terça-feira, 16 de novembro de 2010

Seria a realidade real?

Estava assistindo um desenho em 3D neste final de semana e num certo ponto, onde os personagens parecem flutuar no meio da galáxia, eu fui acometida por um sentimento de confusão entre o real e o imaginário. Eu me dei conta, em milésimos de segundos, que a cada dia que passa, o homem torna real dezenas de ideias, situações antes somente imaginadas. Já não foi dito que grande parte das invenções se baseia naquilo que foi escrito em romances ou contos de ficção científica? Não consigo detalhar a minha estupefação, descrever com as palavras certas, mas naquele momento fiquei me indagando sobre a realidade deste mundo: como pode ser real um mundo em que a maioria das coisas que nos cerca é inventada? Somos nós frutos de nossa própria imaginação e vontade?

A Caixa


Eu vi alguns filmes neste final de semana. Fazia tempo que eu queria assistir "Um Olhar do Paraíso"("The Lovely Bones"). Devo dizer que não decepcionou mas também não entusiasmou. Fiquei com aquela impressão de que muita coisa ficou sem explicação e de que o livro poderia ter sido uma melhor escolha. Bom, eu sempre tive a política de não assistir um filme antes de ler o livro mas esse tem sido um hábito difícil de manter dada a velocidade dos lançamentos atualmente.

A melhor situação é quando a gente vê um filme sem expectativas e acaba se surpreendendo com ele. E isso aconteceu com o thriller "A Caixa". Aluguei-o esperando um filme daqueles nervosos onde pessoas correm e carros explodem e a gente quase nem consegue acompanhar com os olhos o que vai acontecendo. Para minha agradável surpresa, apesar de colorido, o filme que se ambienta na década de 70 tem um ritmo meio hitchcockiano e que me lembrou, apesar de eu não ter sido fã assídua, os episódios do memorável "Twilight Zone". Colorido bonito, diga-se de passagem, design gráfico impecável e um bom suspense permeado por trilha sonora envolvente. Valeu a pena.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Glory of Life - Mink

Glory of Life.

Sempre é bom começar o dia com um pouco de gratidão.


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O medo e o caminho

Eu já tive muito medo. Medo de muita coisa, em geral.

Me peguei hoje analisando que medos, ainda os tenho, porém muito menos. E que o que me fez ter menos medo foi a experiência. Parece óbvio, né? Nem tanto assim. Muita gente vive uma vida inteira com medo.

Me ocorreu nessa reflexão que de uma forma bem simplista, essa superação é como a dos caminhos desconhecidos. Sem metáforas nesse momento: caminhos de verdade. Como quando a gente pega um ônibus ou vai dirigindo por uma estrada, e por dentro aquele desconforto, sem saber o que vem pela frente. Ao final da jornada, chegando seguro ao destino, a gente se dá conta de que o desconforto foi embora. E ao atravessar novamente a mesma estrada, o medo pode vir bem de fininho ou nem vir mais. Por que a gente já sabe onde ela vai dar. E conhecida a estrada, se a viagem é agradável, a gente se sente motivado a ir por outras, a desbravar mais caminhos.

Importante é lembrar que os caminhos, se de nossa escolha, não precisam ser extenuantes. Violência pessoal causa trauma e não vitória. Percorrer os caminhos, do tamanho da nossa perna, onde a nossa coragem alcançar. E não desistir de percorrê-los. É assim que se vence o medo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Personagem

Quando escrevo, sou quem eu quero ser.
Sinto o que quero sentir.
Invento, reinvento.

Quando escrevo, pinto o mundo de cor-de-rosa.
Ou de azul.
Ou coloco o preto no branco, se preferir.

Quando escrevo, recordo e repito.
Ou modifico.
Cabe a mim decidir.

Quando escrevo, penso antes de escrever.
E se me arrependo, apago.
O meu erro, eu reparo.

Quando escrevo, aquieto a minha mente.
Vazo para o papel o que a cabeça transborda.
E melhoro.

Quando escrevo, chorando, falo sobre o sorriso.
Sonho com um futuro melhor.
Reciclo o passado, surpreendo.

Quando escrevo, sou eu mesma e ao mesmo tempo não sou.
Opino, enlouqueço, aborreço.
E assim vou.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nova paixão - Glee


Faz tempo que eu declaro aqui o meu amor por seriados. Estou particularmente satisfeita com os episódios da 4a. temporada de The Big Bang Theory. Vale a pena conferir o 2o. episódio: LOL.

Uma grande amiga minha, fã de Gilmore Girls e com a qual eu converso da mesma forma neurótica e difusa, me alertou há algum tempo sobre Glee. A dica veio num momento não muito colorido de minha vida, no qual eu estava sofrendo uma pequena depressão, fruto do mal funcionamento da minha tireóide. Problema detectado, consegui, apesar das dolorosas (de verdade) provas que a vida nos coloca, me abrir para a possibilidade de um novo seriado e devo dizer que não decepcionou.

