Pois é, blog também é cultura.
Há algum tempo atrás, escrevendo um comentário no blog de uma amiga, deparei-me com o comentário de outra pessoa que me chamou a atenção. Quem está acostumado a escrever e ler blog percebe que as conexões vão se formando dessa forma. Ao ler o comentário do outro, a gente se sente compelido a visitar o blog e passa, ou não, a ser frequentador assíduo.
Pois eis que li o blog e me identifiquei com ele. E comentei. Ou será que foi ela que comentou primeiro e depois eu visitei? Para falar a verdade, já não importa mais. Porque o assombroso é a quantidade de semelhanças que existem entre nós.
Ela mora em Amsterdam. Eu moro em São Paulo. Ambas somos separadas e com filhos. Ela está "one step ahead", já entrou num relacionamento. Enfrentamos perda de entes queridos, cada qual no seu tempo. Leio sobre os filmes e livros que ela fala: muitos em comum. Faixa etária próxima. Fiquei boquiaberta de descobrir que ela também faz scrapbooking. E por último: estilo de escrita parecido, apesar de que, eu acho que ela escreve melhor. Ela é tradutora. Eu gosto de aprender línguas mas sou analista de sistemas. E por aí vai.
Aí, eu andei lendo muitos posts dela. E ela os meus. Até que um dia comentei para ela que estava achando tudo muito parecido, ao que ela respondeu: é verdade, é como se estivéssemos vivendo aquele filme "La double vie de Véronique", uma espécie de doppelgänger.
Tudo isso para dizer que AMEI o post dela do outro dia. Falando sobre "Catalisadores" . Resumindo de uma forma muuuito superficial, seria o seguinte: ela fala sobre pessoas que despertam o que há de melhor na gente. É isso aí, gente. Palmas para os catalisadores.
terça-feira, 24 de março de 2009
No olho do furacão
Certa vez eu quase me envolvi num acidente. Eu descia um viaduto numa velocidade alta, entrei na curva ainda em alta velocidade e o veículo que tinha problemas de suspensão e um volante hidráulico não muito confiável rabeou. Foi inabilidade minha. Acostumada a dirigir carros mais novos e estáveis, eu não me dei conta de que a velocidade com que eu entrei na curva não era adequada.
O carro foi para um lado, eu acertei para o outro, fiquei por alguns segundos nessa luta de tentar colocar o carro reto na rua de novo. Fui num ziguezague fora de controle até conseguir assumir o controle novamente. E para piorar, posso dizer que no momento em que o carro saiu do meu controle pela primeira vez, esteve há pouco de capotar.
Quando consegui voltar ao normal, minhas pernas tremiam como geléia e eu mal conseguia acelerar para chegar no trabalho que já estava bem próximo.
O surpreendente nisso tudo é que apesar do episódio não durar mais do que alguns segundos, nos quais o meu coração batia forte e eu tentava segurar o carro, pude perceber várias cenas que se desenrolavam em volta. O pedestre assustado assistindo tudo da calçada, os carros que freavam atrás de mim, os carros que eu tentava não atingir na minha frente.
Foi uma cena de poucos segundos, parecendo de filme, onde a gente apesar da velocidade assiste tudo em câmera lenta. E no final, vergonha.
O carro foi para um lado, eu acertei para o outro, fiquei por alguns segundos nessa luta de tentar colocar o carro reto na rua de novo. Fui num ziguezague fora de controle até conseguir assumir o controle novamente. E para piorar, posso dizer que no momento em que o carro saiu do meu controle pela primeira vez, esteve há pouco de capotar.
Quando consegui voltar ao normal, minhas pernas tremiam como geléia e eu mal conseguia acelerar para chegar no trabalho que já estava bem próximo.
O surpreendente nisso tudo é que apesar do episódio não durar mais do que alguns segundos, nos quais o meu coração batia forte e eu tentava segurar o carro, pude perceber várias cenas que se desenrolavam em volta. O pedestre assustado assistindo tudo da calçada, os carros que freavam atrás de mim, os carros que eu tentava não atingir na minha frente.
