adolescente, para pessoas céticas como eu, mas que me nutre interiormente, quiçá até pela aceitação da inocência implícita no ato.
Para encerrar o post que já ficou longo demais, transcreverei a mensagem que li um certo dia e que me veio à cabeça quando li o que a Pri escreveu:
26 de fevereiro (são 366 mensagens diárias "recebidas" pela escritora):
"Algumas vezes o novo se desdobra tão devagar que não é possível perceber as mudanças que estão acontecendo, até que, de repente, elas já aconteceram desapercebidamente. Outras vezes é possível ver as mudanças se desenrolando passo a passo bem à frente dos olhos. Há vezes, ainda, quando acontecem coisas de um dia para o outro - como no inverno, quando você vai dormir à noite e na manhã seguinte está tudo coberto de neve. Você não teve nada a ver com o que aconteceu; tudo se passou de uma maneira miraculosa. O novo será revelado de muitas maneiras diferentes. Tudo que você tem a fazer é caminhar com ele, sem resistência. Mudanças não são necessariamente dolorosas. São inevitáveis porque nada pode permanecer imutável; e se você consultar seu coração, você mesmo não irá querer que ele permaneça o mesmo."
Se por um lado posso me torturar com o desejo de reforma e evolução, por outro, apesar do sofrimento, não consigo acreditar que seja se não correto, no mínimo saudável não pensar e nem almejar mudanças. Eu não prego o sofrimento. Mas olho com desconfiança tudo o que é fácil. Buscar o equilíbrio interior: sempre. Mas isso não quer dizer que não haverá esforço no aprendizado. Não quer dizer que eu não possa errar e tentar de novo de um outro jeito. E pelo fato de estar sempre atenta, acredito que os erros serão menores. Não estou dentro de um trem desgovernado que provoca acidentes irreparáveis. O que falo na primeira pessoa não é privilégio meu. É direito adquirido por todos, desde o nascimento.
Eu estava lendo o post da Pri no Devaneios e Metamorfoses e me deu vontade de expressar o quanto precisamos ser mais condescendentes conosco de tempos em tempos. Não dá para entender o passo da mudança. Mas eu tenho a certeza de que ela ocorre no tempo certo.
Eu tenho um lado espiritualizado independente de crença. Bom, vamos dizer que eu tenho uma tendência religiosa. Mas o meu lado excessivamente lógico me impede de abraçá-lo com entrega e sinceridade. Eu sinto que o clamor religioso nos atinge com o tempo, quando percebemos que na vida muitas coisas não conseguimos explicar mas que precisa haver um sentido em tudo o que vivemos. E que se a gente não sabe exatamente qual o sentido, fica mais fácil nomeá-lo como Deus até que a gente descubra o que é de verdade. E percebi que existe beleza na luz. E que todos somos atraídos por ela.
Devido a esse lado espiritualizado, desenvolvi um hábito de ler todo dia, antes de dormir, textos de meditação. Durante algum tempo foi um livro psicografado por Chico Xavier, do espírito Emmanuel, chamado "Meditações Diárias". Depois que eu quase decorei o livro e aproveitando a coincidência do comentário de uma amiga, passei a ler "Abrindo Portas Interiores" de Eileen Caddy. O ritual consiste em abrir aleatoriamente uma página, ler a mensagem e refletir sobre ela. E existe um misto de surpresa e certeza em reconhecer que 99% das vezes a mensagem é exatamente a que a gente precisava ouvir. É um hábito quase adolescente, para pessoas céticas como eu, mas que me nutre interiormente, quiçá até pela aceitação da inocência implícita no ato.
Para encerrar o post que já ficou longo demais, transcreverei a mensagem que li um certo dia e que me veio à cabeça quando li o que a Pri escreveu:
26 de fevereiro (são 366 mensagens diárias "recebidas" pela escritora):
"Algumas vezes o novo se desdobra tão devagar que não é possível perceber as mudanças que estão acontecendo, até que, de repente, elas já aconteceram desapercebidamente. Outras vezes é possível ver as mudanças se desenrolando passo a passo bem à frente dos olhos. Há vezes, ainda, quando acontecem coisas de um dia para o outro - como no inverno, quando você vai dormir à noite e na manhã seguinte está tudo coberto de neve. Você não teve nada a ver com o que aconteceu; tudo se passou de uma maneira miraculosa. O novo será revelado de muitas maneiras diferentes. Tudo que você tem a fazer é caminhar com ele, sem resistência. Mudanças não são necessariamente dolorosas. São inevitáveis porque nada pode permanecer imutável; e se você consultar seu coração, você mesmo não irá querer que ele permaneça o mesmo."
Está chegando o Natal
Hoje é o último dia do mês. E amanhã começa dezembro.
Fui convidada a participar de um meme pela Tania do Elos e Nós. Eu ainda não respondi mas pretendo fazê-lo. O meme me fez pensar sobre algo que é recorrente em minhas análises. As perguntas do meme são aparentemente simples, como listar 7 coisas boas que a gente tem de bom e 7 que a gente tem de ruim. Digo aparentemente simples porque falar sobre algo que é bom ou ruim na gente não me parece dicotômico. Não consigo pensar que as coisas que eu tenha de ruim sejam sempre ruins ou que as boas sejam sempre boas. Às vezes o que a gente mais odeia na gente é o que nos ajuda em muitos momentos. Eu acredito no equilíbrio, mesmo que saber o ponto do equilíbrio seja tão difícil.
