segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nova paixão - Glee


Faz tempo que eu declaro aqui o meu amor por seriados. Estou particularmente satisfeita com os episódios da 4a. temporada de The Big Bang Theory. Vale a pena conferir o 2o. episódio: LOL.

Uma grande amiga minha, fã de Gilmore Girls e com a qual eu converso da mesma forma neurótica e difusa, me alertou há algum tempo sobre Glee. A dica veio num momento não muito colorido de minha vida, no qual eu estava sofrendo uma pequena depressão, fruto do mal funcionamento da minha tireóide. Problema detectado, consegui, apesar das dolorosas (de verdade) provas que a vida nos coloca, me abrir para a possibilidade de um novo seriado e devo dizer que não decepcionou.

Glee é divertido, sarcástico, obsessivo e perfeccionista. Cores perfeitas, tomadas perfeitas e artísticas, números musicais perfeitos. O mundo de "cheer leaders e misfits" é permeado por piadinhas referenciando temas polêmicos como o "american dream", a diversidade cultural, a competitividade exacerbada, o deficiente sistema de saúde americano, a corrida para o ingresso na universidade, o preconceito, republicanos e democratas, guerra do Iraque e do Golfo, crise financeira... bom, são tantos temas polêmicos mesmo que pincelados sutilmente, que vou parando por aqui.

Comecei a assistir e foram 7 episódios de uma vez só. Os números musicais são fascinantes e revisitam muitos temas dos anos 80. Vale a pena conferir, mesmo que a Rachel, a moreninha que deve se tornar a queridinha do seriado, grite um pouco demais às vezes. O Terra tem disponibilizado 4 episódios por semana, para quem tiver muita curiosidade, no canal Glee.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

C.R.A.Z.Y.

Há algum tempo atrás vi o trailer desse filme e registrei em algum ponto da minha mente que queria assisti-lo mas esqueci, como tem sido de costume ultimamente. Felizmente vi o cartaz do filme novamente e corri para procurá-lo.

O filme é canadense. Para os amantes da língua francesa, devo observar sem nenhuma arrogância, que já tinha visto filmes canadenses antes mas não me lembro de ter notado naquelas ocasiões, o quanto a pronúncia canadense soa peculiar para quem está acostumado ao sotaque da França. Eu me apeguei mais do que o normal às legendas.

De concreto, devo dizer que recomendo fortemente o filme, principalmente para quem foi adolescente nos anos 80. Existe uma coisa que é comum a qualquer adolescente que é o de cultivar ou mesmo cultuar artistas queridos. E existe algo além, mágico, que é poder observar outros agindo da mesma forma como você agia quando era adolescente. Resgatar aquelas músicas e capas de vinil que a gente tanto amava. A letra cantada, o fundir de música e emoção, mesmo que não sejam as emoções que vão por dentro do personagem, as mesmas que nos dominavam.

Os temas tocados pelo filme não são exatamente originais mas são abordados com sensibilidade e cor. Vemos desfilar uma fileira de personagens e dramas próprios, conflitos e dor, mas a beleza da filmagem, do figurino, da trilha sonora, da cenografia, torna tudo tão interessante, que a dor quase nem dói de verdade. Fica de saldo o que a gente deve levar na vida, que são os bons sentimentos, aquilo que a gente deve valorizar: o amor, pois na vida não é possível não sofrer, mas também não é possível não amar.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nick Hornby - Juliet Naked

Sabe aquela máxima que diz que não se deve comprar um livro pela capa? Pois é, devo confessar, diria que quase sem nenhum pudor, que eu compro livro pela capa. A falta de pudor eu atribuo a um dos benefícios que a idade nos traz que é o de deixar de ter vergonha das coisas banais.

Estava um dia passeando na livraria e dei aquela passadinha pela seção de "pockets", dos quais sou fã confessa. Foi quando vi assim, numa pilha, vários livros do Nick Hornby, autor que sabia que tinha ouvido falar mas que não lembrava exatamente o quê.

Bom, aí comecei a manusear os livros e simpatizei com a sinopse de "Juliet Naked" (isso por que foi a capa que me causou maior impacto, deixando de lado a hipocrisia). Comprei o livro e ele ficou aguardando na minha fila.