Foi uma cena de poucos segundos, parecendo de filme, onde a gente apesar da velocidade assiste tudo em câmera lenta. E no final, vergonha.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Living in denial
O americano usa muito essa expressão "denial". O que significaria isso em português? Viver negando algo. Não me recordo de nenhuma expressão na nossa língua que retrate com a mesma exatidão a situação.
Explicando melhor seria o seguinte: a gente passa por situações na vida que são tão dolorosas ou tão difíceis de encarar, que fazem com que a gente negue que tem problemas. A gente acaba inventando uma estorinha na nossa cabeça para tentar esquecer o problema. É um "me engana que eu gosto" inconsciente. Sim, porque quem cria essa estória não se dá conta de que inventou para fugir dos problemas.
Parece louco né? Mas é verdade. É mais fácil viver uma fantasia do que encarar o mundo real.
Aí a gente se pergunta: tem problema? Em princípio não. Porque afinal, somos donos do nosso nariz e ninguém tem nada a ver com a vida da gente, é o que a gente pensa.
E vai tudo muito bem. A gente se engana, vive a fantasia, incorpora um personagem que nem sempre tem a ver com a gente. Até que um dia a gente se dá conta de que se afastou da própria essência. Aquilo que a gente vive não tem exatamente a ver com o que a gente é de verdade.
E de novo, tem problema? Talvez não. O problema é quando a gente se dá conta de que foi tão eficiente em mentir para si mesmo que até as pessoas que nos cercam começaram a acreditar na mentira.
O americano, para o "denial", tem uma resposta: "intervention". Seria assim, quando os familiares e amigos percebem o problema e resolvem dar uma chacoalhada na pessoa para que ela volte ao seu rumo normal. Tem um pouco a ver também com drogas e alcoolismo mas não necessariamente somente nesses casos.
Aqui no Brasil a gente não usa esses termos. E nem o assunto é tratado com tanto método. Mas cabe a nós escutar de tempos em tempos o que os outros têm a dizer. E se a mensagem se repete com frequência, aí é hora de avaliar o que está acontecendo. Antes que seja tarde demais...
Explicando melhor seria o seguinte: a gente passa por situações na vida que são tão dolorosas ou tão difíceis de encarar, que fazem com que a gente negue que tem problemas. A gente acaba inventando uma estorinha na nossa cabeça para tentar esquecer o problema. É um "me engana que eu gosto" inconsciente. Sim, porque quem cria essa estória não se dá conta de que inventou para fugir dos problemas.
Parece louco né? Mas é verdade. É mais fácil viver uma fantasia do que encarar o mundo real.
Aí a gente se pergunta: tem problema? Em princípio não. Porque afinal, somos donos do nosso nariz e ninguém tem nada a ver com a vida da gente, é o que a gente pensa.
E vai tudo muito bem. A gente se engana, vive a fantasia, incorpora um personagem que nem sempre tem a ver com a gente. Até que um dia a gente se dá conta de que se afastou da própria essência. Aquilo que a gente vive não tem exatamente a ver com o que a gente é de verdade.
E de novo, tem problema? Talvez não. O problema é quando a gente se dá conta de que foi tão eficiente em mentir para si mesmo que até as pessoas que nos cercam começaram a acreditar na mentira.
O americano, para o "denial", tem uma resposta: "intervention". Seria assim, quando os familiares e amigos percebem o problema e resolvem dar uma chacoalhada na pessoa para que ela volte ao seu rumo normal. Tem um pouco a ver também com drogas e alcoolismo mas não necessariamente somente nesses casos.
Aqui no Brasil a gente não usa esses termos. E nem o assunto é tratado com tanto método. Mas cabe a nós escutar de tempos em tempos o que os outros têm a dizer. E se a mensagem se repete com frequência, aí é hora de avaliar o que está acontecendo. Antes que seja tarde demais...
Analisando o medo
É fato que existe aquele medo, instinto básico, que segundo os estudos se torna necessário para a nossa defesa própria. Diante do perigo, a adrenalina sobe e a gente tem reflexos que visam a nossa proteção.