Glee é divertido, sarcástico, obsessivo e perfeccionista. Cores perfeitas, tomadas perfeitas e artísticas, números musicais perfeitos. O mundo de "cheer leaders e misfits" é permeado por piadinhas referenciando temas polêmicos como o "american dream", a diversidade cultural, a competitividade exacerbada, o deficiente sistema de saúde americano, a corrida para o ingresso na universidade, o preconceito, republicanos e democratas, guerra do Iraque e do Golfo, crise financeira... bom, são tantos temas polêmicos mesmo que pincelados sutilmente, que vou parando por aqui.

Comecei a assistir e foram 7 episódios de uma vez só. Os números musicais são fascinantes e revisitam muitos temas dos anos 80. Vale a pena conferir, mesmo que a Rachel, a moreninha que deve se tornar a queridinha do seriado, grite um pouco demais às vezes. O Terra tem disponibilizado 4 episódios por semana, para quem tiver muita curiosidade, no canal Glee.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

C.R.A.Z.Y.

Há algum tempo atrás vi o trailer desse filme e registrei em algum ponto da minha mente que queria assisti-lo mas esqueci, como tem sido de costume ultimamente. Felizmente vi o cartaz do filme novamente e corri para procurá-lo.

O filme é canadense. Para os amantes da língua francesa, devo observar sem nenhuma arrogância, que já tinha visto filmes canadenses antes mas não me lembro de ter notado naquelas ocasiões, o quanto a pronúncia canadense soa peculiar para quem está acostumado ao sotaque da França. Eu me apeguei mais do que o normal às legendas.

De concreto, devo dizer que recomendo fortemente o filme, principalmente para quem foi adolescente nos anos 80. Existe uma coisa que é comum a qualquer adolescente que é o de cultivar ou mesmo cultuar artistas queridos. E existe algo além, mágico, que é poder observar outros agindo da mesma forma como você agia quando era adolescente. Resgatar aquelas músicas e capas de vinil que a gente tanto amava. A letra cantada, o fundir de música e emoção, mesmo que não sejam as emoções que vão por dentro do personagem, as mesmas que nos dominavam.

Os temas tocados pelo filme não são exatamente originais mas são abordados com sensibilidade e cor. Vemos desfilar uma fileira de personagens e dramas próprios, conflitos e dor, mas a beleza da filmagem, do figurino, da trilha sonora, da cenografia, torna tudo tão interessante, que a dor quase nem dói de verdade. Fica de saldo o que a gente deve levar na vida, que são os bons sentimentos, aquilo que a gente deve valorizar: o amor, pois na vida não é possível não sofrer, mas também não é possível não amar.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nick Hornby - Juliet Naked

Sabe aquela máxima que diz que não se deve comprar um livro pela capa? Pois é, devo confessar, diria que quase sem nenhum pudor, que eu compro livro pela capa. A falta de pudor eu atribuo a um dos benefícios que a idade nos traz que é o de deixar de ter vergonha das coisas banais.

Estava um dia passeando na livraria e dei aquela passadinha pela seção de "pockets", dos quais sou fã confessa. Foi quando vi assim, numa pilha, vários livros do Nick Hornby, autor que sabia que tinha ouvido falar mas que não lembrava exatamente o quê.

Bom, aí comecei a manusear os livros e simpatizei com a sinopse de "Juliet Naked" (isso por que foi a capa que me causou maior impacto, deixando de lado a hipocrisia). Comprei o livro e ele ficou aguardando na minha fila.

Certo dia me disse uma amiga que estava querendo retomar as leituras em espanhol mas que andava meio sem paciência para os dramalhões da Isabel Allende ou as bizarrices de Gabriel García Marquez. Eu disse a ela que talvez houvesse alguma escritora de chick-lit espanhol, que poderia ser uma boa forma de retomar a leitura para depois passar a algo mais "sério". Pesquisando a respeito, me deparei com uma definição na wikipedia onde uma das informações passadas era a de que certos autores são classificados como lad-lit ou mais vulgarmente dick-lit. E figurava entre esses autores o "tal" do Nick Hornby.

Lembrei-me imediatamente do meu recém-adquirido livro. Pensei: "se for para ficar lendo sobre carros e mulheres, melhor trocar o livro". Pensamento preconceituoso, talvez o equivalente feminino ao pensamento masculino quando avalia um chick-lit.

Decidi manter o livro e iniciar a leitura. Para minha surpresa, não só a leitura está sendo agradável como extremamente atual. Eu diria que para um "guy", o Nick Hornby trata com extrema sensibilidade os sentimentos que acometem pessoas de uma idade um pouco mais avançada; questões como "o que foi feito da vida", "onde seus relacionamentos os levaram". Uma narrativa que intercala presente e passado, reflexões dos seus diferentes personagens e um estilo criativo e moderno, onde figuram iPods, blogs e sites populares.

Fiquei feliz com a decisão de manter o livro e dar uma chance a ele. Mais tarde fui pesquisar melhor e aprendi que ele também é o autor de "Alta Fidelidade" livro que não li mas cujo filme está na lista dos que mais aprecio e também do recente "An Education" (Educação) filme sobre o qual só ouvi bons comentários.

Devo dizer que não devo parar em "Juliet Naked".