Certo dia me disse uma amiga que estava querendo retomar as leituras em espanhol mas que andava meio sem paciência para os dramalhões da Isabel Allende ou as bizarrices de Gabriel García Marquez. Eu disse a ela que talvez houvesse alguma escritora de chick-lit espanhol, que poderia ser uma boa forma de retomar a leitura para depois passar a algo mais "sério". Pesquisando a respeito, me deparei com uma definição na wikipedia onde uma das informações passadas era a de que certos autores são classificados como lad-lit ou mais vulgarmente dick-lit. E figurava entre esses autores o "tal" do Nick Hornby.

Lembrei-me imediatamente do meu recém-adquirido livro. Pensei: "se for para ficar lendo sobre carros e mulheres, melhor trocar o livro". Pensamento preconceituoso, talvez o equivalente feminino ao pensamento masculino quando avalia um chick-lit.

Decidi manter o livro e iniciar a leitura. Para minha surpresa, não só a leitura está sendo agradável como extremamente atual. Eu diria que para um "guy", o Nick Hornby trata com extrema sensibilidade os sentimentos que acometem pessoas de uma idade um pouco mais avançada; questões como "o que foi feito da vida", "onde seus relacionamentos os levaram". Uma narrativa que intercala presente e passado, reflexões dos seus diferentes personagens e um estilo criativo e moderno, onde figuram iPods, blogs e sites populares.

Fiquei feliz com a decisão de manter o livro e dar uma chance a ele. Mais tarde fui pesquisar melhor e aprendi que ele também é o autor de "Alta Fidelidade" livro que não li mas cujo filme está na lista dos que mais aprecio e também do recente "An Education" (Educação) filme sobre o qual só ouvi bons comentários.

Devo dizer que não devo parar em "Juliet Naked".

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Alerta: Hipotireoidismo

Eu andei esquisita. Assustadoramente esquisita. Desanimada, triste. Por causa da minha necessidade de controlar o açúcar, consultei uma endocrinologista e ela acabou identificando, a partir do relato dos meus sintomas e dos exames de sangue, o hipotireoidismo. Fui por causa de um problema e achei outro. Mas estou feliz que tenha sido diagnosticado pois minha vida melhorou muito desde que iniciei a medicação.

Tanta coisa rola pela internet hoje em dia, tantos hoaxes e afins, que a gente acaba sem saber no que acreditar. Eu particularmente deixo de ler muitas coisas porque evito sofrer por antecedência, prefiro enfrentar os problemas conforme eles vão aparecendo. Mesmo assim, resolvi falar sobre o que aconteceu comigo, pode ser que ajude. Nem sempre tristeza sem motivo é sem motivo de verdade. E nem sempre é tão sério como depressão. Para ter um esclarecimento melhor sobre o problema, recomendo a leitura do excelente post da Sam Shiraishi no A Vida Como a Vida Quer: sério e esclarecedor.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Evolução

Eu escuto e profiro a frase constantemente "quero ser melhor, quero evoluir". Mas o que é a evolução de verdade?


Para mim a evolução implica em alguns fatores macro como ser mais generosa, estar mais contente com a vida, ser mais gentil comigo mesma, aprender sempre e mais. Minimizar o orgulho e o egoísmo. E daí derivam várias outras resoluções menores, mais aplicadas ao cotidiano, que eu creio serem necessárias para atingir os objetivos maiores.

Existe portanto um padrão pessoal dentro do conceito de evoluir. Como tudo na vida, é relativo. Então quem é severo demais consigo mesmo tenta ser mais indulgente. Quem é eloquente demais e expõe o desnecessário, procurar falar menos. Fica até temeroso às vezes a gente escrever sobre um determinado tema e atingir o público errado. Como no post anterior em que eu falo sobre pequenos sonhos, pequenas concessões. De repente a pessoa já está sofrendo com alcoolismo ou com a dificuldade em manter uma dieta alimentar e se sente autorizada a enfiar o pé na jaca, só porque se falou em pequenos prazeres diários.

