quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Trilha sonora de nossas vidas

Fiquei pensando hoje sobre se um dia eu tivesse que fazer o filme da minha vida, como seria a trilha sonora. Comecei pensando em listar 20 músicas. Conforme fui escrevendo, vi que 20 músicas não seria o suficiente. Aí tem aqueles grupos que a gente tem vontade de colocar o disco inteiro. E cheguei à conclusão de que muitas músicas são significativas porque são as músicas da época. Vamos colocar assim, na mesma época em que eu só ouvia Hard Rock, por exemplo, pode ter uma música da Madonna ou Michael Jackson que faz sentido citar. Algumas músicas lembram pessoas. Outras lugares. E por aí vai.

Não é uma tarefa fácil. Coloquei e tirei músicas. Restringi ao máximo. Acho que pulei alguns períodos e lembrei mais de outros. Hoje saí com esta lista de 50 músicas. Parei uns 5 anos atrás. Mas segue aí o resultado:

Teresinha de Jesus - Cantiga de Roda
O cravo e a rosa - Cantiga de Roda
Estúpido Cupido - Celly Campello
Diana - Paul Anka
Bridge over troubled water - Elvis Presley
Dancing Queen - ABBA
Mr. Postman - Carpenters
As frenéticas - Frenéticas
Mania de Você - Rita Lee
Beat it - Michael Jackson
Hard to Say I'm sorry - Chicago
Let it grow - Renaissance
Flight of Icarus - Iron Maiden
Fever - Judas Priest
The rain song - Led Zeppelin
Close to the edge - Yes
Lovers in the wind - Roger Hodgson
Kayleigh - Marillion
Highway star - Deep Purple
Bohemian Rhapsody - Queen
Sonata Patética - Beethoven
Private Idaho - B52's
Sunday Bloody Sunday - U2
Tom Sawyer - Rush
Message in a bottle - The Police
Tempo perdido - Legião Urbana
Como eu quero - Kid Abelha
Até quando esperar - Plebe Rude
Sub-culture - New Order
Boys don't cry - The Cure
The boy with the thorn in his side - The Smiths
Everybody wants to rule the world - Tears for Fears
Hide in your shell - Supertramp
Wish you were here - Fleetwood Mac
Like a prayer - Madonna
Pump up the Jam - Technotronic
Samba do avião - Tom Jobim interpretado por Leila Pinheiro
Cantaloop - US3
Linger - Cranberries
Because the night - 10000 Maniacs
Na estrada - Marisa Monte
Possession - Sarah McLachlan
Charlie Brown's Parents - Dishwalla
You oughta know - Alanis Morrisette
Comfort Eagle - Cake
Everybody's fool - Evanescence
In the end - Linkin Park
Pump it - Black Eyes Peas
Everybody's changing - Keane
The scientist - Coldplay

Pequenas coisas que mudam o dia da gente

Vou ser sincera. A gente tapa o sol com a peneira. Ninguém gosta de encarar a verdade. Até que ela entra na frente da gente na forma de dificuldade a ser enfrentada.

Desde ontem eu só penso em morte. Morte rápida, morte lenta. A função da morte. Carma. Vida após a vida. Eu me prometi no passado a utilizar o blog como forma de externar sentimentos de uma forma positiva. Descobri que pensar sobre morte não é algo negativo. Dependendo da forma como se pensa, se for reflexiva, se tirarmos destes pensamentos ensinamentos, é enriquecedor. Pensar sobre a morte, repito, não é negativo. É necessário em algum ou vários momentos, ao longo da vida. É ponto de parada, dor e reflexão. É melancólico mas não negativo. Por que faz parte do ciclo da vida. Eu estou convivendo com a morte. Mas ontem nasceu o filho de uma amiga. A vida é assim.

Eu abri o meu Orkut e recebi uma surpresa. Há 2 dias atrás, estava escrevendo e ouvindo músicas do meu Itunes de forma alfabética. Entre uma faixa e outra, entrou a célebre saudação do Supertramp no show do álbum duplo "Paris". Não sei por que cargas d'água a saudação entrou lá e a música seguinte não, mas ficou no ar o prenúncio dessa canção.