Eu aproveitei o gancho do Natal para lançar de leve essa reflexão, sem muita elocubração. Eu gostaria de ser uma pessoa simples no pensamento, de achar as coisas boas sem analisar tanto. Eu gostaria de não estar sempre perguntando para que, como, quando, se é certo, se é errado. Eu gostaria de me conformar mais vezes. Mas ao mesmo tempo, eu reconheço que grande parte do meu valor está em que eu seja muitas vezes complexa. Perceberam como é difícil?
Bom, então vem o convite que eu aceitei da Beth do Noites em Claro. Que eu resolvi ligar a esta reflexão de Natal porque o tema natalino em si não me parece simples. Todo ano a cidade é enfeitada, tiramos dos armários as árvores de Natal e embora eu ache tudo lindo, fico me perguntando o que tem a ver os bonecos de neve com o calor infernal que está fazendo ou os biscoitos de gengibre que a gente nem come. Mas como em tantas outras vezes, eu procuro deixar de lado o preciosismo e aproveitar o momento. E pensar que ser bonito é suficiente. Nos encanta, nos traz magia e sonho.
Bom, os cartões vistos acima, como eu ia dizendo, fiz por um convite da Beth. São scrapcards, ou seja, cartões feitos a mão com material de scrapbook. Minha máquina resolveu me deixar na mão, por isso a terrível qualidade de imagem que saquei com a webcam. Que não é do meu feitio. Mas decidi postar asssim mesmo, pela alegria de compartilhar algo que eu fiz. Fotos em detalhe abaixo.
Não vou dar os créditos completos mas gostaria de comentar algumas coisas. A árvore ao lado está com alguma dimensão; usei fita banana para levantar. E o desenho foi feito com carimbo.
As letras do "Feliz Natal" foram cortadas na máquina Cuttlebug e depois eu apliquei tinta relevo com glitter por cima. Essa é uma técnica que eu gosto muito de utilizar.
A árvore foi design meu. Gosto de criar figuras com formas geométricas. Apliquei-a num "tapete" e levantei com fita banana.
Os quadrados contendo o gingerman e o floco de neve foram cortados na Cuttlebug e eu utilizei a fita banana para dar dimensão.
As tags também foram cortadas na Cuttlebug e amarrei fitas cetim para dar mais charme. O botão foi realmente costurado no papel com linha de bordar.
Fui convidada a participar de um meme pela Tania do Elos e Nós. Eu ainda não respondi mas pretendo fazê-lo. O meme me fez pensar sobre algo que é recorrente em minhas análises. As perguntas do meme são aparentemente simples, como listar 7 coisas boas que a gente tem de bom e 7 que a gente tem de ruim. Digo aparentemente simples porque falar sobre algo que é bom ou ruim na gente não me parece dicotômico. Não consigo pensar que as coisas que eu tenha de ruim sejam sempre ruins ou que as boas sejam sempre boas. Às vezes o que a gente mais odeia na gente é o que nos ajuda em muitos momentos. Eu acredito no equilíbrio, mesmo que saber o ponto do equilíbrio seja tão difícil.
Eu aproveitei o gancho do Natal para lançar de leve essa reflexão, sem muita elocubração. Eu gostaria de ser uma pessoa simples no pensamento, de achar as coisas boas sem analisar tanto. Eu gostaria de não estar sempre perguntando para que, como, quando, se é certo, se é errado. Eu gostaria de me conformar mais vezes. Mas ao mesmo tempo, eu reconheço que grande parte do meu valor está em que eu seja muitas vezes complexa. Perceberam como é difícil?
Bom, então vem o convite que eu aceitei da Beth do Noites em Claro. Que eu resolvi ligar a esta reflexão de Natal porque o tema natalino em si não me parece simples. Todo ano a cidade é enfeitada, tiramos dos armários as árvores de Natal e embora eu ache tudo lindo, fico me perguntando o que tem a ver os bonecos de neve com o calor infernal que está fazendo ou os biscoitos de gengibre que a gente nem come. Mas como em tantas outras vezes, eu procuro deixar de lado o preciosismo e aproveitar o momento. E pensar que ser bonito é suficiente. Nos encanta, nos traz magia e sonho.
Bom, os cartões vistos acima, como eu ia dizendo, fiz por um convite da Beth. São scrapcards, ou seja, cartões feitos a mão com material de scrapbook. Minha máquina resolveu me deixar na mão, por isso a terrível qualidade de imagem que saquei com a webcam. Que não é do meu feitio. Mas decidi postar asssim mesmo, pela alegria de compartilhar algo que eu fiz. Fotos em detalhe abaixo.
Não vou dar os créditos completos mas gostaria de comentar algumas coisas. A árvore ao lado está com alguma dimensão; usei fita banana para levantar. E o desenho foi feito com carimbo.
As letras do "Feliz Natal" foram cortadas na máquina Cuttlebug e depois eu apliquei tinta relevo com glitter por cima. Essa é uma técnica que eu gosto muito de utilizar.
A árvore foi design meu. Gosto de criar figuras com formas geométricas. Apliquei-a num "tapete" e levantei com fita banana.
Os quadrados contendo o gingerman e o floco de neve foram cortados na Cuttlebug e eu utilizei a fita banana para dar dimensão.
As tags também foram cortadas na Cuttlebug e amarrei fitas cetim para dar mais charme. O botão foi realmente costurado no papel com linha de bordar.
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