Chego então no ponto mais difícil: como saber quando a gente realmente precisa mudar? O que precisamos exatamente mudar? Enxergamos nos outros coisas que eles precisam mudar mas não mudam. Coisas que não precisam ser diferentes mas em que o outro insiste em mudar. Tem os que pensam constantemente em mudar, para melhorar, e aqueles para os quais visivelmente as coisas não funcionam mas eles nem se preocupam, continuam agindo de forma autodestrutiva. E pior, será que o outro precisa mudar mesmo? Será que a mudança que a gente propõe é o que ele precisa ou a gente não está querendo de uma certa forma satisfazer um gosto ou uma regra pessoal?

Pouco podemos fazer fora de nosso contexto. Quando entendemos que mudanças são possíveis dentro de nós mas podem ser pouco factíveis nos outros se a outra parte não quer mudar, tiramos um peso do ombro. Vale o otimismo, vale continuar tentando altruisticamente, não podemos abandonar nosso papel de educadores (afinal com filho acho que a história é diferente pois existe a responsabilidade ímplicita ao papel), mas não podemos calcar as nossas maiores expectativas nas mudanças dos outros pois estamos fadados à decepção agindo assim. Existe até, me ocorreu agora, quem deixa de se perceber por buscar o tempo todo a mudança nos outros. Quer tanto corrigir o que está em volta que não conclui que a mudança necessária, na verdade, é em si próprio.

Então volto à pergunta: como saber o que mudar em nós? Ajuda a auto-observação. Analisar fatos e consequências e tentar mudar padrões. Mas tem um grande detalhe que descobri recentemente: mudar para o oposto do que a gente é ou querer fazer a mudança de forma radical não gera bons resultados. É como li no outro dia: a gente pode até se manter num estado de negar uma determinada característica, certo comportamento, mas isso não implica na mudança verdadeira. Torna-se repressão. E não é bom ficar reprimido pois em algum momento o caldo entorna. Não podemos nos violentar e decidir ser exatamente o oposto do que está na nossa essência. O tímido não precisa se tornar o mais popular do colégio, ninguém precisa falar com todo mundo, desde que quando a gente fale, que seja de valor, que seja generoso. Então podemos, por exemplo, agir de forma menos tímida dentro de nosso espectro. Dentro do que a gente alcança. Mudanças menores que nos dão fôlego para tentar outras e assim sucessivamente.

Quem disse que é fácil? Não é fácil para ninguém. Estamos todos em busca de algo. Com mais ou menos acertos. Estamos todos vivos e passíveis de escolhas. Não é fácil mas não é ruim. E não parece que o fácil, às vezes perde a graça?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Convite

Motivada pelo Selinho Mágico, eu criei um selinho do blog Realizando Sonhos. Eu me dei conta de que em alguns anos de blog, eu nunca havia pensado em criar o meu próprio selo. Ou talvez tenha pensado mas não tivesse tempo, de tão dominada que eu estava pela correria diária e acúmulo de tarefas.

O meu selinho vem com um convite. Um convite a sonhar. O sonho pode ser grande, como tomar aquele passo que você vem adiando há tempos, ou pequeno. Diria que prefiro até o pequeno: convido-os a reservar alguns minutinhos a mais na pausa do almoço para tomar um café naquela lojinha charmosa e caminhar ao sol no dia frio. Não vale engolir o café. Precisa saborear, tomar consciência da importância do momento, o momento que você reservou para si próprio. Vale também olhar através da janela do escritório durante o expediente. Não importa que a paisagem seja meio cinza ou congestionada: perceba o horizonte, mesmo que visto por entre os prédios. Lembre que há um mundo lá fora. E que ele também é seu. Descubra seu próprio sonho, aquele pequeno hábito abandonado. Porque não criar este hábito diário de novos sonhos e alegrias tangíveis? Seja gentil, sorria. Sonhe sempre e cada vez mais. Sonhe com os pés no chão e realize.

E aí vai o selinho: oferecido a todos. Divulguem aos amigos que gostam de sonhar ou àqueles que esqueceram. Aos que não se permitem sonhar. Façam o convite. Espero que hoje o dia seja diferente e especial.

Eu vou gostar se você puder contar no seu blog qual foi o seu sonho e as sensações que ele causou em você. Descreva, se puder, o que você pensa em fazer para manter este hábito.

Selinho mágico

Eu fui presenteada pela Beth (Noites em Claro) e pela Janine (Impressões Minhas) com o Selinho Mágico.