Existe também um outro medo, aquele que ao contrário do primeiro, pode mais atrapalhar do que ajudar. Ele pode aparecer na hora de tomar uma grande decisão, de enfrentar o desconhecido. Também se insinua na nossa mente quando nos deparamos com situações que nos remetem a fatos antigos, coisas que não sairam exatamente como planejadas e que nos fizeram sofrer.
Se no fundo a gente reconhece que as coisas nem sempre acontecem do mesmo jeito ou que a gente não tem certeza do que vem no futuro se não tentar, tudo bem. Porque nesse caso, a gente ainda consegue reverter a situação. Calcular o risco e seguir em frente. O problema é quando o medo se torna paralizante, quando ficamos escravos do passado, achando que as situações se repetem e que não é possível escrever um novo roteiro com um final diferente.
Esse medo, cruel, nos atormenta dentro da nossa própria mente, enviando-nos pensamentos nem sempre verídicos. Ele nos turva a visão e impede que a gente enxergue as coisas como elas são. É comum nesse contexto que a gente acabe se atrapalhando, metendo os pés pelas mãos, agindo de forma distanciada da nossa vontade simplesmente porque a gente não consegue mais distinguir a verdade da imaginação.
E na dúvida, mesmo não querendo, a gente se deixa momentaneamente vencer pelo medo, acreditando que uma hora ele vai passar. E ainda bem que para quem acredita, uma hora passa.
Existe também um outro medo, aquele que ao contrário do primeiro, pode mais atrapalhar do que ajudar. Ele pode aparecer na hora de tomar uma grande decisão, de enfrentar o desconhecido. Também se insinua na nossa mente quando nos deparamos com situações que nos remetem a fatos antigos, coisas que não sairam exatamente como planejadas e que nos fizeram sofrer.
Se no fundo a gente reconhece que as coisas nem sempre acontecem do mesmo jeito ou que a gente não tem certeza do que vem no futuro se não tentar, tudo bem. Porque nesse caso, a gente ainda consegue reverter a situação. Calcular o risco e seguir em frente. O problema é quando o medo se torna paralizante, quando ficamos escravos do passado, achando que as situações se repetem e que não é possível escrever um novo roteiro com um final diferente.
Esse medo, cruel, nos atormenta dentro da nossa própria mente, enviando-nos pensamentos nem sempre verídicos. Ele nos turva a visão e impede que a gente enxergue as coisas como elas são. É comum nesse contexto que a gente acabe se atrapalhando, metendo os pés pelas mãos, agindo de forma distanciada da nossa vontade simplesmente porque a gente não consegue mais distinguir a verdade da imaginação.
E na dúvida, mesmo não querendo, a gente se deixa momentaneamente vencer pelo medo, acreditando que uma hora ele vai passar. E ainda bem que para quem acredita, uma hora passa.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Por fim alguém me autoriza...
Sorte de hoje no Orkut: "Não tenha medo de ir devagar; só tenha medo de ficar parado".
O ano é 99
Certa vez li um post onde a pessoa, no dia do seu aniversário, aproveitava para lembrar do que tinha acontecido 10 anos antes, na mesma data.
Hoje falei sobre chuva, "águas de março". E coincidentemente havia comentado durante o almoço com algumas colegas de trabalho sobre as vezes em que fiquei presa sozinha por horas em algum local longínquo de São Paulo por causa da chuva, das assustadoras enchentes, de Anhangabaú cheio até o teto.
Volto para casa, converso com meus filhos. Vejo minha filha que ontem ainda era bebê, enorme, deitada na minha cama.
Parei para pensar: o que eu estava fazendo em 18 de março de 1999?
O que, exatamente, eu não sei. Mas consigo lembrar um pouco do que acontecia naquela época:
- Eu havia viajado para Londres, em janeiro ou fevereiro...
- Eu estava num cliente perto do Shopping Center Norte, travando uma daquelas batalhas aparentemente impossíveis de se vencer;
- Eu falava diariamente por e-mail com uma das minhas melhores amigas e madrinha da minha filha, várias vezes por dia.
- Eu ainda não estava grávida do meu primeiro filho mas iria engravidar dentro de 1 mês... ou seja, eu não tinha nenhuma responsabilidade além do trabalho....