Eu entrei no Orkut e escrevi no meu status: "Bonsoir, Paris". Como um enigma, uma frase que ficasse para quem quisesse entender que o que vinha depois era parecido com o meu estado de espírito. "The logical song", o que eu ouvia na minha cabeça era o seguinte refrão:

"When I was young,
it seemed that life was so wonderful,
a miracle, oh it was beautiful, magical.
And all the birds in the trees,
well they'd be singing so happily,oh joyfully, oh playfully watching me.
But then they sent me away to teach me how to be sensible,
logical, oh responsible, practical.
And then they showed me a world
where I could be so dependable,oh clinical, oh intellectual, cynical.

There are times when all the world's asleep,
the questions run too deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am..."

Deixei a frase lá. Teve gente, eu creio, que entendeu que eu tava com saudades de Paris. Hoje pela manhã, entrei nos recados e tinha o seguinte, escrito por um amigo:

"Bonsoir Paris et bienvenue a une soiree avec Supertramp! Nous sommes très heureux de jouer a Paris...."

É amigo. Você matou a charada. E eu fiquei com um sorriso nos lábios.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobre a dor

Eu fico muito chateada quando penso em citar um filme mas não consigo lembrar do nome dele e nem tenho dados suficientes que me permitam achá-lo no google. Eu queria ser mais precisa mas não vou conseguir.

Uma vez eu assisti um filme, creio que iniciava na Turquia. Era um país que estava atravessando um período difícil, guerra ou revolução. A estória (baseada em fatos reais) começava com algumas famílias combinando entre si uma fuga para os países mais ricos da Europa. Tudo o que compreende uma fuga deste tipo é mostrado. Desde o prático, como compra de passaportes, até os questionamentos entre os envolvidos e a expectativa pela nova vida.

Desde o início, pequenas dificuldades vão aparecendo. Até a maior de todas: a travessia, se não me engano da Itália para a Suíça a pé, através dos Alpes. Era algo já programado no roteiro deles. Mas os fugitivos só se dão conta da dificuldade da tarefa quando já estão por executá-la e sem opção de volta. São famílias inteiras: maridos e mulheres, filhos, mulheres grávidas.

Neste dia fazia frio. Eu não me recordo direito mas estimo que 30% do filme tenha mostrado a travessia. Neve para todo lado, noite, pessoas cansadas, pessoas carregando umas às outras, gente morrendo e frio. Muito frio. A sensação provocada pelas cenas foi potencializada pelo escuro e o frio do próprio cinema.

Eu sou de chorar muito em filmes. Qualquer ceninha mais emocionante já me arranca lágrimas. Eu chorei no Wall-e, por exemplo. Neste dia, enquanto as cenas na neve se desenrolavam, eu me envolvi de tal forma no filme que todo o desespero, o cansaço e o frio dos fugitivos, parece que tudo aquilo eu senti dentro de mim. Quando o filme terminou, eu estava esgotada, apática, vi as cenas de pessoas morrendo com tanto sofrimento que nem uma lágrima sequer rolou dos meus olhos.

Fui para casa triste e abatida e acordei do mesmo jeito no dia seguinte. Torpor, apatia, tristeza profunda.

Desde este dia, aprendi que determinadas dores são tão fortes que nos impedem até de chorar

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Over time


Champagne e música. Inebriante combinação.

Estava pensando sobre amizades. Uma amizade não é igual à outra. E se tivermos sorte, conseguiremos firmar novas amizades ao longo da vida. Alguém me disse que a vida é feita de ciclos, de fases, e que a cada fase firmamos um novo contrato. Acho que é assim que acontece com a amizade.

Existem aquelas que nos conheceram quando crianças. Pura inocência e descoberta. As da adolescência: busca pela identidade própria, rebeldia, caos interno. Amizades de início de fase adulta: realização, conquista, esperança, medo da entrega. Maturação da fase adulta: revisão, "lessons learned", entrega sem medos.

Sinto-me privilegiada. Fui brindada com todas as fases. Todas as amizades, atuais e ressurgentes, tempo e atemporalidade, muitas mensagens, comunicação. Exatamente como a minha revolução solar previu para este ano. Comunicação. Esta é a palavra.