Bom, as regras são:

1. Postar o selinho:

Já pode ser visto acima.

2. Responder: "O que é mágico para você?". 


Descobri que a magia existe nas pequenas coisas e na forma de encarar a vida. Tenho procurado viver  dia após dia procurando o melhor nas coisas e dentro de mim mesma. Entrego-me à magia da renovação diária, colocando objetivos e realizando feitos que me transformem numa pessoa melhor e feliz. Felicidade é magia. 

3. Coloque uma imagem que você acha mágica:

A imagem vai ser na forma de presente para todos que acessam este blog. Vai no post seguinte.


4. Indicar outros blogueiros:

Sempre fico um pouco constrangida na hora de indicar. Na maioria das vezes os meus conhecidos já foram indicados e ao mesmo tempo, detesto passar a impressão de que estou esquecendo ou desconsiderando alguém. Bom, indico o selinho a todos! 



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Desapego



Quando a gente ouve falar em desapego, a gente pensa logo em desapego material. A gente lembra de Jesus Cristo em seus trajes modestos e em plácidos monges tibetanos que vivem isolados de tudo e de todos. E parece tão longe de nossa realidade, tão distante de nosso dia-a-dia.

Entendi recentemente que apego é um conceito muito mais amplo.

Ser desapegado implica em não gerar expectativas exageradas e sobretudo desnecessárias. Porque expectativa parece andar de mãos dadas com a decepção. Decepção porque se muitas vezes nem nós mesmo somos capazes de prever as consequências de nossos atos ou escolhas, imagina então quem vive ao nosso redor. Um desconhecido é capaz de entender que a gente queria andar naquela ponta da calçada? Uma amiga consegue prever que naquele modelo de blusa a gente acha que a cor não cai bem? Se a resposta dessas perguntas é não, para que então complicar, gerando em cima de situações simples mais e mais fatores de expectativa potencializando a nossa decepção? Criando no que poderia ser binário uma verdadeira múltipla escolha onde as respostas certas parecem nunca ser marcadas?

Claro que ser desapegado também implica em não valorizar tanto algo material. Por que o que é material deprecia, pode ser roubado ou destruído. Então a gente pode cuidar tendo a compreensão de que um dia aquilo pode ser tirado de nós por motivos alheios ao nosso controle. Pode ser mais fácil se a gente tiver por dentro coisas que não poderão ser tomadas: as nossas virtudes.

Dentro da amplitude do desapego, descobri que precisamos nos desapegar dos pensamentos, dos maus hábitos. A gente busca às vezes no mundo externo, em terceiros, as causas das nossas desgraças e não percebe que sem querer a gente é que está cultivando aquilo que nos incomoda. Sem notar, a gente trás de volta para dentro da cabeça o pensamento nocivo, ou mesmo aquelas coisinhas que a gente pensa, aparentemente sem importância, lembranças, análises, como nós gostamos de pensar, mas que na verdade são as nossas algemas, que nos mantêm presos no mesmo lugar.

"I will not harbor negative thoughts". Eu não vou abrigar pensamentos negativos.

Assim citou Elizabeth Gilbert em seu best-seller. Um grande passo é reconhecer que esses pensamentos existem e que eles não são saudáveis. É a prática do desapego. É mais fácil a gente voltar num pensamento antigo, mesmo ruim, do que substituí-lo por um novo. A gente tem medo de criar novas complicações. Então porque deixar ir? Deixa eu ficar aqui quietinha com o meu antigo pensamento. É o que a gente sente no fundo, sem se dar conta.

Se a mente insiste em não ajudar, mesmo a gente sabendo que não quer abrigar os tais pensamentos, então vale de tudo. Vale repetir a tal frase, do "Eu não vou abrigar pensamentos negativos". Vale rezar, vale cantarolar, vale correr, fazer abdominal, lavar a louça, ler um livro, ver um filme. Só não pode é deixar ele lá, como a mesma autora tão bem apontou: como um mantra de negatividade. Então basta a nós, se não somos capazes de esvaziar nossas mentes, substituir o mantra ruim por um mantra bom. Pode ser um inventado, não precisa ser complicado. Só precisa nos fazer bem.