- Meus pais ainda moravam no Rio, meu pai ainda era vivo.
- Eu era mais impaciente, intolerante mas tinha mais sonhos e convicções.
- Eu tinha um Vectra e adorava correr com ele pelas ruas e estradas sem radar.
- Eu passeava na Augusta, Oscar Freire e Lorena sozinha, no final do dia e comprava algumas roupas.
- Eu quase não tinha amigos em São Paulo. Meus amigos iam quando os projetos acabavam. Eu voltava para casa e muitas vezes me sentia sozinha.
- Eu lia muito.
- Eu comia doces e usava manequim 36, tinha o cabelo curto e treinava na Runner da Paulista.
- Eu comprava muitos CDs e muitos livros.
- Eu trabalhava muito e acreditava num objetivo, que algum dia eu chegaria num lugar confortável.
É, muita coisa mudou. Por outro lado, outras nem tanto.
Hoje falei sobre chuva, "águas de março". E coincidentemente havia comentado durante o almoço com algumas colegas de trabalho sobre as vezes em que fiquei presa sozinha por horas em algum local longínquo de São Paulo por causa da chuva, das assustadoras enchentes, de Anhangabaú cheio até o teto.
Volto para casa, converso com meus filhos. Vejo minha filha que ontem ainda era bebê, enorme, deitada na minha cama.
Parei para pensar: o que eu estava fazendo em 18 de março de 1999?
O que, exatamente, eu não sei. Mas consigo lembrar um pouco do que acontecia naquela época:
- Eu havia viajado para Londres, em janeiro ou fevereiro...
- Eu estava num cliente perto do Shopping Center Norte, travando uma daquelas batalhas aparentemente impossíveis de se vencer;
- Eu falava diariamente por e-mail com uma das minhas melhores amigas e madrinha da minha filha, várias vezes por dia.
- Eu ainda não estava grávida do meu primeiro filho mas iria engravidar dentro de 1 mês... ou seja, eu não tinha nenhuma responsabilidade além do trabalho....
- Meus pais ainda moravam no Rio, meu pai ainda era vivo.
- Eu era mais impaciente, intolerante mas tinha mais sonhos e convicções.
- Eu tinha um Vectra e adorava correr com ele pelas ruas e estradas sem radar.
- Eu passeava na Augusta, Oscar Freire e Lorena sozinha, no final do dia e comprava algumas roupas.
- Eu quase não tinha amigos em São Paulo. Meus amigos iam quando os projetos acabavam. Eu voltava para casa e muitas vezes me sentia sozinha.
- Eu lia muito.
- Eu comia doces e usava manequim 36, tinha o cabelo curto e treinava na Runner da Paulista.
- Eu comprava muitos CDs e muitos livros.
- Eu trabalhava muito e acreditava num objetivo, que algum dia eu chegaria num lugar confortável.
É, muita coisa mudou. Por outro lado, outras nem tanto.
Águas de março...
Foi só eu declarar publicamente o meu amor pela estrada, velocidade, cabelos ao vento e tudo mais que... começou a chover de noite. Chuva daquelas de dar tensão, de doer a mandíbula e os ombros...
Voltei com chuva ontem e hoje.... medo dos caminhões, das ultrapassagens de terceiros mal calculadas, de freiar na pista molhada, de não enxergar direito por que o limpador não dá conta...
Mas acho que na vida é assim mesmo. A gente sente o poder e o prazer em determinados momentos. No momento seguinte nem tanto. O negócio é lembrar que antes esteve bom e que como sempre na vida, vai melhorar de novo.
Todo ano é igual. Chove e eu lembro do refrão:
"São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração"
Voltei com chuva ontem e hoje.... medo dos caminhões, das ultrapassagens de terceiros mal calculadas, de freiar na pista molhada, de não enxergar direito por que o limpador não dá conta...
Mas acho que na vida é assim mesmo. A gente sente o poder e o prazer em determinados momentos. No momento seguinte nem tanto. O negócio é lembrar que antes esteve bom e que como sempre na vida, vai melhorar de novo.