Cada amiga ou amigo, algo de bom a extrair. Aprender que somos todos seres humanos em busca de algo. Exatamente o que, não sabemos. Momentos bons, momentos ruins. Cabe a nós equilibrar a balança. Eu ouvi isso de uma amiga e repito: adoro gente. "I like people". Me too.

Todo post tem uma motivação. Lembrança, estado de espírito. Este post tem uma motivação bastante simples. Um presente: ganhei neste domingo um livro, "Conversas com Woody Allen". Diretor que acompanho desde sempre e que aprendi a amar ao longo dos anos. Gente como a gente. Imperfeito e fascinante. Este presente, não tão simples como afirmei antes, pois exige conhecimento "over the time", provocou essa avalanche de emoções. Pacote aberto, enquanto falava ao celular. Constatação em microssegundos. E em 15 minutos de post, despertar de toda uma história de amizades.

Homenagem sincera a todos os meus amigos.

Auto-reflexão

A colega do "De Salto Alto" postou hoje uma pergunta e isto inevitavelmente provocou uma reflexão. Afinal, blogueiro adora uma reflexão.

A pergunta foi: "Quem é você?"

Eu diria que sempre achei que tentava ser quem eu queria ser. Talvez realmente tenha conseguido por um bom tempo. Um dia, entretanto, me dei conta que sem querer eu estava tentando ser o que várias pessoas diferentes gostariam que eu fosse. Não só não consegui como terminei sem saber quem eu sou e quem eu quero ser.

Complicado né?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Professor cuca fresca

Eu sempre fui boa aluna. Não me classificaria como cdf ou nerd mas boa aluna. Eu odiava física e química. Estudava por pura obrigação. Mas no resto ia muito bem.

Entrei para uma faculdade de Tecnologia. O primeiro semestre foi um baque. Choque cultural, adaptação com a instituição, estilo das aulas. Tudo diferente. Fora isso, tinha o fato de que eu havia passado uns 8 meses em casa, curtindo academia e praia pois o meu curso só iniciava no segundo semestre. Então havia um certo embotamento mental para ajudar a dificultar a história.

Havia matérias parecidas com o que eu já havia estudado no colégio e outras muito diferentes de tudo o que eu já havia vivenciado. Criar conceitos. Lógica. Uma das matérias era fundamentalmente lógica de programação aprendida através de uma linguagem de programação. Eu entrava na aula e aquilo tudo me parecia muito estranho. O professor falava e eu entendia pouco. Na verdade, fui entender mais tarde que é daquelas coisas que dependem de um clique. Num momento você não entende nada. Depois vem a luz e tudo fica muito claro.

O professor tinha um estilo todo pessoal de dar a aula. Ele falava de lógica de programação como quem fala de algo transcedental. Dava uns exemplos curiosos, a forma como ele movimentava o corpo era toda particular. Parecia um iogue, um naturalista. E na verdade ele era mesmo.

Eu ia muito mal na matéria. O clique ainda não tinha chegado. Quanto mais eu queria entender, menos eu entendia. Várias pessoas na minha turma estavam passando pelo mesmo drama que eu. Não sei como surgiu a idéia. Mas o professor nos prometeu, além de uma aula de reforço na matéria, que na véspera da prova faria uma sessão de meditação.

Minha faculdade ficava num local privilegiado do Rio de Janeiro. Micos e todo tipo de aves e animais silvestres passeavam pelo local. Havia matas tropicais, ar úmido de verão. Entramos na mata, um grupo de aproximadamente 10 pessoas seguindo o professor. Seguiu-se um momento esotérico. Não lembro exatamente como foi. Lembro apenas que estávamos num local onde havia uma pequena ponte, que ele foi nos dando instruções e que ficamos em círculo. Foi uma experiência de paz, bastante relaxante.

Eu bombei. Sim, bombei feio. Fiz meditação mas bombei. Minha nota foi péssima, pior do que as anteriores e eu tive que repetir a matéria. Eu estudava por sistema de créditos. Haveria um prejuízo mas nem tanto pensando que eu podia ir seguindo as outras matérias que não dependiam daquela. O pior de tudo foi trabalhar com a derrota, o fracasso para uma pessoa que nunca havia perdido nada.

