Fiquei pensando sobre algo que de uma certa forma tem a ver com o que a minha amiga vive escrevendo. Ela diz que tem algumas "coincidências" que acontecem com a gente. E realmente acontecem. Coisinhas pequenas que não dão para explicar, que provavelmente não significam muita coisa, mas que ficam curiosas.
Eu lembrei hoje de um filme antigo da Gwyneth Paltrow (ô nomezinho difícil de escrever). Chama-se "Sliding Doors". O tema trata de duas estórias paralelas envolvendo uma situação totalmente corriqueira que eu não recordo qual é, algo como entrar no metrô ou não entrar. Mais ou menos assim: numa situação ela se atrasa e não entra e na outra ela entra. E dependendo deste fato teoricamente desprezível, a vida dela transcorre de uma forma completamente diferente. Não deixa de ter algo em comum com "Efeito Borboleta", só que é um filme infinitamente mais light.
Às vezes temos atitudes simples: falamos algo, decidimos ir ou não ir a um determinado lugar, optamos por algo e ficamos remoendo coisas acerca desta atitude, achando que provocamos com isso tempestades, fazendo suposições inúteis. Lembrei então deste filme, do quanto um ato completamente fora do controle ou mesmo inconsciente pode mudar toda uma trajetória. É aí, que me questiono de que vale nos torturarmos por tão pouco.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Existir
Eu li "Perto do coração selvagem". Não sei dar uma opinião precisa. O que posso dizer é que infelizmente me identifiquei com muitas coisas no livro. Digo infelizmente porque pelo pouco que li de Clarice Lispector, creio que ela era a rainha da melancolia. Fiquei pensando quando terminei o livro se a melancolia é algo que nasce com a gente. Que vem no DNA e do qual não conseguimos nos livrar.
Enquanto lia o livro, marquei várias passagens.
Me marcou muito uma onde ela pergunta para a professora do primário, que ficou obviamente muito chocada, como é ser feliz.
Ser feliz. Se não somos felizes, estamos desperdiçando a vida? Vamos adquirir um grave câncer? É amedrontador. Sei ser bastante alegre e me cobro ser feliz. Mas não sei se sei ser feliz. Eu sei ser profunda, envolvente, dominadora. Está em mim. Mas feliz?
Estava lendo um post sobre a fé. Fé é entrega. Para mim, quase irracionalidade. Porque não sei não racionalizar. E me lembrei de algo da infância.
Eu tinha um quarto com móveis brancos, cortina com desenhos de circo e colcha de crochê feita pela minha avó. Isto foi entre 4 e 6 anos. Todo dia, antes de ir para a escola, a empregada, a Miriâm me penteava. Fazia "maria-chiquinha" ou "rabo-de-cavalo". E prendia com um elástico com duas bolas transparentes, cor-de-rosa, que mal parava nos meus lisos cabelos negros. Enquanto ela me penteava, eu me olhava no espelho.
Lembro-me que um dia, me olhei no espelho sozinha. Olhei para o meu quarto visto através do espelho. Pensei: "será que lá do outro lado, dentro do espelho, existe outra história? Outra Lilly, outra realidade, uma história paralela?".
Outro dia me olhei novamente no espelho: "A Lilly que vejo refletida no espelho, a imagem, é idêntica à Lilly que pensa? Imagem e pensamento, formando uma única coisa, são realmente a mesma coisa?".
Não sei se as palavras foram exatamente essas. Mas foi essa a sensação. Mais de 30 anos atrás.
Enquanto lia o livro, marquei várias passagens.
Me marcou muito uma onde ela pergunta para a professora do primário, que ficou obviamente muito chocada, como é ser feliz.
Ser feliz. Se não somos felizes, estamos desperdiçando a vida? Vamos adquirir um grave câncer? É amedrontador. Sei ser bastante alegre e me cobro ser feliz. Mas não sei se sei ser feliz. Eu sei ser profunda, envolvente, dominadora. Está em mim. Mas feliz?
Estava lendo um post sobre a fé. Fé é entrega. Para mim, quase irracionalidade. Porque não sei não racionalizar. E me lembrei de algo da infância.
