terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sonho - (Re?)-construção


Estou num terreno vazio. Olho para o lado e vejo uma pilha de tijolos. Sei que tenho que construir uma casa mas... como? Vejo um homem desconhecido e ele me diz:
- Não se preocupe. Eu te ajudo.

Muda a cena e vejo um local onde houve um bombardeio. Deito-me em um monte, no meio dos escombros. Olho para a frente e vejo a Catedral da Sagrada Família de Barcelona; a fachada preservada, a parte interna eu não tenho certeza. O céu está cinzento. Penso: "que interessante a beleza estranha de Gaudí. Mesmo em meio à destruição, a catedral continua bonita, parece até que ela combina com o cenário..."

Acordo mas continuo pensando no sonho de olhos fechados.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

WALL-E

Contado pela menina de 5 anos.

- Mamãe, ele quer pegar na mãozinha dela mas ela não deixa. Depois, ele vai ficar todo quebrado. Ela vai consertar e vai querer pegar na mãozinha dele. Mas aí, ele não vai querer mais....

sábado, 13 de dezembro de 2008

Matemática para crianças

S. tem 5 anos.
N. tem 8 anos.

S: - Mamãe, os números não começam no um né, começam no zero. O zero é o primeiro número.
N: - Não, técnicamente os números não têm início pois antes do zero vêm todos os negativos que iniciam no infinito...

"Socorro".

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Seria mais fácil?

Uma sonata em geral é composta de três partes, eventualmente quatro, chamadas de movimentos.

O primeiro movimento é mais ou menos rápido, transmite segurança, algo do tipo "ei, a vida é bela, estou começando, vai tudo bem". O segundo movimento despenca para a melancolia, no tempo "andante", o que estava bem passa a triste e choroso. Em geral, este é o meu movimento preferido na sonata. Por último, no terceiro e quarto movimentos, vem a alegria. Se for Mozart por exemplo, sentiremos um ritmo dançante, daqueles parecendo os minuetos dançados nos filmes de época. Se for Beethoven, aí a história muda um pouco de figura, tem que ser uma coisa mais marcante, triunfal, para fazer aquele fechamento da peça com chave de ouro.

Eu toquei a minha primeira sonata acho que com uns 9 anos de idade. Se não me engano, era Scarlatti. Não que eu fosse prodígio, era o normal da programação rígida do conservatório. Aos 14, 15 anos já tocava peças complexas. O meu preferido sempre foi Beethoven.

Antes de qualquer audição ou prova na sede do Conservatório (pois eu estudava numa filial), era comum, fora as aulas regulares, fazermos ensaios especiais, onde todas as professoras se reuniam em forma de banca e ouviam as peças, cada uma dando a sua avaliação e apontando os trechos a serem melhorados. Música clássica dá muito trabalho. Tem que treinar muito, prestar muita atenção e o erro nunca é aceitável.

Certa vez, eu estava tocando o segundo movimento de uma sonata de Mozart (seria K 280?) e como era um ensaio geral, empenhei-me ao máximo. Na verdade, eu me senti naquele momento só, esqueci da banca, do zum-zum-zum na recepção do conservatório, dos ônibus que freiavam no ponto próximo. Era eu, o piano, duas mãos executando três vozes, linhas melódicas que passeavam da mão direita para a esquerda. Creio que foi a minha melhor execução daquele movimento. E quando me virei para trás, minha professora, saudosa D. Dariléa Hill tinha lágrimas nos olhos.

Desde cedo era assim, desde pequenininha a professora falava: staccatto, agora com sentimento, pianíssimo, forte. E fui aprendendo a dar sentimento para pequenas bolinhas pretas no papel.

Fico pensando se é isso que me faz olhar para as coisas não como elas são mas carregadas de algum sentimento. Não que isso seja sempre bom. Pergunto-me se eu nunca tivesse aprendido a tocar uma sonata com sentimento, se seria mais fácil.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vida vegetal










Eu não sei se é só mulher. Mas a gente fica conversando e tentando achar motivo para as coisas. Fica numas elocubrações sem fim. Estava eu no meio de uma dessas conversas com uma amiga, aí disse para ela:

- Sei lá, não acho mais nada. Vou virar planta: que não pensa, só curte o vento, a água, os sais minerais... e fica ali vivendo, consciente só da sua existência...
- Nossa, profundo isso.
- Mas vou ser uma planta bonita, uma orquídea.