Lembrei dessa historinha quando ontem, conversando a respeito de religiões com uma amiga, descobri que ela conhecia o meu professor. Não pela faculdade de tecnologia, até porque a formação dela é outra, mas porque atualmente ele é uma autoridade numa área de estudo religioso.

Sonho - Igreja

Sonhei que fui a uma igreja assistir um culto. Embora fosse uma igreja protestante, para entrar tínhamos que entrar numa caixa de madeira escura que tinha a ponta superior triangular e passavam essa caixa por cima de uma espécie de biombo e ela caía dentro de um confessionário.

Passaram primeiro o meu pai. Depois eu entrei. Quando me vi dentro do confessionário, percebi que havia uma passagem direta da rua para dentro da igreja que não exigia essa manobra complicada. Eu pensei: "por que tive que entrar por aqui se dava para ir direto?".

Dentro da igreja todos os bancos eram de madeira escura e havia muita confusão lá dentro. Pessoas andando de um lado para o outro e falando alto. A parte posterior da igreja também tinha bancos e era mais estreita. Parecia um playground. Todas as crianças estavam concentradas lá brincando e havia também um piano que aparentemente seria tocado somente para as crianças. Fiquei imaginando se quando o culto começasse as pessoas fariam silêncio.

Eu vi meu filho e minha filha no meio daquelas crianças. Eles estavam muito felizes com a brincadeira. Aproximei-me do meu filho e ele estava mais alto do que eu. Calculei 1,70m mas ele continuava com o rosto infantil de 9 anos. Falei para ele que a viagem de férias havia lhe feito bem pois ele tinha crescido bastante.

domingo, 25 de janeiro de 2009

De novo, Orkut

Dava pra fazer um tratado de sociologia olhando o Orkut. Tá bom, vai. Todo mundo tem defeitos. Eu tenho esse vício inexplicável de Orkut.

Já falei isso anteriormente. O Orkut me proporcionou algo sem preço que foi reencontrar amigos de longa data. Amigos de infância, de adolescência que mesmo não presentes fisicamente, têm me trazido momentos de emoção, acarinhando-me com palavras muito bonitas.

Eu já pensei em sair do Orkut algumas vezes. Pensei quando ouvi algumas histórias cavernosas de vinganças e coisas do tipo. Ou quando alguém escreveu alguma coisa não muito discreta nos meus recados. Mas a vontade passa porque eu sempre me lembro do lado positivo que supera em muito o lado negativo.

Sobre vingança, fiquei pensando também sobre o quanto a pessoa fez para merecer aquela atitude. Para provocar assim a raiva de uma pessoa, deve ter havido um motivo. Não justifica o ato mas explica.

As pessoas são do tamanho que elas querem ser para a gente. Eu tive vontade de excluir alguém do meu Orkut. Tive vontade por decepção. Mas por outro lado, refleti sobre o meu erro. Às vezes a gente conhece uma pessoa, enxerga várias qualidades que ela tem e a valoriza de acordo com essas impressões. Classifica-a no grupo de amigos. Com o tempo a gente percebe algumas atitudes não muito boas. Até que algo joga ao chão toda a antiga admiração. Digo que refleti sobre o meu erro porque de fato fui eu que me equivoquei com a minha impressão.

Seguindo a minha linha do não julgar, desisti de fazer a exclusão. Desisti porque ninguém pode decidir como eu me sinto ou como devo agir. Agindo de forma supostamente vingativa, eu estaria me igualando a esta pessoa na sua inabilidade social, praticando da mesma forma que ela, o julgamento precipitado e o sentimento ruim em relação às pessoas.

Segue assim, sendo o Orkut, um exercício de convivência virtual. Um aprendizado sobre como agir numa nova ética tecnológica. Onde por trás da foto, da máscara de arrogância e confiança, ou da aparente alegria, vive um ser assustado e inseguro como outro qualquer. Como qualquer um de nós se sente algum dia.