Eu tinha um quarto com móveis brancos, cortina com desenhos de circo e colcha de crochê feita pela minha avó. Isto foi entre 4 e 6 anos. Todo dia, antes de ir para a escola, a empregada, a Miriâm me penteava. Fazia "maria-chiquinha" ou "rabo-de-cavalo". E prendia com um elástico com duas bolas transparentes, cor-de-rosa, que mal parava nos meus lisos cabelos negros. Enquanto ela me penteava, eu me olhava no espelho.
Lembro-me que um dia, me olhei no espelho sozinha. Olhei para o meu quarto visto através do espelho. Pensei: "será que lá do outro lado, dentro do espelho, existe outra história? Outra Lilly, outra realidade, uma história paralela?".
Outro dia me olhei novamente no espelho: "A Lilly que vejo refletida no espelho, a imagem, é idêntica à Lilly que pensa? Imagem e pensamento, formando uma única coisa, são realmente a mesma coisa?".
Não sei se as palavras foram exatamente essas. Mas foi essa a sensação. Mais de 30 anos atrás.
Sensibilidade

Garota: - Você surfa onde, não fica longe?
Garoto1: - Não, até São Vicente dá uns 40 minutos.
Garoto2: - Antigamente eu fazia aquele negócio... body board com a minha irmã.
Garoto1: - Pô cara, body board é meio feminino.
Garota: - Era isso o que eu ia dizer... dizer que faz body board no Rio seria algo como... dizer que não joga futebol, que joga handebol...
Garoto2: - Ah! Mas eu também jogava handebol...
Garota: - Xi... jogava? Olha, se você chegasse no Rio com um morey na mão ia ser extremamente zoado...
Alguns assuntos depois, falando sobre cerveja:
Garoto1: - Eu gosto de ir no Bar Brahma, gosto de cerveja escura.
Garoto2: - Ah, da cerveja escura eu nem ligo para o líquido, eu gosto é da espuminha, pode ser quase tudo de espuminha.
Garota : - Poxa, to querendo te ajudar mas tá difícil.... Toma mais cuidado com o que você fala!
Fábrica de sonhos

Eu fico assistindo essas bobagens que eu gosto: O.C., Gossip Girl... a gente acaba aprendendo um pouco sobre os costumes americanos.
Existe uma festa que seria equivalente a nossa antiga festa de debutantes (acho que ninguém faz mais isso, faz?) que o americano chama de "Cotillion". É praticada na altíssima sociedade. A moça que vai fazer o seu "début" precisa ter um "escort" de família igualmente nobre. Quando a moça entra no salão, seu nome é anunciado, bem como o do acompanhante e um breve resumo de hobbies e aspirações da moça é lido. Lógico que ela tem que ter uns hobbies muito chiques e aspirar cursar alguma top universidade como Harvard, Brown, Yale, etc.
Estava vendo hoje de manhã a dancinha do Obama com a Michelle num deslumbrante vestido branco. Parecia um anjo. Casal perfeito, discurso de amor.
Eu adoro glamour, adoro festa. Mas estou ciente dos vícios presentes em situações como o tal "Cotillion". Discriminação, arrogância, superioridade, futilidade, enfim: fogueira de vaidades . Acho que todo mundo gosta de sonhar, e eu me entrego à beleza dos vestidos, à elegância, ao aparente romantismo. Só que olhando a televisão hoje de manhã, senti um certo mal-estar. Olhei aquela cena bonita de se ver e achei tudo meio parecido com um episódio de "Gossip Girl". A despeito das palavras bonitas, fui invadida por uma certa dúvida: "Are you sure you can?".
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Hiato
Estou pensando aqui sobre o hiato. Sobre pausas no tempo. Sobre pessoas que nos conhecem desde sempre. Pessoas que a gente deixa de ver e que reencontra. Parece que não faz tanto tempo assim. 20 anos, 15 anos, 1 mês. Pessoas que lembram daquilo que já esquecemos. Que resgatam a nossa essência. Que enxergam em nós aquilo que negamos enxergar. Saudades, dor no peito, vontade de reencontrar. Abraço. Pessoas que vemos em sonhos.