Pronto! Com isso, passou o momento reflexão e começou a palhaçada. A minha amiga que é muito espirituosa já começou:

- X. seria urtiga, Y. um cacto, aquela outra um chuchu, porque dá em qualquer lugar. Ih! Olha o que você fez. Agora não paro de imaginar as pessoas como plantas! Tem a goiabeira, que enverga mas não quebra, eu seria um coqueiro para morar na praia...
- Tem a hera que não sai do muro né?
- Ai, não consigo parar, tá vendo? Sua culpa! Tem o moita né? Tá sempre quieto e se escondendo de alguma coisa.
- Putz, e ainda iam cag. nele né?
- Exatamente! Sabe a fulana? Coroa de cristo! De aparência delicada, complicada de "pegar", cheia de espinhos... A avenca: demora para se acostumar num lugar, de aparência frágil, mas difícil de lidar...
- E a violeta? Que fica no cantinho, não pode pegar sol e nem água demais... delicadinha...
- Tem o que está para pé de limão né? Atarracadinho e azedo.... E o abacateiro?
- Abacateiro?
- Ué, aquele olhar sério, postura severa. Ao mesmo tempo transmite credibilidade e resistência. Ai, você também não tem sensibilidade.
- Poxa, nunca tinha pensado dessa forma sobre um abacateiro.
- Para quem queria ser planta você é bem superficial, hein?
- Porque não penso mais! Já comecei a virar planta....

Para terminar eu pergunto: o que você seria no mundo vegetal? Isso dá até assunto para meme hein?! Aliás, tô achando isso aqui tudo meio nerd. Acho que o meu amigo afinal tem razão...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Martha Stewart

Provando o meu ponto do post anterior... Fazia tempo que eu não visitava este blog... ele desperta a minha Martha Stewart interior.... (leia-se Martha Stewart "diva" dos Arts & Crafts e não a sonegadora de impostos....)

http://kellymccaleb.typepad.com/

Agora vou rasgar uma seda aqui... pouco me importando com a revolta que as minhas declarações podem causar... americano é f... os caras fazem tudo bem feito. Veja este blog por exemplo, as fotos que a mulher tira... os trabalhos manuais.... os caras podem ser neuróticos por "excelência" mas no fim a gente tem que admitir que funciona porque as coisas realmente ficam boas. Quer ver outra coisa totalmente fútil? Cheerleader, patinação no gelo. Já viu como aqueles caras treinam e as acrobacias que eles fazem? Olha, eu tiro o chapéu...

Provei que eu não sou nerd? Tá bom... sou só de vez em quando...

Rótulos

Eu tenho um amigo que insiste em me chamar de nerd. E eu tento explicar para ele que nerd não pega sol, não se acaba na academia sonhando com músculos definidos, não usa batom Dior e nem tem sonho de consumo de comprar bolsa Gucci.

Mas ele tem uns argumentos do tipo, você é nerd porque:

1. Lê Clarice Lispector
2. Vê filme cult
3. Usa óculos de armação grossa
4. Tem Ipod (?????????)
5. Toca piano
6. Escuta rock alternativo
7. Escreve blog (essa foi ótima)
8. Gosta de videogame

Para tudo isso eu tenho contra-argumentos. A conclusão que eu chego é que não adianta querer rotular. Eu costumo dizer que sou uma pessoa eclética. Transito em todas as "tribos". E já conheci nerds bombados e pessoas com cara de intelectuais e que gostavam de pagode, por exemplo. Acho até enfadonho essa coisa de rejeitar o outro porque não preenche todos os quesitos esperados para um modelo pré-estabelecido. Tipo: "eu escrevo um blog então só posso me vestir como clubber" ou "eu gosto de cinema cult e só assisto no Espaço Unibanco, mesmo que esteja passando no Cidade Jardim, cheio de gente bonita". Onde fica a graça da diversidade?

Só que o tal amigo, não admite ser geek. Ele não tem ipod mas vive baixando umas músicas da internet, conhece todos os softwares utilizados para esse fim, sabe dizer em detalhes as vantagens e desvantagens de uma TV de LCD para a outra, tem Bluray, HDTV, joga videogame e por aí vai. E também ouve rock alternativo, diga-se de passagem.

Pronto, me vinguei. Rotulei.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Desdém


Estava um dia desses conversando com um amigo e em determinado ponto da conversa ele me disse com um certo desdém:

"Ah, você vê filme vietnamita mas não vê filme brasileiro né?"

E eu apressei-me em explicar que vejo filme brasileiro sim. Filme para mim tem é que ser bom, independente da nacionalidade. O do Giannechini com a Paola não-sei-o-que, eu não vou ver nem que me paguem, pode ser preconceito meu mas vi o trailer e já não gostei. Só se alguém me sinalizar uma impressão diferente...


Agora, já que notei um certo tom você-é-metida-a-cult na observação do meu amigo, vou ter que contar o seguinte: eu sou sócia de uma grande locadora que parece que anda com uns problemas legais e por conta disso não consigo alugar filmes, não sei por quanto tempo. Eu passava sempre por uma locadora pequena perto de casa e não dava muito crédito. Entrei lá e fiz a inscrição. Qual não foi a minha surpresa quando constatei que:

1. Tem uma seção todinha dividida por DIRETOR... olha que chique.... aí eu já descobri um filme do Jim Jarmusch que eu não tinha visto e aluguei (mas ainda não vi).

2. Tem uma outra seção de cinema ASIÁTICO e EUROPEU dividida por países....

Gostei!