Todo ano é igual. Chove e eu lembro do refrão:
"São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração"
Fala comigo...
O maior motivo de reclamação e desentendimento entre eu e o meu pai quando eu era adolescente era o telefone. Eu pegava no telefone e tinha a capacidade de conversar durante horas.... sério mesmo, por horas digo, três, quatro horas. Meu pai dizia para mim: pelo menos liga depois das oito. Eu pegava o telefone depois das oito da noite e ficava às vezes até meia-noite. Aí a reclamação mudava: você não pode ficar tanto tempo. E se alguém precisar ligar para falar algo importante?
Fiquei lembrando disso e de como a comunicação atual mudou. No modelo antigo, telefone tradicional, sem nenhum recurso tecnológico, o telefone tocava, a gente atendia, falava... sentimentos eram percebidos ou intuídos pelo tom de voz e pela mudança na modulação. Pausas, respiração. Era possível enganar? Sim, mas era um pouco mais difícil.
Veio o celular, o rapport já mudou de figura. "Ah, desculpe, a ligação tá falhando". Desliga-se o celular com a desculpa de que o sinal está ruim. Toca o telefone, aquela olhada no visor para ver quem é e se decidir se vai atender ou não.
MSN? As pessoas conversam, tem os emoticons que simulam os sentimentos. Simulam sim porque a pessoa tá ali, de saco cheio mas manda uma carinha feliz. Tem o offline, o bloqueio, várias conversas paralelas, a conexão cai e gera um mal-entendido.
Estamos cada vez mais ligados e dependentes da tecnologia. É impossível não perguntar onde isso vai chegar. Quando eu era criança, subia no andar das minhas melhores amigas, tocava a campainha e encontrava as pessoas ali, do jeito que estivessem. Descabeladas, de pijama, alegres ou tristes. E a gente se gostava assim mesmo. Agora, a gente fala no celular, recebe um torpedo da amiga desmarcando o encontro, fala no msn, sem ter nenhuma idéia do que se passa do outro lado.
Eu não sou contra a tecnologia. Dependo dela e me utilizo dela inclusive para lazer. Só fico me perguntando às vezes se ao ingressarmos cada vez mais no mundo virtual não estamos deixando de lado o simples da vida que também é bom. Fico pensando se não há um preço nessa troca. Se o preço não é que estejamos tornando os sentimentos reais em sentimentos virtuais.
Fiquei lembrando disso e de como a comunicação atual mudou. No modelo antigo, telefone tradicional, sem nenhum recurso tecnológico, o telefone tocava, a gente atendia, falava... sentimentos eram percebidos ou intuídos pelo tom de voz e pela mudança na modulação. Pausas, respiração. Era possível enganar? Sim, mas era um pouco mais difícil.
Veio o celular, o rapport já mudou de figura. "Ah, desculpe, a ligação tá falhando". Desliga-se o celular com a desculpa de que o sinal está ruim. Toca o telefone, aquela olhada no visor para ver quem é e se decidir se vai atender ou não.
MSN? As pessoas conversam, tem os emoticons que simulam os sentimentos. Simulam sim porque a pessoa tá ali, de saco cheio mas manda uma carinha feliz. Tem o offline, o bloqueio, várias conversas paralelas, a conexão cai e gera um mal-entendido.
Estamos cada vez mais ligados e dependentes da tecnologia. É impossível não perguntar onde isso vai chegar. Quando eu era criança, subia no andar das minhas melhores amigas, tocava a campainha e encontrava as pessoas ali, do jeito que estivessem. Descabeladas, de pijama, alegres ou tristes. E a gente se gostava assim mesmo. Agora, a gente fala no celular, recebe um torpedo da amiga desmarcando o encontro, fala no msn, sem ter nenhuma idéia do que se passa do outro lado.
Eu não sou contra a tecnologia. Dependo dela e me utilizo dela inclusive para lazer. Só fico me perguntando às vezes se ao ingressarmos cada vez mais no mundo virtual não estamos deixando de lado o simples da vida que também é bom. Fico pensando se não há um preço nessa troca. Se o preço não é que estejamos tornando os sentimentos reais em sentimentos virtuais.
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