No outro dia caminhava na rua. Avenida grande, agitada. Eu estava alheia ao barulho. Movimento de carros, pessoas andando, não havia buzinas, não havia conversas. Só eu andando. Perdida nos meus pensamentos, nas minhas lembranças, nas dificuldades a serem enfrentadas.
Agora escuto novamente vozes. Vozes amigas, pessoas que me escrevem. Mensagens, opiniões, a pura essência humana. Amor, carinho.
A vida vale a pena.
No outro dia caminhava na rua. Avenida grande, agitada. Eu estava alheia ao barulho. Movimento de carros, pessoas andando, não havia buzinas, não havia conversas. Só eu andando. Perdida nos meus pensamentos, nas minhas lembranças, nas dificuldades a serem enfrentadas.
Agora escuto novamente vozes. Vozes amigas, pessoas que me escrevem. Mensagens, opiniões, a pura essência humana. Amor, carinho.
A vida vale a pena.
O marketing da natureza
Quando vejo televisão com os meus filhos ou quando eles comentam de algum comercial infantil, eu sempre explico para eles que quem faz o comercial quer vender, que nem sempre o produto mostrado é bom ou tem os efeitos que a propaganda promete.
Fico ouvindo umas histórias e pensando sobre a vida. O homem é bicho esperto. Observa, analisa, inventa. O marketing da televisão não é diferente do marketing da natureza. Do instinto básico como o que faz com que o pavão exiba a sua cauda para a fêmea.
As pessoas se apaixonam como quem compra pacotes de biscoito. Acham a embalagem bonita. Imaginam um biscoito de chocolate e quando começam a comê-lo, percebem um tanto de creme que não era o exato sabor, mas continuam atraídas pela ilusão da embalagem. Comem o pacote inteiro e só então se dão conta de que o sabor desejado não era exatamente aquele. Mas a propaganda continua lá, latejando, como o monitor de lcd do metrô ou do elevador, que não faz esquecer. A valorização da embalagem sobre o conteúdo. E se não conseguem comprar mais, ficam para sempre com a ilusão de que aquele era o sabor ideal, mesmo sabendo no fundo, que não era.
Não sei se é culpa delas. O homem se acha racional mas tem instinto. E o instinto por vezes domina a razão.
Fico ouvindo umas histórias e pensando sobre a vida. O homem é bicho esperto. Observa, analisa, inventa. O marketing da televisão não é diferente do marketing da natureza. Do instinto básico como o que faz com que o pavão exiba a sua cauda para a fêmea.
As pessoas se apaixonam como quem compra pacotes de biscoito. Acham a embalagem bonita. Imaginam um biscoito de chocolate e quando começam a comê-lo, percebem um tanto de creme que não era o exato sabor, mas continuam atraídas pela ilusão da embalagem. Comem o pacote inteiro e só então se dão conta de que o sabor desejado não era exatamente aquele. Mas a propaganda continua lá, latejando, como o monitor de lcd do metrô ou do elevador, que não faz esquecer. A valorização da embalagem sobre o conteúdo. E se não conseguem comprar mais, ficam para sempre com a ilusão de que aquele era o sabor ideal, mesmo sabendo no fundo, que não era.
Não sei se é culpa delas. O homem se acha racional mas tem instinto. E o instinto por vezes domina a razão.
A emoção de ler
Quando a gente lê e se emociona é porque o escritor conseguiu atingir lá no fundo algo que estava calado mas que existia mesmo sem a gente se dar conta. A gente percebe que existem coisas que andam no consciente ou no inconsciente das pessoas e que fazem com que elas estejam ligadas pelo sentimento.
Sinto que o post abaixo é algo que eu gostaria de ter escrito. Já tentei algumas vezes descrever essas impressões. Ligo através de um link aquilo que já estava ligado num outro plano virtual.
Saudade
Obrigada, amiga.
Sinto que o post abaixo é algo que eu gostaria de ter escrito. Já tentei algumas vezes descrever essas impressões. Ligo através de um link aquilo que já estava ligado num outro plano virtual.
Saudade
Obrigada, amiga.
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